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quinta-feira, 23 de julho de 2026


VOCÊ NÃO SERÁ NADA QUE PRESTA!

Ela nasceu de uma maneira interessante para a época, pois veio ao mundo com um dentinho. Todos admiravam essa condição, porém isso não era muito confortável para sua mãe quando amamentava a criança. O tempo foi passando, a menina começou a crescer e, desde cedo, já demonstrava que seria uma líder em qualquer situação da vida.

Ela tinha mais dois irmãos e, à medida que o trio ia crescendo, a casa se enchia de alegria. Por ser a menina da casa, era muito paparicada, e os irmãos praticamente não se desligavam dela. Sua infância foi bem normal. Seu pai procurava sempre agradar a menina pelo fato de ela ser o xodó da família.

O tempo passou e a menina, agora adolescente, gostava de estudar e de fazer amizades. Além das colegas de escola, ela também tinha as amigas da igreja e se divertia muito com aquele grupo de meninas. Sempre cercada de cuidados, gostava de estudar e corriqueiramente se saía muito bem nas provas.

Sua personalidade era muito forte e ela nunca deixou de expor os seus pontos de vista. Certa vez, uma professora pediu que uma tarefa fosse feita, e ela a executou sem qualquer dificuldade. Mas, como a professora parecia aborrecida com alguma coisa, não teve dúvida em falar em alto e bom som, diante de toda a classe, de modo que todos ouviram: - Você pode se esforçar, pois você não será nada que presta!

Foi uma expressão muito forte, em especial por ter sido dita a uma adolescente. Ela reagiu como os jovens costumam fazer: ficou com raiva e muito chateada. Mas, como a vida é dinâmica, ela continuou estudando e alimentava o sonho de ingressar no IFES. Como já vinha se preparando, quando o tempo das provas chegou, a menina fez o exame. Para a surpresa daquela professora deselegante, ela foi aprovada e passou em primeiro lugar. Foi uma grande festa na família.

Os anos de IFES foram fundamentais, pois ela queria voar sempre mais alto. Sua mãe procurava dar condições para a moça estudar. Ela concluiu brilhantemente o curso no IFES e, assim que terminou, fez vestibular para Farmácia. Como já era de se esperar, foi aprovada para estudar no município de Vila Velha, na UVV.

Foram cinco anos de muitas lutas. Era preciso sair de casa bem cedo para ir ao trabalho e, no final da tarde, encarar a Terceira Ponte, enfrentar as aulas do curso de Farmácia e voltar para casa — na maioria das vezes exausta —, na Serra, para descansar e começar tudo novamente na manhã seguinte. O tempo passou, a moça se formou e tornou-se uma farmacêutica competente e respeitada.

Trabalhou em uma rede de farmácias, mas logo surgiu a oportunidade de trabalhar em um grande hospital na Grande Vitória. Lá foi a farmacêutica desenvolver a profissão para a qual havia se preparado durante cinco anos. Todo trabalho tem seus percalços e variações, mas ela foi vencendo todas as batalhas que surgiam no meio do caminho.

O trabalho no hospital é muito estressante. Quem cuida da farmácia hospitalar simplesmente não pode errar, pois as medicações precisam chegar corretamente aos pacientes, e a equipe deve trabalhar em total sintonia para alcançar o sucesso no tratamento dos doentes.

Durante certo plantão noturno, depois de observar e conferir o estoque, cuidar do controle dos medicamentos, da adaptação das doses e da validação das prescrições, ela foi passar pelos quartos para averiguar o trabalho da enfermagem. Na última fase do plantão, analisou a prescrição de um certo medicamento e resolveu visitar a paciente para averiguar se a tramitação estava dentro da normalidade.

Assim que entrou em um dos quartos para conferir mais uma vez a medicação, percebeu um olhar insistente em sua direção, mas manteve-se concentrada em seu trabalho. Quando se preparava para sair do quarto, ouviu uma voz que dizia: - Karynna, você não está me reconhecendo?

Ela, de imediato, voltou-se para a interlocutora e percebeu que era aquela mesma professora que havia proferido a frase infeliz no ensino fundamental: "Você não será nada que presta". Aquela mulher, agora envelhecida e com lágrimas nos olhos, encontrou o olhar da farmacêutica e, num gesto rápido, começou a agradecer pelo cuidado dedicado à sua mãe (que era a paciente internada), reconhecendo diante dos fatos o quanto havia sido infeliz em suas palavras no passado.

A menina que "não seria nada que presta" foi exatamente aquela que cuidou com todo o carinho da mãe daquela professora. Existe um ditado popular que diz: “O mundo dá muitas voltas”. Muitas vezes, as pessoas que alguns desprezam ou humilham são justamente aquelas que nos farão o bem em um futuro que jamais imaginaríamos.

Esse fato nos faz lembrar de que, se Deus é por nós, o Seu cuidado se manifesta em todos os momentos das nossas vidas. Ele também nos honra de uma maneira e de um jeito totalmente Seu. A história seguiu, e aprendemos que a melhor honra que podemos receber, na verdade, não é dada pelos homens, mas sim aquela que provém do próprio Deus. Ela vem sem rancor, sem sentimento de grandeza, de forma sutil, satisfazendo a alma. Não nos faz maiores ou melhores, apenas mais humanos, com o desejo de continuar vivendo e servindo.

Essa história nos mostra que aquela menina — agora uma mulher que sempre honrou seus pais e sua família — é uma excelente profissional e muito dedicada às suas atividades na igreja. Aprendi com esse relato que Deus tem os Seus planos para Seus filhos e filhas, e Ele os honra de maneiras inimagináveis. Tudo isso porque Ele é um Pai que cuida dos Seus queridos.

É isso por hoje... é vida que segue!


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