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domingo, 23 de fevereiro de 2025


Há quarenta anos...

Parece que tudo começou há quarenta anos, mas na verdade isso foi um pouco antes e para falar a verdade não tenho como mensurar quando de fato Deus chamou Izaías. O fato é que em algum momento Deus o chamou!

Há quarenta anos Deus tem feito maravilhas na vida de Izaías e família e fico feliz por participar do início dessa caminhada há muitos anos na cidade do Rio de Janeiro.

Era o início dos anos 80 e naquela época os dias pareciam e na verdade eram diferentes. Izaías, casado há alguns anos com Mariza e pai de três lindas meninas: Ana Cristina, Eliana e Elisângela. Tive a oportunidade de assistir o início da carreira ministerial dessa linda família.

Quando cheguei na PIB de Manguinhos, tive a oportunidade de conhecer o casal e suas filhas, recém-chegados de Xerém. Ele veio com a família, morar mais perto do Seminário, estudar para atender ao seu chamado ministerial.

Foram anos difíceis, pois o trabalho como relojoeiro dependia muito da procura pelos seus serviços em algumas semanas eram fartos e em outras escassos. Os dias eram assim!

Após longos anos de estudos no Seminário Betel ao concluir o seu curso, agora era preciso descobrir o ministério que Deus conduziria o pastor com sua família. Inicialmente houve possibilidade de que ele ficasse em Manguinhos, mas Deus na sua infinita sabedoria tinha outros planos.

Há quarenta anos, tudo começou em Santo Agostinho em 1984, distrito da cidade de Água Doce do Norte. Deixar a cidade do Rio de Janeiro e se transferir para o noroeste do Espirito Santo.

Depois de três anos, entendeu de Deus se mudar para Nova Venécia para iniciar um novo ministério, agora com as meninas mais crescidas. Foram sete anos de liderança na Primeira Igreja Batista de Nova Venécia, onde foi ricamente abençoado por Deus!

Como a vida de Pastor é dinâmica e nem sempre entendemos os planos de Deus chegou o tempo de se mudar para Governador Valadares. Naquela cidade, foi liderar a Igreja Batista Central de Valadares. Foi um ministério de quatro anos onde Deus honrou seu filho e levantou líderes que hoje se encontram no ministério.

O capixaba de Mimoso do Sul que passou uma grande parte da vida no Rio de Janeiro e teve uma experiência de dez anos no estado e agora com passagem por Minas Gerais, entendeu que era o momento de voltar para o seu Estado. A Primeira Igreja Batista de Ilha das Flores, recebeu a família, na cidade de Vila Velha. Foram quatro anos de muito trabalho e profundas aprendizagens, com uma participação ativa na vida da comunidade e denominacional.

Os anos em Vila Velha se passaram e como não entendemos os planos de Deus e só precisamos entendê-lo, chegou o tempo de voltar para o Noroeste do Estado e o destino era São Gabriel da Palha.

Naquela cidade liderou a Primeira Igreja Batista em São Gabriel da Palha, por dezoito anos. Foi um tempo de muitas experiências e que marcou profundamente a vida de Izaías e Mariza que aos poucos ficaram sozinhos, pois as filhas agora casadas o casal passou a viver um novo tempo.

Foram anos de boas experiências onde além de liderar ele passou a fazer parte da vida dos membros da igreja, comunidade e da cidade. Foram anos de participação ativa junto às autoridades e liderança na liderança da Associação das Igrejas Batistas do Noroeste do Estado.

Após anos de trabalho, chegou o tempo da aposentadoria que chegou em bom tempo e que era a hora de passar o cajado para um novo líder. Por mais que muita gente deseja alcançar logo o tempo de se aposentar para outros é um momento bem difícil. Tudo pronto e o pastor Izaías depois de trinta e sete anos, passa a fazer parte do grupo de aposentados do Brasil. Pastor aposentar?

Tudo pronto para aposentar e o local para curtir a aposentadoria, surge um convite da Igreja Batista Memorial em Pancas e quem disse que pastor para de exercer sua vocação? E assim Izaías e Mariza, continuaram exercendo o chamado de Deus e nesse dia 15 de fevereiro, podemos comemorar juntos os 40 anos de ordenação ministerial com uma grande comemoração.

A festa foi completa, pois participaram os amigos de perto, de longe, os novos, os antigos, as filhas Ana Cristina, Eliana e Elisângela, os genros, os netos e netas e algumas igrejas foram representadas, além das mensagens que foram enviadas por vídeos.

O orador da noite foi o Pastor José Franco, líder há 18 anos da Igreja Batista Morada do Vale, em Governador Valadares, Minas Gerais. A mensagem foi oportuna, pois ele destacou virtudes de Calebe, presentes no ministério do Pastor Izaías.

Preciso destacar a linda participação da Primeira Igreja Batista em São Gabriel da Palha com o coro jovem e orquestra. Além de encantarem com algumas músicas, também ouvimos belos testemunhos de pessoas que foram abençoadas pelas vidas de Izaías e Mariza.

Foi uma linda festa e fiquei feliz por participar desse grande acontecimento como testemunha ocular daquilo que Deus tem feito na vida do Pastor Izaías Barbosa e Mariza Barbosa Terra.

E para esse lindo acontecimento faço minha as palavras do Apóstolo Paulo em Filipenses 1:3-6: "dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas, pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora".

Parabéns, meus queridos amigos!

É isso por hoje... é vida que segue!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025


Quantas vezes...

Textos que guardo, mas resolvi publicar...

Quantas vezes... nossa vida se torna difícil porque queremos agradar todo mundo sem pensar nas consequências.

Quantas vezes... prometemos mundos e fundos sem levar em consideração que em parte possuímos apenas os fundos que não são depósitos em instituições bancárias.

Quantas vezes... tentamos consertar coisas e pessoas que o melhor jeito seria priorizar as coisas, pois existem pessoas que não querem melhorar como seres humanos e nesse caso, devemos tirar a poeira dos nossos pés e seguir.

Quantas vezes... brigamos pela condução correta dos processos da nossa existência e a impressão que temos é aqueles que não se prendem a nada vivem mais intensamente a vida e ainda que momentaneamente são mais felizes que nós.

Quantas vezes... sentamos, fazemos birra queremos mudar o mundo e de repente compreendemos que não mudamos nada e ninguém e na maioria das vezes nem os nossos piores hábitos.

Quantas vezes... escrevemos coisas que não podemos publicar, mas o fazemos por pura vontade de quebrar as regras e mandar um monte de gente catar coquinho e sair apavorando.

Quantas vezes... pensamos e concluímos que ainda que tudo ao nosso redor se pareça fora do lugar, preciso parar e confiar na justiça divina pois é de lá que me virá o socorro.

Quantas vezes... gritamos!!! Socorre-nos Senhor!!!

Tenham um excelente dia!!!

Escrito entre uma xícara de café e um pão de queijo.

Manhã do dia 11/02/2025

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025


Uma passagem pela Congregação Batista Miragem....

Assentamento Miragem

No final do mês de janeiro, trabalhei na cidade de Ecoporanga, que fica no noroeste do nosso Estado, onde iniciei minha carreira no magistério estadual e aproveitei para permanecer no município, no fim de semana.

Sou grato a Deus pelos muitos amigos que fiz nessa cidade e Sônia Regina Moreira é uma dessas amigas, que você fica anos sem ver e quando chega na casa dela e do seu esposo Pedro é como se tivéssemos nos encontrado na semana passada.

Quando cheguei na cidade, só conhecia Sonia, pois na época da chamada geral dos concursados nos encontramos em Vitória. Não tinha ideia onde ficava a cidade e quando escolhi minha vaga, foi pela fé olhando no mapa. Fui recepcionado no Subnúcleo de Educação que na época, era chefiado por Saulo, Secretário Municipal de Educação.

Durante o tempo em que fiquei na cidade, dois anos e meio, tive a oportunidade de atuar além da educação, também na Igreja Batista de Ecoporanga, que na época era liderada pelo Pastor Welinton Magela. Fui professor da EBD e sempre que possível ajudava ministrando nas congregações.

Foi um tempo precioso e confesso que no auge da minha juventude não havia desafios que não fossem encarados com a naturalidade dos jovens que ainda estão aprendendo a trilhar caminhos que notoriamente são cheios de surpresas.

Nesse tempo, estourava no Brasil dos grandes assentamentos, que era a ocupação de áreas que nada produziam em grandes extensões rurais e que poderiam ser fonte de renda e produção de alimentos, para os assentados e cidades vizinhas.

Recebemos na cidade um grupo grande do movimento dos sem-terra que se alojaram num local chamado Miragem e logo ficou conhecido como  “Assentamento  Miragem”. No final dos anos noventa, havia muito preconceito com relação aos moradores dos assentamentos.

Nesse tempo, tive a oportunidade de conhecer a liderança do movimento com o Pastor Welinton e fomos convidados para fazer uma visita ao acampamento dos sem-terra no Miragem. Fiquei profundamente assustado quando vi, como o povo vivia em uma estrutura sub-humana, porém fiquei encantado com o voluntarismo de todos que ali habitavam.

Depois de muitas conversas e visitas, resolvemos que faríamos na Igreja Batista, um culto de recepção, agradecimento e súplicas a Deus pelas famílias e crianças do assentamento. Foi um culto especial em que a Igreja ficou totalmente repleta de assentados e uma programação que marcou a minha vida.

O tempo passou e depois de vinte e oito anos, retorno à Ecoporanga a trabalho, e conversando sobre as atividades da Igreja na cidade, fiquei sabendo de notícias do Assentamento Miragem e logo passou um grande filme pela minha cabeça e que atingiu em cheio o meu coração. Logo surgiu o desejo de visitar o local, por saber que existe uma congregação que em breve será emancipada em Igreja por lá.

Saímos da sede e tomamos o caminho em direção ao distrito de Joassuba e logo após o carro transitar por um trecho de estrada de chão e logo retornamos ao asfalto que nos levaria ao Assentamento. Na medida em que o carro avançava, minha expectativa aumentava, pois retornaria a um local que fiquei uma vida sem visitar.

Mas o que mais chamou a minha atenção foi o número de casas de alvenaria que encontrei no Assentamento, pois quando lá estive da primeira vez, só havia cabanas feitas de armações com plásticos pretos, sobre uma terra castigada por um sol escaldante e um calor insuportável. 

Ao chegar na Igreja, fomos muito bem recebidos e logo encontrei uma das líderes que fora minha aluna no Curso de Formação de Professores, conhecido como Normal. Foi uma grande alegria e passei a observar o local separado pelo Incra para funcionamento da Igreja.

Encontrar uma congregação com um templo construído, organizada, com multimídia funcionando perfeitamente, foi uma grande alegria. Como se não bastasse, a área social destinada pelo Incra para construção de templo é simplesmente fantástica em sua localização. Há muito que fazer nas áreas social, educacional e saúde, naquele local.

Hoje, quando pude perceber o avanço do Assentamento e tudo que já foi feito naquele lugar e a quantidade de hortaliças e o grande número de barracas que são montadas nas feiras aos sábados; a qualidade do café que é produzido naquele local, confesso que encheu meu coração de gratidão e alegria.

Claro que as Boas Novas do Evangelho, precisam ser divulgadas por todos os lugares por onde passamos, mas quando você percebe que uma semente que foi lançada há mais de 27 anos e muitas outras pessoas regaram e trabalharam para que essa semente germinasse, particularmente não posso deixar de agradecer a Deus pelo carinho e bondade com todos que colaboraram nessa caminhada.

Nesse domingo de muito sol, tão escaldante como aquele da minha primeira visita, tive o privilégio de voltar ao Assentamento Miragem, para ver com os meus próprios olhos os avanços que foram alcançados naquele local pelos esforços das pessoas que por lá moram e pelo apoio competente da liderança da Igreja Batista de Ecoporanga na pessoa do Pastor Roberto Guimarães da Silva.

Minha palavra de gratidão e reconhecimento ao povo querido da Congregação Miragem e também da Igreja Batista de Ecoporanga. Gente querida, pessoas do coração. Muito obrigado por me proporcionarem um maravilhoso final de semana.

É isso, por agora... é vida que segue! 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025




MARLI DOS SANTOS FELICÍSSIMO (In memoriam)

Fernando Brant e Milton Nascimento, escreveram uma letra que se eternizou na voz do segundo que se chama Maria, Maria. A música retrata como ninguém sobre a luta, a resiliência e a força da mulher e principalmente da mulher negra brasileira.

Todas as vezes que ouço essa música ela me traz à memória algumas mulheres que tive oportunidade de conhecer e conviver. Marli, era uma dessas mulheres que tinha a garra das muitas Marias do Brasil.

Eu a conheci na década de 80, anos dourados dos sonhos, porém difíceis em Manguinhos. Me lembro bem a maneira zelosa como ela cuidava não somente de sua casa, mas de todos que com ela conviviam. Mulher de opinião, sinceridade a toda prova e com um enorme coração.

Foram muitos anos de convívios e desde o início Marli se mostrava como uma mulher talentosa e fina nas questões de culinárias. Era uma fada na preparação dos alimentos e sempre apresentava novidades. No meu tempo de ministério foi a responsável pela cozinha quando recebíamos os irmãos norte-americanos. Tenho boas histórias desse tempo que em breve pretendo compartilhar.

Marli, foi como uma espécie de protetora, pois quando cheguei na Primeira Igreja Batista em Manguinhos, era muito novo e tímido e ela foi a organizadora de uma escala que me levava a almoçar a cada domingo em uma casa e assim consegui conhecer todas às famílias da comunidade e ao mesmo tempo, tornei-me conhecido no bairro.

Marli, foi uma grande mãe que protegia e brigava como uma leoa pelo bem-estar de sua filha. Após anos espera e orações ela ficou grávida de Isamara e nossa igreja viveu uma linda história de gratidão pelo bebê que chegaria em breve. Quando a menina nasceu, fizemos uma festa enorme e comemoramos como uma grande família. São memórias que o tempo jamais apagará!

Marli, foi uma mulher que além de dar gostosas gargalhadas nos fazia rir com sua espontaneidade com algumas situações que vivenciamos no dia a dia da nossa Igreja. Confesso que nos últimos tempos quando tive oportunidade de visitá-la em sua casa nossas conversas normalmente terminavam em lágrimas de agradecimento a Deus pela lembrança de um tempo muito bem vivido.

Hoje é tempo de chorar de saudades, mas também é tempo de agradecer a Deus pelo tempo que tivemos o prazer compartilhar vida, amizade, família e ministério com Marli que agora descansa nos braços do Pai.

Sou grato a Deus por ter Marli na minha história de vida como ovelha e amiga por longos anos e peço a Ele que conforte os corações de Isamara, Zion, Paulo, amigos e toda Primeira Igreja Batista em Manguinhos.

Sou grato, pois o Deus que Marli conheceu e serviu durante toda a vida e agora ela pode contemplá-Lo face a face.

Sentiremos falta das suas gargalhadas, mas teremos paz por saber que você se encontra nos braços do Pai. Descanse em paz, minha querida amiga.

Em Cristo,

Pastor Robertinho

 




quinta-feira, 16 de janeiro de 2025


MOÇO, ME DESCULPE PELO DESABAFO

Moro num conjunto de prédios em Coqueiral de Itaparica no Município de Vila Velha, uma bela cidade do Espírito Santo. O condomínio é bem tranquilo, mesmo com um grupo de crianças de variados tamanhos e idades que resolvem se encontrar nas férias com frequência no horário de quando estão em aulas, consigo superar o barulho e aproveitar os meus dias de férias.

Certa manhã, saí de casa por volta das 08h, para tomar o meu café na Panetteria Gourmet, minha preferida no bairro, pois além do café e atendimento, consigo dar boas risadas e ainda observo cenas que sempre produzem ótimas crônicas.

Após trancar o portão do meu andar que é o último, iniciei a descida e por incrível que possa parecer, não encontrei com nenhuma criança disputando comigo os espaços da escada. Claro que essa peleja não me aborrece, pois sempre trocamos algumas palavras relacionadas aos jogos que estão desenvolvendo ou, até arrisco a fazer chutar a coitada de uma bola que sofre nos pés daqueles meninos.

Assim que desço o último lance de escada, chego direto no estacionamento que fica em frente ao meu prédio e os carros ficam estacionados na diagonal e ao lado bem na junção de um bloco no outro, temos um bicicletário. Atravessando o a espaço, encontramos um outro estacionamento que fica bem no meio dos três blocos com algumas árvores e que tornam o ambiente bem agradável.

Depois de cruzar mais quatro blocos de apartamentos chego na portaria principal do condomínio e cumprimento os funcionário e alguns por força do hábito me desejam um bom dia de trabalho, embora o meu traje fosse calção, sandálias, um saco de academia, indicando que o meu destino era uma caminhada a um lugar específico, no caso à Panetteria, mesmo porque o meu horário de sair para o trabalho normalmente é de madrugada.

Atravessei a primeira rua, passei pelo valão, alcançei a segunda via e comecei a caminhar, mas procurei atravessar a pista com muito cuidado pois o movimento de carros estava bem intenso naquele momento.

Começo a caminhar pela calçada sem nenhum tipo de preocupação como que tivesse todo o tempo do mundo, quando uma senhora se aproximou e começou a conversar inicialmente pedindo desculpas por estar chorando e iniciou uma história que me tocou profundamente.

Aquela senhora começou dizendo que não gostava da época de Natal pois as famílias se reuniam, mas especialmente no ano de 2024 ela estava muito triste pois perdera muitas pessoas queridas e isso a deixava muito incomodada. Ela estava com tanta vontade de desabafar que foi ligando uma história com outra. Disse que havia perdido uma grande amiga que se aposentara há três meses, após fazer um implante dentário malsucedido. Um grande sonho, se tornou um enorme pesadelo que lhe custou a própria vida.

Enquanto nos preparamos para atravessar uma das ruas que nos levaria à praça principal do bairro e quando me preparei para falar, ela imediatamente voltou a falar, agora demonstrando um grande sentimento de culpa, pois perdera uma sobrinha que vivia sozinha como ela e fora encontrada sem vida há 07 dias em função de um fulminante infarto. Aquela senhora se encontrava inconsolável e por mais que eu tentasse dizer algumas palavras, pareciam totalmente sem efeitos.

Com muita dificuldade, procurei ser solidário ao seu sofrimento e aproveitei para compartilhar o ano difícil que eu havia vivido como família e que o meu Natal, também seria com muitas lembranças e recordações, mas que aqueles momentos precisavam ser vividos com as pessoas que são importantes nas nossas vidas. Num raro momento de escuta, ela concordou com a minha fala.

Fiz menção de virar à esquerda e atravessar uma via para passar dentro do estacionamento de um grande supermercado, percebi que ela me acompanhou e continuamos. Ela me disse que estava indo visitar um sobrinho que também mora sozinho e ela estava muito apreensiva querendo saber notícias dele.

Ao passarmos pela entrada principal do supermercado, ela me agradeceu e disse: “Como foi bom conversar com você, estou me sentindo mais leve e você não tem ideia de como me ajudou”! Foi aí que pensei: não fiz nada além de ouví-la e pelo menos tentar dizer algumas palavras.

Quando estávamos prestes a encerrar o encontro, indaguei: a senhora vai fazer compras? Ao que ela me respondeu: não, apenas vou andar um pouco, olhar prateleiras, observar os produtos e depois visitar o meu sobrinho. Claro que aproveitei para incentivá-la a percorrer o estabelecimento, conversar com as pessoas e funcionários que isso faz muito bem para o emocional.

Segui o meu caminho pensando o quanto estamos tão sozinhos num tempo em que nunca foi tão fácil se comunicar. Recebemos notícias e falamos com qualquer parte do mundo, como se o outro estivesse ao lado do nosso quarto. Sabemos notícias do Japão em tempo real, mas desconhecemos o sofrimento do vizinho que mora diante do nosso apartamento; das pessoas com as quais convivemos nas nossas igrejas domingo após domingo; dos nossos colegas de trabalho e daquele grupo que costumo chamar de núcleo duro que é a nossa família.

Desabafar tem sido algo muito raro nos nossos dias. Falo do desabafo da alma e gosto de usar a expressão de uma amiga que diz: desabafar é poder pensar em voz alta com alguém que vá te ouvir, sobre sentimentos aprisionados que nos fazem sofrer, sem receber julgamentos e censuras que nos fazem viver com segredos que estão solapando o emocional de muita gente.

Pensando nisso entendi muito bem aquela senhora. Encontrou alguém que ela nunca havia visto na vida e resolveu abrir sem reservas, o seu coração e lavar a sua alma. Acredito que este tempo seja de repensar nossas atitudes, com respeito aos segredos que as pessoas nos confiam, pois caso não tenhamos nada ou muito pouco a dizer, que sejamos pelo menos bons ouvintes e uma boca fechada quanto aos segredos que alguém possa nos revelar.

Minha conversa com aquela senhora que nem me deu oportunidade de perguntar o seu nome, pois percebi que o importante para ela era apenas falar das dores da sua alma para um estranho que se mostrou receptivo para ouvir um coração machucado com as coisas da vida.

Ah, sim! A senhora pode ficar tranquila: está desculpada pelo desabafo.

É isso por hoje... é vida que segue!

 


sexta-feira, 10 de janeiro de 2025


Os Avessos da Vida

Como todos os dias faço, cheguei bem cedo ao trabalho pois gosto de tomar o meu café na Lanchonete Caldo de Cana e pensar em voz alta com os amigos que tive o prazer de conhecer na minha jornada diária. Nunca falamos sobre política ou religião, mas futebol é assunto obrigatório.

Assim que cheguei ao estacionamento para deixar o meu carro, fui informado que os prédios da Secretaria de Estado da Educação, estavam sem luz e logo pensei: hoje, será um longo dia atípico e cheio de telefonas de servidores querendo saber se deveriam ou não comparecer ao trabalho. 

Saí dali, passei pela entrada dos fundos da sede e atravessei a avenida César Hilal que naquele momento estava tranquila e cumprimentei os trabalhadores de um restaurante vizinho e finalmente cheguei à lanchonete. Depois de um excelente café, conversas diversas e um gostoso pão de queijo, retornei à Secretaria.

Na minha sala o ambiente estava como um sacrário. Os computadores estavam como se fossem coisas sagradas, aguardando o momento de serem manuseados pelas autoridades devidamente preparadas para os cerimoniais diários. É muito estranho um lugar que é literalmente um verdadeiro frenesi com gente correndo para atender as mais diversas demandas... de repente fica silencioso e  sem vida, por falta de energia elétrica.

Observando o ambiente, fiquei a pensar que em vários momentos nossa vida se assemelha a um local sem energia. São os chamados avessos da vida. Mas como isso acontece? É um estado constante? Isso impacta a nossa existência?

Nossa primeira reflexão está no fato de que de tempos em tempos, uns mais e outros menos, enfrentamos vários tipos e diferentes níveis de dificuldades. O segredo é enfrentar os problemas de frente, pois quanto mais procrastinamos, eles se avolumam.

Compreendo que devemos eleger um problema para começar. Tem gente que senta diante de um emaranhado de questões da vida e fica ruminando sobre eles, mas nunca decide por onde começar. Escolha uma luta e comece por ela estabelecendo alvos mensuráveis que lhe ajudarão avançar na batalha.

Finalmente, procure tomar a atitude que acho uma das mais difíceis: manter a calma e procurar ser resiliente. É buscar a paz de espírito diante de situações difíceis. É não perder o norte da sua caminhada, ainda que as situações sejam desfavoráveis, pois é assim que avançamos e vencemos as grandes batalhas da vida. Essas atitudes são fundamentais para os enfrentamentos das intempéries da vida.

Preciso te confessar que em certos tempos enfrentaremos momentos  duros na vida, mas precisamos aprender a navegar com toda vontade e cuidado quando as águas nos forem favoráveis, pois se um dia o mar ficar revolto, teremos energia suficiente para continuar na viagem da nossa existência.

É isso por hoje... é vida que segue!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025


O caso da menina esquecida no ônibus

Era uma família enorme para os padrões dos nossos dias. Com os pais formavam o número chegava a cinco pessoas, logo eram três filhas. Meninas bonitas e muito bem cuidadas pela dedicada mãe. O trabalho era incansável durante a semana, pois além de lutar para o sustento das meninas, era preciso alimentá-las, penteá-las, vesti-las e isso dava um trabalho tremendo.

A semana era sempre muito corrida, mas a família adorava quando chegava o domingo. Todos precisavam levantar muito cedo, pois era o dia de ir à igreja. A mãe era a primeira a pular da cama e iniciava uma batalha de acordar as meninas, enquanto o pai corria até a padaria que não ficava muito próxima de casa para comprar alguns pães para o café.

Todos de café tomado era hora de ir bem rápido para o ponto de ônibus que deixaria a família bem perto da Igreja Batista Morada de Camburi. Os tempos eram outros e a quantidade de ônibus que circulavam na Grande Vitória era bem menor e por isso demoravam bastante, principalmente aos domingos.

Chegaram na igreja e cada um foi para sua sala da Escola Bíblica Dominical. A igreja tinha salas com professoras especialistas em atividades com as crianças e a cada domingo pela manhã, parece que as meninas ganhavam nova vida devido a paixão que elas tinham pelas “tias das salinhas.”

Normalmente após a EBD, havia o culto no templo e as famílias se sentavam juntas e quando possível na mesma bancada e as crianças por sua vez, ficavam bem atentas na medida do possível, nas falas dos adultos. Algumas vezes era preciso chamar atenção, pois nenhuma criança consegue ficar ouvindo adulto falar por mais de quinze minutos. Finalmente o culto terminou e chegou o momento de voltar para casa.

O percurso da igreja até o ponto de ônibus não era tão longo e o coletivo não demorou chegar. Naquele tempo não havia o aplicativo da GVbus. A família entrou no coletivo e a filha mais nova, sentou-se nas primeiras cadeiras e como era muito falante, começou a conversar com uma senhora enquanto a viagem prosseguia.

Chegando ao ponto perto da casa a família se apressou em descer e o ônibus seguiu viagem e só então no momento de atravessar a rua era preciso juntar as crianças, mas se deram conta de que a filha mais nova fora esquecida no coletivo. Um domingo que começara bem, estava dando mostras que poderia não terminar como havia começado.

Em pouco tempo e como sempre acontece houve um início de tensão e a pergunta que não queria calar: de quem foi a culpa? Você não olhou sua irmã? Meu Deus que faremos? A primeira providencia foi mandar uma das irmãs mais velha no ônibus que veio em seguida para tentar encontrar a menina de cinco anos.

Enquanto isso, a menina esquecida no ônibus, conversava com uma senhora que achou estranho uma criança tão esperta e falante sozinha, uma vez que o coletivo chegara no ponto final.

O motorista e aquela senhora indagaram a criança sobre os pais e onde ela morava e para surpresa geral ela falou o nome do pai, da mãe e como não bastasse o nome e o telefone de uma vizinha que logo foi contactada e os pais foram informados que a menina estava bem e foi devolvida em segurança à família.

Tive oportunidade de conhecer essa história há dias, ouvindo a própria matriarca e conheci aquela menina que gostava tanto de conversar, agora é mãe de uma linda criança e pedi permissão para contar a história sem mencionar nomes.

Aprendi com essa história apesar de tensa teve o final feliz, pois havia uma criança desinibida que conversava com os pais, irmãs, vizinhas e procurava aprender coisas que poderiam parecer sem importância, mas foram fundamentais para ela retornar à família.

Aprendi com essa história que, no nosso dia a dia se o nosso smartphone der um defeito é muito provável que nem o número do telefone da esposa, esposo, filhos, parentes, vizinhos não saberemos, pois somos dependentes da agenda do nosso aparelho. Que triste!

Aprendi ainda que criança precisa de vigilância o tempo inteiro pois muitas vezes num pequeno descuido, coisas ruins podem acontecer e se transformarem em tragédias que deixam marcas para sempre nas famílias.

Aprendi que Deus foi bondoso com os pais da menina e a história terminou bem, embora tenha causado um grande susto em toda família.

É o que temos para hoje... é vida que segue!