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domingo, 2 de novembro de 2025


Diário de um passageiro de ônibus...

O dia amanheceu após uma noite não muito bem dormida, pois acho que meu organismo está se preparando para ficar trinta dias em outro ritmo.

Desci, como sempre faço, pisando com firmeza em cada um dos degraus, com minha inseparável mochila nas costas e, na minha mão dominante, uma sacola de lixo para deixar no local de descarte que fica entre dois prédios e ao lado da administração.

Assim que deixei aquele local, fui caminhando pela praça principal do condomínio, que agora estava em completo silêncio, após um sábado movimentado por conta da inauguração de um minimercadinho 24 horas. Foi uma grande festa — e até eu, que sou praticamente um hóspede na minha própria casa, pois chego apenas para dormir e saio pela manhã antes do sol nascer, parei na barraquinha de pipoca, fui servido por uma criança e festejei com o grupo.

Passei pelo contêiner, cheguei à portaria e cumprimentei a dupla de simpáticos porteiros que estavam à frente do prédio. Conversamos amenidades e segui para o ponto de ônibus. Lá encontrei um colega carioca e, por incrível que pareça, até aquele momento não falamos do Rio de Janeiro.

O coletivo chegou com um motorista mais animado, mas que ainda assim insistia em parar nos sinais vermelhos, mesmo em ruas sem movimento às cinco da manhã. (Não se esqueçam: eu gosto de aventura!)

A viagem seguiu tranquila até o momento em que passamos por um bar lotado de pessoas dançando despudoradamente, ocupando parte da avenida. Logo me lembrei da época em que morava na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro — era comum ver essa cena nas madrugadas de segunda-feira, quando eu me deslocava para o trabalho. Chegamos, enfim, ao terminal de Vila Velha.

O segundo trecho foi bem tranquilo e, como sempre, passar pela Terceira Ponte observando a Baía de Vitória é um espetáculo. Quero aproveitar as minhas férias para dar umas voltas de barco e olhar as cidades de outros ângulos. A única intercorrência foi uma senhora que entrou no aeroporto com praticamente uma mudança, o que atrasou a viagem e me fez perder o ônibus que me levaria até a Padaria Sansil.

Como diz o ditado: “não adianta chorar pelo leite derramado”. Sendo assim, vamos observar as pessoas. Sempre me sento em um dos bancos, mas dessa vez resolvi ficar no local da parada, pois a visão é melhor. A senhora da mudança estava sentada a pouco mais de quinze metros de onde eu estava. Confesso que temi a possibilidade de ela embarcar no mesmo coletivo, pois seria mais um atraso. Só então percebi que ela também transportava um gato e uma mochila que, só de olhar, já me deixava fatigado.

Enquanto isso, chegou um senhor que me fez uma pergunta que tentei entender, mas não consegui. Ele exclamava:
— Ai, minha perna!
Só depois de algum tempo percebi que ele queria saber se o ônibus ia para Jardim Carapina. Sanada a dúvida, pedi que ele se sentasse e esperasse o embarque. Ele se sentou e, pouco tempo depois, chegaram dois rapazes, cada um com um colar de fazer inveja aos MCs da vida — enormes, dourados e ostentando um medalhão. O pobre homem se assustou e ofereceu uns papéis que tinha no bolso, mas os rapazes recusaram e disseram que não eram assaltantes. Entraram no ônibus e foram embora.

Depois de muito esperar, chegou o meu coletivo. Entrei, sentei e fiquei aguardando o início da “viagem”. Chegou uma senhora de meia-idade, bateu na porta dianteira e perguntou:
— Motorista, esse ônibus passa na rua Teófilo Otoni?
— Não, senhora.
— É porque eu quero ir pra lá! Mas eu quero um ônibus que passe lá!
— Senhora, nenhum passa lá.
Ela respondeu:
— Vou sentar na frente, e o senhor me avisa quando chegar, certo?
Ela se encaminhou como se fosse entrar no ônibus, passou direto e se evadiu do terminal. Não entendi nada!

O terceiro e último trajeto foi bem tranquilo, e finalmente cheguei à Padaria Sansil — mas esse já é outro papo.

É isso por hoje... a vida que segue!

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