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domingo, 18 de janeiro de 2026


Quem pagou o pato fui eu…

Existem duas versões para a origem da expressão “quem vai pagar o pato”. Uma é italiana e fala sobre as exigências de um pato que foi vendido por um camponês a uma mulher em troca de favores sexuais. Como o homem passou a exigir mais, ela se recusou a atendê-lo e, depois de muita discussão, o marido chegou e, sem entender a situação, resolveu pagar o pato em dinheiro.

A segunda versão, oriunda de Portugal,  conta-se que, nas feiras medievais, havia um pato de madeira e, em todas as confusões que surgiam sem que se identificassem os causadores dos imbróglios, o pato era apontado como culpado pela situação.

Os séculos se passaram e a expressão continuou sendo usada no mesmo sentido: quem paga o pato é aquele que leva a culpa por algo que não fez. Às vezes, é um pato cheio que traz dor física, e não no bolso.

No sábado, resolvi tomar café na minha padaria preferida, em Coqueiral de Itaparica, pois precisava resolver outros problemas relativos à minha saída do apartamento onde morei por três anos, na Quinta Etapa, como é conhecido o condomínio. Depois de um bom tempo degustando meu desjejum, saí tranquilamente para voltar para casa.

Resolvi passar no supermercado para comprar material para o lanche e, antes da entrada, um fato chamou minha atenção: duas senhorinhas brigando para decidir quem ficaria com o carrinho de compras do estabelecimento. Curioso, diminuí o ritmo das minhas passadas, pois discussão entre pessoas idosas é sempre muito interessante.

Depois de resolverem quem conduziria o carrinho, surgiu outra dúvida: entre as duas fileiras de caixas — uma da esquerda e outra da direita — há uma prateleira de uns três metros; logo, existem dois lados para chegar ao interior do mercado. Aquela que estava sem o carrinho queria passar pela esquerda, e a outra, pela direita. Nova briga! Nesse momento, resolvi olhar alguns produtos de que não precisava, só para ver qual decisão tomariam.

Mais uma vez reduzi meus passos. Elas decidiram que cada uma seguiria seu caminho, e eu resolvi seguir o meu. Entretanto, a senhora da direita ficou com raiva e empurrou o carrinho com tanta força que, acredito eu, sem querer, a parte que sustenta a rodinha bateu no meu calcanhar, e a pancada causou uma dor profunda. Ela, totalmente desconcertada, veio pedir desculpas, e a outra lhe deu uma bronca e disse:— Coitadinho do menino! Você, com suas manias e teimosias… e quem pagou o pato foi ele. Ambas me socorreram, e a briga acabou.

Agradeci, dizendo que estava tudo bem, que eu poderia continuar dali em diante sem ajuda e que elas poderiam ficar despreocupadas. Ah, se elas soubessem que, como um contador de histórias, eu estava por perto porque bisbilhotava a discussão delas! Mas, infelizmente e literalmente, pela minha curiosidade, quem pagou o pato fui eu.

É isso por hoje… é vida que segue!!!

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Todo fim de tarde é sempre assim…

Voltar para casa é um dos meus momentos favoritos. Mas, se você se precipitou em pensar que não gosto de trabalhar, está enganado…

Pensar na volta para casa é imaginar o retorno ao aconchego de um lugar que, por mais simples que seja, é o nosso cantinho — onde nos sentimos seguros e à vontade para mostrar quem realmente somos, sem máscaras.

Ao longo da minha vida, morei fora da minha cidade natal a maior parte do tempo e aprendi a recomeçar e a amar os lugares por onde passei: Rio de Janeiro, Ecoporanga, São José dos Campos, Cariacica, Dakar, no Senegal, e Lomé, no Togo (ambos na África). Nos últimos anos, tenho vivido em Vila Velha…

Tenho aprendido que você pode dar a volta ao mundo, mas o melhor movimento que sempre pode fazer é o de voltar para casa — especialmente para Vila Velha, pela Terceira Ponte.

É uma volta com sabor diferente, pois a ponte, além de encurtar o retorno para casa, encanta e me ensina lições que passam despercebidas em nossas lides diárias…

Aprendo que contemplar a Baía de Vitória me faz lembrar do verso bíblico: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.” (Salmo19:1–2). Não consigo deixar de expressar o bem-estar que essa vista me proporciona.

À medida que o ônibus avança rumo ao vão central, avisto o complexo militar do 38º Batalhão de Infantaria General Tibúrcio, na Prainha, unidade histórica do Espírito Santo. Aprendo que, durante a Segunda Guerra Mundial, muitos soldados brasileiros deram suas vidas na FEB — Força Expedicionária Brasileira. Tive, inclusive, a oportunidade de conhecer o pastor João Filson Soren, capelão naquela campanha militar na Itália.

Ao atingir o terço final da Terceira Ponte, ao olhar para o Convento da Penha, localizado na Ladeira da Penitência — via de acesso ao Santuário, na Prainha, em Vila Velha —, percebo o quanto aquele lugar é sagrado. Muitas pessoas o visitam para pagar promessas e agradecer pelas graças alcançadas. São centenas de histórias que, com certeza, muitos poderiam — e gostariam — de testemunhar.

Ao concluir a travessia da Terceira Ponte, percebo que não é preciso muito esforço para compreender a bondade de Deus, mesmo após viver um ano turbulento, como foi 2025, com experiências que me levaram a uma profunda reflexão sobre a vida e sua brevidade.

Olhar para o mar, com a impressão de que ele se encontra com o céu, é uma visão que enche os meus olhos. E todo fim de tarde é assim… cheio de esperança de que, mesmo com a noite chegando, aquelas imagens permanecerão guardadas no meu coração.

É isso por hoje… é vida que segue!

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A invisibilidade nossa de cada dia…

No sábado anterior à semana do Natal, precisei ficar em casa fazendo uma faxina, bem no meu tempo, pois precisava devolver o apartamento. E, por incrível que pareça, não conversei com ninguém, nem mesmo com a minha mãe, pessoa com quem falo todos os dias por telefone.

No final do dia, fui ao supermercado e pensei em estender a minha experiência de ficar calado. Coloquei os fones de ouvido e, pacientemente, fechei a porta e desci as escadas com cuidado, pois, mesmo o condomínio tendo trocado as lâmpadas, enquanto não realizarem a manutenção adequada, elas continuarão queimando.

Fora do prédio e caminhando ao som da poesia de Gladir Cabral, cantada por João Alexandre, passei pela portaria e, como havia um grande movimento, consegui passar anonimamente, invisível. Atravessei a avenida e segui com o olhar fixo no horizonte, deixando que o meu corpo fizesse o trajeto, sem me importar com o movimento ao meu redor. Que coisa estranha!

Um casal de velhinhos caminhava na mesma direção que a minha; simplesmente passei por eles como se não existissem. Adiante, encontrei uma senhora de meia-idade andando com muita dificuldade, pois aparentemente apresentava uma contusão no tornozelo. Desviei o meu olhar para o outro lado e segui o meu caminho. Nunca me senti tão mal com tal experimento.

Entrei no supermercado como se invisível fosse, embora conhecesse grande parte dos funcionários que ali trabalham. Caminhei tranquilamente pelas prateleiras sem me deter ou conversar com qualquer pessoa, especialmente com algumas senhorinhas que adoram compartilhar conhecimento e com quem aprendi a comprar limão, melão, quiabo e, acreditem, a desidratar hortelã. Naquele dia, não estava disposto a receber qualquer lição!

Peguei os produtos e fui para um caixa totalmente estranho e, bem no automático, respondi que não queria o CPF na nota. Ensacolei minhas compras e segui o meu caminho por uma rota diferente, o que aumentava a sensação de ser invisível. Era uma estranha percepção de que o mundo girava ao meu redor diante da minha indiferença. Com certa dificuldade, atravessei a pista fora da faixa e retornei ao meu condomínio e à minha realidade.

Ao passar pela portaria, naquele momento, cumprimentei efusivamente os porteiros e, como sempre, conversamos, especialmente sobre futebol. Após a conversa, despedi-me com a frase que sempre uso: “até daqui a pouco”, pois sempre saio muito cedo de casa aos domingos, assim como nos outros dias. A paz retornou ao meu coração. Essa experiência de viver e tentar ser invisível me fez pensar em algumas questões bem sérias.

No final do dia, após meus experimentos, fiquei refletindo sobre como deve ser difícil a vida de pessoas que não têm teto e vagam pelas ruas das nossas cidades. São seres invisíveis, pois passamos por eles todos os dias e agimos como se não existissem. É muito comum encontrarmos pessoas em situação de rua que, ao pedir alguma coisa, demonstram agressividade, e a vontade que temos é agir de acordo com a terceira lei de Newton: toda ação tem uma reação. Esquecemos que elas são invisíveis e só são notadas quando se manifestam, às vezes de maneira agressiva, pois essa é a forma como acreditam que o mundo funciona.

Mas a invisibilidade não acontece apenas nos locais onde as pessoas vivem à margem da sociedade. Infelizmente, muitas vezes, nos órgãos públicos, dia após dia, vivemos a mesma situação. É comum que pessoas passem umas pelas outras no ambiente de trabalho como se não se conhecessem. Participam de reuniões em que discutem como realizar o trabalho com excelência e, no primeiro encontro nos corredores do setor, esquecem tudo o que foi aprendido no dia anterior.

Fico imaginando o que se passa na mente das pessoas quando se tornam invisíveis por conveniência e se sentem bem com isso. Tentei agir como muitos fazem no dia a dia, mas o sentimento que invadiu o meu coração foi de melancolia, pois entendo que a vida se torna muito triste quando se vive em um mundo que parece grande, mas acaba se tornando minúsculo.

Lembro-me da parábola contada por Jesus sobre um homem que descia de Jerusalém para Jericó e foi assaltado, sendo deixado quase morto. Um sacerdote passou pelo moribundo, mas estava ocupado demais com suas obrigações no templo e nada fez. Em seguida, veio um levita, que cuidava da música nas celebrações; passou de largo e seguiu seu caminho. Finalmente, veio um samaritano (povo desprezado pelos judeus), que parou, socorreu o ferido, levou-o a uma hospedaria, deixou algum dinheiro e seguiu seu caminho.

O que aprendemos com essa parábola contada por Jesus? O modus vivendi do sacerdote era: “o que é meu é só meu”. Vou viver a minha vida com todas as minhas conquistas e convicções sem enxergar o outro.

O levita, que cuidava dos utensílios do tabernáculo, do templo judeu e que hoje seriam os responsáveis pela música, também não agiu. Ninguém trabalha nessa área sozinho, mas, naquele momento, seu modus vivendi era: “o que é meu é meu, mas eu mostro para você”.

Finalmente, o samaritano, ao ver o homem quase morto, foi ao seu encontro com todo o altruísmo de uma alma piedosa. Cuidou do desconhecido, pois o seu modus vivendi era: “o que é meu é nosso e precisa ser compartilhado”.

No século XXI, neste terceiro milênio, vivemos a carência de pessoas que pratiquem o princípio de vida do bom samaritano, pois para ele não existiam pessoas invisíveis. Ele usou de misericórdia com um estranho que, historicamente, era inimigo do seu povo.

Tenho plena consciência de que não podemos ajudar todas as pessoas, mas certamente podemos começar enxergando os menos favorecidos da nossa vizinhança, os nossos colegas de trabalho, as pessoas que encontramos nos percursos do dia a dia e, especialmente, os nossos familiares, começando pela nossa casa.

Infelizmente, a invisibilidade foi a tônica de muitas relações ao longo do ano que se finda, mas ainda precisamos falar sobre esse assunto ao apagar das luzes de um tempo em que as relações estão cada vez mais impessoais.

Ainda que o nosso entorno esteja repleto de pessoas que insistem em tornar as outras invisíveis, precisamos quebrar esse ciclo, tornando o outro visível a partir das nossas ações.

É isso por hoje… é vida que segue!


 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025


Thelma, vem cear! O Mestre chama!

Thelma sempre levou a vida de maneira alegre e descontraída. Nossos encontros nunca foram desprovidos de alegria. Quando falo de alegria, preciso enfatizar que era festa, tal como aquela realizada em Domingos Martins.

No mês de outubro, conversamos longamente sobre o final do ano, que é sempre muito corrido para quem participa de coral, pois são muitos ensaios e, além disso, é sempre bom prestigiar os amigos que se apresentam. Como sempre, recebi um convite–intimação para prestigiar o Coro da Igreja Batista de Goiabeiras.

O tempo passou, e o nosso penúltimo encontro foi em novembro, no sepultamento de Maria Eleny Schaydegger, em Cachoeiro de Itapemirim. Apesar de ser um velório, aconteceu uma situação inusitada, como sempre, que nos fez rir bastante. No final da tarde, ela retornou a Vitória.

Três semanas se passaram, e o Coral Viva Você foi cantar na cidade serrana de Domingos Martins. Chegamos à cidade numa tarde chuvosa, e o Coral da MedSênior se apresentava. Para variar, resolvi gritar o nome de uma amiga que estava no palco. Enchi os pulmões e gritei: — Cristina!!! Para minha surpresa, Thelma estava na minha frente e gritou bem alto: — Sabia! Só podia ser você!!!

Fizemos uma grande festa, e alguns amigos do Viva Você conheceram minha amiga, que sempre foi a mais pura expressão da alegria. Foi um encontro memorável, e meus amigos ficaram brincando comigo, dizendo que eu poderia ser vereador, pois, como sempre, ela estava acompanhada de suas amigas inseparáveis. Pena que ela não ficou para assistir à apresentação do nosso coral, pois o grupo da terceira idade precisava retornar, já que estavam andando o dia inteiro. Foi o nosso último encontro, isso jamais se passou pela minha cabeça.

Dezembro continuou avançando em busca do Natal, e minha amiga, como sempre, fez seus planos para participar do musical do Coral da Igreja Batista de Goiabeiras, comunidade do seu coração. Mas quem pensa que ela apenas amava participar está totalmente enganado, pois ela também gostava de assistir a outras apresentações e tinha planos de ir à Igreja Batista Mata da Praia no dia de Natal. Deus, porém, tinha outros planos.

Na antevéspera do Natal, ela já havia feito os planos para a ceia de Natal e tinha tudo esquematizado para passar aquele momento com seu filho e amigo Ian e algumas amigas da igreja. Nós fazemos planos, mas a aprovação vem do Senhor.

Na manhã da véspera de Natal, levantou-se e fez, nas primeiras horas do dia, aquilo que eu sempre faço nos últimos momentos da noite do dia 24: enviou congratulações natalinas aos seus amigos. Recebi a minha exatamente às 8h17 daquela manhã. Ela pensava, como sempre, nos amigos, no filho, irmão, amigos  e na família. Entretanto, foi nas primeiras horas daquele dia, que ela ouviu: “Thelma, o Mestre te chama! Vem cear!”

A ceia de Natal seria a maior e a melhor que ela já havia participado em toda a sua vida. Foi um chamado rápido, inesperado, incompreendido, inacreditável, mas foi o chamado ao qual não há possibilidade de rejeição.

A ceia da minha querida amiga não mais será como a nossa. Nós a fazemos em homenagem ao nascimento de Cristo; ela a fará para sempre ao lado e na presença do Filho de Deus. Foi — e continua sendo — difícil entender como tudo aconteceu tão rápido. Estamos na condição de amigos, amigas, filho, irmão, sobrinho, cunhada, primos, primas e igreja. Sentiremos falta das gargalhadas, do amor à vida, do cuidado com o próximo e do amor profundo aos seus entes queridos.

Nosso consolo é que a alegria que nos fará falta por aqui será irradiante no céu, sem as amarras e limitações às quais o nosso frágil corpo está submetido. Sou grato a Deus pelo carinho e pela alegria que sempre recebi dessa querida amiga, que atendeu ao chamado do Mestre para cear para sempre com Ele.

Que o conforto divino alcance os corações dos familiares e de todos os amigos. Sérgio e Ian, recebam o carinho de minha família, e que Deus possa confortar os vossos corações. “Eu sei que o meu Redentor vive e que, por fim, se levantará sobre a terra. Depois que a minha pele for destruída, ainda assim, em minha carne verei a Deus. Eu o verei por mim mesmo; meus olhos o verão, e não outros.” Jó 19:25–27

Thelma, vem cear! E, como sempre, sendo boa filha, agora está ao lado do Mestre!

É isso por agora… porém as lembranças e as saudades permanecerão.

Em Cristo…

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025


Freguesia no futebol… vai, Corinthians!

Passei quinze anos de minha vida na simpática cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Morei no bairro da Tijuca, na maravilhosa colina do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, encravado no final da Rua José Higino, 416.

A cidade do Rio é bela por natureza, e tive a oportunidade de morar em mais dois bairros além da Tijuca: Cacuia, na Ilha do Governador, e Anil, em Jacarepaguá. Gosto dos três, mas tenho um carinho todo especial pela Tijuca, pois foi onde tudo começou.

Minha passagem por Jacarepaguá foi muito rápida, menos de três meses, mas sempre que podia andava por lá e tive a oportunidade de conhecer o bairro Freguesia, que fica naquela região.

A palavra freguesia, segundo os estudiosos, nas terras lusitanas significa a menor divisão territorial de um município, equivalente a um distrito ou bairro. Eclesiasticamente, historicamente, significava uma paróquia ou área que ficava sob a responsabilidade de um pároco. Essa palavra ainda tem como significado um conjunto de pessoas que frequentam um estabelecimento ou serviço, tendo como sinônimo “clientela” ou “compradores”.

Freguesia, entretanto, tem um outro significado no futebol, pois quando um time perde para outro sucessivas vezes é chamado de freguês. No passado tivemos alguns fregueses famosos no Rio de Janeiro. O Botafogo, por exemplo, foi freguês do Vasco por vários anos. Isso foi no passado!

No dia 14 de janeiro de 2000, que caiu numa sexta-feira, naquela época eu morava em São José dos Campos e fazia um curso no Rio de Janeiro. Justamente no dia da minha viagem aconteceu a final do Primeiro Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, entre Vasco e Corinthians, no Maracanã. O resultado foi vitória do Timão!

Cheguei à Rodoviária Novo Rio por volta das 5h da manhã e recordo-me de ser obrigado a pedir licença aos torcedores para poder transitar pelos corredores da rodoviária. Tive um sentimento muito estranho. Os homens saíram de São Paulo, invadiram o Maracanã numa sexta-feira e venceram nos pênaltis.

Vinte cinco anos se passaram e, no início da noite de 21 de dezembro, quase no Natal, a história se repetiu, com o Maracanã lotado. Ainda bem que eu não estava lá, pois acho que ficaria extremamente decepcionado, como milhares de torcedores do Vasco que compraram ingresso e se prepararam para fazer uma grande festa — que aconteceu do outro lado, no bando de loucos.

Parabéns, corintianos de todo Brasil!

Para os vascaínos resta uma pergunta: o Vasco é freguês do Corinthians?

É isso por hoje, com o coração triste... é vida que segue!


sábado, 20 de dezembro de 2025

Dezembro…

… tempo dos muitos amigos ocultos e, por incrível que pareça, mês do Natal!
… tempo de lembranças de muitos que se foram, cujas memórias ficaram guardadas para sempre em nossos corações.
… tempo da explosão de festas, dos sorrisos dos encontros, das lágrimas das despedidas: momentos de chegadas e de partidas.
… tempo de alegria, de memórias dos dias de inocência, das alegrias do “Papai/Mamãe” Noel que encantavam as noites das crianças.
… tempo de correria para comprar os últimos ingredientes da ceia, na virada da noite de Natal.
… tempo dos famosos amigos “ocultos”, porém com nomes diferentes: amigo do álcool (essa é nova, e estou fora), amigo perfume, amiga das cores e amigo Havaianas.
… participei desse último e, quando tirei a pessoa que deveria presentear, meu coração transbordou de alegria.
… alegria por saber que essa pessoa (Gláucia) eu conheço desde o tempo em que trabalhei na SRE Vila Velha. É uma pessoa muito querida!
… mas, como a surpresa precisa ser completa, a pessoa que me tirou (Josi) é uma amada que também tenho como amiga. Fui duplamente abençoado.
… meu desejo é que, nesse tempo, além das festas, haja espaço para entendermos que o verdadeiro motivo do Natal é quando Jesus nasce em nossos corações — se possível, diariamente.
… que este seja um tempo de desejarmos mudanças em nossa sociedade, na família, no trabalho e em nossas amizades — não a partir dos outros, mas começando em cada um de nós.
… finalizo citando um poeta: “A começar em mim, quebra corações para que sejamos todos um, como Tu és em nós.”
… que o seu Natal seja repleto de vida, na sua vida e na vida dos outros!

É isso por hoje… é vida que segue!


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025


Vida de pobre é difícil...  

O dia foi quente, e a tarde começou alegre e cheia de expectativas. Colegas trocaram seus horários de trabalho para se concentrarem diante da TV. Afinal, era a grande decisão. Porém, com o passar do tempo, o ambiente foi ficando triste e, assim que o jogo terminou, a chuva caiu.

Parecia que o céu havia resolvido chorar a derrota daquele time na capital do Espírito Santo, juntamente com milhares de torcedores espalhados pelo Brasil.

A previsão do tempo era de alerta vermelho, então resolvi deixar o trabalho, pois o tempo prometia chuva pesada. Quem trabalha em Vitória, em Santa Lúcia, deve ficar atento na Praça Doutor Demócrito, não pode facilitar; e, se a pessoa mora em Vila Velha, o cuidado precisa ser redobrado.

No ponto do ônibus, espremidos num abrigo que, se você se sentar, fica todo molhado, e, se subir no banco, apenas os pés são atingidos pelas águas, que davam a impressão de que seriam torrenciais.

No mesmo local estava Yuri, colega de trabalho, que, aflito, examinava o aplicativo e, durante uns 30 (trinta) minutos, afirmava categoricamente que o ônibus viria em 5 (cinco) minutos. Foi chegando gente ao abrigo e, como não poderia deixar de ser, alguns torcedores daquele time derrotado no final da tarde, pelo horário de Brasília.

Como um bom amigo da onça, comecei a comentar com os rapazes sobre o jogo, como se o meu time tivesse perdido, e a conversa ganhou vida com frases bem preciosas: vida de pobre é muito difícil, pois, além de o time perder, ainda se toma chuva na cara e se chega em casa molhado e resfriado.

Vida de pobre me deixa revoltado, pois fico aqui torcendo para um time que me trouxe azar e, ainda por cima, essa chuva chata que está impedindo os ônibus de chegarem ao ponto, pois não vejo a hora de entrar na minha casa.

Enquanto a conversa entre o grupo acontecia, perguntei ao Yuri, que estava com o aplicativo aberto: — O coletivo está chegando? Ao que ele respondeu: — Chega em 5 (cinco) minutos.Todos rimos muito, pois já esperávamos havia mais de 30 minutos.

E a chuva, com vento, insistia em molhar todos que estavam debaixo do abrigo. No meu caso, aqui entre nós, só os pés, pois subi no assento desde o momento em que cheguei ao local, já que não queria abrir o meu guarda-chuva.

Quando tudo parecia se acalmar, outro disse: vida de pobre é difícil quando a pessoa é solteira; afinal, não é fácil chegar em casa sozinho. Mas, pensando bem, é melhor mandar na própria casa sozinho, pois não tenho coragem de colocar qualquer “moça” (não vou usar a palavra que ele disse) dentro da minha casa, já que tenho duas TVs, e uma delas é de 50 (cinquenta) polegadas.

Do meu lado estava um cidadão olhando para o tempo e, depois de uns 20 (vinte) minutos, me perguntou: — Aqui passa ônibus para Carapina?— Sim, passa!

Fiquei intrigado, pois, no tempo em que ele estava parado feito estátua no ponto, pelo menos uns dez coletivos que iam para onde ele desejava já haviam parado ali. Acho que ele ainda estava pensando na derrota daquele time!

Tentando não ser chato, perguntei mais uma vez:— Yuri, o coletivo está chegando?
E ele respondeu:— Em cinco minutos!

A rapaziada gargalhou, pois foram os cinco minutos mais longos das nossas vidas. Claro que a culpa foi do aplicativo.

Finalmente, o coletivo chegou e, depois da guerra para entrar no ônibus, consegui um cantinho para escrever esta crônica, esperando chegar debaixo de chuva pesada em Vila Velha. Para minha alegria, porém, nem uma gota de água havia caído em Coqueiral de Itaparica.

Discordo de parte da frase daqueles rapazes, pois acho que a vida é para quem sabe viver, como diz o poeta. Vida é para ser vivida de maneira divertida e o mais leve possível. Mas o momento daqueles jovens era diferente: estavam sob o efeito da derrota daquele time... fiquei até constrangido, mas não triste.

É isso por hoje... é a vida que segue!!!