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quinta-feira, 26 de maio de 2016


Joventino José de Abreu, nosso adorável Pastor!

Tive o prazer de conhecê-lo no dia 19 de fevereiro de 1983, exatamente no dia do meu exame e Ordenação ao Ministério Pastoral. Depois uma tarde pra la de movimentada e tão logo foram escolhidos Presidente, Examinador de Eclesiologia e Teologia, Orador, Secretario e aquele que faria a entrega da Biblia e que tive a honra de recebê-la de suas mãos. Ele estava de férias com a irmã Nilza no Estado e como bom Pastor que participava de todos os eventos denominacionais, tive assim a oportunidade de conhecer Joventino. Depois desta data a nossa amizade foi crescendo, mesmo ele tendo retornado para o campo missionário.

Os anos se passaram o Joventino se aposentou da frente avançada de missões e foi dar continuidade ao seu chamado “eterno” de fazer missões em Cachoeiro de Itapemirim. Tendo trabalhado incansavelmente ajudando algumas Igrejas com dificuldades de manterem seus obreiros e desbravando locais até então não alcançados pelos Batistas Cachoeirenses.

Retornei em julho de 1994, para Cachoeiro e nos reencontramos e logo aquela nossa gostosa amizade se tornou uma bela parceria. Tive o prazer de trabalhar com ele e irmã Nilza em São José das Torres e depois no Alto Zumbi.

Em São José das Torres íamos todos os domingos e quintas-feiras na nossa antiga Kombi que já conhecia todos os trechos da BR 101 Sul e poderia viajar sozinha. O tempo que passamos por lá foi extremamente gratificante e trabalhávamos muito, porém nos divertíamos outro tanto. Era inesquecível ele chegar e ligar o seu aparelho de som para tocar os hinos como forma de anunciar as reuniões na Igreja. Apos o culto devolvíamos as pessoas nas suas casas e retornávamos cansados, porém felizes. Bons tempos.

Me ausentei de Cachoeiro mais uma vez, tendo morado dois anos e meio em Ecoporanga e mais dois anos em São José dos Campos e quando retorno à capital secreta do mundo reencontro-me com o parceiro de evangelismo. Convidado para assumir o Ministério Interino da Igreja Batista do Aquidabã, reiniciamos nossa parceria.

Nesse meio tempo tive uma experiência pessoal, extremamente traumática e a minha querida Igreja me abraçou e me acolheu ajudando-me a vencer aquele drama pessoal. Novamente aparece Pastor Joventino e irmã Nilza: fui adotado literalmente como filho e todas as segundas o nosso encontro para o almoço era sagrado. Poucas pessoas sabem disso, mas ali eu brinquei, sorri e chorei muitas vezes e fui consolado, fui pastoreado num momento que até hoje me emociona com o carinho recebido do meu querido, meu velho e meu amigo pastor Jovem. São lembranças que o tempo jamais apagará e o coração sempre pulsar mais forte, todas as vezes que me lembro daqueles dias. Fui literalmente abraçado e tratado como filho.

Joventino e sua esposa sempre tiveram um amor profundo e visão desbravadora e logo descobrem que havia possibilidade de fazer um abrir um congregação no Alto Eucalipto, pois havia um grande numero de crianças que precisavam ser evangelizadas. Semanalmente lá estávamos trabalhando com as crianças tentando acalmá-las e através delas buscando atingir seus familiares. Também foi um tempo prazeroso e trabalhoso, junto as crianças, adolescentes e adultos daquela comunidade.

Depois desse tempo continuamos nos encontrando e trabalhando juntos não com tanta frequência mas a nossa amizade ficou para sempre era o meu prazer a cada domingo tirar o seu boné, chapéu ou boina e dar um beijo na sua careca, pois sempre o respeitei como o meu segundo pai.

Um pouco antes de viajar à Africa, tive oportunidade de fazer algumas visitas nos municípios de Alegre, Guaçuí e Rio Novo do Sul com o grupo do qual o Jovem era membro efetivo e que desenvolve atividades evangelísticas de nossa Igreja e foi algo simplesmente marcante em minha vida.

Estar no campo é algo fantástico e sei que ele orava por mim diariamente, mas existem momentos que o nosso coração não sabe o que fazer, pensar ou como reagir. Meu coração está triste, pelo fato de saber que estou longe, do outro lado do oceano atlântico e não pude visitar o meu amigo e repetir o que lhe disse inúmeras vezes no seu ouvido a gratidão que sempre tive por ele e dar um beijo na sua cabeça, desprovida de cabelos. Isso é muito duro. Eu entendo que tudo pode acontecer, mas o sentimento de impotência que é algo extremamente duro.

Como gostaria de abraçar a irmã Nilza e simplesmente ficar do seu lado, não falando, mesmo porque entendo que existem momentos que as palavras são desnecessárias e repetir o gesto que um dia eles fizeram comigo com o abraço, o aconchego, o conforto e o choro que atingem profundamente nossa alma. Quantas vezes passei por esta experiência com eles no ano de 2001.

Como pouco posso fazer em termos humanos, sigo orando e pedindo a Deus que o tempo todo cuide e trabalhe com a irmã Nilza, afinal, um soldado foi convocado, mas a luta precisa ter continuidade. Querida Nilza, eu sei e presenciei o tanto que vocês se amavam, se respeitavam e se cuidavam e no momento deve ser muito duro pra você, mas não desista de prosseguir, pois mesmo de longe terá sempre uma pessoa que jamais deixará de te ajudar em oração todos os dias.

Que Deus esteja trabalhando os nossos corações neste momento tão difícil aos olhos humanos, mas nos temos a certeza de "um dia veremos nosso Redentor, pois Ele vive e se levantará sobre a terra e vê-lo-emos por nós mesmo e os nossos olhos o verão..." Saudades eternas do seu filho, amigo, companheiro de evangelismo...

Até breve meu querido, meu velho e meu amigo, Joventino José de Abreu, nosso adorável Pastor.

Roberto Luiz Gomes


sexta-feira, 20 de maio de 2016



Parabéns Igreja Batista do Aquidabã!

“Até aqui nos ajudou o Senhor”. I Samuel 7:12

Nossa vida é composta de historias deste o nosso nascimento. Tenho muitas pra contar mas hoje quero compartilhar um pouco da parte de minha vida que se mistura com a história da minha querida e amada Igreja Batista do Aquidabã.

Chegamos à Igreja Batista do Aquidabã no inicio dos anos 70, levados pela família de Sebastião e Valdemira Ribeiro que foram pacientes até minha mãe fez a sua decisão ao lado de Cristo no Ministério do Pastor Adson Caio e logo todos os filhos também seguiram o mesmo caminho.

Tive o privilégio de crescer nesta amada igreja vivendo minha infância, adolescência e juventude. Participei dos famosos acampamentos de Embaixadores do Rei onde a tradição era levar uma esteira e na manhã do ultimo dia, tradicionalmente era queimadas na fogueira santa. Dos retiros de carnavais quando os pobres instrumentos sofriam nas nossas mãos que não poupavam forças especialmente na bateria. Bons intercâmbios com direito a esconder chave do ônibus causando indignação nas pessoas mais experientes e alegria dos mais novos. Viagens evangelísticas que marcaram minha vida e foram determinantes na confirmação de minha chamada ministerial.

Muitas pessoas marcaram minha vidana IBA e poderia citar muitos nomes, entretanto, quero homenageá-las com casal Pastor Joventino José de Abreu em especial pelo momento que ele está passando com sua saúde e sua esposa Nilza Mendes de Abreu, casal amado e respeitado por nossa Igreja, pois foram como pais e me prestaram ajuda num dos momentos mais difíceis de minha vida. Não tenho como esquecer e agradecer é o minimo que posso fazer.

Em Aquidabã vivi as minha mais profundas experiências onde fui recomendado ao Seminário e Consagrado ao Ministério da Palavra, tendo atuado como Pastor de Juventude por duas vezes e como Pastor Interino da Igreja por três anos e quatro meses. Sinto-me profundamente honrado por ter estes registros na minha história de vida ministerial.

De todas as emoções vividas naquele púlpito desde a apresentação de crianças, celebração de casamentos, bodas de prata e de ouro, cantatas, sepultamento de amigos e pessoas especiais, seguramente a emoção que marcou profundamente a minha vida, foi descer as águas batismais com o meu querido e saudoso pai. Momento eternizado para sempre no meu coração e se eu pudesse repetiria muitas outras vezes o fato, pois aquela emoção é de difícil descrição.

Nestes 79 anos de existência Deus levantou muitos pastores, lideres, evangelistas, visitadoras, missionários, homens e mulheres de Deus que fizeram, têm feito e farão a diferença junto a sociedade e a comunidade de Aquidabã, Praça da Bandeira, Novo Parque, Fazenda das Cancelas, Soturno, Sambra, Penha, Amarelo, Vila Rica, Arariguaba, Village, Trevo (BNH), Portugal, Canadá, Senegal, Guinée, Togo, Brasil, Castelo, Rio de Janeiro, Espirito Santo... “Até aqui nos ajudou o Senhor”.

Presto minha homenagem à querida Igreja Batista do Aquidabã e desejo que Deus continue abençoando-a na divulgação e propagação do Evangelho em Aquidabã, Cachoeiro, Espirito Santo, Brasil por todos os continentes e até os confins da terra.

Sei que o caminho é longo e intenso, afinal não fomos chamados para um piquenique e sim à batalha que cada dia tem se mostrado mais dura. Prossigam em caminhar e conhecer o Senhor, pois Ele é o segredo da vossa vitória.

Quero transmitir o meu abraço togolês ao Pastor Ronaldo Oliveira, líder espiritual da Igreja e a todos os membros que são alvos das minhas orações sem cessar.

Que Deus vos abençoe!

Missionário Roberto Luiz Gomes 

quinta-feira, 21 de abril de 2016


Que Deus salve o Brasil...

Vivo num país da Africa que pelo fuso horário estamos com três horas a mais de diferença do Brasil ,é claro que não fiquei acompanhando o resultado da votação na Câmara.

Acho que isso deve ser impressão minha... o povo do face não está tão eufórico nem comemorando o resultado da votação do impeachment.

Graças a Deus os jargões com o nome de Deus se rarearam nos últimos dias, pois acho que Deus deve estar furioso com o uso de seu Nome em vão, especialmente na boca de parlamentares corruptos que não honram o seu Nome.

Que Deus salve o Brasil dos políticos inescrupulosos que se apresentam como anjos e são verdadeiros demônios e sem querer tornar esse artigo religioso, nos lembra da fala de Jesus que no final dos tempos, os demônios se passariam por anjos, enganando mesmo aqueles que piamente acreditam em Deus.

Que Deus salve o Brasil dos eleitores que protestam, mas sempre elegem as mesmas pessoas quando obtêm favores políticos; da nossa falta de conhecimento e visão politica para enxergarmos as verdadeiras armações, que existem no mundo politico e que nos fazem reféns deste sistema causuista.

Que Deus salve o Brasil do "povo" que reclama, mas adora levar vantagem em tudo; pulando roleta; descobrindo diversas maneiras de fazer gatos nas instalações elétricas; das maracutaias feitas nas declarações de imposto de renda para ficar com o que não lhe pertence; pelo patrão que paga mal seus funcionários subtraindo valores alheios e sonegando obrigações sociais que somente fazem falta nos bolsos dos trabalhadores.

Que Deus salve o Brasil da mídia que trabalha em beneficio próprio através de suas sucursais espalhadas pelo país; das informações que são escondidas do povo ou quando são passadas não representam a verdade e o uso que a máquina politica acaba fazendo desses orgãos que apenas envergonham a chamada democracia.

Que Deus salve o Brasil da liderança politica viciada que temos no país; da liderança evangélica que dizem nos representar no parlamento, porém, suas atitudes apenas envergonham o Evangelho; da liderança evangélica que está se especializando em chutar cachorro morto e que em momentos de crises se escondem ou aparecem pra dizer o óbvio, fugindo muitas vezes da discussão mais profunda, e se cala diante dos verdadeiros problemas que afligem nossa sociedade no século XXI.

Que Deus salve o Brasil através do sol da justiça que possa brilhar no meu país mostrando toda sujeira nos locais mais escondidos, para que a limpeza seja de fato  completa; que a justiça possa reinar no meu país, sem cor, sem regionalismos, sem sexismo, sem preconceitos seja as quais forem, sem partidarismos politicos, sem o ódio pelas pessoas que pensam diferente, pois o que temos visto nos últimos tempos é que falamos tanto de democracia, porém, não permitimos que as pessoas tenham pensamentos opostos aos nossos.
Deus salve o Brasil do ódio, elemento facilmente encontrado em qualquer esquina, praça, setor de trabalho, e o pior, dentro de nossas casas,  infelizmente no meio das crianças, através dos exemplos deixados pelos adultos e pelas redes sociais.

Deus salve o Brasil deste dia, pois nada como um dia após o outro; nada como uma eleição após outra; nada como um impeachment após o outro... se não houver uma mudança de postura do nosso povo, tudo continuará do mesmo jeitinho brasileiro.

Deus, não me salve desta grande utopia... pois estou no meu direito de sonhar.

Vida que segue... quem viver, verá.



domingo, 26 de julho de 2015


Essa tal felicidade…

Já rodei por esse mundo procurando encontrar... essa tal felicidade, hei de um dia encontrar. Assim cantava Tim Maia.

Alguém ja disse que a felicidade é como uma borboleta, quanto mais você a persegue, mais ela se distancia. Porém, quando você passa a olhar para coisas que estão ao seu redor ela vem e pousa no seu ombro.

Esta, sem duvida, é uma das minhas citações preferidas, pois encerra uma verdade que, na maioria das vezes, nos esquecemos por estarmos ocupados demais na tarefa de passar uma vida inteira perdendo os melhores momentos da vida, buscando essa tal felicidade.

Essa tal felicidade acontece quando compartilhamos o melhor que temos e somos junto a pessoas que amamos sem passamos grande parte do nosso tempo tentando mudá-las, impondo aquilo que julgamos correto a partir do nosso ponto de vista.

Essa tal felicidade acontece quando nos doamos aquelas pessoas que não podem nos oferecer nada em troca e o fazemos no sentido Bíblico de não saber a nossa mão direita o que fez a esquerda. Doação feita de coração, alma e de todo ser longe dos refletores que deformam as ações que somente Deus deve saber.

Essa tal felicidade acontece quando vivemos sem querer impor o nosso padrão de vida ao outro, pois em diversos momentos da vida nos surpreendemos de que somos felizes mesmo sem ter uma Ferrari, uma Beyoncé ou quem sabe um Denzel Washington. Conheço pessoas felizes com muito pouco que nos fazem corar de vergonha, pois reclamos do que nos falta e esquecemo-nos do muito que temos.

Essa tal felicidade acontece quando podemos nos reunir com os nossos entes queridos para contar e relembrar histórias das nossas vidas que foram importantes e que nos fizeram chegar com saudades das lutas e vitórias conquistadas ao longo dos anos. De cada lágrima derramada e do prazer de estarmos num dos lugares mais gostosos do mundo, nossa família.

Essa tal felicidade acontece quando posso sentar e escrever que apesar de todas as incongruências da vida, mesmo que o mundo insista em dizer que não, ainda existem pessoas que, com pequenos gestos, nos fazem feliz e, a meu ver, não existe outra forma de você retribuir a não ser vivendo e fazendo com que todos que convivem contigo também experimentem esta tal felicidade.

Que essa tal felicidade possa acontecer em nossa vida diária, através do nosso olhar ao outro repleto de comunhão, dedicação e de um sentimento tão esquecido num tempo de guerras e o incentivo à violência. O olhar do amor.

Essa tal felicidade está mais próxima do que imaginamos. Arrisco a dizer: ela pode estar dentro de nós. Depende de como você encara a vida!

Até o nosso próximo encontro...

sábado, 25 de julho de 2015



Até Breve Senegal !

Tudo começou no segundo semestre de 2013 com o treinamento e no dia dezessete de agosto de 2014, entrei num avião no Rio de Janeiro, fazendo uma pequena parada de doze horas em São Paulo de onde voei para Joanesburgo e ali após esperar por mais cinco horas, finalmente voei no final da tarde e  no dia dezenove cheguei a cidade Dakar, capital do Senegal.

Meu primeiro desejo naquela madrugada, assim que desci do avião foi voltar correndo para o interior da aeronave, devido a corrente de ar quente e a impressão de que literalmente entrava num forno sem nenhum preparo prévio. 

Era preciso passar pela Policia Federal e claro responder perguntas, preencher formulários e depois de quase uma hora, finalmente liberado sem não antes saber que uma das malas havia extraviada e encontrada uma hora depois. 

Os primeiros momentos foram cuidadosamente acompanhados pelos missionários locais e o grupo radical 10, que me trataram como criança que precisava aprender dar os primeiros passos numa terra estranha e evitando assim as grandes mancadas. Adivinhem se adiantou? Foram inúmeros furos e até hoje insistem na repetição, mas sei que em breve farão parte do passado. 

Vieram as aulas na Universidade. As reuniões do grupo de missionários da JMM. Os cultos na Igreja Batista de Dakar. E tempo se encarregou de fazer sua parte, amenizando a saudade e me fazendo me sentir cada vez mais em casa num pais onde você encontra pessoas de varias partes da africa e alguns lugares do mundo, afinal é por isso que Dakar é chamada de Paris do oeste africano.

O bairro em que morei é conhecido por ter uma grande escola católica e também pela quantidade de estrangeiros que moram por la. Suas ruas principais são asfaltadas e as vias secundarias possuem uma quantidade de areia que se torna impossível você caminhar sem que ela penetre no interior do seu calçado. Em cada esquina é possível encontrar barracas de frutas e verduras. Foram quatro meses gratificantes.

Em janeiro, mudei-me para Mbour que fica a 72 km da capital para uma nova etapa na minha vida. Passados os primeiros dias de adaptação iniciei o estagio no Pepe, acompanhando as aulas, estudando o francês e recebendo uma porção generosa da cultura africana de fundamental importância para minha vida.

Depois de 6 meses em Mbour era hora de arrumar as malas e partir para o Togo e claro não posso deixar de registrar meus agradecimentos aos meus colegas missionários que foram anjos na minha vida (vou escrever sobre isto). Quero agradecer a José Ricardo Nascimento e assim fazendo agradeço a todos os amigos fundamentais na minha passagem pelo Senegal
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Foram dez meses e onze dias de convívio que marcaram para sempre a minha vida e sempre serei grato a todas as pessoas que fizeram parte desta historia.

A partida foi com um até logo, quem sabe amigos um dia a gente vai se encontrar e sendo assim: até breve Senegal.


domingo, 21 de junho de 2015

O céu está tão nublado...


O céu esta tão nublado...

Foi uma manhã totalmente diferente em Saly. Quando abri a janela do meu quarto, percebi o prenúncio de um dia nublado e poderia dizer com a forte sensação de chuva no ar. O céu estava tão nublado que me fez lembrar de uma canção da minha infância em Cachoeiro de Itapemirim: “o céu esta tão nublado, há tempos que não fica assim, só me recordo de águas passadas... mas eu tenho certeza de que esta saudade não leva a nenhum lugar.”

Após tomar o meu banho saí  para comprar o pão, naquela brisa de uma manhã que me fazia lembrar da chuva. Encontro-me com um senhor e o saúdo: - bonjour monsieur. Comment allez-vous? Ele responde: - ça va bien, monsieur. Bonne journée. A distância entre minha casa e a boulangerie (padaria) é curta, porém preciso passar por uma rua entre um terreno com uma casa por ser concluída e uma loja de materiais de construção com seus caminhões, britas, areias e ferragens acomodados entre a loja e o asfalto.

Os carros ainda não começaram seus movimentos frenéticos, porém os coletivos (carros de transportes) estão trabalhando a todo vapor e naturalmente quando me veem o primeiro movimento é sinalizar para saber se vou para o centro de Mbour ou Saly. Como nenhuma das opções me interessa no momento, atravesso a pista após passar debaixo de uma grande árvore que acomodava carinhosamente uma carroça com seu burrico e seu dono prontos para mais um dia de trabalho.

Ao chegar na padaria o processo de escolha do pão também é bem diferente. Eles ficam acomodados num canto esquerdo do balcão, coberto por uma folha de papel de saco de cimento. Normalmente você escolhe o seu pão manuseando-o, ou seja não basta ver é preciso pegar para certificar a qualidade do produto que se quer levar. Depois da escolha que foi bem rápida, efetuo o pagamento e saio com minha baguette quentinha pronta para ser degustada no café da manhã.

Ao término do café é hora de pegar a estrada num coletivo até Keur Madiagne para participar da Formatura do Pepe Les Vainqueurs. Tudo já estava montado bem no campo de areia ao lado da escola. Os pais impecavelmente trajados. Os homens com seus melhores bubus e as mulheres com as mais variadas combinações de cores nos seus foulard todos acomodados debaixo de uma grande estrutura de lona. Os Pepitos são pura alegria e se apertavam num misto de euforia e ansiedade para o grande momento de suas vidas que é a formatura.

A festa teve o seu início com professores orgulhosos e as crianças foram chamadas para receberem seus respectivos diplomas e uma lembrança com direito a pose para os fotógrafos de plantão. Tudo regado a muita música e danças, festa tipicamente africana.

Claro que todas estavam lindas, mas fiquei tocado por uma dessas crianças que tive o privilégio de acompanhar durante seis meses. Vou preservar o seu nome, porém ela tem síndrome de down e segundo a história que me foi contada, ela foi para o Pepe e de lá não mais saiu. Evidentemente que ela inspirava maiores cuidados, considerando a maneira como as crianças portadoras desta síndrome por aqui são tratadas. Esta história eu te conto depois. O importante é que no Pepe, ela recebeu o carinho e atenção que toda criança merece. Recebeu seu diploma imponente e feliz. Meu coração se achou no direito de chorar... pura emoção!

Foi bela a festa e o final foi comemorado com um delicioso lanche em que todos participaram com grande alegria. Uma turma deixa o Pepe e segue à escola pública e a outra turma ficará mais um ano letivo que por aqui começará em outubro.

Neste momento, voltei-me para o céu em busca das nuvens que o cobriam pela manhã e deparei-me com um belo e forte sol reinando absoluto no firmamento em homenagem aos Pepitos.

Então é hora de arrumar as bagagens e voltar para casa...

Parabéns Pepitos!

O que estamos fazendo com Jesus…


O que estamos fazendo com Jesus…

Nos últimos dias fomos obrigados a assistir algumas manifestações que envolveram diretamente o nome de Jesus, travando uma grande batalha campal entre seus seguidores e opositores. De um lado estrelas do movimentos gay, de um outro lado um jogador e até pastores televisivos que não perdem uma oportunidade de despejarem na mídia aquilo que chamam de evangelho. O que estamos fazendo com Jesus...

Há pouco menos de um mês aconteceu a final da copa dos Campeões e o Barcelona que tem vários brasileiros no seu elenco e entre eles Neymar (menino extremamente talentoso) foi campeão e o garoto estampou uma faixa na cabeça que dizia Jesus 100% ao que foi criticado por um jornalista de São Paulo e toda comunidade evangélica saiu em defesa do jogador em expressar sua fé. O que estão fazendo com Jesus...

Neste ano no por ocasião do dia dos namorados uma grande empresa de perfumaria brasileira, lançou uma campanha com casais gays na mídia brasileira. Foi como jogar fosforo na gasolina. De imediato um certo líder subiu o tom em nome dos evangélicos e fez umas dessas propostas estapafúrdias de que ninguém comprasse os produtos de tal empresa. Novamente vozes se levantam contra e a favor e os ingredientes de uma “guerra santa” vão se acumulando no inconsciente coletivo. O que estão fazendo com Jesus...

Como acontece em todos os anos na cidade de São Paulo a parada do orgulho LGBT no dia 07  e desta vez como os ânimos já estavam exaltados os radicais do movimento extrapolaram todo o bom senso, o respeito e foram ofensivos e agressivos com a as religião e seus símbolos nas suas manifestações, provocando reações das mais sensatas e inteligentes até as mais desmedidas e tão ofensivas quanto aquelas da avenida paulista. Com direito as manifestações oriundas de todo o mundo. O que estão fazendo com Jesus...

O que tem uma coisa a ver com a outra? Na primeira o craque 100% Jesus esta sendo processado com o pai na Espanha em função de sua transferência ao clube espanhol e que envolve desvio de dinheiro. Na ultima partida da Seleção Brasileira contra a Colômbia o comportamento desse rapaz foi digno de um atleta descontrolado, sem noção e totalmente oposto a mensagem estampada por ocasião da vitoria contra a equipe da Juventus: 100% Jesus. O que estamos fazendo com Jesus...

No caso da propaganda e da parada gay, estou impressionado como nos últimos tempos certos lideres evangélicos estão aproveitando o momento de instabilidade politica do Brasil e acirrando discussões de forma odiosa com  movimentos de luta contra a descriminação e de defesa dos direitos das pessoas. Falam com tanta veemência nas redes sociais que as pessoas que imagino, lendo e ouvindo tais palavras de ordem com a faca entre os dentes, prontos pra batalha final. Religião que simplesmente proíbe e reproduz concepções de mentes sem nenhuma misericórdia, me parece muito com a religiosidade dos fariseus do tempo de Jesus. O que estamos fazendo com Jesus...

Para não ser longo, não posso deixar de citar o caso noticiado pela imprensa de uma menina de 11 anos que saia de um ritual de candomblé e foi covardemente atacada a pedradas por fiéis que se dizem seguidores de Jesus. Simplesmente isso é um fato para se lamentar e como seguidor de Jesus pedir perdão e dizer como Cristo: “Pai perdoa-lhe, pois não sabem o que fazem”.  O que estamos fazendo com Jesus...

A impressão que tenho é que os radicais dos dois lados estão conseguindo seus objetivos de criarem uma guerra insana e idiota em nome de Jesus, recheados de seguidores que se auto professam cristãos e tem tomado atitudes gente que vive nas mais profundas trevas. O que estamos fazendo com Jesus...
Deus não impute ao mundo nem aos verdadeiros seguidores de Cristo, a ignorância e a falta de sabedoria daqueles que em Seu Nome tem usurpado sua imagem em causa própria.

O que estamos fazendo com Jesus...