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segunda-feira, 16 de março de 2026

Contos da Quaresma...

Ela é boazinha... não se preocupem! 

Era um final de semana, e aquele esposo, todo animado, convidou sua amada para passar dois dias no interior do Espírito Santo, numa cidade bucólica de certa região do estado que é muito procurada por casais e famílias que desejam apreciar as montanhas e tomar caldos de variados sabores.

Eles contaram os dias, torcendo para que a semana passasse bem rápido e, na sexta-feira, saíram da capital, Vitória, e partiram em direção à região, buscando aproveitar um bom fim de semana, regado a vinhos, comidas típicas da região e passeios em pontos turísticos.

A cidade, por ser pequena e atrair muita gente, apesar de ficar perto da capital, nos finais de semana tem o acesso muito difícil, pois o número de veículos é grande e o trânsito fica impraticável, sendo necessário ter muita paciência. Confesso que, apesar de gostar muito da cidade, não me arrisco a enfrentar os engarrafamentos que acontecem naquele local, mas acredito que todo esforço é válido para agradar a pessoa amada.

Chegaram à pousada e se surpreenderam com a simpatia da recepcionista, que era uma moça de olhos claros e cabelos que pareciam irradiar o brilho da luz que invadia aquele lugar. Fizeram o check-in, se acomodaram e depois saíram para aproveitar um pouco da noite, degustar a especialidade de um certo restaurante — o capeletti de frango —, tomar um bom vinho e apreciar as estrelas. Depois disso, chegou o momento de retornar ao hotel.

Ao retornarem ao hotel, a moça já não se encontrava mais no local, mas sim um senhor que educadamente os recebeu. Naquele momento, perceberam que havia muitas fotos emolduradas na parede e, pelo visto, eram antigas, de pessoas falecidas. Uma delas chamou a atenção do homem, que fez um comentário sobre a figura da mulher na moldura, achando-a feia, muito esquisita e com um olhar assustador.

Pegaram a chave do quarto e começaram a subir as estreitas escadas, que denunciavam que aquela construção era bem antiga, mas os proprietários a mantinham muito bem conservada. Porém, aquele marido não conseguiu tirar da mente o olhar assustador daquela mulher do retrato envelhecido na parede.

Tudo pronto para dormir, aos poucos o sono foi chegando, ajudado por algumas taças de vinho bebidas durante o jantar, e a noite cumpriu o seu papel: foi avançando lentamente, com o silêncio que o local proporcionava, e até aquele momento tudo fazia crer que as próximas horas seriam de calmaria.

As luzes do quarto foram apagadas e as últimas providências foram tomadas. Finalmente o casal se deitou e, quando estavam prestes a relaxar, algo estranho começou a acontecer. Em determinado momento, o homem ouviu um certo barulho que vinha da porta do banheiro.

Ele se levantou e percebeu que a porta estava entreaberta e achou estranho, pois não havia inclinação no portal que proporcionasse tal fato, e muito menos corrente de ar, uma vez que as janelas estavam fechadas e, pelo fato de o local ser frio, nenhum ventilador ou ar-condicionado havia sido ligado.

Após fechar e examinar bem a porta, deitou-se novamente e, algum tempo depois, percebeu que o barulho se repetiu e ela novamente estava aberta. O homem ficou arrepiado, pois via a porta se movimentando no movimento de abrir e fechar, como se alguém a empurrasse para entrar e outra pessoa a impedisse de sair. Foi uma cena de horror que ficou marcada na vida daquele homem.

Com muito cuidado, ele se levantou mais uma vez, totalmente amedrontado e não querendo acordar sua esposa. Foi tremendo, até a porta, fechou-a e, ao mesmo tempo, sentia um vento frio que corria pelo local. A impressão era de que a onda de ar frio cortava sua roupa, penetrando pelo seu corpo. “Agora está travada”, pensava ele.

Deitou-se mais uma vez, conseguiu fechar os olhos e dormiu. Então aconteceu outro fato que chamou a atenção daquele homem: a porta novamente se abriu e, sem nenhuma explicação, sua esposa apareceu deitada com o corpo virado para os pés da cama e acordou desesperada. Fatos estranhos estavam acontecendo naquele quarto e eles não tinham explicações para tais fenômenos.

A partir daquele momento, o casal já não conseguia dormir, mas também não queria fazer barulho, considerando que já era madrugada. O único meio que encontraram para passar a noite foi conversando até o dia amanhecer. Foi a mais longa da vida daquele casal.

Quando os primeiros ruídos começaram a denunciar que o dia estava amanhecendo, eles, ainda assustados, tomaram um bom banho para tentar tirar o cansaço de uma noite mal dormida, organizaram seus pertences e foram conversar com a proprietária, expondo a experiência vivida naquela madrugada.

Como num toque de atração involuntária, mais uma vez olharam para as fotos e indagaram sobre aquela senhora que eles haviam rotulado de estranha. A explicação que receberam foi que ela falecera no quarto onde eles dormiram e que, segundo a recepcionista, de tempos em tempos aconteciam fenômenos que eram atribuídos àquela senhorinha, mas não era preciso se preocupar: ela é boazinha.

O casal, ainda assustado com as experiências vividas naquela noite, saiu do local com aquela última frase da mulher, que se portava como se os acontecimentos tivessem sido algo natural: Ela é boazinha... não se preocupem!

Foram embora e prometeram não voltar àquele lugar tão cedo. Bem, essa foi a história que ouvi como verdadeira de um amigo motorista da Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo e, como ele é meu amigo, acreditei e a contei aqui.

Já passei várias vezes por aquele hotel, mas não me arrisquei a dormir lá, pois vai que a tal senhorinha resolva aparecer e me assustar. Medo não tenho, porém não estou mais na idade de ficar levando sustos. E, se vocês estão pensando em outro motivo qualquer, sinto muito em lhes dizer: estão enganados!!!

É isso por hoje... é vida que segue!


domingo, 15 de março de 2026


CONTOS DA QUARESMA... 

Existe uma tradição, surgida da crendice popular, de que assombrações aparecem durante a Quaresma. Cientificamente, nada foi comprovado, mas há quem jure ter visto, ouvido ou até sido perseguido por criaturas que surgem nessa época.

Essa tradição vem de interpretações culturais sobre os 40 dias que Jesus passou no deserto sendo tentado. Seria um período de grande conflito espiritual, em que as forças do mal estariam fortemente ativas na Terra.

Na minha infância, ouvi muitas histórias e confesso que nunca desejei ter essas experiências surreais. No entanto, acredito em quem diz que viu, ouviu ou chegou a correr de imagens fantasmagóricas.

Para os católicos, a Quaresma é um tempo de jejum, oração e penitência, focado nas práticas da vida religiosa. É um momento em que muitos se abstêm de bebidas e buscam restaurar comunhões perdidas ao longo do ano; um tempo de reconexão com Deus, e não um período de medo ou de fenômenos espirituais.

Não é meu objetivo questionar a fé, nem as pessoas que já tiveram experiências de arrepiar até o último fio de cabelo. Nesta Quaresma, vou contar algumas histórias que ouvi em forma de contos e crônicas. Você pode me acompanhar, mas não vale ter medo!

Então, podemos combinar assim: nos vemos mais tarde... 


sábado, 14 de março de 2026


AS MENINAS DE MARÇO DE NOSSA FAMÍLIA...

O mundo das telenovelas sempre foi repleto de tramas e dramas que, em momentos diversos, retratam a vida real, e outras não passam de ficção que, ainda assim, encantam muitas pessoas. Algumas são novelas ao estilo pastelão, que apenas nos fazem rir das situações absurdas que apresentam.

Nos últimos meses, a Rede Globo vem apresentando ao público sua novela das nove, “Três Graças”. Apesar de não ter assistido a nenhum capítulo e, por isso mesmo, não ter a mínima ideia do que se trata, por outro lado sou fascinado pela palavra graça.

Quando se fala em graça, o primeiro pensamento que me vem à mente é o favor imerecido e o amor incondicional que Deus concedeu à humanidade. E essa graça é uma só, e nos foi dada através de Jesus Cristo. É um presente que Deus nos dá, e todos os dias precisamos reconhecê-la em nossas vidas.

Como família, somos gratos, pois Deus manifestou a sua bondade por três vezes neste mês conhecido como o mês das águas de março. Este ano tem sido muito difícil, pois as chuvas têm caído de maneira impiedosa em alguns estados do Brasil.

Foi justamente no dia treze de março que nasceu a primeira das três meninas da família. Naquela época, quando correu a notícia do nascimento da criança, todos souberam que era uma menina que cresceu rodeada de quatro irmãos e, sendo a mais nova, viveu os privilégios dos caçulas. Porém, desde muito cedo demonstrou um gosto especial pelos estudos e pela leitura.

Não foi uma infância muito fácil, mas a menina gostava de ouvir as músicas que tocavam na Rádio Cachoeiro e tinha predileção pelas letras em inglês, até que, em um determinado dia, minha mãe resolveu matricular a pré-adolescente em um curso de língua inglesa. Esse fato transformou sua vida, e ela se tornou uma grande professora, profundamente fluente no idioma, além de uma leitora voraz de todos os livros da biblioteca de nossa casa.

Solange, ao longo dos anos, tem vivido experiências que foram conquistadas através de seus esforços e de muita força de vontade. É uma irmã talentosa nas interpretações musicais, bem como nas teatrais. Nos últimos anos, tem desempenhado um importante papel como companhia constante junto à nossa querida mãe. Receba o nosso carinho, abraço e reconhecimento nesta data que é tão especial para você quanto para todos nós.

A segunda menina nasceu no nono dia do mês. Uma criança linda, apresentada pelos pais aos familiares e amigos, e a todos encantava. Durante sua adolescência e o início de sua juventude, alguns momentos foram difíceis, mas, em todo o tempo, ela contou com o carinho de sua avó e de sua família. Tornou-se uma moça linda e vencedora e nunca deixou de honrar as pessoas que foram importantes em sua vida.

Jéssica é uma sonhadora, como muitos jovens dos nossos dias, e tem um belo futuro a trilhar, que será encarado com muita coragem, assim como todos os desafios que venceu nas várias etapas de sua vida. Sou um admirador da sua forma leve de ser e viver e torço e vibro com suas conquistas. Que Deus a abençoe.

A terceira menina do mês também é do dia nove, sendo a mais nova do grupo. Desde cedo, ela se mostrou uma criança adorável e muito tranquila. Recordo-me de quando ela ia passar o dia na casa dos nossos pais, seus avós paternos, e aquela criança chegava ao quarto, deitava-se ao lado do avô, conversava com ele e lhe demonstrava um grande carinho.

Eram gestos simples de uma criança, manifestação genuína de amor por alguém que passava muito tempo deitado devido às comorbidades do AVC sofrido; mas, além do sorriso dele, seus olhos brilhavam de satisfação com a presença da neta.

Lorena, a menina linda que cresceu, tornou-se mãe de uma menina e continua conquistando espaços sem perder a serenidade e a doçura que sempre foram características de sua personalidade. Querida, sou grato a Deus por sua vida, e meu desejo e oração é que você nunca perca a sua doçura.

Março, além das águas, sempre será o mês de Solange, Jéssica e Lorena, as meninas de nossa família. Desejo que Deus as abençoe com saúde e muitos anos de vida. Beijos nos corações!

É isso por agora... é vida que segue!




 


quarta-feira, 11 de março de 2026
















"Viver é melhor que sonhar..."

 Os ensaios continuam, pois a vida não pode parar...

...e o Festival de Corais das Três Fronteiras (Brasil, Paraguai e Argentina) é logo ali.

Cantar me deixa mais leve após a correria do dia...

...entre processos de doações, desapropriações e regularizações.

Cantar me transporta para novos lugares através das letras das canções...

...tais como: Aquarela Brasileira, Wade in The Water, Xote Capixaba e Betelehemu.

Cantar me torna um bom ouvinte: da minha voz e da voz do outro...

...pois somente assim acontece a harmonia entre os diferentes naipes.

Cantar me reconecta com o mais profundo do meu ser...

...a música me leva a uma viagem interior por todos os meus sentidos.

Cantar me ensina a viver sem preconceito aos estilos musicais...

...quanto aos ritmos, instrumentação e gêneros, do clássico ao moderno.

Cantar me traz à reflexão muitas letras, em especial aquela do poeta, que diz que cantar é mover o dom...

...dom de nascer, de viver, de chegar, de partir, de amar, de seduzir e de sorrir.

Cantar me faz tão bem que, durante as quatro horas semanais, esqueço-me...

...das labutas, das lidas, intrigas, fadigas, crenças, doenças e descrenças.

Cantar me deixa com a sensação de leveza das águias...

...é como planar sobre as mais altas montanhas sem sair do lugar.

Cantar é vitória sobre a lida, é graça que abraça, é abraço que aquece...

...e um entrelaçar de vidas que tocam os sentidos e acalmam os corações.

Cantar é viver, cantar é Viva Você!

 


sábado, 7 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher
(Homenagem à minha mãe e a outras mulheres importantes na minha vida)
 

A década de 70 foi considerada a mais nobre no cenário da música popular brasileira, pois nela se consagraram artistas de todos os estilos — do samba e chorinho às grandes duplas, passando pela Jovem Guarda e pelas músicas de protesto. Dizem que o início daquela década trouxe os anos mais marcantes para os frequentadores das noites cariocas, regadas à boemia.

Os dias eram assim: naquele tempo, as crianças começavam a trabalhar cedo. Recordo-me de passar parte do meu dia nos fundos de uma loja no centro de Cachoeiro, em uma “fábrica de vidros” (material para seringas veterinárias). Nossa diversão era ouvir rádio à tarde, já que eu estudava no turno matutino.

O Dia Internacional da Mulher passou a ser reconhecido pela ONU em 1975, e foi nos anos 70 que começaram as comemorações no Brasil, com debates e simpósios que se espalharam pelo país. Confesso que, naqueles tempos, eu não tinha a menor ideia da existência ou da importância de tal data.

Mesmo sem entender o significado desse dia, era impossível não perceber a importância de uma grande mulher: minha querida mãe. À medida que eu ganhava consciência sobre a vida, na adolescência, ouvia na antiga rádio Cachoeiro uma música de Nelson Cavaquinho, lançada em 1973, chamada “Nome Sagrado”, que era uma linda homenagem às mulheres.

Todos os anos, no Dia Internacional da Mulher, lembro-me das muitas figuras femininas que participaram e ainda participam da minha trajetória. Hoje, quero homenagear algumas delas:

Tia Babá: Mulher que me conheceu muito cedo; fui tratado como um filho. Recordo-me de muitos momentos da minha infância ao seu lado. Uma mulher que fez muito pelos amigos e parentes. Minha gratidão!

Tia Laurinda: Mulher de fibra que, durante toda a vida, foi destemida. Enfrentou todas as provações e, ainda hoje, não se furta de encarar as lutas do presente. Minha gratidão!

Tia Lucy: Viveu pela fé cada segundo da vida. Mesmo tendo tido oportunidades de desistir diante das lidas, optou por seguir em frente, cumprindo a missão recebida de Deus. É determinada e não tem medo de viver um dia de cada vez com muita dignidade. Minha gratidão!

Tia Alzira: Sempre demonstrou um carinho imenso pela cunhada (minha mãe); esse cuidado sempre me impressionou. Visitar minha mãe parecia ser uma incumbência de todos os domingos, mas bem sabemos que era puro afeto com a viúva de seu irmão mais velho. Minha gratidão!

Ana Eremita Bravim Ribeiro: Colega de concurso que se tornou uma grande amiga ao longo dos anos em que trabalhamos na Secretaria de Estado da Educação. Mulher forte, determinada e profundamente comprometida com o zelo pelo erário público. Minha gratidão!

Victoria Maria Matos: Grande mulher com quem convivi por dois bons anos. Tive a oportunidade de estar perto dela e ver sua grandeza como ser humano. Victória é dessas que não desistem nunca; ela fez disso um lema de vida. Minha gratidão!

Dona Maria Gomes, minha mãe: Matriarca de uma família de seis filhos, que cresceu com a chegada de netos e bisnetas. Desde cedo, aprendeu a administrar a casa e a resolver todos os problemas que surgiam enquanto o saudoso marido trabalhava nas estradas de ferro da velha Leopoldina.

Foram anos difíceis, nos quais vi a força de uma mulher que se reinventava todos os dias para trabalhar pela sobrevivência. Uma mulher como aquela Maria, retratada por Milton Nascimento, que nunca desistiu de ter fé na vida. Lutou para superar doenças, cirurgias, ventos contrários e tribulações, mas continuou vivendo com fé em Deus.

Durante a pré-adolescência, quando ouvia Nelson Cavaquinho dizer que "o nome de mulher é um nome consagrado" e que "mulher é um nome para ser respeitado", aquilo ia como uma flecha ao meu coração. Como primogênito, acompanhei todas as lutas da minha mãe e, para mim, ela era uma mulher sagrada. São sentimentos que não tenho como explicar.

Para essa mulher, minha eterna gratidão e reconhecimento por tudo o que fez por mim e por todos os meus irmãos. Mulher que teve a sua trajetória transformada pela presença de Jesus. Mulher que apresentou e realizou o culto de centenas de crianças nos lares e na Igreja Batista do Aquidabã, em Cachoeiro. Mulher que procurou servir ao Reino de Deus através da sua vida.

Não posso deixar de agradecer a Deus por todas as mulheres da minha família: primas, irmãs, tias, sobrinhas, amigas e irmãs em Cristo. Algumas delas merecem, sem nenhuma sombra de dúvida, capítulos especiais.

Neste Dia Internacional da Mulher, gostaria de homenagear todas as que fazem a diferença na nossa sociedade, em um tempo no qual ainda temos muito pelo que lutar: por direitos, respeito, reconhecimento e dignidade para as mulheres de nosso país.

É isso por hoje... é vida que segue!

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Menino que Tinha Cinco Pães e Dois Peixinhos
História baseada em (Mateus 14, Marcos 6, Lucas 9 e João 6)

Na cabeça de sua mãe, era um dia normal na vida daquele menino, mas, para aquela criança, ele mal se continha dentro de si, pois tudo o que queria era ver um certo homem que havia nascido em Belém e cuja fama se espalhava por toda a Galileia.

Ele se levantou bem cedo, antes mesmo de sua mãe insistir para que acordasse e, tomado de ansiedade, queria ver o homem que falava de Deus de maneira diferente. As notícias que corriam pela boca do povo eram de que ele se importava com as crianças.

O menino estava animado, pois o povo dizia que ele curava os enfermos, e o seu avozinho estava muito doente. Então ele imaginou: esse homem pode curar meu avô! Ele pode cuidar da minha família. Afinal, aquele menino era muito curioso e, de vez em quando, ouvia as conversas dos adultos sobre doenças.

Se juntássemos a empolgação de vários meninos, ainda assim ficaríamos longe dos pensamentos que habitavam aquela cabecinha. Era uma mistura de expectativas e esperanças. Seu coraçãozinho ficou tão agitado que ele quase não conseguiu dormir direito na noite anterior àquele dia.

Mas, como toda mãe é preocupada por natureza, resolveu preparar um lanche para que ele pudesse comer quando a fome chegasse. Será que toda aquela empolgação o deixaria com fome? Ela preparou cinco pães e dois peixes, que seriam suficientes para ele vencer a fome daquele dia.

Com tudo preparado, ele foi com alguns conhecidos para o encontro que mudaria para sempre a sua vida. Era difícil se aproximar de Jesus, pois a multidão se acotovelava e, para um garoto de pequena estatura, a dificuldade só aumentava. Mesmo assim, ele não desistia.

O dia foi avançando, e ele percebeu que algumas pessoas demonstravam cansaço. Era possível ver crianças pedindo algo para comer, e as pequeninas começaram a reclamar com seus pais. Algumas mães que haviam levado alimentos para seus filhos, além de dividirem tudo o que tinham, já não tinham mais o que oferecer.

O menino ficou sabendo que Jesus havia perguntado aos seus discípulos se havia algo que pudesse ser dado à multidão e eles, além de ficarem admirados com a pergunta dele, responderam que não havia comida nem para eles, muito menos para todo o povo.

Como em todos os encontros de Jesus com a multidão, alguns discípulos ficavam próximos do Mestre e outros andavam no meio do povo. Nesse movimento, o discípulo chamado André disse: - Tem um menino que tem cinco pães e dois peixes no meio do povo.

Envergonhado, o menino disse timidamente a André que tinha levado um lanche preparado por sua mãe. Aquele momento foi o mais importante de sua vida, quando ele soube que Jesus pediu os cinco pães e os dois peixinhos e, em seguida, orou. Então aconteceu a primeira grande multiplicação dos pães, que alimentou milhares de homens, mulheres e crianças.

Ele nunca imaginou que aquele lanche e sua atitude de bondade seriam lembrados e contados para sempre, e nem mesmo sabemos o seu nome. Aquele menino voltou para casa maravilhado com a experiência daquele dia e deve ter contado essa história por muitos anos. Do mesmo modo, nós não nos cansamos de repeti-la.

O que podemos aprender com o primeiro milagre da multiplicação dos pães? Quero finalizar esta história propondo algumas reflexões.

Aprendemos que o cuidado de uma mãe com seu filho pode mudar a história de milhares de pessoas. Vivemos em um tempo em que muitos pais se preocupam com o legado material, mas se esquecem daquele que pode permanecer para sempre: o espiritual.

Aprendemos ainda que não podemos impedir as crianças de buscarem Jesus; muito pelo contrário, elas precisam ser incentivadas, preparadas e enviadas ao Mestre. Jesus sempre estará disposto a receber os adultos e, sobretudo, seus braços estão abertos e estendidos às crianças.

Aprendemos que não podemos duvidar do poder de intervenção de Jesus em nossas lutas diárias. Quando o problema da falta de alimento foi levado a ele, não se desesperou e disse: “Dai-lhes vós de comer.” Os discípulos não entenderam nada, mas Jesus sabia exatamente como intervir naquela situação. Não importa o tamanho do nosso problema, pois ele sempre estará conosco quando enfrentarmos as lutas e os dilemas de cada dia.

Por fim, aprendemos que, quando colocamos e confiamos tudo o que temos, como fez aquele menino, Jesus se encarregará de multiplicar suas bênçãos em nossas vidas e na vida das pessoas que convivem conosco. Não importa quem você seja, apenas deixe Jesus cuidar da sua vida.

É o que temos para hoje... é vida que segue!


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026


Um encontro não tão casual...

O dia seria uma terça-feira como muitas outras, mas com uma diferença, pois hoje é o último dia do carnaval no Brasil.

Prometera à minha mãe que a levaria com a minha irmã Sueli a Marataízes, à casa da minha outra irmã, Leonora. Tudo pronto e saída marcada para as 08h da manhã; saímos às 09h30, e está tudo certo. É feriado!!!

Foi uma viagem bem tranquila e, assim que chegamos às imediações da Lagoa Funda, nos dirigimos à casa, que fica exatamente a cinco minutos da praia.

Tudo pronto para descer para o mar: os apetrechos foram colocados no porta-malas e prontamente fui de carro levar o meu tesouro mais precioso de 88 anos, minha querida mãe, Dona Maria. Foi só assim que percebi que o sol das 12h é escaldante!

Chegar à praia envolve escolher um bom espaço e montar a sombrinha, mas é preciso ver para que lado o vento está soprando para não carregar os equipamentos (saco térmico, cadeiras, cangas, toalhas etc.) e, apesar de todo o trabalho, ficou tudo resolvido.

Sentei-me, peguei o livro da vez e continuei a ler e a folheá-lo quando percebi que havia chegado uma nova mensagem no meu smartphone. Na verdade, nem sei como consegui ouvi-la, pois o vento forte e o barulho das ondas não foram suficientes para abafar uma mensagem que vinha do coração.

A impressão que tive é que você deve ter me ouvido falar de sua pessoa várias vezes nesta semana. Externei, com muito carinho e gratidão a Deus, a minha felicidade pela sua existência. Claro que minha mãe sempre me diz: “Roberto tem uma facilidade de gostar de todo mundo.” Em parte, ela tem razão, mas você é especial.

A conversa fluiu como deveria e, após uma troca intensa de mensagens — às vezes escritas, outras gravadas pelo WhatsApp —, concluímos com a sensação de que, nos últimos anos, tenha sido um dos nossos mais belos diálogos.

Sempre admirei seu jeito sensato de ser: ideias claras, posições definidas e bem equilibradas, firme nas suas decisões e, definitivamente, uma mulher abençoada por Deus.

Você que lê neste momento deve estar com o pensamento nas nuvens, tentando descobrir que conversa foi essa. Mas, se queres um conselho de amigo, eleve sua imaginação até as estrelas, pois, enquanto isso, vou cuidando da minha joia preciosa aqui na terra.

Deixe de ser uma pessoa curiosa e continue lendo-me, que em breve trarei mais notícias...

É isso por hoje... é vida que segue!!!