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domingo, 27 de novembro de 2022
terça-feira, 22 de novembro de 2022
Maria... minha querida mãe!
Maria...
...nome de mulher que significa “senhora soberana”.
Maria...
...menina que, como filha, trouxe orgulho aos seus pais.
Maria...
...mulher que assumiu a vida de esposa com valentia.
Maria...
...serva que tem servido a Deus com coragem e ousadia.
Maria...
...mãe que sempre amou e criou seus filhos com maestria.
Maria...
...mulher, mãe, tia, avó, bisavó, vizinha, alegre e companheira.
Maria...
...conselheira, boa ouvinte, amiga das crianças e educadora
por excelência.
Maria...
...minha mãe, nossa mãe, nossa amiga e norte de nossas vidas.
Maria...
...obrigado pelo seu jeito de ser, transparente e verdadeiro
e sem medo de ser feliz.
...obrigado por ser a pessoa que nos ensinou a ter fé em
Deus e ter fé na vida.
...obrigado pela companhia das horas fáceis e difíceis das nossas
vidas com palavras encorajadoras.
Maria...
...sou grato a Deus por sua vida, minha querida mãe. Gostaria
que o mundo fosse povoado de pessoas como você.
Parabéns pelos seus 85 anos e que Deus continue abençoando
sua vida.
Amamos você!!!
quarta-feira, 16 de novembro de 2022
A volta de um amigo querido..
A volta de um amigo querido...
Nada como resgatar um velho instrumento e buscar aquela "afinidade" perdida...
É sempre tempo de recuperar uma amizade que pode se aprofundar na medida em que as conversas vão se tornando frequentes.
Bom... conversas longas levam tempo, mas acredito que ligeiros papos diários sempre fortalecem uma amizade.
Então amigo "violão"... vamos recomeçar nossa jornada e como diz uma amiga do coração... "você pode passar anos sem ver seu amigo, mas quando se reencontram, a conversa flui como se o tempo não tivesse passado.”
A verdadeira amizade nos proporciona guardar segredos que normalmente revelamos através da música em forma de poesia, crônicas, contos... e carinho pelas pessoas que nos são importantes.
É vida que segue...
sábado, 20 de agosto de 2022
Sou grato a Deus
… por ter nascido no mês de agosto...
… por conhecer pessoas que nasceram nesse mês e quero
destacar algumas, e já peço desculpas àqueles que não figurarem nessa lista.
Sou grato a Deus
… pela vida da minha tia Laurinda, por sua garra e força de
vontade de lutar, mesmo diante das surpresas inevitáveis que a vida nos
oferece. Tia Laurinda, Mulher Guerreira.
Sou grato a Deus
… pela vida de Ary Osvaldo, primo que por uma pequena
diferença de horas quase abre os olhos no mesmo dia que abri os meus. Ary Osvaldo,
homem que tem se reinventado ao longo da vida!
Sou grato a Deus
… pela vida da irmã Nilza Mendes, missionária da nossa Junta
de Missões Nacionais. Tão logo descobri que nasceu no mesmo dia, coloquei-me a
orar pelo seu trabalho missionário. Nilza, mulher pronta para ajudar a qualquer
hora!
Sou grato a Deus
… pela vida da professora, pedagoga e conselheira Edna
Moraes. Pessoa que foi importante na minha vida de magistério, pois caminhou
comigo nos meus primeiros meses de trabalho, aconselhando-me. Edna, mulher
sábia e generosa!
Sou grato a Deus
,,, pela vida de Nelly Barreto, mãe, irmã, tia, conselheira,
ajudadora e piedosa. Nelly, anjo que tem se vestido de gente como a gente, mas
tem o coração do tamanho de todas as pessoas que dela se aproximam!
Sou grato a Deus pela vida de todos os aniversariantes desse
mês!
Sou grato a Deus
… pelas experiências difíceis que vivi ao longo dos últimos
365 dias, com perdas de amigos, parentes, vizinhos, mas que fizeram com que eu
me tornasse um ser humano mais forte!
Sou grato a Deus
… pelas perdas pessoais que me ensinaram a ser um ser humano
melhor, mesmo em meio aos sofrimentos da vida!
Sou grato a Deus
… pelo meu trabalho que, por vezes, é cansativo e
desgastante. Porém, de maneira quase mágica, tudo desaparece a cada viagem que
faço. E a cada viagem, tenho aprendido com as pessoas que encontro nos lugares
mais distantes do meu querido estado!
Sou grato a Deus
…pelos meus amigos que trago guardados no meu coração, com
muito carinho. Alguns com o pensamento diametralmente oposto ao meu em termos
de religião, futebol, política e costumes... mas são meus amigos!
Sou grato a Deus
… por minha igreja e pela forma como fui acolhido. Tenho o
prazer de ser liderado por um amigo do seminário, Pastor Marques Xavier. Tenho
a alegria de ministrar as lições da EBD com Leci, a pessoa que tem o sorriso
mais espontâneo que conheço! Não me canso de agradecer a Deus por esses mimos
que Ele tem me proporcionado! Sou um homem feliz!
Sou grato a Deus
… pela minha amiga Néri Barreto, que tem o dom de fazer
perguntas e muitas delas ficam sem respostas, pois as vezes me falta o dom da
resposta. Ainda ficarei bom nesse negócio de respostas!
Sou grato a Deus
… pela minha família (irmãos, irmãs, sobrinhos e sobrinhas),
pois nela encontro o meu porto seguro e sei que é o local para onde posso
voltar quando a saudade apertar. Obrigado Maria da Penha Silva Gomes, tenho o
maior orgulho de ser seu filho. Você tem
sido uma inspiração!
Sou grato a Deus
… pela alegria de viver o “hoje” da minha vida, pois não sei
se haverá um amanhã e então, se é para ser feliz, que seja hoje!
Sou grato a Deus
… pelo carinho que tenho recebido das pessoas com quem
convivo: meus colegas de trabalho, desde aquele que faz o café ou varre a sala
até os meus superiores.
Sou grato a Deus
… porque hoje, 20 de agosto, é tempo de comemorar a vida com
toda a intensidade! Comemorar porque hoje” temos uns aos outros! Então, vamos
nos alegrar e regozijar no Senhor.
Sou grato a Deus
… porque Ele tem me ensinado a contar os meus dias e estou
batalhando com todas as forças do meu ser para alcançar um coração sábio.
A Deus demos glórias... pelas bênçãos sem fim!
Muito obrigado a todos...É isso por hoje... é vida que
segue!!!
sábado, 13 de agosto de 2022
LEMBRANÇAS DE UM HOMEM BOM
Cada um de nós tem uma história que fica
guardada na nossa memória afetiva. Mesmo que o tempo passe, ao ouvirmos uma
música de nossa infância, somos transportados a lugares que pareciam ter
desaparecido de nossa vida, mas eles estão lá, guardados.
Se eu te pedisse para me falar de algum fato
marcante do seu tempo da meninice, tenho certeza que você teria boas histórias
para contar.
Quem não se lembra com carinho da visita dos
avós? Saber que eles viriam nos visitar, já era suficiente para nos sentirmos
felizes, mas o momento da partida nos entristecia profundamente. Quanta saudade!
Como o tempo era gracioso, pois encontrávamos
espaços durante o dia para frequentarmos a escola com professores carinhosos, salvo
raras exceções, e após sofrer várias espécies de “bullying”, voltávamos para
casa alegres. Quando o dia era chuvoso, passávamos debaixo de todas as bicas de
água fazendo uma festa que não deixava nossas mães nada satisfeitas.
Ainda tenho um fato curioso e bem perigoso gravado
na minha memória. Meu pai trabalhava na Rede Ferroviária e sempre que sua
escala de trabalho era na velha estação da Leopoldina, minha mãe me pedia para que
levasse o almoço dele.
Certa vez, depois de entregar o almoço do meu
saudoso pai, fiquei observando os trabalhadores fazendo manobras no trem para
que os vagões ficassem alinhados e seguissem viagem para Vitória, Campos, Rio
de Janeiro ou mesmo à fábrica de Cimento Nassau.
Depois de muito observar, tive uma belíssima ideia: pegar carona no trem, porque me parecia muito divertido. Esperei o momento exato e quando o vagão veio, aproveitei, segurei firme no corrimão da composição de passageiro e senti um vento suave nas minhas costas, essa sensação me deixou muito feliz.
Entretanto, quando percebi que o trem ganhava
velocidade, senti necessidade de desembarcar. Essa decisão teria que ser rápida,
caso contrário, não mais conseguiria.
Tomada a decisão de descer, imediatamente soltei
minhas mãos, mas em nenhum momento considerei que haviam “dormentes”, aquelas
madeiras que seguravam os trilhos e nem mesmo a chave que mudava a direção dos
trens. Sem pensar em nada, quando percebi, caí sentado em cima dessa chave e se
eu não tivesse segurado firme com todas as minhas forças, teria rodopiado e
caído bem entre os trilhos e debaixo das rodas do vagão.
Após empregar uma força descomunal, minha
primeira atitude foi olhar para os lados para ver se alguém havia presenciado a
cena e para minha tristeza, havia um colega do meu pai que viu e disse: - Vou
contar tudo para o seu pai, moleque! Ouvi aquilo com muita tristeza, pois não
poderia respondê-lo por estar totalmente sem razão.
Voltei para casa com um profundo sentimento de
arrependimento e com mãos e braços doídos, sem falar na pancada que levei no
bumbum, caindo com todo o meu peso de costas. Qual seria a reação do meu pai ao
saber que o Robertinho havia aprontado uma peraltice que poderia ter lhe tirado
a vida ou torná-lo uma criança sem alguns dos seus membros?
Enfim, entardeceu! Finalmente, meu pai chegou em
casa e claro que eu não disse nada à mamãe, pois a conversa seria diferente.
Ele chegou, me chamou à sala e disse: - Sente-se aqui, meu filho. Sentei e
preparei-me para o pior.
Ele começou a falar: – Todos os dias saio de
casa as madrugadas, viajo por essas estradas de ferro perigosas, arriscando
minha vida para dar o melhor para vocês. Enfrento descer e subir do trem, pois
essa e a minha profissão. Você não
trabalha na Rede Ferroviária e não pode arriscar a sua vida. Já imaginou se
você tivesse caído entre as rodas do trem? Como seria sua vida?
Ouvi àquelas ponderações de um homem que em
momento algum mudou o seu tom de voz. Papai me falou com firmeza, carinho e
ternura. Fiquei tão envergonhado e ao mesmo tempo aliviado porque algo pior não
aconteceu. Prometi ao meu pai que nunca
mais faria aquilo. E, realmente, não fiz.
Qual foi o segredo do sucesso daquela conversa?
Um papo sem raiva e acima de tudo, que me trouxe à responsabilidade, mesmo
sendo um pré-adolescente ávido por uma aventura de menino. Meu pai foi um
grande mestre e me ensinou uma preciosa lição: vale a pena obedecer!
Por essa atitude e muitas outras, sempre guardamos
no nosso coração a lembrança de nosso pai como um homem bom. De alguém que
tirava a roupa do seu corpo, comida da boca para nos dar. Homem sábio que era,
apesar do cansaço, sempre reservava tempo para sair conosco quando vivíamos
nossa primeira infância.
Quero aproveitar para homenagear a todos os pais
nesse dia e desejar que Deus a todos abençoe! Que um dia também possam ser lembrados como
homens bons que não mediram esforços para demonstrar amor aos seus filhos.
É isso por hoje... é vida que segue cheia de saudades!
sábado, 30 de abril de 2022
QUEM MOLHOU O CALÇÃO DO JOSÉ?
Era
um dia como todos os outros na então pacata cidade de Cachoeiro de Itapemirim,
especialmente para dois meninos de aproximadamente 16, que mais pensavam em
jogar futebol do que necessariamente trabalhar. Jogar bola era sinônimo de liberdade
e vida boa... mas trabalhar, hum... vamos deixar isso para lá.
Esses
dois amigos trabalhavam desde cedo pois, naquela época, era importante começar a
trabalhar bem cedo, porém os pais não descuidavam da educação daqueles meninos
que cresciam no círculo social que envolvia igreja, futebol e muitas
estrepolias que seus pais só tomaram conhecimento anos após.
Eles
trabalhavam numa fábrica de seringas de vidros de uso veterinário. O trabalho
consistia em cortar os tubos e ajustá-los para que fossem colocados numa capa
de latão cromado. Era um trabalho mecânico, porém era necessário ter muita
precisão para que nenhum liquido se perdesse no processo de aplicação do
remédio.
A
fábrica ficava no térreo da casa do patrão “Seu Joãozinho”, que era um sujeito
que gostava muito de conversar e que tinha um coração tão grande que diziam que
ele tinha um coração de mãe. Os dois meninos chegavam na fábrica pontualmente,
às 07h da manhã, para realizarem suas tarefas diárias.
Sempre
por volta das 09h da manhã, tomavam café e depois voltavam ao trabalho. Eis que
um certo dia, ao tomarem café, um copo bem cheio foi derramado pela mesa e na
pressa de resolverem o problema, eis que viram o calção do menino que
trabalhava na parte da tarde, chamado Santos, pendurado bem diante daqueles
olhos. Pegaram o calção e secaram o café derramado e recolocaram a pela de
roupa no mesmo lugar.
Na
parte da tarde, Santos o dono do calção chega e quando vai vestir o calção
percebe que está molhado de café , começa a chorar e , usando a prerrogativa de ser irmão de um dos
sócios, reclama e abre uma enorme crise
entre o “Seu Joãozinho”, e os dois meninos, pois ele ficara extremamente
aborrecido.
Os
dois amigos são chamados ao escritório do “Seu Joãozinho”, que diz: - quem
molhou o calção do José? Os dois meninos responderam quase a uma só voz – não
fui eu! Ele perguntou pela segunda vez: - quem molhou o calção do José? As
respostas dos meninos foram as mesmas. Então o “Seu Joãozinho”, resolveu dar
uma suspensão de três dias nos dois meninos.
Os
meninos foram para casa e durante os três dias, aproveitaram para jogar bola,
correr atrás de pipas e tomar banho no rio, enquanto o José, causador da encrenca
estava trabalhando sozinho, tentando dar conta dos pedidos que não paravam de
chegar.
Findado
os três dias de suspensão, os dois amigos voltam com um plano combinado de que
não iriam falar quem havia sujado o calção do José, limpando a mesa suja de café.
Foram chamados ao escritório para conversarem com o “Seu Joãozinho” sobre o
ocorrido.
A
primeira pergunta feita pelo “Seu Joãozinho”: - pela última vez... quem molhou
o calção de José? Se não aparecer o autor vou despedir os dois. Vocês
entenderam?
Os
dois amigos conforme combinado, fingindo choro, disseram: - “Seu Joãozinho”, o
sr. pode nos despedir, aqui estão nossas carteiras de trabalho, mas saiba que
estará cometendo uma grande injustiça.
Quando
o “Seu Joãozinho”, ouviu aquilo parou e disse: - não entendo porque estaria
cometendo uma injustiça! Com as caras mais lavadas eles disseram: - naquele dia
choveu o senhor não se lembra? Ele parou, pensou e gritou para sua esposa no
andar de cima: - Sandrinha, choveu na quinta-feira? Ao que ela respondeu,
também aos gritos: - sei lá, acho que choveu!
Quando
o “Seu Joãozinho” ouviu a resposta da esposa chamou o José e deu-lhe uma
bronca, dizendo que ele precisava crescer a aprender a ser homem e que não
deveria acusar os amigos de coisas que eles não haviam feito. Os dois amigos
nem se olhavam para não rirem. Foram reconduzidos para o trabalho com pedidos
de desculpas do patrão.
Os
amigos votaram para o trabalho contando e exagerando nas histórias de tudo que
fizeram enquanto o José, trabalhava sozinho. O menino sofreu bastante nas mãos
dos amigos descontentes com a situação que fora criada. Mas como meninos brigam
e depois voltam as boas...
O
tempo passou e aquele amigos, agora homens, continuam amigos incluindo o José.
Sempre que podem se encontram e dão boas gargalhadas das situações que viveram
e aprontaram na adolescência.
É
isso por hoje... é vida que segue!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022
O ano de 2014, foi de profundas mudanças na minha vida. Deixei o meu estado e viajei à cidade do Rio de Janeiro para passar por um treinamento de 04 (quatro) meses em tempo integral. Foi uma experiência agradável e confesso que tenho saudades dos bons tempos de aprendizagem.
Quase um ano
depois, após viajar por algumas partes do Brasil, iniciei os preparativos para
o grande dia, que seria a minha viagem para o Continente Africano, precisamente
Dakar, Senegal. Tudo certo, malas prontas, passaporte e atestado de vacinação
em dia, só restava esperar o momento da viagem.
Quando deixei
Cachoeiro, minha terra natal, fiquei com meu coração totalmente dividido. Uma
amiga foi me deixar na rodoviária e não tive coragem de olhar para trás quando
me despedi dos meus entes queridos. Deixei mãe, irmãos e sobrinhos e parti para
uma das maiores experiências de minha vida.
Finalmente
chegou o dia 17 de agosto e por volta das 11h (onze) da manhã, voei para São
Paulo. Lá, fiquei esperando o voo que sairia às 23h40min e me levaria até
Joanesburgo, África do Sul, naquele domingo de tempo bem enfumaçado tanto no
Rio, como em São Paulo.
Foi uma viagem
tranquila até a África do Sul e como faria uma conexão naquele país e ficaria
por cerca de quase 05 (cinco) horas esperando, aproveitei o tempo para andar
pelo aeroporto para sentir e respirar um pouco da cultura da terra de Nelson
Mandela. Foi uma experiência muito agradável ouvir as músicas melodiosas que
entravam pelos meus ouvidos e atingiam o meu coração, mexendo com as minhas emoções.
No final da
tarde, embarquei para uma viagem de mais nove horas, saindo do sul da África,
para cortar todo o continente e chegar a Dakar, capital do Senegal, no dia 19
de agosto, precisamente 02h (duas) horas da manhã, totalmente exausto e meio
que perdido no tempo em função do fuso horário. Minha cabeça estava confusa.
Sair do
aeroporto de Dakar foi um grande problema. Uma das malas com materiais do PEPE,
foi extraviada e acabei ficando mais de duas horas preso no aeroporto,
esperando que o objeto fosse encontrado. Como a procura fora improdutiva,
acabei deixando o contato de uma colega missionária que morava mais próximo do
local, e finalmente, deixei o saguão do aeroporto.
Minha primeira
reação ao chegar no pátio aberto é de que estava entrando num grande forno,
tamanho o calor que fazia naquele país. Enquanto passava pelo corredor humano
de senegaleses, nigerianos e gente de muitas outras nacionalidades,
oferecendo-se para trocar a moeda estrangeira pela nacional, visualizava ao
longe duas pessoas que se tornariam grandes amigos: Dr. Humberto e José
Ricardo, conhecido carinhosamente como Ricardo.
Vencida aquela
etapa da chegada e acomodado no carro missionário do Humberto, fui levado até o
apartamento missionário de passagem que seria o meu lar pelos primeiros cinco
meses. Era tudo muito diferente e assim que entrei no local, recebi de presente
um croissant, gentilmente guardado pelo radical Jean. Tomei um banho, fiz um
lanche, fui levado ao meu quarto, deitei e senti, finalmente, após dois longos
dias de viagem, cheguei... relaxei e adormeci.
Nos meus
primeiros momentos no Senegal, recebi toda atenção do Ricardo, me levando aos
lugares que eu precisava conhecer para providenciar os documentos necessários
de permanência no país. Foram momentos preciosos para um sujeito que não tinha
muito conhecimento da cultura africana.
Conviver com o
Ricardo nunca foi difícil, pois além de ser um profundo conhecedor da
diversidade da cultura africana, ele sempre teve um temperamento de homem de
paz e também uma profunda e longânime paciência com uma pessoa recém-chegada em
um país onde tudo era absolutamente diferente. Era preciso muita paciência!
Ricardo morava
em Saly, local que ficava aproximadamente três horas de distância de Dakar, e
lá ele cuidava do PEPE Dund Gi = (que significa vida na língua olof), mas
ainda assim, sempre tirava um tempo para estar nos encontros dos missionários
as terças e claro, eu não poderia deixar passar a oportunidade de ouvir suas
experiências no Continente Africano.
Após um tempo
vivendo em Dakar estudando francês, chegou o momento de arrumar as malas para
morar em Saly e conhecer de perto o funcionamento do PEPE. Tudo pronto! Fiz uma
viagem tranquila e finalmente me instalei na casa do meu amigo e assim, comecei
a me acostumar com minha nova rotina. Ricardo,
o bom anfitrião.
Quando cheguei
em Saly, conheci de fato o trabalho que era realizado pelo meu amigo, confesso
que fiquei impressionado com sua dedicação às crianças, pais e professoras no
PEPE e em especial, o cuidado com a Igreja que ele pastoreava. Ricardo, o líder e pastor.
Em todos os
momentos de trabalho no campo senegalês diretamente com o meu amigo, sempre me
recordo de vê-lo desenvolvendo suas atividades com garra, seriedade, sentimento
de urgência e excelência em tudo que fazia que me impressionavam. Ricardo, o trabalhador por excelência.
Naquele tempo,
tivemos muitas conversas sobre a vida, família, campo e tive oportunidade de
aprender a encarar a vida com mais simplicidade e tentei aprender a fazer com
que as mais difíceis tarefas em missões parecessem fáceis, mas essa lição era
bem complicada. Ricardo, o homem da
simplicidade.
Chegou o tempo
da formatura das crianças do PEPE, em Mbour. Houve uma grande movimentação.
Qual tecido será escolhido? Para onde os pepitos irão após a formatura? Os pais amavam o PEPE e não queriam que as
crianças fossem para outra escola, imploravam para que a igreja abrisse a
primeira etapa do ensino fundamental. Você não tem ideia do que significa isso
num país de maioria muçulmana. Ricardo,
o adorável educador.
Como parte do meu
treinamento, fui com o Ricardo ao Mali, país que fica ao norte do Continente,
conhecer e participar de um treinamento na Igreja da amiga missionária Verinha.
Durante uma semana, vi um professor dando formação das 08h (oito) horas da
manhã até às 17h (dezessete) horas com, literalmente, uma hora de almoço de
segunda a sexta. Ricardo, o coordenador
incansável do PEPE.
Não posso deixar
de mencionar que muitas vezes quando chegávamos da igreja ou mesmo no
apartamento onde morávamos, em Dakar, o amigo perguntava: “posso fazer alguma
coisa para comermos? ” Meu coração saltava de alegria, pois não sabia o que ele
arranjava porque em menos de uma hora (eu levaria pelo menos três horas) tinha
comida pronta e com aquele sabor africano que somente provando para você entender.
Ricardo, o master chefe preferido de
todos os missionários.
O tempo passou e
quando já estava no Togo, tive a honra de recebê-lo para ministrar um
treinamento com os nossos professores togoleses e como não poderia deixar de
ser, foram quatro dias de trabalho intenso. Houve um atraso de um dia na
viagem, porém o trabalho e aproveitamento foram fantásticos e vivemos um grande
amadurecimento dos nossos professores. Ricardo,
o professor da superação.
Depois dessas
experiências, tive aquela que muito marcou a minha vida, pois se deu a milhares
de quilômetros do Senegal e do Togo, foi em Porto Alegre, Rio Grande do Sul no
dia 9 de janeiro de 2016, quando tive a honra de ser o padrinho de casamento de
Ricardo e Denise. Carrego comigo para sempre esse orgulho e posso afirmar que
não é pecado.
Meu querido
amigo, sei que os últimos tempos foram e têm sido de muitas lutas e desafios,
mas como você dizia nas nossas conversas: “é preciso viver a cada dia com fé.
Nossa fé, a fé dos amigos, fé dos parentes, fé da esposa, fé de um grande grupo
que nunca vamos conhecer com os nossos olhos carnais, mas podemos vê-los com os
olhos da fé, se é que fé tem olhos.”
Sou grato a Deus
por sua vida. Sou grato pela simplicidade como você sempre viveu e nunca se
ufanou por ser um veterano no campo, mas me tratou com paciência e compartilhou
experiências que somente pessoas seguras e firmes partilhariam.
Sou grato a
Deus, por saber que você contribuiu e ainda tem muito a contribuir em favor das
nossas crianças africanas, brasileiras e de diversas partes do mundo. Sei que
você carrega as marcas desse amor incondicional aos pequeninos e que jamais
sairão do seu coração.
Não posso deixar
de mencionar que nós que tivemos o prazer de conviver contigo, jamais
esqueceremos a sua simplicidade, o seu carinho e respeito com o próximo. Minha
vida foi marcada por algumas pessoas no Continente Africano, mas saiba que você
e Denise têm um lugar todo especial no meu coração e com certeza no coração de
muitas pessoas.
Nunca se
esqueçam... amo vocês.
É isso por
hoje... é vida que segue.





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