.

.

domingo, 19 de abril de 2026

Como é Grande o Nosso Amor por Você
(Homenagem ao aniversário do meu sobrinho Dudu)

Na Princesa do Sul, assim também é conhecida a cidade de Cachoeiro de Itapemirim, foi preparada uma grande festa em comemoração aos oitenta e cinco anos de Roberto Carlos, seu filho mais ilustre. Pelas notícias que estamos acompanhando pela TV e pelas mídias sociais, será um grande acontecimento na capital secreta do mundo.

Em 1943, foi instituído o Dia do Índio pelo então presidente Getúlio Vargas e, depois de setenta e nove anos, por meio do Projeto de Lei nº 5.466/19, propôs-se a mudança do nome “Dia do Índio” para Dia dos Povos Indígenas, gerando, assim, a Lei nº 14.402/22. O mais triste dessa história é que, mesmo havendo representação indígena na Câmara Federal, ainda existem grupos insanos que procuram surrupiar terras dos verdadeiros donos do solo brasileiro.

São duas datas importantes, embora a segunda tenha marcado significativamente a minha vida, pois éramos caracterizados de índios ou, pelo menos, tentávamos fazer uma grande festa que, muitas vezes, após as aulas, se transformava em bagunça ou boas confusões. Algumas acompanhei de perto e outras bem de longe; afinal, nunca gostei de brigas. Tem pessoas que não acreditam nessa minha versão!!!

Na minha vida, essa data passou a ter uma importância totalmente diferente a partir de 19/04/2000, quando, recém-chegado de São José dos Campos, onde havia pastoreado por dois anos, peguei em meu colo um ser recém-nascido, e foi amor à primeira vista. O menino recebeu o nome de Eduardo e, carinhosamente, chamamos, nesses vinte e seis anos, de Dudu, Dudal, Dudé, Edu e outros apelidos que usávamos somente dentro de casa.

A partir daquele ano, com todo o meu respeito ao ilustre aniversariante do dia, que é meu xará, e ao Dia dos Povos Indígenas — fatos importantes —, o nascimento de Dudu tornou-se o grande acontecimento. A partir do ano 2000, os dias na casa de minha querida mãe nunca mais foram os mesmos. Eram sempre cheios de alegrias e surpresas no dia a dia, pela presença da criança.

O menino foi crescendo, sempre pequenino, mas dotado de uma esperteza de fazer inveja ao pica-pau, desenho cujas falas ele conhecia todas aos seus cinco anos. Naquela época, eu trabalhava no turno matutino na Escola Estadual de Ensino Médio Presidente Getúlio Vargas, onde Dudu estudou mais tarde. Todas as vezes que eu chegava em casa após o trabalho, tinha o hábito de tomar banho antes do almoço e, sempre que entrava no banheiro, ouvia duas mãozinhas batendo à porta e pedindo para tomar banho. Era uma guerra que, algumas vezes, eu vencia; em outras, perdia, e foi assim que aprendi a dar banho em criança sem deixar cair sabão nos olhos, sempre com a ajuda preciosa de minha mãe, avó inseparável do menino.

Ao longo desses anos, convivemos ora perto, ora bem longe, mas nunca deixamos de nutrir uma grande amizade e respeito. Dos meus sobrinhos, ele foi aquele de quem costumo dizer que o nosso convívio sempre foi um dos mais próximos. Formávamos uma equipe de viagem (minha mãe, Dudu e eu) e visitamos algumas cidades, dentro e fora do nosso querido estado do Espírito Santo. Numa dessas viagens à Cidade Maravilhosa, ele recebeu o Certificado de Honra de Comandante Mirim, por ser o passageiro mais novo na aeronave.

Ao longo desse tempo, vivemos grandes vitórias e muitas alegrias, mas também alguns momentos de perdas, dores e muitas perguntas, tentando entender por que certas situações acontecem em nossas vidas. Entretanto, por todos esses anos, nossa palavra sempre foi de gratidão por todas as experiências vividas, que sempre nos fortaleceram a cada luta que vencemos.

Hoje é um dia de gratidão pela vida de Dudu, pessoa que tem trilhado um caminho de muitas lutas em busca de seus sonhos e conquistas. Alguém que leva a vida com muito trabalho e com os olhos sempre no futuro. É alguém que olha com confiança para o porvir, sem se esquecer de que hoje é o tempo da semeadura e que o horizonte está logo ali.

Dudu, sou grato a Deus por sua vida e já lhe disse isso repetidas vezes, mas, em todos os momentos em que me lembro da sua história e do quanto tivemos a oportunidade de caminhar bem próximos, o meu coração se enche de alegria.

Por isso mesmo, afirmo em nome de nossa família: como é grande o nosso amor por você! E o aniversariante mais importante deste dia chama-se Eduardo — para os amigos e parentes, simplesmente Dudu.

Parabéns, e que Deus te abençoe!

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026


Foz do Iguaçu é Logo Ali!

Foram aproximadamente três meses de espera pela viagem a Foz do Iguaçu, para que o Coral Viva Você, da Secretaria de Estado da Educação, pudesse se preparar para essas apresentações.

Foram muitas horas de ensaio, que se repetiram até que a nossa maestrina Nara e o nosso coordenador Tio Marlon aprovassem não somente a performance nas notas e letras, mas também na expressão e representação artística do nosso Coral.

Esta semana foi corrida para todos os coralistas, mas, para quem coordena, ensaia, entra em contato com os responsáveis pelo Festival Internacional Três Fronteiras 2026 e, além disso, precisa ficar reenviando os localizadores das passagens repetidas vezes, não é uma das melhores tarefas. Obrigado, Tio Marlon!

Por outro lado, imagino que a rotina de quem ensaia também, por vezes, é muito dura, especialmente para quem tem ouvido absoluto, que consegue perceber pequenos erros que os meus jamais perceberiam. Começa no primeiro, depois vai para o compasso vinte e seis e volta para o quatorze, sempre prezando pela pureza dos sons e pela beleza da melodia. Obrigado, Nara!

Todo coral tem um instrumento que serve de base para os coralistas nas apresentações, quando não cantam à capela. No Coral Viva Você, temos um teclado que tem feito a diferença ao longo da existência do nosso grupo, sendo elegantemente executado pelo nosso tecladista, que chegou de mansinho e, a cada dia, mostra sua importância para o grupo. Obrigado, Ricardo.

Cantar qualquer música, mas, em especial, a brasileira sem percussão, é a mesma coisa que ir ao cinema e não comprar um saco grande de pipoca — e ainda comer tudo antes da metade do filme. Não tem graça! Por isso mesmo, somos privilegiados por termos conosco uma percussionista que, além de uma sensibilidade incrível, tem o dom de produzir sons maravilhosos e também de transmitir tudo o que sabe. Obrigado, Flávia!

Ainda no universo instrumental, encontramos os assistentes de percussão. Este que vos escreve, que chegou de mansinho e vai, aos poucos, dentro das suas possibilidades, aprendendo. E temos outro amigo que, além de tocar vários instrumentos de percussão, ajuda no vocal — e acredito que, em alguns momentos, tenha dúvida se canta ou toca. Obrigado, Sergio!

Estou no coral há vários anos e tive a oportunidade de passar por diversas formações. Na minha opinião nada modesta, acho que esta é a melhor delas. Consigo sentir equilíbrio entre os naipes. Nosso grupo vem amadurecendo a cada ano que passa e temos recebido, de presente, pessoas que fortalecem a nossa unidade e que despontam naturalmente. Obrigado, Vinicius!

Somos felizes por termos uma pessoa que viajou para curtir o merecido descanso em família, mas, quando retornou, seu lado social ficou evidenciado, com sua preocupação em ter uma reserva para auxiliar os coralistas e agradecer ao motorista que nos acompanhará na locomoção pela Tríplice Fronteira. Obrigado, Petro!

O que falar das duas meninas que ficam nos bastidores, procurando ajudar em tarefas que nem imaginamos como coralistas, pois elas não aparecem? Uma só faz rir — e a outra também. Rosângela e Lurdinéia, nossos agradecimentos.

Todo coral que se preze precisa ter dançarinos, que carinhosamente recebem o apelido de “pés de valsa”. São coralistas que cantam, dançam, encantam e impressionam. Obrigado a todos os dançarinos das ocasiões especiais!

Aos coralistas Alaídes, Ângela, Daniele, Denise, Edilene, Edimauro, Gustavo, Iolina, Lurdinéia, Cida, Cristina, Glória, Zezé, Mirtes, Moeda, Onorina, Petronilha, Lia, Márcia, Marlon, Rosângela, Sandra, Sara, Sérgio, Simone, Tânia, Teresina, Vinicius Brito e Vinicius Camargo, presentes neste Festival Internacional das Três Fronteiras, para não me tornar repetitivo... muito obrigado! Vamos brilhar para bem representar o nosso Estado do Espírito Santo e os nossos colegas que não vieram conosco.

Quero terminar este texto com um toque de saudade, a partir de uma frase que ouvi de Cida: — Roberto, todos os anos Creuza, de saudosa memória, pegava o panfleto do Festival Internacional das Três Fronteiras e dizia: “Um dia iremos participar”. Mas ela não pode mais fazê-lo. Entretanto, nossa participação é uma homenagem à memória dela e de todos os outros componentes que agora cantam no Coral Divino. Afinal, Foz do Iguaçu é logo aqui!

É isso por hoje... é vida que segue!

sábado, 28 de março de 2026


CONTOS DA QUARESMA...
HAVIA UM BEBÊ VIVO E UMA MULHER MORTA NO CARRO...

Essa história ouvi de um amigo há muitos anos. Devo confessar que, naquele tempo, fiquei impressionado com a narrativa e tive alguma dificuldade para dormir, tamanha a convicção dos relatos apresentados. Os dias eram diferentes e, longe das diversões que nossas crianças têm hoje, restava-nos brincar de pique, queimada, jogar porquinho e ouvir casos assombrosos.

Nosso vizinho morava em frente à nossa casa. Ele era caminhoneiro, num tempo em que os caminhões que mais circulavam pelo país eram as carretas da Scania, que transportavam material para a Fábrica de Cimento Nassau, os famosos FNM, apelidados de Fenemê, e os caminhões da Ford. Este último era o veículo do contador de nossa história de hoje.

No final dos anos 60, as estradas do Brasil eram infinitamente inferiores às grandes vias que temos hoje. Uma viagem de Cachoeiro a Vitória, muitas vezes, levava até quatro horas, considerando as condições da estrada. Os ônibus não tinham ar-condicionado e, além disso, faziam uma parada em Jaqueira, quando todos os passageiros desciam para fazer um lanche ou utilizar os sanitários. Coisa de maluco!

Era nessas estradas que o nosso amigo viajava. Ele cortava o Brasil com seu caminhão, enfrentando os perigos das traiçoeiras estradas do país. Segundo ele, certa vez, quando voltava da Bahia, com muita vontade de chegar em casa, agradeceu a Deus ao cruzar a divisa com o Espírito Santo e se aproximar do município de Pedro Canário. Foi uma longa viagem de quase quarenta dias e, como ele havia saído na Quarta-Feira de Cinzas, queria chegar em casa antes da Páscoa.

Da divisa da Bahia até Pedro Canário é uma distância bem curta, entre 13 e 15 km, percorrida com todo cuidado em aproximadamente 40 minutos, pois as condições da BR-101 não eram favoráveis. Chegou à cidade pouco depois da meia-noite e, como estava com pressa, resolveu seguir viagem para dormir em São Mateus.

A cidade de Pedro Canário é dividida pela BR-101 e, assim que se passa pelo município pela rodovia, há um declive bem acentuado na pista, que acompanha uma enorme depressão no terreno. A impressão que se tem é que a estrada faz um enorme mergulho, onde muitos motoristas desavisados podem sofrer graves acidentes.

A descida foi feita com todo cuidado, levando em consideração que os freios do caminhão eram a tambor e lona, um sistema que exigia muita perícia. Por isso, trafegou bem devagar para, então, no fundo do vale, acelerar e subir o acentuado aclive. Eis que, quando se preparava para concluir a descida, olhou para o lado de um penhasco e viu uma mulher toda suja, acenando e gritando desesperadamente. Ele passou por ela, parou adiante no acostamento e voltou para atender aquela senhora.

Ainda de longe, ela apontava para a ribanceira e, quando ele olhou, viu um carro caído que, pelo estado, parecia ter capotado várias vezes antes de chegar àquele local. Segundo esse amigo, ele nem pensou: passou pela mulher e desceu o mais rápido que pôde, pois, nesse momento, outros caminhões haviam parado, e ele tentou chegar o mais rápido possível ao fundo daquele precipício.

À medida que descia, foi encontrando pertences pessoais que haviam caído do carro pelo caminho, e seu coração disparava cada vez mais. Curiosamente, ao olhar para trás, não viu a mulher, o que achou muito estranho, mas prosseguiu em direção ao carro. Ao se aproximar, começou a ouvir o choro de uma criança de colo. Quando chegou ao veículo, tomou um dos maiores sustos de sua vida: a moça que sinalizava na pista estava morta dentro do carro, ao lado da criança, que não parava de chorar.

Naquele momento, ele disse que todos os pelos do seu corpo ficaram arrepiados e pouco faltou para que desmaiasse. Assim que se recompôs, outras pessoas foram chegando com barras de ferro e ferramentas para prestar socorro, e ele, meio perdido, perguntava se alguém havia visto uma moça fazendo sinal na rodovia, apontando na direção do veículo acidentado, mas nenhum motorista viu tal mulher.

Diante daquela triste situação, a única constatação real que tiveram foi a de que havia um bebê vivo e uma mulher morta no carro, totalmente destruído. Recolheram o menino, subiram o terreno com muita dificuldade e, assim que a Polícia Rodoviária Federal chegou, encaminharam a criança ao hospital mais próximo. As autoridades locais se encarregaram de tomar as demais providências, mas aquela história nunca mais saiu de sua cabeça.

Quando ele contava, alguns diziam que foi um anjo que veio dar um aviso, já que aquela criança não poderia morrer ali de inanição. Outros afirmavam que eram criaturas do além e que aquele fato teria acontecido para que a mãe fosse perdoada de seus pecados, ajudando aquele que seria seu filho. Para algumas pessoas, esse teria sido o último ato de uma mãe em favor de um filho que ela não queria deixar, e a vida dele foi poupada pelo amor que ela tinha pela criança.

Na minha cabeça, nenhuma dessas teorias importava, mas sim a impressão profunda que essa história deixou em meu coração e em minha mente. Passei vários dias sonhando com aquela cena narrada pelo meu vizinho e, na minha cabeça de criança, cheguei a ter a impressão de ter ouvido aquela mulher clamando por socorro, tamanho era o meu medo.

O tempo passou, e o caso ficou marcado na minha vida por muito tempo. Foi-me contado como verdadeiro, e tomei a liberdade de compartilhá-lo, aproveitando a época.

É isso por hoje... é a vida que segue!


sábado, 21 de março de 2026




ESSE TEXTO NÃO É SOBRE FUTEBOL

Não é sobre a vitória de virada...

Não é sobre ter ou não o melhor time do campeonato...

Não é sobre ser um grupo recheado de jogadores com limitações...

Não é sobre ter dinheiro para investir no mercado do futebol...

Não é sobre ter ou não oportunidade entre os grandes clubes do seu país...

Não é sobre ter começado o campeonato sem chances de estar entre os primeiros ou entre os melhores...

Não é sobre a visão que os outros têm do seu time, agora ou ao longo do campeonato...

Não é sobre as partidas difíceis que o elenco enfrentará durante a competição...

Não é sobre o jejum de títulos ao longo de impiedosos anos, nem sequer um campeonato estadual chamado, pejorativamente, de “carioquinha”...

Não é sobre entrar em certas etapas do jogo e se sentir injustiçado quando o seu time perde, empata ou vence nos acréscimos...

Não é sobre ter a impressão de que todas as disputas foram perdidas, assim como a partida...

NÃO, ESSE TEXTO NÃO É SOBRE FUTEBOL!

É sobre a vida...

É sobre vivê-la com dignidade o tempo inteiro...

É sobre encarar todos os desafios, de dentro e de fora de nós...

É sobre encarar as nossas maiores batalhas o tempo todo, com foco em dias melhores...

É sobre saber sofrer no tempo certo: sozinho, com a família e, outras vezes, com os amigos mais chegados que irmãos...

É sobre saber que sempre haverá uma oportunidade de vencer, ainda que mínima, e que não pode ser desprezada...

É sobre buscar a vitória até o fim, sem esmorecer, sempre acreditando que o amanhã será um novo e lindo dia...

Este texto é uma homenagem aos meus irmãos, parentes, amigos de perto e de longe e colegas de trabalho. Sou grato a Deus pela vida de todos eles e concluo citando o apóstolo Paulo, em Filipenses 3:13-14: “Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”

· Todos nós precisamos de um alvo, de uma razão para viver.

· Que alvos você tem estabelecido para sua vida?

· Se os seus alvos não têm superado as suas expectativas, apresento-lhe Jesus, que é o alvo perfeito e a melhor razão para viver.

Até a próxima...

sexta-feira, 20 de março de 2026


CONTOS DA QUARESMA...

O Caso da Menina da Lagoa Perdida

A fazenda era uma das mais belas da região, e todos que iam à cidade tinham que visitá-la, pois era um lindo ponto turístico. Para chegar ao local, quem vinha do lado sul da cidade era obrigado a atravessar o lugarejo, disputando espaço entre os carros — pouquíssimos na época —, uma grande quantidade de carroças e entregadores com carrinhos de mão; alguns transportavam as bagagens na cabeça.

Nesse misto de gente, chegou uma família em uma Kombi, modelo de carro que fez bastante sucesso na década de 70, sendo a preferida e símbolo do movimento hippie, associada à liberdade, viagens e festivais. Após comprar alguns mantimentos, o chefe da casa acomodou a família no carro, deu a partida e seguiu para seu destino: a Lagoa Perdida.

As crianças não conseguiam esconder o entusiasmo e faziam uma verdadeira algazarra, apertadas no carro, pois, naquele tempo, a lotação dos veículos correspondia à quantidade de pessoas que conseguissem permanecer espremidas dentro deles. À medida que a viagem avançava, os buracos iam ganhando protagonismo — péssimo para o motorista, mas uma festa para as crianças.

Depois de muita poeira e solavancos, finalmente chegaram ao local onde ficava a Lagoa Perdida. A casa era grande, tinha uma ampla varanda e fora construída sobre uma boa elevação do terreno, de modo que havia um belo porão. A residência tinha uma sala, cinco quartos, uma grande cozinha com fogão a lenha e uma mesa de refeições com oito lugares.

Da varanda da casa dava para avistar os campos verdes e a mata que ficava a aproximadamente três quilômetros. Porém, para chegar até aquele local, era preciso passar entre as árvores que circundavam a casa e descer uma pequena depressão de terra, onde ficava a lagoa. Recebia o nome de “Perdida” porque, ao olhar de longe, ninguém imaginava que haveria água naquele lugar.

Do lado oposto da casa, um pouco mais abaixo, havia um rio. Logo que a família chegou, apaixonou-se pelo local e resolveu adquiri-lo, e foi uma festa para a criançada. Eles se divertiam sempre que voltavam da escola, na parte da tarde. Era difícil se concentrarem no almoço, pois os pensamentos estavam naquela lagoa e em suas águas traiçoeiramente paradas.

A lagoa fazia a alegria das pessoas daquele lugarejo e, dia após dia, o número de frequentadores só crescia, com parentes e famílias que enchiam o local a cada fim de semana ou mesmo nas férias de fim de ano. Tudo era motivo de alegria, até que um fato inesperado mudou tudo.

Um belo dia, a mãe resolveu voltar mais cedo para casa, deixou os filhos brincando na beira da lagoa e foi preparar o jantar. Pediu que não demorassem. Foi um erro que ela jamais esqueceria.

O final da tarde chegou, assim como os meninos, que, depois de muito brincarem na lagoa, retornaram para casa — porém, sem a menina. A mãe os interrogou sobre a irmã, mas eles não tinham resposta, pois imaginaram que ela havia voltado com a mãe e não sabiam onde estava. Os dois irmãos ficaram tão envolvidos nas brincadeiras que não perceberam em que momento a irmã se afastou.

Imediatamente, as atenções se voltaram para a lagoa, e muitas pessoas foram até a casa dos pais que, desesperados, começaram a fazer buscas. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi ao local com os equipamentos disponíveis na época, mas nem mesmo vestígios da menina foram encontrados. Foi uma longa noite de buscas na lagoa e nos arredores; alguns homens chegaram a entrar na mata, mas a menina não foi encontrada.

Entretanto, durante o trabalho frenético dos bombeiros e vizinhos, estranhamente, um cavalo, não muito longe dali, insistia em relinchar tristemente, como se soubesse da dor daquelas pessoas. Com o passar dos dias, o animal acabou morrendo e, ao que parece, foi de tristeza, como se soubesse de alguma coisa.

Os dias se passaram, e aquela família, melancolicamente, assentava-se no alpendre, olhando na direção da lagoa, na esperança de que a menina voltasse — porém, isso não aconteceu. Depois de algumas semanas, um fato estranho começou a ocorrer todas as noites, assim que escurecia, por volta das 19 horas: um grito ensurdecedor de menina e o galope de um cavalo, relinchando forte, passando pela casa. O fato se repetia noite após noite, e todos ficavam assustados e arrepiados com aqueles acontecimentos, mas, quando saíam da casa, nada viam.

Certa vez, a família recebeu um grupo de parentes que chegou no final de uma manhã, sem saber o que acontecia naquele lugar. Um pouco antes do fim do dia, saíram para andar pela propriedade e, quando voltavam para casa — já estava escuro —, de repente ouviram um grito horrível de menina e o galope de um cavalo relinchando na estrada próxima ao casarão. Os visitantes entraram em pânico.

Os homens que estavam por perto correram para ver se encontravam alguma coisa e, ao entrarem na casa, encontraram crianças e mulheres desesperadas, pois, naquele dia, os gritos da menina foram mais fortes, assim como o relincho e o galope do cavalo foram mais intensos do que nos outros dias. Era como um aviso de que não queriam gente estranha ali, além da família.

Naquela mesma noite, os parentes da cidade convenceram a família a ir embora, pois a impressão que tinham era a de que naquele local havia uma alma chorando, querendo retornar de um mundo que não mais lhe pertencia e do qual não poderia se libertar, mas que insistia em passar todas as noites para lembrá-los de que vagava por aquela região.

Na manhã seguinte, as malas já estavam prontas com tudo o que conseguiram juntar, e partiram com os corações partidos, com medo de olhar para trás, pois não queriam ouvir novamente aqueles sons, embora jamais tenham se esquecido da filha e irmã querida. A notícia acabou se espalhando, e ninguém se aventurou a comprar a propriedade. Conta-se que, até hoje, ainda se ouvem os trotes de um cavalo e o grito triste de uma menina vindos da Lagoa Perdida, numa fazenda abandonada.

Não sou fã de águas paradas e conheço histórias tristes de lagoas. Quem sabe um dia eu possa contá-las, mas, por enquanto, ficaremos com esta, que ouvi de uma grande amiga, que diz ter testemunhas de que isso aconteceu e pode me levar próximo ao local onde ficava a lagoa... Agradeci e disse que prefiro ficar nas luzes da Grande Vitória ou pensando no meu pequeno Cachoeiro. Devo esclarecer que não tenho medo de fantasmas, mas sou extremamente prudente.

É isso por hoje... É vida que segue!!!


segunda-feira, 16 de março de 2026

Contos da Quaresma...

Ela é boazinha... não se preocupem! 

Era um final de semana, e aquele esposo, todo animado, convidou sua amada para passar dois dias no interior do Espírito Santo, numa cidade bucólica de certa região do estado que é muito procurada por casais e famílias que desejam apreciar as montanhas e tomar caldos de variados sabores.

Eles contaram os dias, torcendo para que a semana passasse bem rápido e, na sexta-feira, saíram da capital, Vitória, e partiram em direção à região, buscando aproveitar um bom fim de semana, regado a vinhos, comidas típicas da região e passeios em pontos turísticos.

A cidade, por ser pequena e atrair muita gente, apesar de ficar perto da capital, nos finais de semana tem o acesso muito difícil, pois o número de veículos é grande e o trânsito fica impraticável, sendo necessário ter muita paciência. Confesso que, apesar de gostar muito da cidade, não me arrisco a enfrentar os engarrafamentos que acontecem naquele local, mas acredito que todo esforço é válido para agradar a pessoa amada.

Chegaram à pousada e se surpreenderam com a simpatia da recepcionista, que era uma moça de olhos claros e cabelos que pareciam irradiar o brilho da luz que invadia aquele lugar. Fizeram o check-in, se acomodaram e depois saíram para aproveitar um pouco da noite, degustar a especialidade de um certo restaurante — o capeletti de frango —, tomar um bom vinho e apreciar as estrelas. Depois disso, chegou o momento de retornar ao hotel.

Ao retornarem ao hotel, a moça já não se encontrava mais no local, mas sim um senhor que educadamente os recebeu. Naquele momento, perceberam que havia muitas fotos emolduradas na parede e, pelo visto, eram antigas, de pessoas falecidas. Uma delas chamou a atenção do homem, que fez um comentário sobre a figura da mulher na moldura, achando-a feia, muito esquisita e com um olhar assustador.

Pegaram a chave do quarto e começaram a subir as estreitas escadas, que denunciavam que aquela construção era bem antiga, mas os proprietários a mantinham muito bem conservada. Porém, aquele marido não conseguiu tirar da mente o olhar assustador daquela mulher do retrato envelhecido na parede.

Tudo pronto para dormir, aos poucos o sono foi chegando, ajudado por algumas taças de vinho bebidas durante o jantar, e a noite cumpriu o seu papel: foi avançando lentamente, com o silêncio que o local proporcionava, e até aquele momento tudo fazia crer que as próximas horas seriam de calmaria.

As luzes do quarto foram apagadas e as últimas providências foram tomadas. Finalmente o casal se deitou e, quando estavam prestes a relaxar, algo estranho começou a acontecer. Em determinado momento, o homem ouviu um certo barulho que vinha da porta do banheiro.

Ele se levantou e percebeu que a porta estava entreaberta e achou estranho, pois não havia inclinação no portal que proporcionasse tal fato, e muito menos corrente de ar, uma vez que as janelas estavam fechadas e, pelo fato de o local ser frio, nenhum ventilador ou ar-condicionado havia sido ligado.

Após fechar e examinar bem a porta, deitou-se novamente e, algum tempo depois, percebeu que o barulho se repetiu e ela novamente estava aberta. O homem ficou arrepiado, pois via a porta se movimentando no movimento de abrir e fechar, como se alguém a empurrasse para entrar e outra pessoa a impedisse de sair. Foi uma cena de horror que ficou marcada na vida daquele homem.

Com muito cuidado, ele se levantou mais uma vez, totalmente amedrontado e não querendo acordar sua esposa. Foi tremendo, até a porta, fechou-a e, ao mesmo tempo, sentia um vento frio que corria pelo local. A impressão era de que a onda de ar frio cortava sua roupa, penetrando pelo seu corpo. “Agora está travada”, pensava ele.

Deitou-se mais uma vez, conseguiu fechar os olhos e dormiu. Então aconteceu outro fato que chamou a atenção daquele homem: a porta novamente se abriu e, sem nenhuma explicação, sua esposa apareceu deitada com o corpo virado para os pés da cama e acordou desesperada. Fatos estranhos estavam acontecendo naquele quarto e eles não tinham explicações para tais fenômenos.

A partir daquele momento, o casal já não conseguia dormir, mas também não queria fazer barulho, considerando que já era madrugada. O único meio que encontraram para passar a noite foi conversando até o dia amanhecer. Foi a mais longa da vida daquele casal.

Quando os primeiros ruídos começaram a denunciar que o dia estava amanhecendo, eles, ainda assustados, tomaram um bom banho para tentar tirar o cansaço de uma noite mal dormida, organizaram seus pertences e foram conversar com a proprietária, expondo a experiência vivida naquela madrugada.

Como num toque de atração involuntária, mais uma vez olharam para as fotos e indagaram sobre aquela senhora que eles haviam rotulado de estranha. A explicação que receberam foi que ela falecera no quarto onde eles dormiram e que, segundo a recepcionista, de tempos em tempos aconteciam fenômenos que eram atribuídos àquela senhorinha, mas não era preciso se preocupar: ela é boazinha.

O casal, ainda assustado com as experiências vividas naquela noite, saiu do local com aquela última frase da mulher, que se portava como se os acontecimentos tivessem sido algo natural: Ela é boazinha... não se preocupem!

Foram embora e prometeram não voltar àquele lugar tão cedo. Bem, essa foi a história que ouvi como verdadeira de um amigo motorista da Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo e, como ele é meu amigo, acreditei e a contei aqui.

Já passei várias vezes por aquele hotel, mas não me arrisquei a dormir lá, pois vai que a tal senhorinha resolva aparecer e me assustar. Medo não tenho, porém não estou mais na idade de ficar levando sustos. E, se vocês estão pensando em outro motivo qualquer, sinto muito em lhes dizer: estão enganados!!!

É isso por hoje... é vida que segue!


domingo, 15 de março de 2026


CONTOS DA QUARESMA... 

Existe uma tradição, surgida da crendice popular, de que assombrações aparecem durante a Quaresma. Cientificamente, nada foi comprovado, mas há quem jure ter visto, ouvido ou até sido perseguido por criaturas que surgem nessa época.

Essa tradição vem de interpretações culturais sobre os 40 dias que Jesus passou no deserto sendo tentado. Seria um período de grande conflito espiritual, em que as forças do mal estariam fortemente ativas na Terra.

Na minha infância, ouvi muitas histórias e confesso que nunca desejei ter essas experiências surreais. No entanto, acredito em quem diz que viu, ouviu ou chegou a correr de imagens fantasmagóricas.

Para os católicos, a Quaresma é um tempo de jejum, oração e penitência, focado nas práticas da vida religiosa. É um momento em que muitos se abstêm de bebidas e buscam restaurar comunhões perdidas ao longo do ano; um tempo de reconexão com Deus, e não um período de medo ou de fenômenos espirituais.

Não é meu objetivo questionar a fé, nem as pessoas que já tiveram experiências de arrepiar até o último fio de cabelo. Nesta Quaresma, vou contar algumas histórias que ouvi em forma de contos e crônicas. Você pode me acompanhar, mas não vale ter medo!

Então, podemos combinar assim: nos vemos mais tarde...