SE EU FOSSE CONTAR...
Que nasci num lugarejo chamado
Parada de Coronel Benjamin, em casa.
Que naquela época fui
registrado em Vargem Alta, distrito de Cachoeiro de Itapemirim.
Que anos depois o distrito foi
emancipado; logo, tornei-me cidadão vargem-altense, com muito orgulho.
Que a minha mãe de leite foi
uma senhora chamada dona Palmira, que nos visitou durante anos em Cachoeiro. Os
dias eram assim!
Que sou o irmão mais velho de
uma família de seis filhos: três homens e três mulheres. Cresci num lar normal.
Meu pai trabalhava na Rede Ferroviária Federal, antiga Leopoldina, e minha mãe
cuidava da casa; ambos desempenharam um enorme papel na nossa educação.
Que me converti aos 10 anos e
fui batizado aos 12, na Igreja Batista do Aquidabã, pelo Pastor João Brito da
Costa Nogueira. Lá cresci e me encantava com as histórias bíblicas contadas
pelas tias com o flanelógrafo (quadro revestido de flanela ou feltro, utilizado
nas aulas).
Que desde aquela idade comecei
a participar de grupos musicais, como o conjunto masculino daquela igreja, sob
a orientação de Sebastião Ribeiro — família que foi importante na nossa
caminhada evangélica.
Que aprendi a tocar bateria na
Igreja, pois no dia da apresentação do Conjunto Emanuel o baterista não foi, e
eu me sentei na batera e fiquei por cinco anos vivendo maravilhosas
experiências que fazem parte das minhas memórias musicais, com muito orgulho.
Que fui recomendado ao
Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil no ministério de Diné René Lóta,
pastor de Aquidabã naquela ocasião.
Que, no Rio de Janeiro,
conheci minha querida Primeira Igreja de Manguinhos e lá permaneci por 15 anos,
sendo seu pastor por sete anos e meio.
Que vivi a minha mais profunda
e prazerosa experiência como pastor ao descer às águas batismais com o meu
saudoso pai. Foi o sonho de ver o milagre que Deus fez naquela vida junto de
toda a minha família.
Que, nesse tempo, fui indicado
pelo meu amigo e querido pastor Israel Belo de Azevedo para trabalhar no
Colégio Batista Shepard, onde permaneci por 10 anos, passando também pelo
Colégio Batista Brasileiro, ambos no Rio de Janeiro.
Que, no meu tempo de Colégio
Batista, além de aprender literalmente a “dar aulas” de Ensino Religioso — onde
conheci muita gente querida —, tive o prazer de servir como capelão-assistente
do Pastor Paulo Roberto Sória, com quem pude aprender lições que utilizei ao
longo da minha vida no magistério.
Que fui executivo da Juventude
Batista Carioca num tempo difícil, mas que me trouxe experiências e amigos
(alguns já falecidos) que levarei por toda a minha vida.
Que prestei concurso público
no Espírito Santo, começando minha vida de servidor público em Ecoporanga, no
noroeste do estado, onde conservo amigos até o dia de hoje, como Sônia Regina,
Pedro Paulo, Carolina e muitos outros...
Que tive a honra de trabalhar
como orientador educacional na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio
Liceu Muniz Freire, e sentia meu coração acelerar quando andava pelos
corredores onde outrora fora aluno.
Que me mudei para São José dos
Campos (SP) para trabalhar com o Cléverson Damasceno, assumindo o lugar de
Ricardo Aurino na Congregação Batista do Campo dos Alemães, indicado pelo meu
amigo José Roberto Tiago Leite — pastores queridos por cujas vidas e famílias
nutro uma imensa gratidão.
Que fui pastor de juventude da
Igreja Batista do Aquidabã e depois seu pastor por quarenta meses, local onde
cresci e tive o privilégio de viver tempos difíceis, mas de grandes vitórias.
Que Deus me deu a oportunidade de servi-lo como missionário no Continente Africano, passando pelo Senegal, onde fiz amigos (Ricardo e Denise, sua esposa; Humberto, Elis e filhos; Andreia e Nita).Nesse time vencedor, há também uma integrante chamada Verinha, que serviu durante anos no Mali. Guardo esse povo para sempre no meu coração.
Que do Senegal fui enviado ao Togo, onde encontrei amigos que poderia, sem nenhuma dúvida, chamar de anjos de Deus em terras togolesas: Fofoné, Ellen e depois o João; fui cercado de cuidado, carinho e muito amor de irmão de sangue.
Que ao voltar ao Brasil,
especialmente à Secretaria de Educação, tive a oportunidade de viajar pelos 78
municípios e visitar literalmente todas as nossas escolas, trabalhando com Ana
Bravim, uma amiga de todas as horas, sob a liderança de Josivaldo Barreto,
alguém que tem lugar cativo no meu coração.
Que tive a oportunidade de
participar da Primeira Igreja Batista em Jardim Carapina como professor da sala
da terceira idade, outrora liderada pelo amigo de Seminário Marques Xavier e
agora por Francisco (Xicão), ambos pastores que tenho em alta estima.
Que os dias se passam e a cada
manhã descobrimos que Deus derrama o Seu amor na vida e no coração das pessoas
que seguem impregnadas dessa graça; e elas nos atingem de tal jeito que ficamos
sem palavras para agradecer e utilizamos aquela expressão que mais conhecemos:
muito obrigado! Karynna e Railda, como gostaria que o mundo fosse cheio de
pessoas como vocês; seria um lugar melhor para se viver.
Que, neste tempo que se
aproxima do final da minha passagem pela Secretaria de Estado da Educação —
considerando o percurso anterior —, sob a liderança do gerente Matheus Volponi
e ao lado dos meus colegas de equipe, Bruno (nosso chefe), Tarcísio, Zezé, Cely,
João Vitor, Úrsula, Monik, Roseni, Danielly BS e Tony (in memoriam),
sempre foi um privilégio estar com vocês.
Que nesses vinte e um anos de
Secretaria fiz muitos amigos, desde o cafezinho até as inúmeras viagens em
grupo, que são capítulos à parte e acalentam o meu coração com as marcas
deixadas para sempre; e, para não ser injusto, não citarei nomes, mas reafirmo
o meu reconhecimento.
Que os meus queridos tios,
tias, primos, primas, vizinhos, amigos de perto e de longe foram fundamentais
na minha infância, adolescência, juventude e idade adulta, deixando histórias
que contribuíram para a minha formação.
Que nesses sessenta e sete
anos, sou grato a Deus pelos meus pais — Osmani (de saudosa memória) e Maria
Gomes, minha querida mãe —, e por Sueli, Rogério, Solange, Renato e Leonora:
obrigado pelos bons e difíceis momentos que vivemos na diversidade, sem perder
a unidade.
Se eu fosse contar que sou
grato a Deus pela vida que Ele me deu, ficaria por aqui escrevendo um bom
período da minha existência; e, para tornar essa tarefa mais fácil, tentei
resumir um pouco das inúmeras manifestações do amor de Deus sobre a minha vida.
A Deus toda honra, glória e
louvor.





