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domingo, 23 de novembro de 2025

“Sim, Deus é por nós! Quem nos vencerá? Dar-nos-á o poder real...”
(Frase do Hino 454 do Cantor Cristão na Homenagem aos oitenta e oito anos de Dona Maria Gomes, nossa querida mãe.)

Sábado, vinte e dois de novembro, foi um dia histórico para nossa família, pois o fato aconteceu numa segunda-feira do ano de 1937, na Parada Ferroviária de Coronel Benjamin — um pequeno lugarejo que ficava entre Cachoeiro e Vargem Alta, pela estrada de ferro da antiga Leopoldina. Ela foi a terceira dos nove filhos e filhas de Hermenegildo e Nair Silva.

Normalmente, o tamanho das famílias naqueles anos era bem diferente dos dias de hoje e, à medida que os meninos e meninas cresciam correndo pelos campos, atravessando o rio pelas pinguelas e andando perigosamente pelas estradas de ferro, seu pai adoeceu e, depois de alguns dias, veio a falecer. Nessa época, Maria já era casada.

Os anos se passaram, e Maria Gomes, juntamente com seu esposo e seus dois filhos à época, fixou-se em Cachoeiro de Itapemirim, cidade conhecida como “capital secreta do mundo”. Eu, que vos escrevo, nasci na Parada de Coronel Benjamin — local próximo ao distrito de Vargem Alta, onde fui registrado e que, mais tarde, tornou-se município.

Os anos da nossa infância — dos meus irmãos e da minha — não foram muito fáceis, pois, naqueles dias, nossa mãe fazia tudo pelos filhos e lutava contra enfermidades, enquanto nosso pai trabalhava viajando pela Leopoldina entre Cachoeiro, a cidade de Campos, no Estado do Rio, e nossa capital, Vitória.

Com a chegada da adolescência, os problemas de saúde de minha mãe se avolumaram, mas ela prosseguiu firme na criação de seus quatro filhos. Foi então, na virada dos anos 70, que nossa mãe conheceu Jesus como Salvador e Senhor de sua vida. E foi nesse tempo que as coisas começaram a mudar.

Foi um verdadeiro milagre de Deus na vida dessa grande mulher. Sua saúde começou a melhorar à medida que ela se aprofundava na vida cristã, e novos ares passaram a soprar sobre sua existência. Aquela mulher frágil tornou-se forte e serviu em sua querida igreja por mais de 40 anos, no ministério conhecido como Mulheres Cristãs em Ação.

Maria aprendeu, desde o início de sua caminhada cristã, a servir — e isso ela fez por muitos anos: cuidando da família, especialmente de seu esposo, por aproximadamente vinte anos; visitando e ajudando vizinhos e irmãos; demonstrando amor ao próximo; levando sempre uma palavra de consolo e ânimo aos desesperançados.

O tempo passou. Vieram grandes vitórias e, no roteiro da vida, vieram também as perdas. Ela soube viver e atravessar, não sem sofrimentos, todos esses ciclos que, aos poucos, vão solapando as reservas de forças. Chega um momento em que, literalmente, nos resta viver pela fé — e isso minha mãe tem feito ao longo dos últimos anos.

Neste dia vinte e dois de novembro, tivemos a oportunidade de acompanhar Maria completando oitenta e oito anos de vida, reunindo a família que nos foi possível estar presente. Na semana do aniversário, ela pôde encontrar filhos, netos e conhecer sua bisneta Maria — o que lhe trouxe imensa alegria.

No velho e amado Cantor Cristão, temos o hino 454, que diz: “Temos por lutas passado, umas temíveis e cruéis; mas o Senhor tem livrado delas os seus servos fiéis...” Esse hino retrata bem a vida de nossa querida mãe ao longo de todos esses anos. Deus tem sido por ela, por nós — e quem nos vencerá?

Somos gratos a Deus por saber que, nesses oitenta e oito anos, os inúmeros bebês apresentados por ela no púlpito da Igreja do Aquidabã estão hoje espalhados pelo Brasil e até fora dele. Agora, ela é bisavó de crianças que assim a chamam — e confesso que isso enche e aquece meu coração ao ver o quanto Deus foi fiel com esta mulher.

Somos gratos a Deus, pois nossa mãe nunca deixou de observar e confiar nos infinitos planos do Senhor, que nortearam sua vida, alcançaram a vida do nosso saudoso pai e foram fundamentais na criação de seus seis filhos, netos, bisnetas, irmãos, irmãs, sobrinhos e amigos.

Somos gratos a Deus, pois Maria pertence a um grupo de mulheres da Igreja Batista do Aquidabã que não somente viveram, mas escreveram a história daquela agência de pregação do Reino de Deus. Rogamos para que continue realizando a missão dada por Jesus e recebida pelos nossos antepassados com alegria e dedicação ao trabalho.

Ontem foi dia de reconhecimento pela bondade do Senhor. Estamos no tempo de continuar pedindo que as misericórdias de Deus permaneçam sobre a vida de nossa mãe, de todos os nossos familiares e amigos.

É isso por hoje... É vida que segue!

 



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