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sábado, 7 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher
(Homenagem à minha mãe e a outras mulheres importantes na minha vida)
 

A década de 70 foi considerada a mais nobre no cenário da música popular brasileira, pois nela se consagraram artistas de todos os estilos — do samba e chorinho às grandes duplas, passando pela Jovem Guarda e pelas músicas de protesto. Dizem que o início daquela década trouxe os anos mais marcantes para os frequentadores das noites cariocas, regadas à boemia.

Os dias eram assim: naquele tempo, as crianças começavam a trabalhar cedo. Recordo-me de passar parte do meu dia nos fundos de uma loja no centro de Cachoeiro, em uma “fábrica de vidros” (material para seringas veterinárias). Nossa diversão era ouvir rádio à tarde, já que eu estudava no turno matutino.

O Dia Internacional da Mulher passou a ser reconhecido pela ONU em 1975, e foi nos anos 70 que começaram as comemorações no Brasil, com debates e simpósios que se espalharam pelo país. Confesso que, naqueles tempos, eu não tinha a menor ideia da existência ou da importância de tal data.

Mesmo sem entender o significado desse dia, era impossível não perceber a importância de uma grande mulher: minha querida mãe. À medida que eu ganhava consciência sobre a vida, na adolescência, ouvia na antiga rádio Cachoeiro uma música de Nelson Cavaquinho, lançada em 1973, chamada “Nome Sagrado”, que era uma linda homenagem às mulheres.

Todos os anos, no Dia Internacional da Mulher, lembro-me das muitas figuras femininas que participaram e ainda participam da minha trajetória. Hoje, quero homenagear algumas delas:

Tia Babá: Mulher que me conheceu muito cedo; fui tratado como um filho. Recordo-me de muitos momentos da minha infância ao seu lado. Uma mulher que fez muito pelos amigos e parentes. Minha gratidão!

Tia Laurinda: Mulher de fibra que, durante toda a vida, foi destemida. Enfrentou todas as provações e, ainda hoje, não se furta de encarar as lutas do presente. Minha gratidão!

Tia Lucy: Viveu pela fé cada segundo da vida. Mesmo tendo tido oportunidades de desistir diante das lidas, optou por seguir em frente, cumprindo a missão recebida de Deus. É determinada e não tem medo de viver um dia de cada vez com muita dignidade. Minha gratidão!

Tia Alzira: Sempre demonstrou um carinho imenso pela cunhada (minha mãe); esse cuidado sempre me impressionou. Visitar minha mãe parecia ser uma incumbência de todos os domingos, mas bem sabemos que era puro afeto com a viúva de seu irmão mais velho. Minha gratidão!

Ana Eremita Bravim Ribeiro: Colega de concurso que se tornou uma grande amiga ao longo dos anos em que trabalhamos na Secretaria de Estado da Educação. Mulher forte, determinada e profundamente comprometida com o zelo pelo erário público. Minha gratidão!

Victoria Maria Matos: Grande mulher com quem convivi por dois bons anos. Tive a oportunidade de estar perto dela e ver sua grandeza como ser humano. Victória é dessas que não desistem nunca; ela fez disso um lema de vida. Minha gratidão!

Dona Maria Gomes, minha mãe: Matriarca de uma família de seis filhos, que cresceu com a chegada de netos e bisnetas. Desde cedo, aprendeu a administrar a casa e a resolver todos os problemas que surgiam enquanto o saudoso marido trabalhava nas estradas de ferro da velha Leopoldina.

Foram anos difíceis, nos quais vi a força de uma mulher que se reinventava todos os dias para trabalhar pela sobrevivência. Uma mulher como aquela Maria, retratada por Milton Nascimento, que nunca desistiu de ter fé na vida. Lutou para superar doenças, cirurgias, ventos contrários e tribulações, mas continuou vivendo com fé em Deus.

Durante a pré-adolescência, quando ouvia Nelson Cavaquinho dizer que "o nome de mulher é um nome consagrado" e que "mulher é um nome para ser respeitado", aquilo ia como uma flecha ao meu coração. Como primogênito, acompanhei todas as lutas da minha mãe e, para mim, ela era uma mulher sagrada. São sentimentos que não tenho como explicar.

Para essa mulher, minha eterna gratidão e reconhecimento por tudo o que fez por mim e por todos os meus irmãos. Mulher que teve a sua trajetória transformada pela presença de Jesus. Mulher que apresentou e realizou o culto de centenas de crianças nos lares e na Igreja Batista do Aquidabã, em Cachoeiro. Mulher que procurou servir ao Reino de Deus através da sua vida.

Não posso deixar de agradecer a Deus por todas as mulheres da minha família: primas, irmãs, tias, sobrinhas, amigas e irmãs em Cristo. Algumas delas merecem, sem nenhuma sombra de dúvida, capítulos especiais.

Neste Dia Internacional da Mulher, gostaria de homenagear todas as que fazem a diferença na nossa sociedade, em um tempo no qual ainda temos muito pelo que lutar: por direitos, respeito, reconhecimento e dignidade para as mulheres de nosso país.

É isso por hoje... é vida que segue!

 

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