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segunda-feira, 6 de julho de 2026


Educação acolhedora: Um olhar sensível sobre a história do sistema escolar no Brasil

Conversava com um amigo pelas redes sociais na tarde de um certo domingo, em um tipo de disputa sobre quem postava mais coisas. Como ele tem grupos de amigos maiores que os meus, sempre estou respondendo à quantidade de posts dele sobre os assuntos mais diversos — desde economia, assunto de que entendo muito pouco, até educação, que é uma praia em que gosto de nadar. Não significa que eu dê mergulhos profundos, mas arrisco-me com segurança a frequentar algumas praias.

Ao longo dos últimos anos, venho ouvindo muitas críticas à educação e, especialmente, a algumas linhas e métodos que foram usados ao longo do tempo. O interessante é que, no início dos anos 70, com a promulgação da Lei nº 5.692/1971, o Primário e o Ginásio foram unificados no Ensino de 1º Grau, que passou a ter 8 anos de duração.

Com a promulgação da lei supracitada, em pleno regime militar, o objetivo do governo da época era de que todo estudante saísse do segundo grau com um diploma técnico. Os cursos oferecidos eram Técnico em Contabilidade, Secretariado, Magistério ou Eletrônica, preparando a mão de obra para o ingresso imediato no mercado de trabalho.

Sem nenhum esforço, recordo-me de que, naqueles anos, o tradicional e querido Liceu Muniz Freire mantinha o nome de "Científico", termo utilizado pela população durante muitos anos para se referir ao Colegial. Naquela época, a maioria esmagadora dos nossos professores, especialmente de química e física, não era concursada, mas sim composta pelos melhores alunos dos cursos de matemática, química, física e biologia. Alguns nomes ainda estão bem vivos na minha mente.

Embora muitos elogiem e digam que naquela época os professores eram respeitados e a educação era melhor, tenho essas sentenças como afirmações saudosistas de um tempo em que éramos um pouco mais de 90 milhões de pessoas vivendo sob o jugo severo de uma ditadura educacional, onde somente o professor era a autoridade, com o direito de corrigir até com alguns beliscões para comprovar sua ascendência sobre os alunos.

Os anos se passaram e as leis foram mudando, aperfeiçoando nosso sistema educacional. Tivemos uma reforma com a Lei nº 7.044/1982, que removeu a obrigatoriedade do ensino profissionalizante no 2º grau. A Constituição de 1988 estabeleceu a educação como direito de todos e dever do Estado, e garantiu o ensino fundamental obrigatório e gratuito, entre outros avanços.

Nos anos 90, foi criado o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, pela Lei nº 8.069/1990, que garantia a proteção integral de crianças e adolescentes, em um tempo em que o trabalho escravo e a exploração de menores imperavam nesse extenso país. Ao longo dos anos, como não houve uma atualização percebida na Lei pela sociedade, as críticas grassam de maneira impiedosa, com a afirmação de que ele é um instrumento de formação de delinquentes. Essa afirmação tem a minha total discordância.

Naquela década, também foi promulgada a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), que substituiu completamente a legislação anterior, dividindo a educação em duas etapas básicas: Educação Básica (Infantil, Fundamental e Médio) e Ensino Superior. A lei consolidou a gestão democrática do ensino público e valorizou a formação docente, passando a exigir o nível superior para a atuação na maior parte das etapas.

Anos mais tarde, a Lei do Piso Salarial do Magistério (Lei nº 11.738/2008) estabeleceu um valor mínimo nacional a ser pago aos professores da rede pública da educação básica. Essa legislação veio para corrigir a histórica distorção salarial existente entre os docentes no Brasil.

Em 2012, houve a promulgação da Lei nº 12.711/2012, que regulamentou a reserva de vagas nas universidades federais e instituições de ensino técnico. Uma das exigências da chamada Lei de Cotas era de que 50% das vagas fossem destinadas a estudantes oriundos de escolas públicas, com subcotas baseadas em critérios de renda, além de vagas reservadas para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência.

Entre as diversas legislações recentes, a última a ser promulgada foi a Lei nº 13.415/2017, que reformulou o Ensino Médio. Baseada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ela flexibilizou o currículo, dividiu a carga horária e deu ao estudante a possibilidade de escolher focar em áreas específicas do conhecimento.

Foram muitos os avanços ocorridos nos últimos 50 anos na educação do nosso país, que viu sua população saltar de 90 milhões para mais de 213 milhões de habitantes. Essas transformações acompanharam as mudanças ocorridas na sociedade e no mundo. Passamos pelos estudos dirigidos da década de 1970 e chegamos aos livros entregues diretamente às escolas através do PNLD – Programa Nacional do Livro e do Material Didático. Esses materiais dividem-se entre os livros reutilizáveis (que devem ser devolvidos após o período de uso, que varia de 3 a 4 anos) e os consumíveis (que ficam com o aluno definitivamente).

Apesar de todas as conquistas das últimas cinco décadas, temos ouvido com muita frequência nos últimos tempos a afirmação de que a nossa educação "vai muito mal", sendo comum atribuírem o método de Paulo Freire como a causa desse suposto fracasso. Isso dói aos meus ouvidos, pois, infelizmente, essa desinformação tem atravessado o país de norte a sul, de leste a oeste.

Paulo Freire, filósofo, educador e Patrono da Educação Brasileira, desenvolveu uma proposta pedagógica que valorizava a bagagem cultural e a realidade que o aluno trazia para a sala de aula. Para ele, a construção do conhecimento se dá justamente nessa troca horizontal de experiências entre o professor e o estudante. Essa abordagem foi um sucesso em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde o educador e sua equipe conseguiram alfabetizar 300 trabalhadores rurais em apenas 40 horas, no ano de 1963.

O êxito foi tamanho que, em 1964, o governo de João Goulart incorporou a proposta ao Plano Nacional de Alfabetização. Entretanto, com o advento do Golpe Militar de 31 de março de 1964, o programa foi interrompido e extinto pelo novo regime, sob a justificativa de que o método seria "subversivo".

Ainda assim, é muito comum ver nas redes sociais pessoas atribuindo as deficiências de concordância ou erros ortográficos dos estudantes de hoje ao "Método Paulo Freire". Tal atitude demonstra um profundo desconhecimento da história e a propagação de uma ideia maliciosa, com evidente viés político, que visa apenas espalhar desinformação.

Longe de incitar a subversão, a proposta de Paulo Freire tinha como objetivo acolher o adulto pobre e sertanejo em sua humilde condição de vida, utilizando suas experiências de trabalho e realidade como ponto de partida para a alfabetização. Esse modelo se contrapõe à chamada "educação bancária", na qual o professor apenas deposita conteúdos na mente do aluno.

Qualquer empreendimento que abraçamos e que envolve pessoas precisa partir do acolhimento. Os órgãos públicos — e cito aqui a Secretarias de Educação — vêm realizando nos últimos anos a salutar prática de acolher os novos servidores que passam a integrar seus quadros docentes. Nossas escolas desenvolvem as mesmas dinâmicas com os educadores e alunos que chegam a cada início de ano letivo.

Educar nos dias de hoje pode não ser uma tarefa fácil. Muitas vezes, atribuímos as dificuldades pedagógicas apenas à formação dos professores, mas não podemos esquecer que a educação se faz por meio de uma parceria sólida entre a família e a escola. O papel mais importante dessa base cabe à família, pois essa é uma responsabilidade que a escola não pode, de forma alguma, substituir.

Educar é acolher. Portanto, se você deseja sucesso em qualquer projeto de sua vida, comece pelo acolhimento: ele abre portas, enquanto a sua ausência costuma fechar corações.

É isso por hoje... e vida que segue!



FUTEBOL: O ÓPIO DO POVO

Na década de 70, nas Igrejas Batistas do Brasil, havia, um pouco antes do culto noturno, um encontro chamado União de Treinamento, que acontecia com os adolescentes, jovens e adultos. O objetivo era treinar o povo para melhor trabalhar na Igreja.

Naqueles anos, havia uma revista voltada para os jovens com assuntos variados, e recordo-me de um artigo baseado na expressão usada por Karl Marx no século XIX, na qual ele afirmava que “a religião era o ópio do povo”. Essa expressão ganhou muita força nos anos 70 devido ao crescimento dos movimentos estudantis, sindicais e de oposição às ditaduras militares, que usavam esse referencial teórico para analisar a sociedade.

A teologia da libertação surgiu nesse tempo como uma corrente que tentava inverter essa lógica: em vez de uma religião que alienava (como o ópio), ela se engajava nos movimentos sociais para ajudar os mais pobres contra as injustiças. A metáfora do “ópio” era usada pois, na época de Marx, a substância funcionava como analgésico para aliviar o sofrimento, tanto quanto como droga que entorpecia e tirava o poder de reação.

Mas a pergunta que não pode ficar sem resposta é: o que tem a ver a expressão que Karl Marx usou como linguagem figurada na época em que ele vivia com os nossos dias atuais? Como não posso pedir permissão para parafrasear a expressão dele, tomei a liberdade de utilizá-la como título da nossa crônica da noite de domingo, publicada na segunda-feira. Mas quais são os motivos que nos levam a comparar o futebol ao ópio do povo?

A cada quatro anos vivemos um fenômeno mundial, quando milhares de aparelhos de TV são ligados simultaneamente para assistir à Copa do Mundo de Seleções de Futebol. Neste ano tivemos mais uma novidade, pois aqueles jogos que você só conseguia assistir por assinatura em canais especializados, hoje, basta ligar o seu smartphone, em qualquer lugar que esteja, e assistir ao seu jogo.

A Copa do Mundo de Futebol é o único evento que consegue fazer o povo brasileiro vestir e desfilar com orgulho as cores da Bandeira Nacional, sem medo de ser feliz, ainda que existam grupos políticos que, de maneira ridícula, tentem se apropriar dessas cores que pertencem à Nação Brasileira.

O futebol exerce a magia de nos fazer esquecer os nossos maiores problemas e, durante os dias da competição, nos apegamos a todos os meios de comunicação para assistir aos jogos, extravasando os nossos maiores sentimentos de alegria ou raiva. Nesse tempo muitos ganham dinheiro, mas, na esmagadora maioria, o número de perdedores é infinitamente maior.

O futebol tem o poder de unir os povos das mais variadas nações ao redor do mundo em torno de um aparelho para torcer pela seleção do seu país ou por aquela que eles simpaticamente escolheram durante a competição; mas quando, porventura, a equipe do coração é eliminada, a frustração é generalizada.

O futebol nos faz buscar no nosso íntimo os mais profundos e raivosos sentimentos xenofóbicos, e passamos a odiar pessoas e nações, desejando que sejam eliminadas — e esses sentimentos, muitas vezes, duram anos, atravessados em nossa garganta. Durante anos vivi com a Argentina entalada, até que me libertei desse sentimento, mas sei que tem muita gente que ainda não esqueceu a Croácia ou a Bélgica, e vai viver muito tempo tendo pesadelos com o norueguês Erling Haaland.

O futebol consegue modificar e anestesiar coletivamente uma nação. Na manhã desta segunda-feira, no coletivo, havia um silêncio; e, quando alguém ousava dizer alguma coisa, a conversa era sempre em torno da eliminação do Brasil e da falta de compreensão do porquê de o Vinícius Júnior não ter cobrado o pênalti. Paira no ar uma sensação de entorpecimento.

O futebol tem a capacidade de nos fazer viver a contradição de torcer a favor quando o jogador do meu time de coração faz uma boa jogada na seleção, mas, no fundo do coração, desejar que o atleta do time adversário se dê mal e que ele erre, só para culpá-lo pelo insucesso da equipe. Imagino a sensação de alívio para os vascaínos quando a Noruega fez os dois gols e o atleta da base do Vasco não estava em campo. Pode soar absurdo, mas é assim a cabeça do torcedor.

O futebol dos nossos dias desperta os sentimentos mais estranhos na política brasileira. São “líderes” que marcam os minutos em que o pênalti foi perdido, o número da camisa do jogador que errou e proporcionou o gol do adversário, e a camisa do atleta que fez o gol da vitória. Até o número da camisa do azarado do jogador por quem a bola passou por entre as pernas, no segundo gol da Noruega, não foi perdoado.

A impressão que tenho é de que, em muitos momentos, o futebol funciona como o ópio, metaforicamente falando, pois esquecemos momentaneamente das nossas crises e entramos numa dimensão em que parece que o tempo para e tudo se resolve com boas apresentações e vitórias de nossa seleção.

Depois de 25 dias desde o início da Copa do Mundo, assim que o efeito do futebol na veia vai passando, gradativamente começamos a retornar à realidade, que para muitos é extremamente dura e com poucas perspectivas de saída a curto prazo.

Que a magia do futebol seja aplicada na vida quando enfrentarmos nossos problemas coletivos, como a busca por melhoria de vida para a população, educação de qualidade para nossas crianças, mais segurança para o nosso povo, respeito aos nossos idosos e às escolhas religiosas que as pessoas fazem num país de extensão continental como o Brasil.

Que, passada a euforia do futebol, essa dedicação seja colocada sobre a vida em favor da compreensão mútua e do prazer de viver; se não fazendo tudo o que gostaríamos para tornar esse mundo melhor, mas tudo o que fizermos, que seja de coração, dando o melhor do nosso ser para que a nossa vida e a do próximo tenham sentido.

Sabedor de que, entre a data de ontem até a próxima Copa do Mundo, teremos muitos campeonatos nacionais e torneios que nos mobilizam (embora a anestesia não seja geral), desejo que essa caminhada seja com menos atropelos e menos decepções como aquela vivida ontem.

É isso por hoje. Enxugue as lágrimas e lembre-se... é vida que segue!

sábado, 4 de julho de 2026

CEMITÉRIO, LUGAR ONDE TUDO TERMINA?

Cresci em Cachoeiro de Itapemirim, em um local que, naquele tempo, se chamava bairro dos Ferroviários e, mais tarde, recebeu o nome de Nossa Senhora da Penha. O primeiro nome foi em função da quantidade de homens que trabalhavam na rede ferroviária e moravam na parte baixa, onde ficam o Hospital Evangélico e o Instituto do Coração — referência nesse tipo de tratamento de problemas cardíacos no sul do Estado.

Nossa casa fica do lado direito da Rua Maria Dulce Garioli, nome dado em homenagem a uma antiga moradora. Naquela época, não existia esse conceito de limites de território que temos hoje; entre a nossa casa e a da vizinha, a divisa dos terrenos era uma cerca viva, conhecida como sansão-do-campo.

Lembro-me bem do meu velho pai conversando com a vizinha ao lado de nossa casa sobre a vida, oportunidade em que ela usou uma frase interessante que nunca mais esqueci: "Sr. Osmani, na ordem natural das coisas os velhos morrem primeiro, mas não existe ordem natural nessas coisas". E, desde aquele tempo, percebi o quanto ela tinha razão.

Todos nós temos certeza plena, desde que nascemos, de que um dia vamos morrer. Não quero entrar em questões teológicas, mas puramente humanas — coisas do nosso dia a dia que mexem profundamente com o nosso emocional. Costumo dizer que só pensamos na finitude da vida quando perdemos pessoas que nos são próximas e queridas.

Estava assistindo, na tarde deste sábado, a um vídeo do Cemitério Municipal de Cachoeiro gravado pela minha irmã. Eram imagens de sepulcros, pois ela fora ao sepultamento da nossa tia Laurinda Silva, uma das irmãs mais novas da minha mãe. No vídeo, a Solange disse que estava em um lugar onde as pessoas dizem que tudo terminou. Mas será que é assim que tudo termina?

Não creio que a história de Laurinda tenha terminado ali. Muito pelo contrário, acredito que os feitos dela ficarão para sempre em nossos corações, até que a vida deixe de existir em nossas jornadas terrenas.

Laurinda foi uma dessas irmãs que, na juventude, nunca deixaram de viver de maneira alegre e divertida, porém jamais se descuidaram de amparar e ajudar quem precisava. Maria, sua irmã e minha mãe, nunca deixou de reconhecer toda a ajuda que recebeu dela por ocasião do nascimento da minha irmã mais nova.

Laurinda viveu para sua família com todas as forças do seu ser. Nos seus 82 anos de vida, teve o prazer de ver o nascimento dos seus netos. Como a vida é sempre cheia de surpresas agradáveis e outras não, nesse tempo ela passou pela dura experiência de sepultar a sua filha Josiane, fato que marcou para sempre a sua trajetória.

Laurinda era uma mulher muito forte, e isso ficou evidenciado pela quantidade de batalhas que enfrentou na vida, sem nunca esmorecer nos momentos mais difíceis. Nos últimos anos, quando soube da doença, ela a encarou com dignidade, como fazem as pessoas que são gratas e conscientes do privilégio de viver.

Laurinda, ao contrário da expressão popular de que o cemitério é o lugar onde tudo termina, teve apenas a sua história de vida na dimensão humana encerrada. Ela continuará viva na mente e no coração dos irmãos Vivaldo, Maria e Lucy. Sempre gostei da maneira como eles se preocupam uns com os outros e da importância que dão às visitas mútuas como forma de demonstração de carinho e respeito.

Tive a oportunidade de visitá-la com a minha mãe no mês passado. Pudemos conversar com ela no leito, relembrar muitas histórias de nossas vidas e o quanto eu, mesmo quando criança, gostava de ver e ouvir as peripécias que ela fazia e muitas outras histórias.

Foram mais de oito décadas de vida e, como sobrinho, tenho certeza de que o meu pensamento resume o sentimento dos parentes, da filha Carla e dos netos: gratidão pelo tempo que passamos juntos.

Quero terminar desejando que Deus possa confortar os nossos corações, pois o momento da despedida é sempre muito duro. E em Apocalipse 21:4, assim lemos: “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Portanto, podemos guardar todas as nossas memórias com todo o afeto e ficar convictos de que nem tudo termina no cemitério.

É isso por esta madrugada...


terça-feira, 26 de maio de 2026


MAS EM NADA TENHO A MINHA VIDA POR PRECIOSA...

Na minha história de vida tive várias tias, porém uma delas chamada Maria Gomes Caitano, também conhecida como Babá, era irmã do meu saudoso pai. À medida que fui crescendo, descobri que ela trabalhava na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro. Era enfermeira e, além de se dedicar ao seu ofício, levava uma vida alegre, leve e solta com as suas colegas de trabalho e familiares. Sua juventude, através do meu olhar de sobrinho, era plenamente feliz.

No início dos anos setenta, eram os tempos da Jovem Guarda no Brasil, representada por um grupo de jovens que eram idolatrados com suas canções de rock e “iê-iê-iê” (vertente melódica inspirada nos Beatles) e que fizeram um enorme sucesso. Lançaram a moda de uma camisa quadriculada com gola dupla que, para os padrões locais, era linda. O primeiro e único menino a ter uma camisa daquela foi o Robertinho, presente da minha querida tia Babá. Fiz um tremendo sucesso, só não conquistei uma gatinha por ser tímido.

Minha tia tinha uma disposição para fazer muitas traquinagens. Recordo-me de certa vez que, ao chegar em casa, percebi que no pé de abacate havia um galho quebrado. Ao nos questionarmos, fomos surpreendidos com a explicação dela: "Subi para tirar uns abacates e, de repente, o galho não suportou o meu peso e desci com abacate e tudo ao chão."

Os anos foram passando e tornei-me adolescente. A primeira casa onde agora a Senhora Conceição e seu esposo foram morar foi no Bairro Coronel Borges, bem próximo da primeira escola da APAE. Lembro-me de ter ido algumas vezes lá; pena que não havia abacateiros e nem mangueiras para serem escaladas.

O tempo passou e ela foi com o esposo morar perto da nossa casa, e formamos uma bela parceria: agora eu era o entregador de marmita para o tio Francisco, no ponto de ônibus que ficava perto do Cinema Broadway, ao lado da ponte de ferro de Cachoeiro de Itapemirim. Durante aquele tempo, conviver com a minha tia diariamente era prazeroso, pois eu me sentia gente grande.

À medida que o tempo foi passando, chegou a primeira menina, Fabiane, que alegrou a família e foi uma grande festa. A menina começou a crescer e, depois de dois anos, chegou mais uma menina, Flávia, e foi outra grande festa. As meninas começaram a crescer e era preciso construir uma casa maior, e isso foi feito com muito trabalho do casal Babá e Francisco.

Depois de enfrentarem muitas barras e batalharem por recursos, construíram uma bela casa. Oito anos após o nascimento de Flávia, a família ficou completa com a chegada de Francisco Júnior. Foi uma alegria, e Conceição praticamente não conseguia se conter. Mas um fato sempre foi marcante no desenvolvimento das crianças: desde muito cedo foram encaminhadas à Igreja, mas o aprendizado maior sempre foi pelo exemplo, e não pelas palavras.

Depois desse tempo, toda a família se mudou para a Serra, na Grande Vitória, deixando saudades e a impossibilidade de conversar aos gritos. É que a casa da minha mãe ficava na rua de baixo e a dela na rua de cima; no meio havia um grande vale e, para economizar telefone, muitas vezes nossas conversas eram expostas à vizinhança. Tempos maravilhosos.

Os anos se passaram e, pela ordem natural da vida — embora não exista ordem natural para esse fato —, a família cresceu com o casamento de Fabiane com Christian e a chegada dos netos Níkolas e Sophia, que praticamente visitam o Brasil a cada ano, fazendo a alegria da família.

Mesmo morando distante, Babá nunca deixou de exercer aquilo que mais lhe trazia prazer: ajudar o próximo. Muitas vezes ela deixava a família na Serra e viajava para passar dias em Cachoeiro para acompanhar pessoas que estavam doentes e que precisavam de ajuda. Inúmeras pessoas foram acolhidas por ela ao longo de sua vida, pois tinha prazer em servir.

Durante a sua vida, um fato sempre me chamou a atenção: a amizade de Babá com Maria Gomes, minha querida mãe. As duas, desde os primeiros dias de casamento da minha mãe com o irmão dela, desenvolveram uma profunda amizade, bonita de se ver — fato contado pela minha mãe. Falavam-se sempre duas vezes durante o dia: uma vez pela manhã e outra à tarde, infalivelmente. Sei que esses telefonemas farão muita falta à minha mãe Maria.

Escrever sobre a Babá é fácil, pois desde o tempo em que me entendo por gente — gosto dessa expressão —, sempre vi bondade na sua vida e no seu jeito de ser. Sou grato a Deus pela vida da minha saudosa tia e tenho certeza de que ela amou as pessoas de maneira incondicional e foi muito amada por todos. A expressão desse amor, com o coração grato, nós vimos no seu velório, pela quantidade de amigos que vieram de longe para prestar-lhe as últimas homenagens.

Como sobrinho, sentirei falta das brincadeiras durante os nossos encontros e das conversas. A última aconteceu no dia 1º de maio. Foi um tempo muito bom de brincadeiras, lembranças e comunhão. Um fato curioso foi que liguei várias vezes para minha mãe e ela não atendeu, mas a Babá foi até o quarto dela, pegou o telefone, ligou, e a Dona Maria prontamente a atendeu. Logo reclamei: — Como a senhora atende a minha tia e não ao seu filho? Gargalhamos bastante!

Foi tudo muito rápido, e ver minha tia em um hospital nas condições em que a encontrei foi muito difícil. Mas, em meio a todo aquele sofrimento, algo me chamou a atenção: a maneira digna e cheia de fé com que ela enfrentou a doença. Não saiu daquela boca nenhuma palavra de reclamação e, em todos os momentos em que podia, ela apenas agradecia a Deus. Recordei-me de Jó 1:22: “Em tudo isso, Jó não pecou nem culpou Deus”. Babá demonstrou o tempo inteiro atitudes de fé, na certeza de que o Redentor vive e agora Ele a tem nos Seus braços eternamente.

Sei que o Tio Francisco e a Flavinha sentirão falta da esposa, mãe, companheira e amiga, numa casa que ficou maior devido à ausência de Conceição. Imagino o quanto foi e tem sido duro para a Fabiane, como filha, estar longe dos acontecimentos que vivemos na semana passada. Não vai ser fácil explicar às crianças que a avó está nos braços do Pai. Crianças têm muita dificuldade de compreender tempos de perdas e de luto. Sem contar que perderam recentemente o avô por parte de pai.

Babá viveu o tempo inteiro para os seus familiares, tendo contribuído para a criação dos seus três filhos ao lado do seu marido. Fizeram um excelente trabalho, e as provas estão bem diante de todos nós.

Babá enfrentou todo o processo da doença com muita dignidade e com a serenidade que somente pessoas de fé conseguem ter. A cada momento em que recobrava a consciência, sempre evocava o nome de Deus com um sentimento de gratidão.

Babá nunca deixou de enfrentar os problemas da vida com a alegria que permaneceu com ela até o momento em que Deus a convocou às mansões celestiais. Foi uma pessoa que procurou viver com intensidade as palavras de Paulo em Filipenses 4:4: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos.”

Babá, com sua vida, conseguiu acompanhar diversas famílias e reuniu no seu falecimento várias gerações de pessoas amigas que não deixaram de se juntar para prestarem as últimas homenagens à amiga querida, que ficará para sempre nos nossos corações.

Babá viveu com sabedoria e desapego, assim como o Apóstolo Paulo: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.” (Atos 20:24). Entendo como Ministério o cuidar de pessoas a tempo e fora de tempo, e isso ela fez com perfeição.

Babá não foi somente filha, mãe, avó, esposa, sogra, cunhada, amiga e irmã em Cristo Jesus, mas foi alguém que teve a oportunidade de conhecer e segurar seus netos, bem como uma quantidade de crianças que praticamente nasceram nos seus braços.

Sou grato a Deus por Ele ter sido bondoso e misericordioso, dando-nos a presença de Tia Babá conosco por variados anos... sessenta e seis... cinquenta e dois... sessenta e nove... dez... seis... tempo que jamais será esquecido.

“Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” (Mateus 25:34). Agora, Babá faz parte desse Reino, para onde todos nós um dia iremos.

Em Cristo... cheio de saudades eternas!!!

quarta-feira, 20 de maio de 2026

A PARÁBOLA DA FLORESTA
(Uma reflexão sobre os tempos de mudança na vida e na liderança)

Era uma vez uma bela floresta que ficava em uma região do vasto continente africano, possuía uma fauna riquíssima e muitos animais. De um lado daquela floresta, os animais andavam soltos e sem nenhuma preocupação com colecionadores de peles de animais, nem mesmo com caçadores que gostavam de matar os animais apenas por esporte, levando, assim, à extinção de algumas espécies.

Todos tinham suas tarefas diárias, e os pássaros eram os primeiros a acordar e imediatamente iniciavam o coro da alvorada, antes do sol nascer. Era uma verdadeira algazarra, e quem chegava perto daquele barulho na copa das árvores não entendia se aquilo era briga ou simplesmente alegria por mais um dia que estava prestes a chegar.

Cada animal tinha o seu jeitinho bem peculiar de despertar pela manhã. Os elefantes se levantavam e, com seus bramidos, se comunicavam e, como num piscar de olhos, uma ruidosa manada se juntava, emitindo sons assustadores e provocando grandes tremores de terra na floresta.

Durante o dia era um tal de gazela correndo dos leões. De vez em quando, os leopardos se estranhavam e entravam em luta corporal, e normalmente ninguém se atrevia a entrar para separar. Mas a coisa ficava feia quando a mãe rinoceronte se colocava a defender seus filhotes dos predadores. Era um espetáculo de dar medo, mas elas nunca desistiam de seus filhos.

O líder daquele grupo, o todo-poderoso Rei Leão, acalmava os bichos quando acontecia algum desentendimento com seu rugido forte, amedrontador, que podia ser ouvido a até 8 km de distância, ou quando precisava colocar ordem para que as tarefas do dia a dia dos bichos fossem realizadas.

Mas, do outro lado da floresta, o modo de viver dos animais era bem diferente. Era um grupo de animais que tinha um modo de viver distinto. Eles não atacavam uns aos outros, pelo menos não de maneira tão direta como os animais que viviam fora daquela comunidade. Tinham um líder que também era um leão, e no grupo havia muitos animais talentosos.

Naquele lugar reinava uma aparente paz, e aquele lado da floresta tinha muita coisa bonita. As vegetações pareciam mais verdes, as águas que corriam pelas pedras pareciam mais claras e limpas. Por incrível que possa parecer, os animais se respeitavam e nenhum deles ficava tentando tirar a vida do outro como parte de sua cadeia alimentar. Era uma vida em comunidade, e muitos achavam que aquele lugar era a verdadeira família que sempre desejaram ter.

Naquele grupo havia um líder, também um leão, que estava há muito tempo comandando aqueles animais. Alguns eram obedientes, mas outros davam muito trabalho. A mamãe elefanta tinha que ficar atenta com seus filhotes, pois eles se aproveitavam do tamanho e tinham o hábito de mexer com os outros animais. De vez em quando saía uma briga entre filhotes de rinocerontes e hipopótamos, e dava trabalho para que os pais separassem os brigões sem se envolver na briga. Coisas de crianças, mas que traziam alguns aborrecimentos aos pais.

Os animais adultos, sempre que podiam, se revezavam entre elefantes, rinocerontes, leopardos e búfalos para tomar conta das crianças, afinal aquele lado da floresta era civilizado e eles não se comiam uns aos outros. Mas, como nem sempre tudo naquele lugar era festa, de vez em quando os adultos se desentendiam e brigavam, e alguns paravam de se falar. Era girafa para um lado, zebra para o outro, e o leopardo se isolava para não se lembrar de sua velha natureza e atacar os outros bichos.

Mas havia um grande problema: quando os adultos ficavam zangados uns com os outros, isso prejudicava a orquestra, pois os bichos já tocavam juntos há alguns anos, mas a harmonia ia embora, já que cada um queria mostrar que era melhor que o outro. O leopardo se gabava de ser o guitarrista, pois era muito ágil para correr e executava as notas com rapidez e precisão. Na bateria ficava o filho do Rei Leão, e toda semana precisava trocar as peles do instrumento, pois ele as furava com suas garras.

O Sr. Gorila resolveu tomar conta do teclado e até que ele tinha algum talento e conseguia fazer acordes que atendiam muito bem às necessidades do grupo. Porém, era muito difícil alguém se aproximar do instrumento, pois ele abria a boca e mostrava os dentes sem muita amizade. No contrabaixo, foi difícil retirá-lo da zebra, pois ela se achava especialista e, como tinha muita dificuldade de se deixar domesticar, às vezes era difícil convencê-la a mudar de ideia.

Os elefantes, por se gabarem de terem bramidos de aproximadamente 125 decibéis, resolveram tomar conta dos instrumentos de sopro, e não houve bicho que os demovesse daquela ideia. O coro de hienas, hipopótamos e gazelas era assustador, porém interessante. A comunidade era de uma variedade imensa da fauna africana.

Não muito distante dali o Rei Leão a todos observava. Ele, além de líder, exercia um poder sobre o grupo e praticamente só se fazia aquilo que, algumas vezes, ele pedia e, outras, ele ordenava, e os bichos obedeciam. O tempo passou, e aquele Rei Leão envelheceu, e a comunidade dos bichos achou que seria a hora de mudar a liderança. E assim foi feito.

Após várias reuniões, encontraram um jovem leão que deveria substituir o antigo, e a mudança foi bem tranquila. O velho leão, agora aposentado, foi para casa, mas, como estava acostumado a liderar, sempre aparecia na comunidade, e o novo líder se sentia inseguro quando isso acontecia, pois, além de gostar do velho líder, havia alguns que sempre comparavam as lideranças.

Passado um tempo, os bichos mais velhos se reuniram com o velho leão e pediram que ele não interferisse no trabalho do jovem líder. O melhor que aquele líder experiente poderia fazer seria se afastar e deixar que os bichos mais novos aprendessem algumas lições sozinhos e mudassem tudo o que fosse necessário para o bem-estar da comunidade.

Depois de certo tempo, o velho leão entendeu que o melhor seria ficar na floresta aproveitando seu tempo de descanso e deixar que o mais novo decidisse quais rumos os animais deveriam tomar, ainda que, em alguns momentos, tivessem algum tipo de dificuldade, pois aprenderiam da mesma forma que os mais antigos um dia aprenderam.

E, desse modo, os animais voltaram a viver em paz, e a comunidade dos bichos foi se desenvolvendo até chegarem à maturidade. Dizem que hoje eles se aproximaram, deixaram de ser dois grupos e passaram a ser um só na floresta. Tudo porque um líder agiu com maturidade e deixou que seus antigos liderados crescessem livres e caminhando com suas próprias patas.

E assim os bichos foram felizes para sempre...

O que podemos aprender com essa parábola?

  • Em todos os lugares por onde passamos, vamos encontrar pessoas com comportamentos e ideias diferentes das nossas.
  • Quem responde pela liderança precisa ficar atento às mudanças que acontecem no meio da comunidade e ter sensibilidade para procurar resolvê-las sempre que possível, sem criar problemas de outras naturezas.
  • É preciso respeitar a individualidade de cada um sempre, pois cada pessoa tem o seu talento e deve ser respeitada e, sempre que possível, desenvolvê-lo no lugar certo.
  • Na nossa fábula, os bichos com algum talento tocavam e participavam normalmente do grupo e não foram expulsos, como acontece em muitos lugares; foram trabalhados na medida em que iam tocando.
  • Aprendemos com a crônica que, quando o nosso tempo acaba, precisamos partir para outros desafios. É a mesma coisa quando terminamos um ano na escola e passamos para o outro. O tempo do velho rei passou, e agora era o tempo do novo rei.
  • Em qualquer lugar, quer seja no trabalho ou na comunidade, sempre que houver mudança, precisamos entender que quem chega precisa ter tempo para se adaptar, e devemos ter paciência.

Em Busca da Infância Perdida

Roberto Luiz Gomes

 

segunda-feira, 18 de maio de 2026


Geovani Silva...

Geovani, o mágico da bola.
O menino que surgiu na Desportiva Ferroviária como promessa
Deixou de ser promessa no Vasco e tornou-se um craque.
Um craque que, com o passar dos anos, mostrou toda a sua genialidade.

Geovani arrebentou no Campeonato Mundial Sub-20 da FIFA, em 1983, sendo o artilheiro e o melhor jogador do torneio, no México. Acompanhei aqueles jogos na sala de TV do Centro de Estudantes do Seminário Teológico do Sul do Brasil.

Geovani no Brasil, desfilou sua leveza pelos estádios brasileiros, com lançamentos precisos para Romário, no início de carreira, e Roberto Dinamite, no auge de sua força física.

Geovani, o Pequeno Príncipe, como foi apelidado, não era simplesmente um gênio como meia-armador, mas também tinha a habilidade de bater pênaltis como poucos, no auge de sua carreira. Sem pulinhos e, mesmo que o goleiro adivinhasse o canto, não conseguia chegar à bola.

Geovani foi um exímio cobrador de faltas e colocava a bola no ângulo da meta do goleiro como se a conduzisse com as próprias mãos e nunca com os pés.

Geovani brilhou na Desportiva, Vasco, Bolonha, México, ABC, Rio Branco, Vila Velhense e outros clubes do Brasil. Encerrou sua carreira em 2002, aos 38 anos, e ainda exerceu o mandato de deputado estadual no Espírito Santo.

Geovani travou uma longa batalha contra um câncer na coluna e um quadro de polineuropatia, que limitava sua mobilidade e provocava a disfunção simultânea de vários nervos periféricos por todo o organismo.

Geovani, perseverou na sua luta aqui na terra e que aparentemente foi perdida, mas ele conquistou o lugar mais precioso ao lado do Pai Eterno. Fica a memória de um jogador que foi homenageado em vida não somente pelo clube que o projetou para o mundo, mas também pelos amigos, em razão das inúmeras façanhas dentro das quatro linhas, nos diversos palcos do futebol pelo mundo.

Aos familiares, fica a palavra de solidariedade pela perda do ente querido; aos apaixonados pelo futebol arte, a imagem de quem fez muito pelo esporte; e, às novas gerações, procurem vídeos para entender a reverência que aqueles que jogaram com ele sempre tiveram e o respeito que ele impunha aos adversários pelo seu talento como atleta.

Geovani Silva, Pequeno Príncipe, descanse em paz!

segunda-feira, 4 de maio de 2026


Um domingo diferente... e o retorno do culto infantil!

Na Escola Bíblica Dominical deste domingo, na Igreja Batista Mata da Praia, o tema na Classe Rute foi Justificação. Gostei muito da explanação por parte do professor, que, meio sem querer, acabou revelando ser torcedor do Vasco.

Mas o que me deixou feliz foi ter encontrado meus amigos de Cachoeiro, e confesso que fiquei com a impressão de que a IBMP deve ter a maior concentração de cachoeirenses em seu rol de membros.

Voltava para casa no final de domingo, depois de almoçar e conversar longamente com alguém que não via há um ano. Foi um diálogo longo, proveitoso, inspirador e promissor, mas essa história exige paciência e tempo, e você deve guardar a sua curiosidade.

Andar pelas ruas de Vitória, num domingo, é muito interessante: sentir o vento que, além de provocar a dança de lixos e papéis atirados pela comunidade nas ruas, também levanta poeira, o que tanto nos incomoda.

Passar pela Praia de Camburi no final da tarde é extremamente interessante, pois observar o povo que volta da praia é um espetáculo quase inenarrável. Algumas curiosidades chamaram a minha atenção: gente voltando da pescaria sem peixe, mas com um aparato de fazer inveja aos apresentadores de programas de pesca.

Não posso deixar de citar os vendedores de picolés que, democraticamente, colocaram seus carrinhos no ônibus, com a compreensão dos passageiros, que não somente ajudaram na acomodação dos objetos no coletivo, como também orientavam a locomoção dos transeuntes.

Carrinhos de bebês são os meus preferidos desde os meus tempos de Rio de Janeiro. Naquela época, eles não eram dobráveis e, sempre que eram inseridos nos coletivos, faziam a alegria dos cariocas. No domingo, ficaram bem acomodados junto aos carrinhos de picolés, mas a disputa foi quase insana, considerando algumas mães bem bravas. Assisti a algumas cenas bem discretamente, pois mães nervosas nem sempre usam de gentileza com curiosos.

No final da tarde, retornei para casa e resolvi assistir ao jogo daquele time contra o Vasco. No início foi sofrível, mas o final, apesar do empate, teve gosto de vitória.

Na parte da noite, fui à Primeira Igreja Batista de Jardim Carapina para rever irmãos e amigos e tive o prazer de presenciar o retorno do Culto Infantil sob nova liderança. Gosto de igreja que se preocupa com suas crianças e, no caso, não poderíamos começar o mês da família de maneira melhor. Ensinar a criança no caminho em que deve andar requer uma parceria entre a igreja, que está fazendo sua parte, e os pais, que precisam viver, de forma prática, o ensino da Palavra.

Parabéns ao Pastor Xicão na liderança de nossa igreja, sua esposa Patrícia, e às professoras e professores envolvidos nesse ministério. Que Deus abençoe a todos!

É vida que segue... ou melhor, é viagem que segue para o Noroeste do Estado.