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quarta-feira, 20 de maio de 2026

A PARÁBOLA DA FLORESTA
(Uma reflexão sobre os tempos de mudança na vida e na liderança)

Era uma vez uma bela floresta que ficava em uma região do vasto continente africano, possuía uma fauna riquíssima e muitos animais. De um lado daquela floresta, os animais andavam soltos e sem nenhuma preocupação com colecionadores de peles de animais, nem mesmo com caçadores que gostavam de matar os animais apenas por esporte, levando, assim, à extinção de algumas espécies.

Todos tinham suas tarefas diárias, e os pássaros eram os primeiros a acordar e imediatamente iniciavam o coro da alvorada, antes do sol nascer. Era uma verdadeira algazarra, e quem chegava perto daquele barulho na copa das árvores não entendia se aquilo era briga ou simplesmente alegria por mais um dia que estava prestes a chegar.

Cada animal tinha o seu jeitinho bem peculiar de despertar pela manhã. Os elefantes se levantavam e, com seus bramidos, se comunicavam e, como num piscar de olhos, uma ruidosa manada se juntava, emitindo sons assustadores e provocando grandes tremores de terra na floresta.

Durante o dia era um tal de gazela correndo dos leões. De vez em quando, os leopardos se estranhavam e entravam em luta corporal, e normalmente ninguém se atrevia a entrar para separar. Mas a coisa ficava feia quando a mãe rinoceronte se colocava a defender seus filhotes dos predadores. Era um espetáculo de dar medo, mas elas nunca desistiam de seus filhos.

O líder daquele grupo, o todo-poderoso Rei Leão, acalmava os bichos quando acontecia algum desentendimento com seu rugido forte, amedrontador, que podia ser ouvido a até 8 km de distância, ou quando precisava colocar ordem para que as tarefas do dia a dia dos bichos fossem realizadas.

Mas, do outro lado da floresta, o modo de viver dos animais era bem diferente. Era um grupo de animais que tinha um modo de viver distinto. Eles não atacavam uns aos outros, pelo menos não de maneira tão direta como os animais que viviam fora daquela comunidade. Tinham um líder que também era um leão, e no grupo havia muitos animais talentosos.

Naquele lugar reinava uma aparente paz, e aquele lado da floresta tinha muita coisa bonita. As vegetações pareciam mais verdes, as águas que corriam pelas pedras pareciam mais claras e limpas. Por incrível que possa parecer, os animais se respeitavam e nenhum deles ficava tentando tirar a vida do outro como parte de sua cadeia alimentar. Era uma vida em comunidade, e muitos achavam que aquele lugar era a verdadeira família que sempre desejaram ter.

Naquele grupo havia um líder, também um leão, que estava há muito tempo comandando aqueles animais. Alguns eram obedientes, mas outros davam muito trabalho. A mamãe elefanta tinha que ficar atenta com seus filhotes, pois eles se aproveitavam do tamanho e tinham o hábito de mexer com os outros animais. De vez em quando saía uma briga entre filhotes de rinocerontes e hipopótamos, e dava trabalho para que os pais separassem os brigões sem se envolver na briga. Coisas de crianças, mas que traziam alguns aborrecimentos aos pais.

Os animais adultos, sempre que podiam, se revezavam entre elefantes, rinocerontes, leopardos e búfalos para tomar conta das crianças, afinal aquele lado da floresta era civilizado e eles não se comiam uns aos outros. Mas, como nem sempre tudo naquele lugar era festa, de vez em quando os adultos se desentendiam e brigavam, e alguns paravam de se falar. Era girafa para um lado, zebra para o outro, e o leopardo se isolava para não se lembrar de sua velha natureza e atacar os outros bichos.

Mas havia um grande problema: quando os adultos ficavam zangados uns com os outros, isso prejudicava a orquestra, pois os bichos já tocavam juntos há alguns anos, mas a harmonia ia embora, já que cada um queria mostrar que era melhor que o outro. O leopardo se gabava de ser o guitarrista, pois era muito ágil para correr e executava as notas com rapidez e precisão. Na bateria ficava o filho do Rei Leão, e toda semana precisava trocar as peles do instrumento, pois ele as furava com suas garras.

O Sr. Gorila resolveu tomar conta do teclado e até que ele tinha algum talento e conseguia fazer acordes que atendiam muito bem às necessidades do grupo. Porém, era muito difícil alguém se aproximar do instrumento, pois ele abria a boca e mostrava os dentes sem muita amizade. No contrabaixo, foi difícil retirá-lo da zebra, pois ela se achava especialista e, como tinha muita dificuldade de se deixar domesticar, às vezes era difícil convencê-la a mudar de ideia.

Os elefantes, por se gabarem de terem bramidos de aproximadamente 125 decibéis, resolveram tomar conta dos instrumentos de sopro, e não houve bicho que os demovesse daquela ideia. O coro de hienas, hipopótamos e gazelas era assustador, porém interessante. A comunidade era de uma variedade imensa da fauna africana.

Não muito distante dali o Rei Leão a todos observava. Ele, além de líder, exercia um poder sobre o grupo e praticamente só se fazia aquilo que, algumas vezes, ele pedia e, outras, ele ordenava, e os bichos obedeciam. O tempo passou, e aquele Rei Leão envelheceu, e a comunidade dos bichos achou que seria a hora de mudar a liderança. E assim foi feito.

Após várias reuniões, encontraram um jovem leão que deveria substituir o antigo, e a mudança foi bem tranquila. O velho leão, agora aposentado, foi para casa, mas, como estava acostumado a liderar, sempre aparecia na comunidade, e o novo líder se sentia inseguro quando isso acontecia, pois, além de gostar do velho líder, havia alguns que sempre comparavam as lideranças.

Passado um tempo, os bichos mais velhos se reuniram com o velho leão e pediram que ele não interferisse no trabalho do jovem líder. O melhor que aquele líder experiente poderia fazer seria se afastar e deixar que os bichos mais novos aprendessem algumas lições sozinhos e mudassem tudo o que fosse necessário para o bem-estar da comunidade.

Depois de certo tempo, o velho leão entendeu que o melhor seria ficar na floresta aproveitando seu tempo de descanso e deixar que o mais novo decidisse quais rumos os animais deveriam tomar, ainda que, em alguns momentos, tivessem algum tipo de dificuldade, pois aprenderiam da mesma forma que os mais antigos um dia aprenderam.

E, desse modo, os animais voltaram a viver em paz, e a comunidade dos bichos foi se desenvolvendo até chegarem à maturidade. Dizem que hoje eles se aproximaram, deixaram de ser dois grupos e passaram a ser um só na floresta. Tudo porque um líder agiu com maturidade e deixou que seus antigos liderados crescessem livres e caminhando com suas próprias patas.

E assim os bichos foram felizes para sempre...

O que podemos aprender com essa parábola?

  • Em todos os lugares por onde passamos, vamos encontrar pessoas com comportamentos e ideias diferentes das nossas.
  • Quem responde pela liderança precisa ficar atento às mudanças que acontecem no meio da comunidade e ter sensibilidade para procurar resolvê-las sempre que possível, sem criar problemas de outras naturezas.
  • É preciso respeitar a individualidade de cada um sempre, pois cada pessoa tem o seu talento e deve ser respeitada e, sempre que possível, desenvolvê-lo no lugar certo.
  • Na nossa fábula, os bichos com algum talento tocavam e participavam normalmente do grupo e não foram expulsos, como acontece em muitos lugares; foram trabalhados na medida em que iam tocando.
  • Aprendemos com a crônica que, quando o nosso tempo acaba, precisamos partir para outros desafios. É a mesma coisa quando terminamos um ano na escola e passamos para o outro. O tempo do velho rei passou, e agora era o tempo do novo rei.
  • Em qualquer lugar, quer seja no trabalho ou na comunidade, sempre que houver mudança, precisamos entender que quem chega precisa ter tempo para se adaptar, e devemos ter paciência.

Em Busca da Infância Perdida

Roberto Luiz Gomes

 

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