Sair de férias é sempre bom, especialmente quando o ano de trabalho foi corrido, cheio de desafios e, em alguns momentos, assustador — afinal, ter uma síncope em plena manhã diante dos seus colegas, confesso, não foi nada agradável.
Depois de uma espera de doze meses, finalmente chegou o fim de semana que antecedeu o primeiro dia de férias. Cheguei da igreja no domingo à tarde, sentei no sofá, acomodei os pés sobre uma superfície macia e fiquei na posição de quem vai tirar um cochilo ali mesmo, até cansar — e só então ir para a cama. Assim fiz. Por volta das dez da noite, segui para o quarto com a intenção de acordar por volta das nove da manhã.
Naquele domingo aconteceu o jogo do Vasco contra o São Paulo e, por algum pressentimento nada agradável, resolvi não assistir. Fiz o que normalmente faço: dormi e deixei pra saber o resultado no dia seguinte. Ainda bem que meu sexto sentido não falhou — o Vasco perdeu!
A noite foi tranquila, mas eis que, por volta das quatro da manhã, acordei contra a minha vontade. Tentei tirar a prova dos nove e concluí que estava realmente desperto. Fiquei pensando no que poderia ter acontecido, até que me lembrei do tal relógio biológico. Ele não falha!
Fico me perguntando o porquê da existência desse relógio biológico. Ele atrapalha quando você sai de férias, pois o corpo demora a se acostumar aos novos horários e não permite que você fique na cama até mais tarde. Mas o pior é que, quando as férias acabam e você precisa acordar cedo novamente, o “sujeito” resolve trabalhar contra você.
Fico imaginando como seria o mundo sem relógio biológico. Seria possível levantar à meia-noite, sentar-se à mesa e dizer: “Vou almoçar!” Mais tarde, por volta das duas da tarde: “Vou jantar.” O café da manhã poderia ser por volta das seis da noite. A sociedade seria totalmente diferente. Pensando bem, seria curioso — mas o único problema seria adaptar tudo isso à rotina do trabalho.
Nas primeiras horas do dia, resolvi organizar livros, apostilas e papéis soltos, já que preciso entregar o apartamento em dezembro e fazer uma verdadeira mágica para acomodar tudo em Cachoeiro. Essa é uma das tarefas mais difíceis, pois tenho o hábito de trabalhar em um ritmo muito próprio. Posso levar dias arrumando minha biblioteca, porque, a cada livro que encontro, paro, sento, folheio e leio algumas páginas. Trabalho em ritmo de férias — e, nesse caso, totalmente livre de ansiedade.
Ao cair da tarde, foi preciso fazer uma pausa para correr até o ensaio do Coral Viva Você, na capital, que foi maravilhoso. Depois do ensaio, só me restou voltar ao meu trabalho de embalador de mudança.
É isso por hoje... a vida segue!

Nenhum comentário:
Postar um comentário