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quarta-feira, 20 de maio de 2026

A PARÁBOLA DA FLORESTA
(Uma reflexão sobre os tempos de mudança na vida e na liderança)

Era uma vez uma bela floresta que ficava em uma região do vasto continente africano, possuía uma fauna riquíssima e muitos animais. De um lado daquela floresta, os animais andavam soltos e sem nenhuma preocupação com colecionadores de peles de animais, nem mesmo com caçadores que gostavam de matar os animais apenas por esporte, levando, assim, à extinção de algumas espécies.

Todos tinham suas tarefas diárias, e os pássaros eram os primeiros a acordar e imediatamente iniciavam o coro da alvorada, antes do sol nascer. Era uma verdadeira algazarra, e quem chegava perto daquele barulho na copa das árvores não entendia se aquilo era briga ou simplesmente alegria por mais um dia que estava prestes a chegar.

Cada animal tinha o seu jeitinho bem peculiar de despertar pela manhã. Os elefantes se levantavam e, com seus bramidos, se comunicavam e, como num piscar de olhos, uma ruidosa manada se juntava, emitindo sons assustadores e provocando grandes tremores de terra na floresta.

Durante o dia era um tal de gazela correndo dos leões. De vez em quando, os leopardos se estranhavam e entravam em luta corporal, e normalmente ninguém se atrevia a entrar para separar. Mas a coisa ficava feia quando a mãe rinoceronte se colocava a defender seus filhotes dos predadores. Era um espetáculo de dar medo, mas elas nunca desistiam de seus filhos.

O líder daquele grupo, o todo-poderoso Rei Leão, acalmava os bichos quando acontecia algum desentendimento com seu rugido forte, amedrontador, que podia ser ouvido a até 8 km de distância, ou quando precisava colocar ordem para que as tarefas do dia a dia dos bichos fossem realizadas.

Mas, do outro lado da floresta, o modo de viver dos animais era bem diferente. Era um grupo de animais que tinha um modo de viver distinto. Eles não atacavam uns aos outros, pelo menos não de maneira tão direta como os animais que viviam fora daquela comunidade. Tinham um líder que também era um leão, e no grupo havia muitos animais talentosos.

Naquele lugar reinava uma aparente paz, e aquele lado da floresta tinha muita coisa bonita. As vegetações pareciam mais verdes, as águas que corriam pelas pedras pareciam mais claras e limpas. Por incrível que possa parecer, os animais se respeitavam e nenhum deles ficava tentando tirar a vida do outro como parte de sua cadeia alimentar. Era uma vida em comunidade, e muitos achavam que aquele lugar era a verdadeira família que sempre desejaram ter.

Naquele grupo havia um líder, também um leão, que estava há muito tempo comandando aqueles animais. Alguns eram obedientes, mas outros davam muito trabalho. A mamãe elefanta tinha que ficar atenta com seus filhotes, pois eles se aproveitavam do tamanho e tinham o hábito de mexer com os outros animais. De vez em quando saía uma briga entre filhotes de rinocerontes e hipopótamos, e dava trabalho para que os pais separassem os brigões sem se envolver na briga. Coisas de crianças, mas que traziam alguns aborrecimentos aos pais.

Os animais adultos, sempre que podiam, se revezavam entre elefantes, rinocerontes, leopardos e búfalos para tomar conta das crianças, afinal aquele lado da floresta era civilizado e eles não se comiam uns aos outros. Mas, como nem sempre tudo naquele lugar era festa, de vez em quando os adultos se desentendiam e brigavam, e alguns paravam de se falar. Era girafa para um lado, zebra para o outro, e o leopardo se isolava para não se lembrar de sua velha natureza e atacar os outros bichos.

Mas havia um grande problema: quando os adultos ficavam zangados uns com os outros, isso prejudicava a orquestra, pois os bichos já tocavam juntos há alguns anos, mas a harmonia ia embora, já que cada um queria mostrar que era melhor que o outro. O leopardo se gabava de ser o guitarrista, pois era muito ágil para correr e executava as notas com rapidez e precisão. Na bateria ficava o filho do Rei Leão, e toda semana precisava trocar as peles do instrumento, pois ele as furava com suas garras.

O Sr. Gorila resolveu tomar conta do teclado e até que ele tinha algum talento e conseguia fazer acordes que atendiam muito bem às necessidades do grupo. Porém, era muito difícil alguém se aproximar do instrumento, pois ele abria a boca e mostrava os dentes sem muita amizade. No contrabaixo, foi difícil retirá-lo da zebra, pois ela se achava especialista e, como tinha muita dificuldade de se deixar domesticar, às vezes era difícil convencê-la a mudar de ideia.

Os elefantes, por se gabarem de terem bramidos de aproximadamente 125 decibéis, resolveram tomar conta dos instrumentos de sopro, e não houve bicho que os demovesse daquela ideia. O coro de hienas, hipopótamos e gazelas era assustador, porém interessante. A comunidade era de uma variedade imensa da fauna africana.

Não muito distante dali o Rei Leão a todos observava. Ele, além de líder, exercia um poder sobre o grupo e praticamente só se fazia aquilo que, algumas vezes, ele pedia e, outras, ele ordenava, e os bichos obedeciam. O tempo passou, e aquele Rei Leão envelheceu, e a comunidade dos bichos achou que seria a hora de mudar a liderança. E assim foi feito.

Após várias reuniões, encontraram um jovem leão que deveria substituir o antigo, e a mudança foi bem tranquila. O velho leão, agora aposentado, foi para casa, mas, como estava acostumado a liderar, sempre aparecia na comunidade, e o novo líder se sentia inseguro quando isso acontecia, pois, além de gostar do velho líder, havia alguns que sempre comparavam as lideranças.

Passado um tempo, os bichos mais velhos se reuniram com o velho leão e pediram que ele não interferisse no trabalho do jovem líder. O melhor que aquele líder experiente poderia fazer seria se afastar e deixar que os bichos mais novos aprendessem algumas lições sozinhos e mudassem tudo o que fosse necessário para o bem-estar da comunidade.

Depois de certo tempo, o velho leão entendeu que o melhor seria ficar na floresta aproveitando seu tempo de descanso e deixar que o mais novo decidisse quais rumos os animais deveriam tomar, ainda que, em alguns momentos, tivessem algum tipo de dificuldade, pois aprenderiam da mesma forma que os mais antigos um dia aprenderam.

E, desse modo, os animais voltaram a viver em paz, e a comunidade dos bichos foi se desenvolvendo até chegarem à maturidade. Dizem que hoje eles se aproximaram, deixaram de ser dois grupos e passaram a ser um só na floresta. Tudo porque um líder agiu com maturidade e deixou que seus antigos liderados crescessem livres e caminhando com suas próprias patas.

E assim os bichos foram felizes para sempre...

O que podemos aprender com essa parábola?

  • Em todos os lugares por onde passamos, vamos encontrar pessoas com comportamentos e ideias diferentes das nossas.
  • Quem responde pela liderança precisa ficar atento às mudanças que acontecem no meio da comunidade e ter sensibilidade para procurar resolvê-las sempre que possível, sem criar problemas de outras naturezas.
  • É preciso respeitar a individualidade de cada um sempre, pois cada pessoa tem o seu talento e deve ser respeitada e, sempre que possível, desenvolvê-lo no lugar certo.
  • Na nossa fábula, os bichos com algum talento tocavam e participavam normalmente do grupo e não foram expulsos, como acontece em muitos lugares; foram trabalhados na medida em que iam tocando.
  • Aprendemos com a crônica que, quando o nosso tempo acaba, precisamos partir para outros desafios. É a mesma coisa quando terminamos um ano na escola e passamos para o outro. O tempo do velho rei passou, e agora era o tempo do novo rei.
  • Em qualquer lugar, quer seja no trabalho ou na comunidade, sempre que houver mudança, precisamos entender que quem chega precisa ter tempo para se adaptar, e devemos ter paciência.

Em Busca da Infância Perdida

Roberto Luiz Gomes

 

segunda-feira, 18 de maio de 2026


Geovani Silva...

Geovani, o mágico da bola.
O menino que surgiu na Desportiva Ferroviária como promessa
Deixou de ser promessa no Vasco e tornou-se um craque.
Um craque que, com o passar dos anos, mostrou toda a sua genialidade.

Geovani arrebentou no Campeonato Mundial Sub-20 da FIFA, em 1983, sendo o artilheiro e o melhor jogador do torneio, no México. Acompanhei aqueles jogos na sala de TV do Centro de Estudantes do Seminário Teológico do Sul do Brasil.

Geovani no Brasil, desfilou sua leveza pelos estádios brasileiros, com lançamentos precisos para Romário, no início de carreira, e Roberto Dinamite, no auge de sua força física.

Geovani, o Pequeno Príncipe, como foi apelidado, não era simplesmente um gênio como meia-armador, mas também tinha a habilidade de bater pênaltis como poucos, no auge de sua carreira. Sem pulinhos e, mesmo que o goleiro adivinhasse o canto, não conseguia chegar à bola.

Geovani foi um exímio cobrador de faltas e colocava a bola no ângulo da meta do goleiro como se a conduzisse com as próprias mãos e nunca com os pés.

Geovani brilhou na Desportiva, Vasco, Bolonha, México, ABC, Rio Branco, Vila Velhense e outros clubes do Brasil. Encerrou sua carreira em 2002, aos 38 anos, e ainda exerceu o mandato de deputado estadual no Espírito Santo.

Geovani travou uma longa batalha contra um câncer na coluna e um quadro de polineuropatia, que limitava sua mobilidade e provocava a disfunção simultânea de vários nervos periféricos por todo o organismo.

Geovani, perseverou na sua luta aqui na terra e que aparentemente foi perdida, mas ele conquistou o lugar mais precioso ao lado do Pai Eterno. Fica a memória de um jogador que foi homenageado em vida não somente pelo clube que o projetou para o mundo, mas também pelos amigos, em razão das inúmeras façanhas dentro das quatro linhas, nos diversos palcos do futebol pelo mundo.

Aos familiares, fica a palavra de solidariedade pela perda do ente querido; aos apaixonados pelo futebol arte, a imagem de quem fez muito pelo esporte; e, às novas gerações, procurem vídeos para entender a reverência que aqueles que jogaram com ele sempre tiveram e o respeito que ele impunha aos adversários pelo seu talento como atleta.

Geovani Silva, Pequeno Príncipe, descanse em paz!

segunda-feira, 4 de maio de 2026


Um domingo diferente... e o retorno do culto infantil!

Na Escola Bíblica Dominical deste domingo, na Igreja Batista Mata da Praia, o tema na Classe Rute foi Justificação. Gostei muito da explanação por parte do professor, que, meio sem querer, acabou revelando ser torcedor do Vasco.

Mas o que me deixou feliz foi ter encontrado meus amigos de Cachoeiro, e confesso que fiquei com a impressão de que a IBMP deve ter a maior concentração de cachoeirenses em seu rol de membros.

Voltava para casa no final de domingo, depois de almoçar e conversar longamente com alguém que não via há um ano. Foi um diálogo longo, proveitoso, inspirador e promissor, mas essa história exige paciência e tempo, e você deve guardar a sua curiosidade.

Andar pelas ruas de Vitória, num domingo, é muito interessante: sentir o vento que, além de provocar a dança de lixos e papéis atirados pela comunidade nas ruas, também levanta poeira, o que tanto nos incomoda.

Passar pela Praia de Camburi no final da tarde é extremamente interessante, pois observar o povo que volta da praia é um espetáculo quase inenarrável. Algumas curiosidades chamaram a minha atenção: gente voltando da pescaria sem peixe, mas com um aparato de fazer inveja aos apresentadores de programas de pesca.

Não posso deixar de citar os vendedores de picolés que, democraticamente, colocaram seus carrinhos no ônibus, com a compreensão dos passageiros, que não somente ajudaram na acomodação dos objetos no coletivo, como também orientavam a locomoção dos transeuntes.

Carrinhos de bebês são os meus preferidos desde os meus tempos de Rio de Janeiro. Naquela época, eles não eram dobráveis e, sempre que eram inseridos nos coletivos, faziam a alegria dos cariocas. No domingo, ficaram bem acomodados junto aos carrinhos de picolés, mas a disputa foi quase insana, considerando algumas mães bem bravas. Assisti a algumas cenas bem discretamente, pois mães nervosas nem sempre usam de gentileza com curiosos.

No final da tarde, retornei para casa e resolvi assistir ao jogo daquele time contra o Vasco. No início foi sofrível, mas o final, apesar do empate, teve gosto de vitória.

Na parte da noite, fui à Primeira Igreja Batista de Jardim Carapina para rever irmãos e amigos e tive o prazer de presenciar o retorno do Culto Infantil sob nova liderança. Gosto de igreja que se preocupa com suas crianças e, no caso, não poderíamos começar o mês da família de maneira melhor. Ensinar a criança no caminho em que deve andar requer uma parceria entre a igreja, que está fazendo sua parte, e os pais, que precisam viver, de forma prática, o ensino da Palavra.

Parabéns ao Pastor Xicão na liderança de nossa igreja, sua esposa Patrícia, e às professoras e professores envolvidos nesse ministério. Que Deus abençoe a todos!

É vida que segue... ou melhor, é viagem que segue para o Noroeste do Estado.


domingo, 19 de abril de 2026

Como é Grande o Nosso Amor por Você
(Homenagem ao aniversário do meu sobrinho Dudu)

Na Princesa do Sul, assim também é conhecida a cidade de Cachoeiro de Itapemirim, foi preparada uma grande festa em comemoração aos oitenta e cinco anos de Roberto Carlos, seu filho mais ilustre. Pelas notícias que estamos acompanhando pela TV e pelas mídias sociais, será um grande acontecimento na capital secreta do mundo.

Em 1943, foi instituído o Dia do Índio pelo então presidente Getúlio Vargas e, depois de setenta e nove anos, por meio do Projeto de Lei nº 5.466/19, propôs-se a mudança do nome “Dia do Índio” para Dia dos Povos Indígenas, gerando, assim, a Lei nº 14.402/22. O mais triste dessa história é que, mesmo havendo representação indígena na Câmara Federal, ainda existem grupos insanos que procuram surrupiar terras dos verdadeiros donos do solo brasileiro.

São duas datas importantes, embora a segunda tenha marcado significativamente a minha vida, pois éramos caracterizados de índios ou, pelo menos, tentávamos fazer uma grande festa que, muitas vezes, após as aulas, se transformava em bagunça ou boas confusões. Algumas acompanhei de perto e outras bem de longe; afinal, nunca gostei de brigas. Tem pessoas que não acreditam nessa minha versão!!!

Na minha vida, essa data passou a ter uma importância totalmente diferente a partir de 19/04/2000, quando, recém-chegado de São José dos Campos, onde havia pastoreado por dois anos, peguei em meu colo um ser recém-nascido, e foi amor à primeira vista. O menino recebeu o nome de Eduardo e, carinhosamente, chamamos, nesses vinte e seis anos, de Dudu, Dudal, Dudé, Edu e outros apelidos que usávamos somente dentro de casa.

A partir daquele ano, com todo o meu respeito ao ilustre aniversariante do dia, que é meu xará, e ao Dia dos Povos Indígenas — fatos importantes —, o nascimento de Dudu tornou-se o grande acontecimento. A partir do ano 2000, os dias na casa de minha querida mãe nunca mais foram os mesmos. Eram sempre cheios de alegrias e surpresas no dia a dia, pela presença da criança.

O menino foi crescendo, sempre pequenino, mas dotado de uma esperteza de fazer inveja ao pica-pau, desenho cujas falas ele conhecia todas aos seus cinco anos. Naquela época, eu trabalhava no turno matutino na Escola Estadual de Ensino Médio Presidente Getúlio Vargas, onde Dudu estudou mais tarde. Todas as vezes que eu chegava em casa após o trabalho, tinha o hábito de tomar banho antes do almoço e, sempre que entrava no banheiro, ouvia duas mãozinhas batendo à porta e pedindo para tomar banho. Era uma guerra que, algumas vezes, eu vencia; em outras, perdia, e foi assim que aprendi a dar banho em criança sem deixar cair sabão nos olhos, sempre com a ajuda preciosa de minha mãe, avó inseparável do menino.

Ao longo desses anos, convivemos ora perto, ora bem longe, mas nunca deixamos de nutrir uma grande amizade e respeito. Dos meus sobrinhos, ele foi aquele de quem costumo dizer que o nosso convívio sempre foi um dos mais próximos. Formávamos uma equipe de viagem (minha mãe, Dudu e eu) e visitamos algumas cidades, dentro e fora do nosso querido estado do Espírito Santo. Numa dessas viagens à Cidade Maravilhosa, ele recebeu o Certificado de Honra de Comandante Mirim, por ser o passageiro mais novo na aeronave.

Ao longo desse tempo, vivemos grandes vitórias e muitas alegrias, mas também alguns momentos de perdas, dores e muitas perguntas, tentando entender por que certas situações acontecem em nossas vidas. Entretanto, por todos esses anos, nossa palavra sempre foi de gratidão por todas as experiências vividas, que sempre nos fortaleceram a cada luta que vencemos.

Hoje é um dia de gratidão pela vida de Dudu, pessoa que tem trilhado um caminho de muitas lutas em busca de seus sonhos e conquistas. Alguém que leva a vida com muito trabalho e com os olhos sempre no futuro. É alguém que olha com confiança para o porvir, sem se esquecer de que hoje é o tempo da semeadura e que o horizonte está logo ali.

Dudu, sou grato a Deus por sua vida e já lhe disse isso repetidas vezes, mas, em todos os momentos em que me lembro da sua história e do quanto tivemos a oportunidade de caminhar bem próximos, o meu coração se enche de alegria.

Por isso mesmo, afirmo em nome de nossa família: como é grande o nosso amor por você! E o aniversariante mais importante deste dia chama-se Eduardo — para os amigos e parentes, simplesmente Dudu.

Parabéns, e que Deus te abençoe!

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026


Foz do Iguaçu é Logo Ali!

Foram aproximadamente três meses de espera pela viagem a Foz do Iguaçu, para que o Coral Viva Você, da Secretaria de Estado da Educação, pudesse se preparar para essas apresentações.

Foram muitas horas de ensaio, que se repetiram até que a nossa maestrina Nara e o nosso coordenador Tio Marlon aprovassem não somente a performance nas notas e letras, mas também na expressão e representação artística do nosso Coral.

Esta semana foi corrida para todos os coralistas, mas, para quem coordena, ensaia, entra em contato com os responsáveis pelo Festival Internacional Três Fronteiras 2026 e, além disso, precisa ficar reenviando os localizadores das passagens repetidas vezes, não é uma das melhores tarefas. Obrigado, Tio Marlon!

Por outro lado, imagino que a rotina de quem ensaia também, por vezes, é muito dura, especialmente para quem tem ouvido absoluto, que consegue perceber pequenos erros que os meus jamais perceberiam. Começa no primeiro, depois vai para o compasso vinte e seis e volta para o quatorze, sempre prezando pela pureza dos sons e pela beleza da melodia. Obrigado, Nara!

Todo coral tem um instrumento que serve de base para os coralistas nas apresentações, quando não cantam à capela. No Coral Viva Você, temos um teclado que tem feito a diferença ao longo da existência do nosso grupo, sendo elegantemente executado pelo nosso tecladista, que chegou de mansinho e, a cada dia, mostra sua importância para o grupo. Obrigado, Ricardo.

Cantar qualquer música, mas, em especial, a brasileira sem percussão, é a mesma coisa que ir ao cinema e não comprar um saco grande de pipoca — e ainda comer tudo antes da metade do filme. Não tem graça! Por isso mesmo, somos privilegiados por termos conosco uma percussionista que, além de uma sensibilidade incrível, tem o dom de produzir sons maravilhosos e também de transmitir tudo o que sabe. Obrigado, Flávia!

Ainda no universo instrumental, encontramos os assistentes de percussão. Este que vos escreve, que chegou de mansinho e vai, aos poucos, dentro das suas possibilidades, aprendendo. E temos outro amigo que, além de tocar vários instrumentos de percussão, ajuda no vocal — e acredito que, em alguns momentos, tenha dúvida se canta ou toca. Obrigado, Sergio!

Estou no coral há vários anos e tive a oportunidade de passar por diversas formações. Na minha opinião nada modesta, acho que esta é a melhor delas. Consigo sentir equilíbrio entre os naipes. Nosso grupo vem amadurecendo a cada ano que passa e temos recebido, de presente, pessoas que fortalecem a nossa unidade e que despontam naturalmente. Obrigado, Vinicius!

Somos felizes por termos uma pessoa que viajou para curtir o merecido descanso em família, mas, quando retornou, seu lado social ficou evidenciado, com sua preocupação em ter uma reserva para auxiliar os coralistas e agradecer ao motorista que nos acompanhará na locomoção pela Tríplice Fronteira. Obrigado, Petro!

O que falar das duas meninas que ficam nos bastidores, procurando ajudar em tarefas que nem imaginamos como coralistas, pois elas não aparecem? Uma só faz rir — e a outra também. Rosângela e Lurdinéia, nossos agradecimentos.

Todo coral que se preze precisa ter dançarinos, que carinhosamente recebem o apelido de “pés de valsa”. São coralistas que cantam, dançam, encantam e impressionam. Obrigado a todos os dançarinos das ocasiões especiais!

Aos coralistas Alaídes, Ângela, Daniele, Denise, Edilene, Edimauro, Gustavo, Iolina, Lurdinéia, Cida, Cristina, Glória, Zezé, Mirtes, Moeda, Onorina, Petronilha, Lia, Márcia, Marlon, Rosângela, Sandra, Sara, Sérgio, Simone, Tânia, Teresina, Vinicius Brito e Vinicius Camargo, presentes neste Festival Internacional das Três Fronteiras, para não me tornar repetitivo... muito obrigado! Vamos brilhar para bem representar o nosso Estado do Espírito Santo e os nossos colegas que não vieram conosco.

Quero terminar este texto com um toque de saudade, a partir de uma frase que ouvi de Cida: — Roberto, todos os anos Creuza, de saudosa memória, pegava o panfleto do Festival Internacional das Três Fronteiras e dizia: “Um dia iremos participar”. Mas ela não pode mais fazê-lo. Entretanto, nossa participação é uma homenagem à memória dela e de todos os outros componentes que agora cantam no Coral Divino. Afinal, Foz do Iguaçu é logo aqui!

É isso por hoje... é vida que segue!

sábado, 28 de março de 2026


CONTOS DA QUARESMA...
HAVIA UM BEBÊ VIVO E UMA MULHER MORTA NO CARRO...

Essa história ouvi de um amigo há muitos anos. Devo confessar que, naquele tempo, fiquei impressionado com a narrativa e tive alguma dificuldade para dormir, tamanha a convicção dos relatos apresentados. Os dias eram diferentes e, longe das diversões que nossas crianças têm hoje, restava-nos brincar de pique, queimada, jogar porquinho e ouvir casos assombrosos.

Nosso vizinho morava em frente à nossa casa. Ele era caminhoneiro, num tempo em que os caminhões que mais circulavam pelo país eram as carretas da Scania, que transportavam material para a Fábrica de Cimento Nassau, os famosos FNM, apelidados de Fenemê, e os caminhões da Ford. Este último era o veículo do contador de nossa história de hoje.

No final dos anos 60, as estradas do Brasil eram infinitamente inferiores às grandes vias que temos hoje. Uma viagem de Cachoeiro a Vitória, muitas vezes, levava até quatro horas, considerando as condições da estrada. Os ônibus não tinham ar-condicionado e, além disso, faziam uma parada em Jaqueira, quando todos os passageiros desciam para fazer um lanche ou utilizar os sanitários. Coisa de maluco!

Era nessas estradas que o nosso amigo viajava. Ele cortava o Brasil com seu caminhão, enfrentando os perigos das traiçoeiras estradas do país. Segundo ele, certa vez, quando voltava da Bahia, com muita vontade de chegar em casa, agradeceu a Deus ao cruzar a divisa com o Espírito Santo e se aproximar do município de Pedro Canário. Foi uma longa viagem de quase quarenta dias e, como ele havia saído na Quarta-Feira de Cinzas, queria chegar em casa antes da Páscoa.

Da divisa da Bahia até Pedro Canário é uma distância bem curta, entre 13 e 15 km, percorrida com todo cuidado em aproximadamente 40 minutos, pois as condições da BR-101 não eram favoráveis. Chegou à cidade pouco depois da meia-noite e, como estava com pressa, resolveu seguir viagem para dormir em São Mateus.

A cidade de Pedro Canário é dividida pela BR-101 e, assim que se passa pelo município pela rodovia, há um declive bem acentuado na pista, que acompanha uma enorme depressão no terreno. A impressão que se tem é que a estrada faz um enorme mergulho, onde muitos motoristas desavisados podem sofrer graves acidentes.

A descida foi feita com todo cuidado, levando em consideração que os freios do caminhão eram a tambor e lona, um sistema que exigia muita perícia. Por isso, trafegou bem devagar para, então, no fundo do vale, acelerar e subir o acentuado aclive. Eis que, quando se preparava para concluir a descida, olhou para o lado de um penhasco e viu uma mulher toda suja, acenando e gritando desesperadamente. Ele passou por ela, parou adiante no acostamento e voltou para atender aquela senhora.

Ainda de longe, ela apontava para a ribanceira e, quando ele olhou, viu um carro caído que, pelo estado, parecia ter capotado várias vezes antes de chegar àquele local. Segundo esse amigo, ele nem pensou: passou pela mulher e desceu o mais rápido que pôde, pois, nesse momento, outros caminhões haviam parado, e ele tentou chegar o mais rápido possível ao fundo daquele precipício.

À medida que descia, foi encontrando pertences pessoais que haviam caído do carro pelo caminho, e seu coração disparava cada vez mais. Curiosamente, ao olhar para trás, não viu a mulher, o que achou muito estranho, mas prosseguiu em direção ao carro. Ao se aproximar, começou a ouvir o choro de uma criança de colo. Quando chegou ao veículo, tomou um dos maiores sustos de sua vida: a moça que sinalizava na pista estava morta dentro do carro, ao lado da criança, que não parava de chorar.

Naquele momento, ele disse que todos os pelos do seu corpo ficaram arrepiados e pouco faltou para que desmaiasse. Assim que se recompôs, outras pessoas foram chegando com barras de ferro e ferramentas para prestar socorro, e ele, meio perdido, perguntava se alguém havia visto uma moça fazendo sinal na rodovia, apontando na direção do veículo acidentado, mas nenhum motorista viu tal mulher.

Diante daquela triste situação, a única constatação real que tiveram foi a de que havia um bebê vivo e uma mulher morta no carro, totalmente destruído. Recolheram o menino, subiram o terreno com muita dificuldade e, assim que a Polícia Rodoviária Federal chegou, encaminharam a criança ao hospital mais próximo. As autoridades locais se encarregaram de tomar as demais providências, mas aquela história nunca mais saiu de sua cabeça.

Quando ele contava, alguns diziam que foi um anjo que veio dar um aviso, já que aquela criança não poderia morrer ali de inanição. Outros afirmavam que eram criaturas do além e que aquele fato teria acontecido para que a mãe fosse perdoada de seus pecados, ajudando aquele que seria seu filho. Para algumas pessoas, esse teria sido o último ato de uma mãe em favor de um filho que ela não queria deixar, e a vida dele foi poupada pelo amor que ela tinha pela criança.

Na minha cabeça, nenhuma dessas teorias importava, mas sim a impressão profunda que essa história deixou em meu coração e em minha mente. Passei vários dias sonhando com aquela cena narrada pelo meu vizinho e, na minha cabeça de criança, cheguei a ter a impressão de ter ouvido aquela mulher clamando por socorro, tamanho era o meu medo.

O tempo passou, e o caso ficou marcado na minha vida por muito tempo. Foi-me contado como verdadeiro, e tomei a liberdade de compartilhá-lo, aproveitando a época.

É isso por hoje... é a vida que segue!


sábado, 21 de março de 2026




ESSE TEXTO NÃO É SOBRE FUTEBOL

Não é sobre a vitória de virada...

Não é sobre ter ou não o melhor time do campeonato...

Não é sobre ser um grupo recheado de jogadores com limitações...

Não é sobre ter dinheiro para investir no mercado do futebol...

Não é sobre ter ou não oportunidade entre os grandes clubes do seu país...

Não é sobre ter começado o campeonato sem chances de estar entre os primeiros ou entre os melhores...

Não é sobre a visão que os outros têm do seu time, agora ou ao longo do campeonato...

Não é sobre as partidas difíceis que o elenco enfrentará durante a competição...

Não é sobre o jejum de títulos ao longo de impiedosos anos, nem sequer um campeonato estadual chamado, pejorativamente, de “carioquinha”...

Não é sobre entrar em certas etapas do jogo e se sentir injustiçado quando o seu time perde, empata ou vence nos acréscimos...

Não é sobre ter a impressão de que todas as disputas foram perdidas, assim como a partida...

NÃO, ESSE TEXTO NÃO É SOBRE FUTEBOL!

É sobre a vida...

É sobre vivê-la com dignidade o tempo inteiro...

É sobre encarar todos os desafios, de dentro e de fora de nós...

É sobre encarar as nossas maiores batalhas o tempo todo, com foco em dias melhores...

É sobre saber sofrer no tempo certo: sozinho, com a família e, outras vezes, com os amigos mais chegados que irmãos...

É sobre saber que sempre haverá uma oportunidade de vencer, ainda que mínima, e que não pode ser desprezada...

É sobre buscar a vitória até o fim, sem esmorecer, sempre acreditando que o amanhã será um novo e lindo dia...

Este texto é uma homenagem aos meus irmãos, parentes, amigos de perto e de longe e colegas de trabalho. Sou grato a Deus pela vida de todos eles e concluo citando o apóstolo Paulo, em Filipenses 3:13-14: “Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.”

· Todos nós precisamos de um alvo, de uma razão para viver.

· Que alvos você tem estabelecido para sua vida?

· Se os seus alvos não têm superado as suas expectativas, apresento-lhe Jesus, que é o alvo perfeito e a melhor razão para viver.

Até a próxima...