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sábado, 30 de abril de 2022


QUEM MOLHOU O CALÇÃO DO JOSÉ?

Era um dia como todos os outros na então pacata cidade de Cachoeiro de Itapemirim, especialmente para dois meninos de aproximadamente 16, que mais pensavam em jogar futebol do que necessariamente trabalhar. Jogar bola era sinônimo de liberdade e vida boa... mas trabalhar, hum... vamos deixar isso para lá.

Esses dois amigos trabalhavam desde cedo pois, naquela época, era importante começar a trabalhar bem cedo, porém os pais não descuidavam da educação daqueles meninos que cresciam no círculo social que envolvia igreja, futebol e muitas estrepolias que seus pais só tomaram conhecimento anos após.

Eles trabalhavam numa fábrica de seringas de vidros de uso veterinário. O trabalho consistia em cortar os tubos e ajustá-los para que fossem colocados numa capa de latão cromado. Era um trabalho mecânico, porém era necessário ter muita precisão para que nenhum liquido se perdesse no processo de aplicação do remédio.

A fábrica ficava no térreo da casa do patrão “Seu Joãozinho”, que era um sujeito que gostava muito de conversar e que tinha um coração tão grande que diziam que ele tinha um coração de mãe. Os dois meninos chegavam na fábrica pontualmente, às 07h da manhã, para realizarem suas tarefas diárias.

Sempre por volta das 09h da manhã, tomavam café e depois voltavam ao trabalho. Eis que um certo dia, ao tomarem café, um copo bem cheio foi derramado pela mesa e na pressa de resolverem o problema, eis que viram o calção do menino que trabalhava na parte da tarde, chamado Santos, pendurado bem diante daqueles olhos. Pegaram o calção e secaram o café derramado e recolocaram a pela de roupa no mesmo lugar.

Na parte da tarde, Santos o dono do calção chega e quando vai vestir o calção percebe que está molhado de café , começa a chorar e ,  usando a prerrogativa de ser irmão de um dos sócios,  reclama e abre uma enorme crise entre o “Seu Joãozinho”, e os dois meninos, pois ele ficara extremamente aborrecido.

Os dois amigos são chamados ao escritório do “Seu Joãozinho”, que diz: - quem molhou o calção do José? Os dois meninos responderam quase a uma só voz – não fui eu! Ele perguntou pela segunda vez: - quem molhou o calção do José? As respostas dos meninos foram as mesmas. Então o “Seu Joãozinho”, resolveu dar uma suspensão de três dias nos dois meninos.

Os meninos foram para casa e durante os três dias, aproveitaram para jogar bola, correr atrás de pipas e tomar banho no rio, enquanto o José, causador da encrenca estava trabalhando sozinho, tentando dar conta dos pedidos que não paravam de chegar.

Findado os três dias de suspensão, os dois amigos voltam com um plano combinado de que não iriam falar quem havia sujado o calção do José, limpando a mesa suja de café. Foram chamados ao escritório para conversarem com o “Seu Joãozinho” sobre o ocorrido.

A primeira pergunta feita pelo “Seu Joãozinho”: - pela última vez... quem molhou o calção de José? Se não aparecer o autor vou despedir os dois. Vocês entenderam?

Os dois amigos conforme combinado, fingindo choro, disseram: - “Seu Joãozinho”, o sr. pode nos despedir, aqui estão nossas carteiras de trabalho, mas saiba que estará cometendo uma grande injustiça.

Quando o “Seu Joãozinho”, ouviu aquilo parou e disse: - não entendo porque estaria cometendo uma injustiça! Com as caras mais lavadas eles disseram: - naquele dia choveu o senhor não se lembra? Ele parou, pensou e gritou para sua esposa no andar de cima: - Sandrinha, choveu na quinta-feira? Ao que ela respondeu, também aos gritos: - sei lá, acho que choveu!

Quando o “Seu Joãozinho” ouviu a resposta da esposa chamou o José e deu-lhe uma bronca, dizendo que ele precisava crescer a aprender a ser homem e que não deveria acusar os amigos de coisas que eles não haviam feito. Os dois amigos nem se olhavam para não rirem. Foram reconduzidos para o trabalho com pedidos de desculpas do patrão.

Os amigos votaram para o trabalho contando e exagerando nas histórias de tudo que fizeram enquanto o José, trabalhava sozinho. O menino sofreu bastante nas mãos dos amigos descontentes com a situação que fora criada. Mas como meninos brigam e depois voltam as boas...

O tempo passou e aquele amigos, agora homens, continuam amigos incluindo o José. Sempre que podem se encontram e dão boas gargalhadas das situações que viveram e aprontaram na adolescência.

É isso por hoje... é vida que segue!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022


HISTÓRIAS DE VIDAS NUMA CANECA DE CHÁ!

O ano de 2014, foi de profundas mudanças na minha vida. Deixei o meu estado e viajei à cidade do Rio de Janeiro para passar por um treinamento de 04 (quatro) meses em tempo integral. Foi uma experiência agradável e confesso que tenho saudades dos bons tempos de aprendizagem.

Quase um ano depois, após viajar por algumas partes do Brasil, iniciei os preparativos para o grande dia, que seria a minha viagem para o Continente Africano, precisamente Dakar, Senegal. Tudo certo, malas prontas, passaporte e atestado de vacinação em dia, só restava esperar o momento da viagem.

Quando deixei Cachoeiro, minha terra natal, fiquei com meu coração totalmente dividido. Uma amiga foi me deixar na rodoviária e não tive coragem de olhar para trás quando me despedi dos meus entes queridos. Deixei mãe, irmãos e sobrinhos e parti para uma das maiores experiências de minha vida.

Finalmente chegou o dia 17 de agosto e por volta das 11h (onze) da manhã, voei para São Paulo. Lá, fiquei esperando o voo que sairia às 23h40min e me levaria até Joanesburgo, África do Sul, naquele domingo de tempo bem enfumaçado tanto no Rio, como em São Paulo.

Foi uma viagem tranquila até a África do Sul e como faria uma conexão naquele país e ficaria por cerca de quase 05 (cinco) horas esperando, aproveitei o tempo para andar pelo aeroporto para sentir e respirar um pouco da cultura da terra de Nelson Mandela. Foi uma experiência muito agradável ouvir as músicas melodiosas que entravam pelos meus ouvidos e atingiam o meu coração, mexendo com as minhas emoções.

No final da tarde, embarquei para uma viagem de mais nove horas, saindo do sul da África, para cortar todo o continente e chegar a Dakar, capital do Senegal, no dia 19 de agosto, precisamente 02h (duas) horas da manhã, totalmente exausto e meio que perdido no tempo em função do fuso horário. Minha cabeça estava confusa.

Sair do aeroporto de Dakar foi um grande problema. Uma das malas com materiais do PEPE, foi extraviada e acabei ficando mais de duas horas preso no aeroporto, esperando que o objeto fosse encontrado. Como a procura fora improdutiva, acabei deixando o contato de uma colega missionária que morava mais próximo do local, e finalmente, deixei o saguão do aeroporto.

Minha primeira reação ao chegar no pátio aberto é de que estava entrando num grande forno, tamanho o calor que fazia naquele país. Enquanto passava pelo corredor humano de senegaleses, nigerianos e gente de muitas outras nacionalidades, oferecendo-se para trocar a moeda estrangeira pela nacional, visualizava ao longe duas pessoas que se tornariam grandes amigos: Dr. Humberto e José Ricardo, conhecido carinhosamente como Ricardo.

Vencida aquela etapa da chegada e acomodado no carro missionário do Humberto, fui levado até o apartamento missionário de passagem que seria o meu lar pelos primeiros cinco meses. Era tudo muito diferente e assim que entrei no local, recebi de presente um croissant, gentilmente guardado pelo radical Jean. Tomei um banho, fiz um lanche, fui levado ao meu quarto, deitei e senti, finalmente, após dois longos dias de viagem, cheguei... relaxei e adormeci.

Nos meus primeiros momentos no Senegal, recebi toda atenção do Ricardo, me levando aos lugares que eu precisava conhecer para providenciar os documentos necessários de permanência no país. Foram momentos preciosos para um sujeito que não tinha muito conhecimento da cultura africana.

Conviver com o Ricardo nunca foi difícil, pois além de ser um profundo conhecedor da diversidade da cultura africana, ele sempre teve um temperamento de homem de paz e também uma profunda e longânime paciência com uma pessoa recém-chegada em um país onde tudo era absolutamente diferente. Era preciso muita paciência!

Ricardo morava em Saly, local que ficava aproximadamente três horas de distância de Dakar, e lá ele cuidava do PEPE Dund Gi = (que significa vida na língua olof), mas ainda assim, sempre tirava um tempo para estar nos encontros dos missionários as terças e claro, eu não poderia deixar passar a oportunidade de ouvir suas experiências no Continente Africano.

Após um tempo vivendo em Dakar estudando francês, chegou o momento de arrumar as malas para morar em Saly e conhecer de perto o funcionamento do PEPE. Tudo pronto! Fiz uma viagem tranquila e finalmente me instalei na casa do meu amigo e assim, comecei a me acostumar com minha nova rotina. Ricardo, o bom anfitrião.

Quando cheguei em Saly, conheci de fato o trabalho que era realizado pelo meu amigo, confesso que fiquei impressionado com sua dedicação às crianças, pais e professoras no PEPE e em especial, o cuidado com a Igreja que ele pastoreava. Ricardo, o líder e pastor.

Em todos os momentos de trabalho no campo senegalês diretamente com o meu amigo, sempre me recordo de vê-lo desenvolvendo suas atividades com garra, seriedade, sentimento de urgência e excelência em tudo que fazia que me impressionavam. Ricardo, o trabalhador por excelência.

Naquele tempo, tivemos muitas conversas sobre a vida, família, campo e tive oportunidade de aprender a encarar a vida com mais simplicidade e tentei aprender a fazer com que as mais difíceis tarefas em missões parecessem fáceis, mas essa lição era bem complicada. Ricardo, o homem da simplicidade.

Chegou o tempo da formatura das crianças do PEPE, em Mbour. Houve uma grande movimentação. Qual tecido será escolhido? Para onde os pepitos irão após a formatura?  Os pais amavam o PEPE e não queriam que as crianças fossem para outra escola, imploravam para que a igreja abrisse a primeira etapa do ensino fundamental. Você não tem ideia do que significa isso num país de maioria muçulmana. Ricardo, o adorável educador.

Como parte do meu treinamento, fui com o Ricardo ao Mali, país que fica ao norte do Continente, conhecer e participar de um treinamento na Igreja da amiga missionária Verinha. Durante uma semana, vi um professor dando formação das 08h (oito) horas da manhã até às 17h (dezessete) horas com, literalmente, uma hora de almoço de segunda a sexta. Ricardo, o coordenador incansável do PEPE.

Não posso deixar de mencionar que muitas vezes quando chegávamos da igreja ou mesmo no apartamento onde morávamos, em Dakar, o amigo perguntava: “posso fazer alguma coisa para comermos? ” Meu coração saltava de alegria, pois não sabia o que ele arranjava porque em menos de uma hora (eu levaria pelo menos três horas) tinha comida pronta e com aquele sabor africano que somente provando para você entender. Ricardo, o master chefe preferido de todos os missionários.

O tempo passou e quando já estava no Togo, tive a honra de recebê-lo para ministrar um treinamento com os nossos professores togoleses e como não poderia deixar de ser, foram quatro dias de trabalho intenso. Houve um atraso de um dia na viagem, porém o trabalho e aproveitamento foram fantásticos e vivemos um grande amadurecimento dos nossos professores. Ricardo, o professor da superação.

Depois dessas experiências, tive aquela que muito marcou a minha vida, pois se deu a milhares de quilômetros do Senegal e do Togo, foi em Porto Alegre, Rio Grande do Sul no dia 9 de janeiro de 2016, quando tive a honra de ser o padrinho de casamento de Ricardo e Denise. Carrego comigo para sempre esse orgulho e posso afirmar que não é pecado.

Meu querido amigo, sei que os últimos tempos foram e têm sido de muitas lutas e desafios, mas como você dizia nas nossas conversas: “é preciso viver a cada dia com fé. Nossa fé, a fé dos amigos, fé dos parentes, fé da esposa, fé de um grande grupo que nunca vamos conhecer com os nossos olhos carnais, mas podemos vê-los com os olhos da fé, se é que fé tem olhos.”

Sou grato a Deus por sua vida. Sou grato pela simplicidade como você sempre viveu e nunca se ufanou por ser um veterano no campo, mas me tratou com paciência e compartilhou experiências que somente pessoas seguras e firmes partilhariam.

Sou grato a Deus, por saber que você contribuiu e ainda tem muito a contribuir em favor das nossas crianças africanas, brasileiras e de diversas partes do mundo. Sei que você carrega as marcas desse amor incondicional aos pequeninos e que jamais sairão do seu coração.

Não posso deixar de mencionar que nós que tivemos o prazer de conviver contigo, jamais esqueceremos a sua simplicidade, o seu carinho e respeito com o próximo. Minha vida foi marcada por algumas pessoas no Continente Africano, mas saiba que você e Denise têm um lugar todo especial no meu coração e com certeza no coração de muitas pessoas.

Nunca se esqueçam... amo vocês.

É isso por hoje... é vida que segue.

 

sábado, 12 de fevereiro de 2022


Histórias de vidas numa caneca de chá!

Era uma noite quente, como praticamente todas as noites em Dakar, Senegal. Terça-feira, 30 de junho de 2015. Em poucas horas entraria num avião que me levaria à Lomé, capital do Togo.

A semana anterior à viagem fora extremamente corrida com os preparativos. Era preciso providenciar visto para entrar no Togo que implicava num convite feito pela Convenção Batista Togolesa e tive que tomar vacina contra meningite, pois era uma exigência do meu futuro país.

Naquela noite, após fazer check-in, quando me assentei no setor de espera do aeroporto, um filme passou pela minha cabeça. Havia um sentimento de gratidão por ter passado 11 (onze) meses no Senegal e ter convivido com pessoas que marcaram minha vida e sobre elas terei oportunidade de escrever, com muito carinho.

Tudo pronto e a nossa aeronave levantou voo. Deixava para trás amigos e carregava para sempre dentro do meu peito lembranças que jamais sairão da minha mente. Com esse misto de sentimento, adormeci e acordei com a preparação para a aterrissagem em Lomé.

Um país novo, uma terra nova e sozinho. Fui recebido no aeroporto por dois membros da Convenção Batista Togolesa e conduzido até os aposentos do Seminário Teológico Batista de Lomé. Instalado num simpático apartamento, no final de um longo corredor, no segundo andar do internato. Assim foi o meu primeiro dia no Togo.

Antes de viajar, uma amiga missionária, chamada Sandra, muito me falava de um certo casal de missionários da Jocum que moravam em Lomé. Ele, togolês e que se chamava Fofone e ela, Ellen, brasileira, nascida no Acre. Conheceram-se no Senegal e se casaram no Brasil.

A sensação de chegar num país onde você não tem a mínima ideia do que vai encontrar e como o primeiro missionário brasileiro da Convenção Batista Brasileira, era uma grande responsabilidade, um misto de sensações descreverei nas minhas memórias da África.

Meu primeiro dia foi corrido. Quando chegou a minha primeira noite no Togo, me recordo que caiu uma chuva bem típica, daquelas que têm caído em Cachoeiro nesses últimos dias. Os ventos eram bem fortes e por alguns momentos tive dúvidas se estava no solo africano, pois no Senegal não choveu daquele jeito, pelo menos quando estive lá. Deite-me disposto a descansar até às 10 (dez) horas da manhã e com esse pensamento, adormeci.

No dia seguinte, manhã de quinta-feira, dia 02, quando comecei a sonhar que estava morando em outro país com alguns costumes totalmente diferentes do Senegal, eis que sou surpreendido com uma suave batida na porta do apartamento. Quem seria naquela hora da manhã?

Levantei-me cheio de interrogações, me dirigi até a porta e assim que abri, recebi o sorriso mais simpático que alguém poderia receber num país que você pouco conhece e me disse: - Como vai Roberto? Me chamo Fofone, sou esposo da Ellen e quero dizer que você é resposta de Deus às nossas orações. Seja bem-vindo ao Togo!

Conversamos e logo fui convidado para ir até a Embaixada Brasileira no Togo, para ser apresentado aos brasileiros que lá trabalhavam. Minha vontade de descansar foi embora, me preparei e lá fomos nós até o imponente prédio.

Saindo de lá, fomos direto para o Gblenkome, residência do Fofone. Finalmente, conheci a Ellen, sua esposa. Fizemos a primeira de muitas refeições que faríamos juntos e assim nascia uma grande amizade de parceiros de lutas e de oração. Na verdade, não foram apenas amigos, tornaram-se verdadeiros anjos na minha vida.

A partir daquele momento, comecei a conhecer os muitos brasileiros que moravam naquele país, apresentados pelo querido casal. Foram verdadeiros anfitriões e me mostraram como era o país desde os seus costumes e em especial, como se comportava o povo togolês.

Durante os meus primeiros meses, conheci algumas igrejas Batistas onde seria possível iniciar o Pepe e o bairro escolhido para organizar nossa primeira unidade do PEPE – Programa de Educação Pré-Escolar no Togo – foi no bairro de Gblenkome, na Primeira Igreja Batista da Fé em Gblenkome... Falarei melhor sobre essa experiência nas minhas memórias no Continente Africano.

Ser recebido com tanto carinho e ter amigos que me ajudaram no tempo de adaptação no Togo foi fundamental. Fui acompanhado pelo Fofoné ao departamento de regularização de imigrantes.

Minha convivência com o casal foi importante, pois aprendi a respeitar a cultura e conhecer a educação togolesa. Tente imaginar como seria a adaptação de um educador que passou praticamente sua vida dentro de escolas brasileiras, trabalhar a sua cosmovisão numa cultura diferente.

Como foram importantes as tardes de conversas nos cafés, ora em minha casa, ora na casa deles. Foram momentos de compartilhamentos de vida, projetos e de sonhos. Tempo de alegria, tempo de lágrimas derramadas, tempo de muita oração e tempo de esperança.

Atualmente, Fofoné é o líder da Jocum no Togo. Uma das marcas do trabalho do casal é o amor que têm pelas crianças do mundo e especialmente do seu país. O casal teve oportunidade de trabalhar como missionários aqui no Brasil, mas o amor pelo seu povo, por sua gente, o fez recusar e voltar para o seio de sua gente.

Claro que preciso falar de parte da família Tengue que mora Djavè. Tive várias oportunidades de estar com aquele grupo de pessoas maravilhosas, a começar pelo seu patriarca, um homem pequeno na estatura, porém um grande e respeitável líder. Foi muito bom conviver por um tempo e aprender como são os costumes familiares numa aldeia (uma espécie de distrito).

Em Djavè, tivemos a oportunidade de trabalhar no treinamento de dois professores para implantação do PEPE e não vou me arriscar a escrever o nome deles. O número de crianças que moram na Aldeia é imenso e tenho certeza de que se um dia você for até o local, não terá vontade de sair de lá. Os desafios daquela região são de levar às lágrimas quem ama e deseja que as nossas crianças cresçam instruídas pela Palavra do Senhor.

Sou grato a Deus por Ele ter colocado no meu caminho e da minha família, justamente esse casal, totalmente desprovido de orgulho e com uma humildade a toda prova. Com eles aprendi que no campo missionário, você deve e precisa aprender a depender totalmente do Senhor, pois Ele chama, prepara e sustenta de uma maneira maravilhosa. Deus é fiel!

Agradeço a Deus, pois nos meus momentos de certos sufocos na vida missionária, sempre recorria aos amigos para socorrer-me e sempre ouvia um conselho e uma palavra amiga. Deus é fiel em nos proporcionar amigos!

Não posso deixar de agradecer pelos cuidados que sempre tiveram comigo. Pode parecer estranho para alguns, mas foi como se eu tivesse sido adotado por um casal, devido ao carinho e preocupação que sempre tiveram quanto ao meu bem-estar físico e espiritual. Deus colocou anjos na minha vida!

Sou grato a Deus, pois o meu tempo no campo missionário foi de grandes aprendizados e quanto mais aprendi com os meus amigos, mais amei o povo e como parafraseando o título de certo livro, posso dizer que enterrei o meu coração na curva das estradas do Togo, para sempre.

Obrigado Fofone, Ellen e João Eyram, por tudo que fizeram, fazem e representam para minha vida. Se já existia amor no meu coração pelo continente africano, ele só fez aumentar após a chegada dessa querida família na minha vida.

A Deus toda glória...

É isso por hoje... é vida que segue!

 

 

 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022


Histórias de vidas numa caneca de chá!

Existem eventos que acontecem em nossas vidas que não entendemos muito bem no momento que estamos a experimentá-los.

Minha história como educador começou quase que sem querer, mas sobre isso falarei depois. Fui indicado pelo amigo Israel Belo ao professor Erotildes Malta Nascimento, então diretor do Colégio Batista Shepard.

Depois de um ano de trabalho ao melhor estilo do filme “Ao mestre com carinho”, comecei a “pegar o tempo do aluno'', tese que defendo, fiquei apaixonado e me entreguei de corpo e alma à minha vocação.

No meu segundo ano como professor de educação cristã, decidi fazer pedagogia e essa decisão foi um divisor de águas na minha vida. Durante o meu curso, comecei a sentir um desejo de trabalhar no serviço público, prestei concurso e realizei mais um sonho.

Meu início no serviço público foi nos anos 90, precisamente no ano de 1995. Foi um início bem difícil, mas sobrevivi a ponto de poder contar esta história.

Em 2005, fui transferido da SRE – Superintendência Regional de Educação Cachoeiro à SEDU – Secretaria de Estado da Educação, em Vitória, para trabalhar na Gerência de Ensino Médio e tive o prazer de conhecer minha colega de trabalho que mais tarde se tornaria minha gerente, Ana Eremita Bravim Ribeiro.

Naquele tempo o ritmo de trabalho era bem diferente! Havia muito o que fazer e a nossa equipe era bem pequena. Isso fez com que nossa amizade se solidificasse.

O tempo passou e assumi a gerência de educação básica. Via de regra, conversava muito com a Ana, buscando soluções para questões que se apresentavam e normalmente de difícil solução. 

Assumi a SRE Vila Velha, como Superintendente, num tempo de inúmeras dificuldades. Trabalhava o dia inteiro e no final do dia, chegava na Secretaria e sentava com Ana para despachar processos de Designações Temporárias, administrativos e pedagógicos e saíamos por volta das 21 horas, porém com todo trabalho pronto.

Tão logo saí de Vila Velha, cheguei na Gerência de Apoio Escolar, para trabalhar diretamente com minha amiga. Foi um tempo de terceirização da alimentação e pude ver de perto a força de trabalho dela. Foram mais dois anos e meio de andanças pelo meu estado que conheço com a palma de minha mão.

Quando saí de licença e fiquei três anos fora do Brasil, precisei de alguém que cuidasse da minha vida funcional e tenho certeza de que você deve imaginar quem foi: Ana Eremita Bravim Ribeiro

Ana é uma amiga autêntica que procura sempre dizer a verdade, ainda que as palavras possam doer no momento, mas ela está sempre ao seu lado para o que for preciso.

Ana é uma espécie de memória ambulante da Secretaria de Educação. Sabe informar e falar praticamente de tudo, mas nunca se apossou do seu conhecimento sem compartilhar com os seus pares.

Ana é uma pessoa que sempre trabalha para fazer o que é correto no serviço público. Sempre tratou o bem público com extrema responsabilidade.

Ana é uma funcionária exemplar! Nunca utilizou os muitos cargos que ocupou como servidora para benefício próprio. Pelo contrário, seu desprendimento aos títulos, sempre foi algo que marcou a sua vida na rede pública.

Ana é uma pessoa com quem é possível sentar, sorrir, chorar, lamentar, levantar e ir à luta com a força, com a confiança de uma criança que salta no escuro no colo do seu pai.

Ana, mulher, mãe, tia, irmã, amiga e avó é uma dessas muitas mulheres numa só que se desdobra para oferecer o melhor aos seus entes queridos no seu dia a dia. 

Ana, foi um grande prazer participar contigo em várias jornadas, algumas consideradas loucuras, para o bem daquelas crianças que ficam lá na ponta, naquela escolinha que poucas pessoas sabem que existe, mas o tempo inteiro foram valorizadas.

No meu coração passa um misto de tristeza e felicidade. Tristeza, pois não teremos mais as nossas reuniões e esclarecimentos no nosso café com trabalho da tarde. Alegria, pois você terá mais tempo para passar com sua família e netos, passear com o esposo e viver num lugar para lá de agradável.

Meu desejo, como amigo, é que Deus continue abençoando a sua vida e iluminando-a por onde quer você passar e concluo com a benção Araônica: “Que o Senhor te abençoe e te guarde, que faça resplandecer o seu rosto ti e tenha misericórdia de ti, que o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz”.

É isso por hoje... com o coração apertado a vida precisa seguir.

 

 

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022



Histórias de vidas numa caneca de chá!

Todos nós, de um modo geral, gostamos de ganhar presentes e algumas pessoas gostam tanto da lembrança, que por hábito, acabam guardando-a, sem utilizá-la por um bom tempo.

Sempre gostei de canecas e comecei uma bela coleção durante alguns anos, coleção esta que relembrava um pouco dos lugares por onde passei e alguns presentes dos amigos.

Na caneca em tela, aproveitando um termo usado nos processos das repartições públicas, encontraremos várias fotos que serão alvo de algumas crônicas ao longo das próximas semanas.

A primeira foto, reporta ao ano de 2017, quando estive no Brasil por ocasião do Congresso do PEPE Internacional. Antes da programação iniciar, tive a grata surpresa de reencontrar Néri, amiga que a gente guarda do lado esquerdo do peito para sempre.

Em 1982, ano que o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil fervilhava de alunos e mais parecia uma cidade sem comércio, chegou mais duas turmas para iniciarem os cursos de música sacra e teologia.

Num dos dois grandes grupos, estava uma jovem bem tímida, chamada Néri, vinda diretamente de Realengo para cumprir seus quatro anos no curso de música sacra.

Naquela época, eu passava maior parte do meu tempo no Centro de História Viva dos Batistas Brasileiros, ora estudava, ora cumpria  os trabalhos exigidos pelos professores.

Certo dia, entraram algumas moças naquele recinto e começaram a indagar sobre o trabalho que era feito naquela espécie de calabouço e entre essas jovens estava Néri. Mesmo diante de minha timidez, começava ali, uma grande amizade.

O tempo passou, conclui meu curso e continuei trabalhando no STBSB e assim que ela terminou o curso de música em 1985, seguiu o seu caminho dedicando-se à música e também a fonoaudiologia, tornando-se pós-graduada  nessa área.

Muitos corais e crianças foram cuidadas e devidamente tratadas, com todo o carinho, por essa amiga querida. Convém dizer que, após sua formatura no STBSB, nos encontramos apenas uma vez na Convenção Batista Brasileira, que aconteceu no Centro de Convenção na Barra da Tijuca.

Tenho uma amiga que sempre diz que amigo é aquele que você pode ficar anos sem ver e quando se encontram dizem: “oi, amigo que bom te rever!”. Foi assim, reencontrei minha amiga e iniciamos uma conversa praticamente de onde paramos na última vez que havíamos nos encontrado.

Néri, é uma dessas pessoas que ajudam nossa vida a se tornar mais leve pela maneira tranquila como leva a sua vida, apesar de todos os reveses que a vida, às vezes, oferece.

Néri, é alguém que consegue enxergar os conflitos das relações de uma forma cristalina e consegue separar os interesses reais e chegar ao centro do problema e sempre está disposta a trabalhar pela solução e não pela extensão do conflito.

Néri, é especial! Sua sensibilidade, particularmente, me faz desejar que o mundo fosse povoado de pessoas com a bondade e o desejo de uma sociedade melhor, algo que ela carrega em seu coração e mostra através das suas atitudes.

Néri, é uma amiga que sempre procura mostrar as possibilidades das situações que parecem não haver mais esperança, sempre mirando de maneira inequívoca, o autor e consumador da nossa fé.

Néri, é uma dessas amigas que nos jogam para cima, seja lendo, corrigindo e sugerindo os meus textos, bem como indicando pessoas que podem acrescentar elementos novos aos meus sonhos de realização ministerial.

Néri! Sou grato a Deus por sua vida e saiba que necessitaria de muitas outras canecas de chá para falar da minha gratidão e o apreço que tenho por sua vida.

Obrigado pela caneca, que me faz lembrar várias histórias de vida... Vamos continuar tomando o nosso chá, café ou água, recordando os nossos encontros do dia a dia.

É isso por hoje! É  vida que segue...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022


Viva a Compaixão

Na segunda-feira, dia (10) dez, foi o lançamento da Campanha de Missões Mundiais e como sou suspeito para falar sobre o assunto, me senti extremamente tocado com tudo que vi e ouvi. Devo confessar, amei o culto e quero parabenizar nossa querida Junta de Missões Mundiais pelo programa leve, gostoso e objetivo.

Um outro fato que me trouxe muita alegria foi o tema da Campanha para esse ano: Viva a Compaixão. É profundamente oportuno, pois trata de um assunto que, a meu ver, vem preencher uma lacuna nas nossas igrejas e consequentemente em nossas vidas.

Viver a compaixão tem vários significados e quero compartilhar alguns deles nesta reflexão. Compaixão é o sentimento de piedade com o sofrimento alheio. Vivemos um tempo no qual pouco nos preocupamos com o sofrimento do outro.

Lembro-me daquela mulher apanhada em adultério e que fora colocada diante do Mestre, foi perdoada por Ele. João 7:53; 8:1-11

Viver a compaixão tem a ver com a nossa identificação com as pessoas que são infelizes em sua maneira de viver por experiências que marcaram ou ainda marcam sua existência.

Gosto do encontro de Jesus com a mulher à beira do poço que teve vários homens na vida. Era infeliz, mas quando encontra Jesus, sua vida é totalmente transformada. João 4: 1-30.

Viver a compaixão, tem a ver com o sentir com o outro o momento de pesar causado pelas tristezas que experimentam em determinadas ocasiões da vida. Estamos vivendo tempos difíceis em função das nossas perdas nesta pandemia.

Vem ao meu coração, Jesus usando de compaixão junto à família de Lázaro.  Ele chorou com Marta e Maria, suas irmãs. Ele se identifica com o nosso pesar, preciso aprender a me identificar com o pesar do outro. João 11: 1-44.

Viver a compaixão tem a ver com a ideia de olharmos as necessidades materiais do outro com empatia e sem questionamentos.

Quando a multidão que andava atrás do Mestre, ao lado do mar da Galileia e os discípulos quiseram dispersá-las, Jesus não teve nenhuma dúvida em realizar a multiplicação dos pães atendendo a necessidade de alimento. João 6: 1-15. Assim acontece com milhares de pessoas no Brasil e no mundo que precisam do pão de cada dia nesse nosso tempo.

Viver a compaixão tem a ver com olhar os nossos irmãos, amigos e o mundo que nos cerca de forma diferente. Em João 9: 35, encontramos Jesus observando as multidões. O olhar de Jesus era totalmente diferente, pois Ele não estava simplesmente com o olhar na Palestina do seu tempo, mas sim atravessando o “túnel do tempo” e chegando aos nossos dias com a mesma ternura.

Senhor, abra os nossos olhos!

Viver a compaixão, a cada dia, é dever de cada um de nós, independente do nosso credo e convicções religiosas. A vida e exemplos de Jesus precisam ser a nossa meta.

Vivamos a compaixão!

domingo, 9 de janeiro de 2022


Em Busca da Infância Perdida

Em busca da infância perdida é um projeto que visa resgatar a importância da criança num contexto em que a sociedade, o poder público e as instituições têm ignorado o grito vindo de um grupo que está se perdendo, mesmo antes de se entender como sujeito de direitos, diante da violência comum em nosso país.

O projeto tem como objetivo dar suporte aos pais, professores, educadores sociais e a todas as pessoas que trabalham com ministério infantil.

Buscar a infância perdida tem como base trabalhar valores que foram esquecidos por uma coletividade que tem muita pressa em ler o último post das redes sociais de crianças brutalmente assassinadas, violentadas ou abusadas, sem se preocupar com pequenas ações que poderiam evitar tamanhas tragédias.

A proposta do projeto é dar suporte através de cursos teóricos/práticos sobre a importância do desenvolvimento infantil; trabalhar a compreensão de como a criança aprende; o trabalho lúdico e as brincadeiras para o estímulo motor e a relevância da contação de histórias que ajudará na imaginação e aprimoramento das funções cognitivas e dará oportunidade aos responsáveis de atuarem com ferramentas apropriadas que ajudarão no resgate dessa criança.

Em Lucas 2:52, encontramos que “Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens.” Toda criança no seu desenvolvimento deve evoluir, amadurecer e crescer, a exemplo de Jesus, mas necessita ter uma base sólida para que esse crescimento seja harmonioso.

O caminho pode parecer longo, mas temos urgência de correr contra o tempo, pois estamos perdendo tempo e nossas crianças estão perdendo suas vidas.