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sexta-feira, 18 de outubro de 2024



Minha mãe numa locomotiva?

Era uma tarde típica das tardes de primavera, quando as temperaturas ficam amenas e a floração de diversas plantas começava a acontecer. No Brasil, a primavera é caracterizada como uma estação de transição entre inverno e verão. Na primavera, após o inverno, iniciam-se as chuvas que são mais frequentes com a chegada do verão.

O vento forte agitava as vegetações e ao mesmo tempo levantava os papéis que estavam na praça próxima a estação de trens, no município de Vargem Alta. A estação tinha um estilo antigo, construção feita com tijolinhos maciços que suportavam não somente as intempéries e os abalos causados pelas passagens dos vagões abarrotados de bolinhas de minérios.

A tarde já havia dado ar de sua graça e o impiedoso vento soprava com uma força descomunal e conversarmos animadamente numa padaria tomando um bom café até o momento que fomos convidados para ir à estação, pois o trem estava preste a chegar em pouco  mais de cinco vinte minutos uma vez que o sinal já havia sido dado pelo chefe da estação.

Caminhamos lentamente e a conversa era em torno do tempo que trazia saudades e lembranças de um passado bem distantes de histórias que eram contadas pela minha mãe, sobre a sua infância numa “parada” de Coronel Benjamim, nome que era dado aos locais por onde o trem passava e parada para que os passageiros daquele local pudessem descer ou subir.

Eram reminiscências de um tempo em que se levantava bem cedo para ascender o pegar a lenha que era armazenada num depósito sempre do lado de fora da casa. Fogo aceso, vasilha grande colocada na primeira trempe do fogão, banana da terra no segundo vasilhame, o bolo de fubá já estava pronto desde o dia anterior, era hora de acordar a meninada para tomar café e cada um cuidar da sua obrigação. Eram histórias singelas e tocantes.

Entre histórias e caminhada, finalmente chegamos no pequeno pátio da estação de trens. O povo se acotovelava. Alguns esperando o trem para viajar, outros esperando a chegada de parentes, vindo da capital, Vitória. Sempre era uma grande festa e muito sorrisos espalhados pelo ar e algumas lágrimas rolando nas faces daqueles que não queriam partir.

Para surpresa geral, os vagões de passageiros estavam quase todos lotados e não havia muito havia lugares disponíveis para que todos se acomodassem de maneira confortável. Então surgiu um grande problema: nem todos conseguiram prosseguir viagem. O que se poderia fazer?

Foi então que absurdamente meu pai, sugeriu que fossemos levados para o interior de uma locomotiva que rebocava os vagões e ali, estaríamos seguros para fazer a tão esperada viagem. Com a concordância do responsável pelo trem, subimos sem muitas dificuldades as escadas e adentramos o interior da máquina.

Os olhos dela ficaram fixado na quantidade de controles que os maquinistas utilizavam para fazer como um trem com diversos vagões de cargas e passageiros se locomovessem pelas estradas de ferro que ligavam Cachoeiro à Vitória.

Confesso que nunca se passara pela minha cabeça que minha mãe um dia entraria numa locomotiva, pois essa sempre fora o meu sonho, mas realizá-lo juntamente com ela e meu pai. Essa cena, nunca havia se passado nos meus melhores sonhos.

Na minha curiosidade de criança, fiquei encantado com tudo aquilo e minha primeira vontade era de mexer em todos os botões, ficar na janela, simulando que estava operando o trem, mas logo fui impedido pelo meu pai que deixou bem claro que meu desejo não seria possível.

Recoloquei-me no meu cantinho e fiquei meio triste com a observação de que não poderia ser o maquinista do dia daquela viagem, contentei-me em apenas curtir o momento viajando como um carona privilegiado.

Tudo pronto para viagem e quando o maquinista deu o apito tradicional para partida da estação de Vargem Alta, aconteceu algo incrível: acordei e descobri que era apenas um sonho. Foi um sonho bom que me levou a revisitar lugares e rever pessoas que se foram há tempos e no momento guardo boas lembranças no meu coração e nesse caso preciso citar o meu querido e saudoso pai.

Não acredito que um dia farei uma viagem na locomotiva com a minha mãe, mas tenho certeza de que ainda podemos viajar nas nossas lembranças, pensamentos e emoções junto aos nossos entes queridos que temos conosco todos os dias. Enquanto temos vida temos tempo, mas o tempo é inflexível e precisamos aproveitá-lo junto aos nossos entes queridos enquanto podemos dizer: eu te amo, você é importante, me perdoe e aceito o seu perdão, afinal necessitamos uns dos outros.

É isso por hoje... é vida que segue!!!

 


terça-feira, 15 de outubro de 2024

 

Estou quebrado e não nego!

Sei que você deve estar confuso com a minha coragem de iniciar minha semana fazendo essa confissão.

Confesso que estou quebrado, não nego e não estou constrangido de revelar a situação que estou vivendo nesse momento. Gostaria de contar com sua atenção para me ler nos detalhes e quem sabe ao final você tenha alguma sugestão.

Estou quebrado e não nego, me custa muito, por saber que nos dias atuais muitos brasileiros se encontram desesperançados por terem abusado de seus gastos sem se preocuparem com seus vencimentos. Estão quebrados financeiramente!

Estou quebrado e não nego, pois fico arrasado pelos desencontros familiares que tem sido muito comum em várias partes de nosso país e ainda hoje pela manhã ouvi que nesse final de semana em Brasília várias mulheres sofreram tentativas de feminicídios. Laços familiares estão constantemente sendo quebrados.

Estou quebrado e não nego, quando vejo tantas pessoas tentando viver uma vida que não é sua em função das convenções sociais, ideias antiquadas ou pós-modernas e com isso temos produzidos pessoas doentes e inseguras. Estamos nos esfacelando psicológica e emocionalmente.

Estou quebrado e não nego, pois vivemos momentos difíceis em que nossos jovens estão morrendo não somente de overdose, mas de doenças oriundas das mentes que trazem o desespero e uma dor tão intensa que muitos tentam amenizá-la, tirando a vida. Nossos jovens cometendo suicídio.

Estou quebrado e não nego, quando vejo que os nossos relacionamentos pessoais são firmados sobre jeitinhos, favores políticos, pessoais, e influências que se tornam uma montanha russa de trocas de gentilezas perniciosas e longe de serem humanamente corretas e distantes de qualquer profissionalismo. Nossas relações se tornaram distantes e superficiais.

Estou quebrado e não nego, quando percebo que nos ufanamos dentro dos templos religiosos, professando nossa fé ou mesmo quando narramos às pessoas como foi o nosso final de semana “servindo ao Senhor”, mas no momento que precisamos demonstrar o mínimo de solidariedade, falhamos escancaradamente dentro da igreja aos domingos e fora dela durante toda semana. Nossa religiosidade não corresponde as nossas ações.

Estou quebrado e não nego, quando percebo que após uma viagem de quatro dias na cidade de Salvador, Bahia com o Coral Viva Você, tivemos a oportunidade de cantar para diversos públicos e visitar muitos lugares históricos que por certo ficarão gravados nas nossas mentes e corações para sempre. Estou quebrado e não nego, mas feliz com a nossa viagem.

Estou quebrado e não nego, quando penso no envolvimento de cada corista que deixou filhos, sobrinhos, netos, pais, mães, amigos, maridos esposas e  para embarcarem numa grande aventura que foi representar o nosso querido estado do Espírito Santo e diga-se de passagem sem nenhuma pretensão de nos vangloriarmos, foram belíssimas apresentações no Teatro Jorge Amado, Igreja Senhor do Bonfim, Mercado Modelo e Biblioteca do Barris. Estou quebrado não nego, mas muito realizado com a performance do Coral Viva Você.

Estou quebrado e não nego, quando penso nos meus colegas coralistas que não puderam viajar conosco dessa vez e claro que fizeram falta, pois somos um grupo que brinca o tempo todo e se ajuda mutuamente, sempre que não contamos com todos os membros do coro o meu coração fica quebrado. Isso deixou o meu coração quebrado.

Estou quebrado de cansaço, mas super animado com a segunda-feira que se inicia com a consciência muito tranquila de que fizemos e demos o nosso melhor para representar o nosso estado e que venha outras oportunidades que terei o enorme prazer de dizer: estou quebrado e não nego.

É isso por hoje... é vida que segue!

 



Aos mestres e mestras com carinho...

Hoje, bem cedo, recebi uma mensagem do nosso irmão mais novo, nos parabenizando pelo dia dos professores e confesso que fiquei muito lisonjeado com a atitude dele e aproveito para agradecê-lo em nome das minhas irmãs Solange e Sueli, professoras como esse que vos escreve.

Dia 15 de outubro, terça-feira, comemoramos o Dia do Professor, esse profissional valorizado por uns governos, desvalorizado por outros, mas que continua desempenhando sua profissão com esmero e competência em tempos difíceis como esses que estamos vivendo.

Todos nós temos um professor que marcou nossas vidas. No meu caso, tive vários que marcaram várias fases de minha vida e gostaria de citar todos eles. No entanto, gosto de falar da primeira que carinhosamente era chamada de Dona Juraci. Uma negra bonita, muito charmosa e que tinha um imenso carinho por seus alunos e os tratava como filhos.

Confesso que minha vida de aluno nunca foi daquele tipo brilhante, mas nunca tive dificuldades para “passar” de ano. Na medida em que fui crescendo, passei a sentar no fundo da sala de aula, pois era um aluno tímido e tentava me esconder dos olhares dos professores. Em alguns momentos, aproveitava as oportunidades para conversar, nada demais para um aluno da sexta série.

Era um tempo bem diferente! Recordo-me muito bem que existiam alguns grupos na sala e alguns tipos de privilégios eram oferecidos, por certos professores, para alguns alunos que sentavam em determinados lugares e que moravam em certos bairros. Naquela época isso era normal.

Certa vez, a professora de ciências marcou uma avaliação e pediu que todos estudassem bastante e logo pensei: “vou tirar dez nessa prova!” Fui para casa e estudei, estudei e estudei...

No dia da prova, meu coração estava quase saindo pela boca! Assim que recebi aquela folha cheirando a álcool e com dez questões, comecei a respondê-la com confiança e descrevi com vontade todo o meu conhecimento. Terminei, fui à mesa da professora e entreguei minha obra de arte.

Na semana seguinte, a professora chegou à sala, iniciou a devolução das provas e como de costume, pelas notas menores. Minha expectativa era enorme, pois na minha cabeça eu havia acertado um bom número das questões. O tempo foi passando e nada de chamar o meu nome.

Depois de eternos dez minutos, finalmente, meu nome foi chamado por último e timidamente percorri aproximadamente uns oito metros sob os olhares dos colegas. Vivi uma das experiências mais complicadas da minha vida como aluno. A professora me olhou... olhou para a prova... repetiu os gestos e sentenciou: - Essa prova não é sua!!! – timidamente tentei dizer: “mas professora essa prova é minha!” Ela foi enfática: - vou levar para casa, rever essa nota e a devolverei na semana que vem!

Como não se podia questionar os mestres, voltei para o meu lugar com a pior das sensações que um menino de 12 anos poderia sentir, simplesmente, porque a professora achou que ele não poderia tirar 10 (dez). Fui covardemente humilhado diante dos meus colegas de turma.

Como prometera, na semana seguinte ela trouxe a prova. Parecia insatisfeita e com um certo rancor, disse-me: - Essa prova é sua, mas não sei como você tirou essa nota!

Em outras palavras... não esperava que você tirasse a melhor nota da turma. Como conseguiu superar os meus queridinhos?

Foi uma experiência bem traumática, mas que me trouxe muitos ensinamentos úteis para minha vida.

Primeiro decidi que, ao me tornar um professor, jamais repetiria o gesto da minha professora de Ciências.

Aprendi a valorizar todos os meus alunos, independente da classe social e da maneira como aprendem. Todos eles são importantes na realização do meu trabalho.

Compreendi que, quanto mais próximo estivesse dos alunos, melhor me comunicaria com eles. Isso se daria de maneira muito simples: reservando tempo para ouvi-los. Eu os conheceria e me tornaria conhecido. Assim sendo, nossa interação na sala de aula seria melhor.

Trabalhei no Colégio Batista Rio e nos momentos de recreio, ficava no pátio jogando bola ou participando de outras atividades com as crianças. Minha presença na sala dos professores acontecia quando era solicitada. Quando entrei no serviço público e fui trabalhar no curso de formação de professores, aproveitava todas as oportunidades, os momentos do recreio para comer e compartilhar experiências da vida com os futuros professores e professoras. Como foi importante e como laços foram criados que permanecem até os dias de hoje!

Minha experiência com aquela professora foi fundamental para o meu desenvolvimento pessoal. Sempre sonhei em ser um educador dinâmico e envolvido de corpo e alma com a minha profissão. Acredito que tenha conseguido!  A cada dia tenho visualizado mais desafios na minha carreira de professor e tenho descoberto talentos que estão em pleno desenvolvimento.

Não posso deixar de mencionar nossa sala de adultos da Escola Bíblica Dominical, da Primeira Igreja Batista em Jardim Carapina, Serra – ES, que nos tem dado a honra de ministrar aulas todos os domingos com uma vitalidade e animação que sempre nos impulsiona e enfrentarmos bem a semana seguinte. Concenir e Leci, nossa sala não seria a mesma sem essas duas professoras.

Parabenizo a todos os professores pelo Dia dos Mestres e peço a Deus que os guarde nos trabalhos e desafios diários.

Concluo com uma confissão: todas as minhas experiências no magistério foram inspiradas naquele que foi o meu exemplo maior de professor e que na minha opinião deve ser o alvo de todas os professores: Jesus, Mestre por Excelência. Ele foi e tem sido minha inspiração de vida no magistério e ministerial. A Ele toda honra e glória!

É isso por hoje... é vida que segue!!!

quarta-feira, 2 de outubro de 2024


É tempo de lançar sua rede ao mar....

O Coral Viva Você do Secretaria de Estado da Educação, do Projeto Música na Rede, começou ensaiar na segunda-feira uma canção que me traz à memória muitas lembranças, pois faz parte de um disco de vinil, lançado na virada do ano de 1980, pelo Grupo Vencedores por Cristo.

Durante toda a minha adolescência, sempre gostei de música e naquela época, como não existia telefone celular e muito menos redes sociais, nos restavam apenas ouvir a Rádio Cachoeiro, durante o dia, até às 23h, com o clássico encerramento do dia com a canção Last Summer Day do famoso maestro Paul Mauriat.

A virada da década de 70, para os anos 80, foi revolucionária para música evangélica de um modo geral. Estou falando das igrejas tradicionais. Foi a época em que sairíamos das inúmeras belas canções norte-americanas e começaríamos a cantar ritmos de nossa cultura. Como tudo que é novo, haviam inúmeros pastores que tratavam o tema de maneira extremamente conservadora.

Mas a canção Pescador, me traz algumas reflexões que quero compartilhar contigo nessa manhã/dia que vejo nessa canção. Quais seriam os seus motivos para lançar suas redes todo santo dia?

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, levanta muito cedo pois moram longe do seu trabalho e muitas vezes mal conseguem dormir mais de 04 horas por noite. Os trabalhadores das grandes cidades

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, precisa trabalhar muito durante horas a fio no seu preparo em casa, fato que muitos desconhecem e não recebem a remuneração que merecem, assim como muitos outros trabalhadores. Os professores das inúmeras escolas espalhadas por esse país.

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, acorda de madrugada para cuidar, arar, plantar, colher, comercializar e receber e ser pouco valorizado pelo trabalho que é feito duramente de sol a sol. Os trabalhadores do campo que entregam suas vidas para beneficiarem os homens da cidade.

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, precisa ter muita paciência nas repartições públicas pois são tratadas como se estivessem recebendo favores de funcionários que estão lá para bem servir o povo. São os usuários dos serviços públicos que não recebem o tratamento que merecem.

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, precisa ter muita força de vontade para enfrentar tratamento de saúde nesse país que para marcar consultas com determinadas especialidades, esperam meses e quando o atendimento saí, muitas dessas pessoas já morreram. São pessoas que não tem plano de saúde e dependem dos cuidados do INSS.

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, precisa enfrentar anos nos tribunais de justiça contra grupos poderosos que sempre encontram brechas nas Leis e com dinheiro e melhores advogados conseguem adiar causas até que elas prescrevam e elas saem impunes como se nada houvesse acontecido. São pessoas que dependem da justiça terrena.

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, precisa lutar o tempo inteiro contra o estigma de bandido, desprestigio e o preconceito o tempo todo simplesmente porque nasceram ou moram nas comunidades das periferias das grandes cidades, onde na sua maioria são trabalhadoras e trabalhadores, mas em função de um grupo minúsculo de pessoas comprometem todo um bairro. São pessoas que vivem nas comunidades.

Tem gente nesse Brasil que para lançar sua rede ao mar, precisa viver um dia de cada vez, pois os tempos que estamos vivendo estão repletos de acontecimentos que insistem em roubar um pouco da paz que ainda temos.

Minha esperança é de que não nos cansemos de lançar as nossas redes ao mar da nossa existência, pois haverá um dia que o Sol da justiça de Deus entrará iluminando os nossos olhos claros de morte.

É manhã pescador é tempo de lançar sua rede ao mar...

É isso por hoje... é vida que segue!


segunda-feira, 30 de setembro de 2024



Seguro estou...

Na Grande Vitória nessa segunda-feira, o dia amanheceu chuvoso e a temperatura é a temperatura em torno dos 23°, o que muito me alegra.

Como sempre, levantei-me bem cedo e fui tomar o meu banho gelado (nos meus sonhos) e foi justamente nesse momento que descobri a chuva bem torrencial. Para alguns isso é um problema, mas no momento de seca que estamos vivendo no Brasil, chuva é benção.

Tudo pronto, mochila nas costas chegou o momento de "botar" os pés nas águas e lá fui eu. Desci as escadas, pois moro no apartamento que fica no 4° andar e dirigi-me à portaria escolhendo lugares para passar, pois as poças d'águas são sempre abundantes no pátio do condomínio.

Passei pela portaria e cumprimentei os simpáticos porteiros, atravessei a primeira avenida e em seguida uma pequena ponte para aguardar o meu ônibus no ponto. Ao chegar no ponto, naturalmente debaixo de muita chuva, para minha surpresa o abrigo estava sem cobertura, logo não era seguro pois não nos protege da chuva.

Olhando para aquela estrutura, me veio ao coração uma antiga canção do velho Cantor Cristão: seguro estou não tenho temor do mal, sim guardado pela fé em meu Jesus. O Hino nos fala de segurança, que é um item que mais necessitamos nos últimos tempos.

Segurança... pois vivemos tempos em que a violência tem sido uma constante em nossa sociedade e está invadindo nossas casas através das redes sociais e a nossa intolerância com o outro.

Segurança... diante das nossas inquietudes emocionais, pois vivemos em ambientes totalmente nocivos à nossa saúde mental e psicológica o que nos tem tornado doentes e inseguros.

Segurança... perante as perseguições étnicas, intolerância religiosa e política, orientação sexual, quanto aos refugiados em outros países e àqueles que estão dentro de suas próprias casas.

Segurança... diante das tempestades da vida que sempre tentam solapar a nossa existência com doenças graves que nos afastam das batalhas da vida ou mesmo àquelas que levam embora pessoas que amamos e nos deixam uma saudade profunda.

Segurança... pois estamos debaixo da palavra do Salmo 91:4, que diz: “Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estará seguro!” É essa verdade que nos tranquiliza. Segurança, porque mesmo em meio a todas às seguranças da vida, temos uma referência que supera todos as companhas humanas.

Segurança... pois no Salmo 23, Deus se apresenta como nosso Pastor supremo disposto a não nos deixar faltar nada em especial pois nos farará repousar em pastos bem verdes, além de nos guiar por águas tranquilas.

Segurança... pois não podemos nos esquecer que no Salmo 46, Deus é o nosso refúgio e fortaleça, socorro bem presente nas angústias, ainda que toda natureza se levante e ruja, Ele nos protegerá.

Segurança... pois Isaías 40, nos indaga: “quem pode medir a água na concha da sua mão? Quem conseguiu avaliar a extensão dos céus a palmos? Se Deus criou e tem o poder de controlar a natureza, imagine como Ele cuidada de você e eu?

Segurança... pois porque contamos com a oração de Jesus no evangelho de João abençoando a todos os que creem no seu nome e em Mateus de que estaria conosco até consumação dos séculos.

Seguro estou não tenho temor do mal, sim guardado pela fé em meu Jesus, não posso duvidar desse amor leal; Ele em seu caminho sempre me conduz. Não me deixará, mas me abrigará...

É isso por hoje... é vida que segue!


sábado, 28 de setembro de 2024


Renato, nosso irmão mais novo!

Nasceu no dia 28 de setembro e foi um menino esperado com grande expectativa pois as condições da saúde de minha mãe naquela época eram bem precárias. Claro que minha mãe não tinha a menor consciência de que eu sabia de tudo que se passava.

Fui uma criança que amadureceu muito cedo pois o meu pai viajava e quando minha mãe engravidou percebia sem entender muito o esforço que as minhas tias faziam para esconder os riscos de uma gravidez bem perigosa.

Quantas vezes enquanto elas conversavam, eu como toda criança curiosa, ficava atrás das portas bem quietinho ouvindo tudo que consiga e dessas conversas na minha compreensão infantil que entendi que a gravidez de minha mãe era de altíssimo risco.

Como criança num tempo em que nem se pensava em conversar sobre esse assunto, pois não era de criança senti que precisava fazer alguma coisa no meu sofrimento solitário. Descobri então algo que me encheu de esperança e todas as vezes que meu coraçãozinho se apertava recorria a minha descoberta: a oração.

Foram muitas noites debaixo do meu cobertor, chorando e implorando a Deus pela vida de minha mãe e do bebê que estava preste a chegar. Naquela época não havia história de chá revelação e muito menos ultrassonografia, para descobrir o sexo da criança.

O tempo foi passando e olhava para minha mãe e sua enorme barriga que a única coisa que eu pedia a Deus noite e dia, era de que tudo corresse bem quando ela fosse para o hospital. Enquanto isso eu continuava com o coração apertado, temendo pelo futuro e sem poder compartilhar com ninguém. Os dias eram difíceis.

Chegou dia 28 de setembro e dona Maria deu entrada na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro, hospital referência do sul do Estado. Havia uma grande tensão no ar e mesmo que os adultos não soubessem, eu compreendia tudo que estava acontecendo e o meu coração de criança permanecia desesperado.

O tempo foi passando e finalmente chegou a notícia: “o menino nasceu e mãe e bebê estão bem.” Essa notícia deixou toda família alegre e o menino recebeu o nome de Renato. Quando vi minha mãe e a criança chegando em casa foi uma sensação de alívio e o resultado das minhas orações de todas as noites.

O menino foi crescendo e desde cedo já demonstrava seu gosto por cachorros.  Dentre eles destaco Mustang, um cão grande, de pelos pretos que pertencia aos nossos vizinhos, mas gostava de ficar na nossa casa e algumas vezes que fui visitar minha família, pois morava no Rio o bichano me impediu de entrar na minha própria casa.

Renato, desde cedo sempre foi determinado naquilo que queria fazer na vida. Serviu o exército no Rio de Janeiro, numa rotina de “tirar serviço”, que era ficar no quartel em dias alternados. Sua dedicação durante um ano no serviço militar me deixou impressionado e ao mesmo tempo convicto que eu nunca me adaptaria aquele tipo de vida.

Renato, amigo, irmão, pai, avô, esposo e filho que a cada ligação e visita deixa a nossa mãe cheia de felicidade e o seu aniversário será sempre motivo de muita comemoração, pois ele é a representação viva da misericórdia de Deus sobre nossa família.

Renato, comemore e não se canse de agradecer a Deus pois você é a resposta de Deus às muitas orações que pedindo pelo seu nascimento e pela vida de nossa mãe.

Receba o nosso carinho e desejos de que as bênçãos de Deus continuem sendo derramadas sobre sua vida.

É isso por hoje... é vida que segue.


sexta-feira, 27 de setembro de 2024


Minha primeira oração ao conhecer lugares novos...

Na manhã dessa quinta-feira, dia 26 de setembro, saímos por volta das 07h da Secretaria de Educação para fazer uma visita ao distrito de Córrego Alegre, onde funcionou uma unidade escolar que pertenceu ao Estado e foi municipalizada nos anos 90, no Município de Aracruz.

Nosso amigo motorista, chegara de viagem na noite anterior do sul do Estado e precisou abastecer o carro num posto na Avenida Leitão da Silva. Aproveitei a oportunidade para comprar água, pois na Grande Vitória os dias têm sido extremamente quentes e precisamos hidratar bem nossos corpos.

Tudo pronto, carro abastecido vamos cair na estrada, pois o caminho não é longo, mas temos muito trabalho para fazer na Secretaria. O trânsito estava tranquilo e vencemos bem a primeira etapa que compreende sair da Reta da Penha, atravessar a ponte dos arcos, passar pela Universidade Federal do Espírito Santo e através da Avenida Fernando Ferrari.

Enquanto avançamos pela Fernando Ferrari, contemplo à minha esquerda o templo da Primeira Igreja Batista de Goiabeiras, onde tenho muitos amigos e lembranças maravilhosas e do lado direito tem a Loja de Leroy Merlin, e mais adiante passamos pelas instalações do antigo aeroporto da cidade e deixamos para trás a cidade de Vitória.

No município da Serra mergulhamos na Rodovia das Paneleiras e à nossa direita, temos os bairros Boa Vista l e ll e Jardim Carapina, onde fica a Primeira Igreja Batista de Jardim Carapina, congregação que frequento.  

Desse mesmo lado temos o Vitória Apart Hospital e no sentido contrário o Motel Panorama e em seguida o Shopping Mestre Álvaro. Continuando nossa viagem e entramos na Rodovia do Contorno, sentido Contorno do Mestre Álvaro, pois o caminho é mais rápido.

Sem muita pressa e com toda segurança, finalmente retornamos a BR 101, que recebeu o nome de Rodovia Governador Mário Covas e seguimos para Fundão uma pequena cidade que é passagem obrigatória para quem deseja ir para a região das montanhas ou norte do Estado.

Em seguida chegamos em Pendanga e passamos pela majestosa e imponente estátua de Buda, com 35 metros de altura, a segunda maior do mundo. É um grande espetáculo e quem não conhece deve tirar um tempo quando passar pelo Espírito Santo vale a pena conhecer.

Chegando em Aracruz, nos dirigimos para o Córrego Alegre, distrito que fica na zona rural do município. Passamos por estradas “de chão”, cuidadas e bem sinalizadas e finalmente chegamos ao antigo prédio onde funcionara uma das nossas unidades escolares. Ao lado do prédio em ruínas está uma bem conservada casa onde morou a antiga professora que hoje tem seus 96 (noventa) e seis anos, segundo o testemunho de um dos seus filhos.

Entretanto, ao lado da antiga casa dos proprietários do terreno tem um imponente templo Católico que me deixou encantado com sua beleza extremamente simples. Claro que uma das minhas primeiras atitudes foi fotografar a construção e minha colega de trabalho, pediu que eu a fotografasse e depois usou a seguinte expressão: - preciso de um momento para fazer a minha primeira oração, pois sempre que conheço lugares desconhecidos, tenho o hábito de agradecer.

Gostei muito daquela frase e pedi permissão à Maria José Magevski Camata para escrever sobre ela e a nossa viagem. Chegamos ao local da nossa missão e seria muito importante agradecer a Deus por esse fato, mas também pedi pelo que fomos fazer.

Nossa primeira oração deve acontecer... no momento que acordamos, no abrir dos olhos ao amanhecer, agradecendo e pedindo proteção a Deus pela oportunidade de mais um dia de vida.

Nossa primeira oração deve acontecer... no momento que chegamos ao trabalho, agradecendo e pedindo proteção a Deus pela nossa jornada.

Nossa primeira oração deve acontecer... todas as vezes que retornamos para casa, pois recordamos que temos um teto e uma família e mesmo não sendo perfeita é o lugar para onde podemos voltar todos os dias.

Nossa primeira oração deve acontecer... a cada percurso que percorrido, mesmo não sendo longo, recebemos vários livramentos pois tragédias têm acontecido todos os dias bem pertinho ou mesmo diante de nós.

Nossa primeira oração deve acontecer... a cada trabalho finalizado, pois são ciclos que são vencidos e temos oportunidade de partir para o próximo.

Nossa primeira oração deve acontecer... a cada notícia boa que recebo, pois terei oportunidade de agradecer profundamente a Deus por todas as maravilhas que tem me concedido.

Nossa primeira oração deve acontecer... diante de notícias ruins, pois sempre podemos contar com Deus que nos ajuda a vencer as tempestades da vida e com nossos amigos e familiares que nos servem como companhias.

Nossa primeira oração deve acontecer... a cada momento que vivemos pois isso representa uma dádiva dos céus pois temos oportunidade de sentarmos juntos aos nossos familiares e amigos em busca de um mundo melhor, pois o momento que estamos vivendo são sombrios.

Na esperança de que nossa primeira oração será sempre prioridade em todos os momentos de nossas vidas... sigamos, sempre agradecidos.

Ah, sim! Retornamos em segurança para Vitória.

É isso por hoje... é vida que segue!