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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A invisibilidade nossa de cada dia…

No sábado anterior à semana do Natal, precisei ficar em casa fazendo uma faxina, bem no meu tempo, pois precisava devolver o apartamento. E, por incrível que pareça, não conversei com ninguém, nem mesmo com a minha mãe, pessoa com quem falo todos os dias por telefone.

No final do dia, fui ao supermercado e pensei em estender a minha experiência de ficar calado. Coloquei os fones de ouvido e, pacientemente, fechei a porta e desci as escadas com cuidado, pois, mesmo o condomínio tendo trocado as lâmpadas, enquanto não realizarem a manutenção adequada, elas continuarão queimando.

Fora do prédio e caminhando ao som da poesia de Gladir Cabral, cantada por João Alexandre, passei pela portaria e, como havia um grande movimento, consegui passar anonimamente, invisível. Atravessei a avenida e segui com o olhar fixo no horizonte, deixando que o meu corpo fizesse o trajeto, sem me importar com o movimento ao meu redor. Que coisa estranha!

Um casal de velhinhos caminhava na mesma direção que a minha; simplesmente passei por eles como se não existissem. Adiante, encontrei uma senhora de meia-idade andando com muita dificuldade, pois aparentemente apresentava uma contusão no tornozelo. Desviei o meu olhar para o outro lado e segui o meu caminho. Nunca me senti tão mal com tal experimento.

Entrei no supermercado como se invisível fosse, embora conhecesse grande parte dos funcionários que ali trabalham. Caminhei tranquilamente pelas prateleiras sem me deter ou conversar com qualquer pessoa, especialmente com algumas senhorinhas que adoram compartilhar conhecimento e com quem aprendi a comprar limão, melão, quiabo e, acreditem, a desidratar hortelã. Naquele dia, não estava disposto a receber qualquer lição!

Peguei os produtos e fui para um caixa totalmente estranho e, bem no automático, respondi que não queria o CPF na nota. Ensacolei minhas compras e segui o meu caminho por uma rota diferente, o que aumentava a sensação de ser invisível. Era uma estranha percepção de que o mundo girava ao meu redor diante da minha indiferença. Com certa dificuldade, atravessei a pista fora da faixa e retornei ao meu condomínio e à minha realidade.

Ao passar pela portaria, naquele momento, cumprimentei efusivamente os porteiros e, como sempre, conversamos, especialmente sobre futebol. Após a conversa, despedi-me com a frase que sempre uso: “até daqui a pouco”, pois sempre saio muito cedo de casa aos domingos, assim como nos outros dias. A paz retornou ao meu coração. Essa experiência de viver e tentar ser invisível me fez pensar em algumas questões bem sérias.

No final do dia, após meus experimentos, fiquei refletindo sobre como deve ser difícil a vida de pessoas que não têm teto e vagam pelas ruas das nossas cidades. São seres invisíveis, pois passamos por eles todos os dias e agimos como se não existissem. É muito comum encontrarmos pessoas em situação de rua que, ao pedir alguma coisa, demonstram agressividade, e a vontade que temos é agir de acordo com a terceira lei de Newton: toda ação tem uma reação. Esquecemos que elas são invisíveis e só são notadas quando se manifestam, às vezes de maneira agressiva, pois essa é a forma como acreditam que o mundo funciona.

Mas a invisibilidade não acontece apenas nos locais onde as pessoas vivem à margem da sociedade. Infelizmente, muitas vezes, nos órgãos públicos, dia após dia, vivemos a mesma situação. É comum que pessoas passem umas pelas outras no ambiente de trabalho como se não se conhecessem. Participam de reuniões em que discutem como realizar o trabalho com excelência e, no primeiro encontro nos corredores do setor, esquecem tudo o que foi aprendido no dia anterior.

Fico imaginando o que se passa na mente das pessoas quando se tornam invisíveis por conveniência e se sentem bem com isso. Tentei agir como muitos fazem no dia a dia, mas o sentimento que invadiu o meu coração foi de melancolia, pois entendo que a vida se torna muito triste quando se vive em um mundo que parece grande, mas acaba se tornando minúsculo.

Lembro-me da parábola contada por Jesus sobre um homem que descia de Jerusalém para Jericó e foi assaltado, sendo deixado quase morto. Um sacerdote passou pelo moribundo, mas estava ocupado demais com suas obrigações no templo e nada fez. Em seguida, veio um levita, que cuidava da música nas celebrações; passou de largo e seguiu seu caminho. Finalmente, veio um samaritano (povo desprezado pelos judeus), que parou, socorreu o ferido, levou-o a uma hospedaria, deixou algum dinheiro e seguiu seu caminho.

O que aprendemos com essa parábola contada por Jesus? O modus vivendi do sacerdote era: “o que é meu é só meu”. Vou viver a minha vida com todas as minhas conquistas e convicções sem enxergar o outro.

O levita, que cuidava dos utensílios do tabernáculo, do templo judeu e que hoje seriam os responsáveis pela música, também não agiu. Ninguém trabalha nessa área sozinho, mas, naquele momento, seu modus vivendi era: “o que é meu é meu, mas eu mostro para você”.

Finalmente, o samaritano, ao ver o homem quase morto, foi ao seu encontro com todo o altruísmo de uma alma piedosa. Cuidou do desconhecido, pois o seu modus vivendi era: “o que é meu é nosso e precisa ser compartilhado”.

No século XXI, neste terceiro milênio, vivemos a carência de pessoas que pratiquem o princípio de vida do bom samaritano, pois para ele não existiam pessoas invisíveis. Ele usou de misericórdia com um estranho que, historicamente, era inimigo do seu povo.

Tenho plena consciência de que não podemos ajudar todas as pessoas, mas certamente podemos começar enxergando os menos favorecidos da nossa vizinhança, os nossos colegas de trabalho, as pessoas que encontramos nos percursos do dia a dia e, especialmente, os nossos familiares, começando pela nossa casa.

Infelizmente, a invisibilidade foi a tônica de muitas relações ao longo do ano que se finda, mas ainda precisamos falar sobre esse assunto ao apagar das luzes de um tempo em que as relações estão cada vez mais impessoais.

Ainda que o nosso entorno esteja repleto de pessoas que insistem em tornar as outras invisíveis, precisamos quebrar esse ciclo, tornando o outro visível a partir das nossas ações.

É isso por hoje… é vida que segue!


 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025


Thelma, vem cear! O Mestre chama!

Thelma sempre levou a vida de maneira alegre e descontraída. Nossos encontros nunca foram desprovidos de alegria. Quando falo de alegria, preciso enfatizar que era festa, tal como aquela realizada em Domingos Martins.

No mês de outubro, conversamos longamente sobre o final do ano, que é sempre muito corrido para quem participa de coral, pois são muitos ensaios e, além disso, é sempre bom prestigiar os amigos que se apresentam. Como sempre, recebi um convite–intimação para prestigiar o Coro da Igreja Batista de Goiabeiras.

O tempo passou, e o nosso penúltimo encontro foi em novembro, no sepultamento de Maria Eleny Schaydegger, em Cachoeiro de Itapemirim. Apesar de ser um velório, aconteceu uma situação inusitada, como sempre, que nos fez rir bastante. No final da tarde, ela retornou a Vitória.

Três semanas se passaram, e o Coral Viva Você foi cantar na cidade serrana de Domingos Martins. Chegamos à cidade numa tarde chuvosa, e o Coral da MedSênior se apresentava. Para variar, resolvi gritar o nome de uma amiga que estava no palco. Enchi os pulmões e gritei: — Cristina!!! Para minha surpresa, Thelma estava na minha frente e gritou bem alto: — Sabia! Só podia ser você!!!

Fizemos uma grande festa, e alguns amigos do Viva Você conheceram minha amiga, que sempre foi a mais pura expressão da alegria. Foi um encontro memorável, e meus amigos ficaram brincando comigo, dizendo que eu poderia ser vereador, pois, como sempre, ela estava acompanhada de suas amigas inseparáveis. Pena que ela não ficou para assistir à apresentação do nosso coral, pois o grupo da terceira idade precisava retornar, já que estavam andando o dia inteiro. Foi o nosso último encontro, isso jamais se passou pela minha cabeça.

Dezembro continuou avançando em busca do Natal, e minha amiga, como sempre, fez seus planos para participar do musical do Coral da Igreja Batista de Goiabeiras, comunidade do seu coração. Mas quem pensa que ela apenas amava participar está totalmente enganado, pois ela também gostava de assistir a outras apresentações e tinha planos de ir à Igreja Batista Mata da Praia no dia de Natal. Deus, porém, tinha outros planos.

Na antevéspera do Natal, ela já havia feito os planos para a ceia de Natal e tinha tudo esquematizado para passar aquele momento com seu filho e amigo Ian e algumas amigas da igreja. Nós fazemos planos, mas a aprovação vem do Senhor.

Na manhã da véspera de Natal, levantou-se e fez, nas primeiras horas do dia, aquilo que eu sempre faço nos últimos momentos da noite do dia 24: enviou congratulações natalinas aos seus amigos. Recebi a minha exatamente às 8h17 daquela manhã. Ela pensava, como sempre, nos amigos, no filho, irmão, amigos  e na família. Entretanto, foi nas primeiras horas daquele dia, que ela ouviu: “Thelma, o Mestre te chama! Vem cear!”

A ceia de Natal seria a maior e a melhor que ela já havia participado em toda a sua vida. Foi um chamado rápido, inesperado, incompreendido, inacreditável, mas foi o chamado ao qual não há possibilidade de rejeição.

A ceia da minha querida amiga não mais será como a nossa. Nós a fazemos em homenagem ao nascimento de Cristo; ela a fará para sempre ao lado e na presença do Filho de Deus. Foi — e continua sendo — difícil entender como tudo aconteceu tão rápido. Estamos na condição de amigos, amigas, filho, irmão, sobrinho, cunhada, primos, primas e igreja. Sentiremos falta das gargalhadas, do amor à vida, do cuidado com o próximo e do amor profundo aos seus entes queridos.

Nosso consolo é que a alegria que nos fará falta por aqui será irradiante no céu, sem as amarras e limitações às quais o nosso frágil corpo está submetido. Sou grato a Deus pelo carinho e pela alegria que sempre recebi dessa querida amiga, que atendeu ao chamado do Mestre para cear para sempre com Ele.

Que o conforto divino alcance os corações dos familiares e de todos os amigos. Sérgio e Ian, recebam o carinho de minha família, e que Deus possa confortar os vossos corações. “Eu sei que o meu Redentor vive e que, por fim, se levantará sobre a terra. Depois que a minha pele for destruída, ainda assim, em minha carne verei a Deus. Eu o verei por mim mesmo; meus olhos o verão, e não outros.” Jó 19:25–27

Thelma, vem cear! E, como sempre, sendo boa filha, agora está ao lado do Mestre!

É isso por agora… porém as lembranças e as saudades permanecerão.

Em Cristo…

 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025


Freguesia no futebol… vai, Corinthians!

Passei quinze anos de minha vida na simpática cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Morei no bairro da Tijuca, na maravilhosa colina do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, encravado no final da Rua José Higino, 416.

A cidade do Rio é bela por natureza, e tive a oportunidade de morar em mais dois bairros além da Tijuca: Cacuia, na Ilha do Governador, e Anil, em Jacarepaguá. Gosto dos três, mas tenho um carinho todo especial pela Tijuca, pois foi onde tudo começou.

Minha passagem por Jacarepaguá foi muito rápida, menos de três meses, mas sempre que podia andava por lá e tive a oportunidade de conhecer o bairro Freguesia, que fica naquela região.

A palavra freguesia, segundo os estudiosos, nas terras lusitanas significa a menor divisão territorial de um município, equivalente a um distrito ou bairro. Eclesiasticamente, historicamente, significava uma paróquia ou área que ficava sob a responsabilidade de um pároco. Essa palavra ainda tem como significado um conjunto de pessoas que frequentam um estabelecimento ou serviço, tendo como sinônimo “clientela” ou “compradores”.

Freguesia, entretanto, tem um outro significado no futebol, pois quando um time perde para outro sucessivas vezes é chamado de freguês. No passado tivemos alguns fregueses famosos no Rio de Janeiro. O Botafogo, por exemplo, foi freguês do Vasco por vários anos. Isso foi no passado!

No dia 14 de janeiro de 2000, que caiu numa sexta-feira, naquela época eu morava em São José dos Campos e fazia um curso no Rio de Janeiro. Justamente no dia da minha viagem aconteceu a final do Primeiro Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, entre Vasco e Corinthians, no Maracanã. O resultado foi vitória do Timão!

Cheguei à Rodoviária Novo Rio por volta das 5h da manhã e recordo-me de ser obrigado a pedir licença aos torcedores para poder transitar pelos corredores da rodoviária. Tive um sentimento muito estranho. Os homens saíram de São Paulo, invadiram o Maracanã numa sexta-feira e venceram nos pênaltis.

Vinte cinco anos se passaram e, no início da noite de 21 de dezembro, quase no Natal, a história se repetiu, com o Maracanã lotado. Ainda bem que eu não estava lá, pois acho que ficaria extremamente decepcionado, como milhares de torcedores do Vasco que compraram ingresso e se prepararam para fazer uma grande festa — que aconteceu do outro lado, no bando de loucos.

Parabéns, corintianos de todo Brasil!

Para os vascaínos resta uma pergunta: o Vasco é freguês do Corinthians?

É isso por hoje, com o coração triste... é vida que segue!


sábado, 20 de dezembro de 2025

Dezembro…

… tempo dos muitos amigos ocultos e, por incrível que pareça, mês do Natal!
… tempo de lembranças de muitos que se foram, cujas memórias ficaram guardadas para sempre em nossos corações.
… tempo da explosão de festas, dos sorrisos dos encontros, das lágrimas das despedidas: momentos de chegadas e de partidas.
… tempo de alegria, de memórias dos dias de inocência, das alegrias do “Papai/Mamãe” Noel que encantavam as noites das crianças.
… tempo de correria para comprar os últimos ingredientes da ceia, na virada da noite de Natal.
… tempo dos famosos amigos “ocultos”, porém com nomes diferentes: amigo do álcool (essa é nova, e estou fora), amigo perfume, amiga das cores e amigo Havaianas.
… participei desse último e, quando tirei a pessoa que deveria presentear, meu coração transbordou de alegria.
… alegria por saber que essa pessoa (Gláucia) eu conheço desde o tempo em que trabalhei na SRE Vila Velha. É uma pessoa muito querida!
… mas, como a surpresa precisa ser completa, a pessoa que me tirou (Josi) é uma amada que também tenho como amiga. Fui duplamente abençoado.
… meu desejo é que, nesse tempo, além das festas, haja espaço para entendermos que o verdadeiro motivo do Natal é quando Jesus nasce em nossos corações — se possível, diariamente.
… que este seja um tempo de desejarmos mudanças em nossa sociedade, na família, no trabalho e em nossas amizades — não a partir dos outros, mas começando em cada um de nós.
… finalizo citando um poeta: “A começar em mim, quebra corações para que sejamos todos um, como Tu és em nós.”
… que o seu Natal seja repleto de vida, na sua vida e na vida dos outros!

É isso por hoje… é vida que segue!


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025


Vida de pobre é difícil...  

O dia foi quente, e a tarde começou alegre e cheia de expectativas. Colegas trocaram seus horários de trabalho para se concentrarem diante da TV. Afinal, era a grande decisão. Porém, com o passar do tempo, o ambiente foi ficando triste e, assim que o jogo terminou, a chuva caiu.

Parecia que o céu havia resolvido chorar a derrota daquele time na capital do Espírito Santo, juntamente com milhares de torcedores espalhados pelo Brasil.

A previsão do tempo era de alerta vermelho, então resolvi deixar o trabalho, pois o tempo prometia chuva pesada. Quem trabalha em Vitória, em Santa Lúcia, deve ficar atento na Praça Doutor Demócrito, não pode facilitar; e, se a pessoa mora em Vila Velha, o cuidado precisa ser redobrado.

No ponto do ônibus, espremidos num abrigo que, se você se sentar, fica todo molhado, e, se subir no banco, apenas os pés são atingidos pelas águas, que davam a impressão de que seriam torrenciais.

No mesmo local estava Yuri, colega de trabalho, que, aflito, examinava o aplicativo e, durante uns 30 (trinta) minutos, afirmava categoricamente que o ônibus viria em 5 (cinco) minutos. Foi chegando gente ao abrigo e, como não poderia deixar de ser, alguns torcedores daquele time derrotado no final da tarde, pelo horário de Brasília.

Como um bom amigo da onça, comecei a comentar com os rapazes sobre o jogo, como se o meu time tivesse perdido, e a conversa ganhou vida com frases bem preciosas: vida de pobre é muito difícil, pois, além de o time perder, ainda se toma chuva na cara e se chega em casa molhado e resfriado.

Vida de pobre me deixa revoltado, pois fico aqui torcendo para um time que me trouxe azar e, ainda por cima, essa chuva chata que está impedindo os ônibus de chegarem ao ponto, pois não vejo a hora de entrar na minha casa.

Enquanto a conversa entre o grupo acontecia, perguntei ao Yuri, que estava com o aplicativo aberto: — O coletivo está chegando? Ao que ele respondeu: — Chega em 5 (cinco) minutos.Todos rimos muito, pois já esperávamos havia mais de 30 minutos.

E a chuva, com vento, insistia em molhar todos que estavam debaixo do abrigo. No meu caso, aqui entre nós, só os pés, pois subi no assento desde o momento em que cheguei ao local, já que não queria abrir o meu guarda-chuva.

Quando tudo parecia se acalmar, outro disse: vida de pobre é difícil quando a pessoa é solteira; afinal, não é fácil chegar em casa sozinho. Mas, pensando bem, é melhor mandar na própria casa sozinho, pois não tenho coragem de colocar qualquer “moça” (não vou usar a palavra que ele disse) dentro da minha casa, já que tenho duas TVs, e uma delas é de 50 (cinquenta) polegadas.

Do meu lado estava um cidadão olhando para o tempo e, depois de uns 20 (vinte) minutos, me perguntou: — Aqui passa ônibus para Carapina?— Sim, passa!

Fiquei intrigado, pois, no tempo em que ele estava parado feito estátua no ponto, pelo menos uns dez coletivos que iam para onde ele desejava já haviam parado ali. Acho que ele ainda estava pensando na derrota daquele time!

Tentando não ser chato, perguntei mais uma vez:— Yuri, o coletivo está chegando?
E ele respondeu:— Em cinco minutos!

A rapaziada gargalhou, pois foram os cinco minutos mais longos das nossas vidas. Claro que a culpa foi do aplicativo.

Finalmente, o coletivo chegou e, depois da guerra para entrar no ônibus, consegui um cantinho para escrever esta crônica, esperando chegar debaixo de chuva pesada em Vila Velha. Para minha alegria, porém, nem uma gota de água havia caído em Coqueiral de Itaparica.

Discordo de parte da frase daqueles rapazes, pois acho que a vida é para quem sabe viver, como diz o poeta. Vida é para ser vivida de maneira divertida e o mais leve possível. Mas o momento daqueles jovens era diferente: estavam sob o efeito da derrota daquele time... fiquei até constrangido, mas não triste.

É isso por hoje... é a vida que segue!!!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025


Que diferença faz!

Comecei o dia, como sempre, animado para enfrentar mais uma jornada de trabalho que prometia ser para lá de animada... que diferença faz!

Levantei, tomei meu banho, dei uma olhada discreta no resultado do jogo entre o Timão e o Cruzeiro e fiquei admirado com a derrota da Raposa... que diferença faz!

Resolvi olhar da janela da sala para o estacionamento. Caía uma chuvinha marota, e imaginei que o dia seria chuvoso. Errei feio: o sol chegou escaldante e fatigante... que diferença faz!

Ao chegar no ponto de ônibus, surgiu a primeira dúvida: vou de 606 ou 610? Para resolver de uma vez por todas, escolhi o segundo — e a escolha foi acertada. Os dois chegaram atrasados, mas o meu veio à frente por alguns segundos. Pelas palavras nada elogiosas dirigidas ao motorista, não gostaria de estar no lugar dele... que diferença faz!

Na Lanchonete Caldo de Cana, a resenha começou mais triste, pois uma de nossas amigas perdeu sua mãe na segunda-feira e estava chorosa. Nós nos desdobramos para consolá-la... que diferença faz!

Minhas amigas da segunda rodada de papo chegaram. Duas moram em Vila Velha e a mais brava das três mora na Serra. São pessoas queridas e adoráveis... que diferença faz!

No trabalho, era preciso atender a uma demanda do Tribunal de Contas para fechar o ano e, depois de uma manhã de trabalho intenso, consegui fechar o relatório com a Dany, que é uma mistura de força, jovialidade e determinação envolta em bondade. Depois, o trabalho foi aprovado pela Bruna, líder de nossa equipe, e finalmente enviado ao setor demandante... que diferença faz!

Chegou o momento de voltar para casa e minha amiga Zezé me deu uma carona até a Praça do Papa, pois resolvi atravessar a Baía de Vitória de barca, incentivado pelas minhas amigas do café da manhã... que diferença faz!

Sentei-me na parte superior da embarcação, bem na janela, e fotografei de todos os ângulos tudo que tinha direito. Muito rapidamente chegamos à Prainha, em Vila Velha... que diferença faz!

Desci da barca e logo fui seduzido pelo brilho da ornamentação de Natal de Vila Velha. Está um espetáculo, com belos shows de luzes que encantam crianças e adultos — todos querendo guardar lembranças do Natal de 2025... que diferença faz!

Atravessei lentamente os corredores iluminados, passei pela Capela da Prainha, entrei no coletivo e, em menos de vinte minutos, já estava em casa... que diferença faz!

Ter amigos; viver uma vida intensa de serviço ao próximo; proferir palavras que toquem e edifiquem; usar de bondade com amigos, parentes e familiares; e nunca se esquecer de ser grato a Deus pelo dom da vida... que diferença faz!

É isso por hoje... que diferença faz!

É a vida que segue...

domingo, 23 de novembro de 2025

“Sim, Deus é por nós! Quem nos vencerá? Dar-nos-á o poder real...”
(Frase do Hino 454 do Cantor Cristão na Homenagem aos oitenta e oito anos de Dona Maria Gomes, nossa querida mãe.)

Sábado, vinte e dois de novembro, foi um dia histórico para nossa família, pois o fato aconteceu numa segunda-feira do ano de 1937, na Parada Ferroviária de Coronel Benjamin — um pequeno lugarejo que ficava entre Cachoeiro e Vargem Alta, pela estrada de ferro da antiga Leopoldina. Ela foi a terceira dos nove filhos e filhas de Hermenegildo e Nair Silva.

Normalmente, o tamanho das famílias naqueles anos era bem diferente dos dias de hoje e, à medida que os meninos e meninas cresciam correndo pelos campos, atravessando o rio pelas pinguelas e andando perigosamente pelas estradas de ferro, seu pai adoeceu e, depois de alguns dias, veio a falecer. Nessa época, Maria já era casada.

Os anos se passaram, e Maria Gomes, juntamente com seu esposo e seus dois filhos à época, fixou-se em Cachoeiro de Itapemirim, cidade conhecida como “capital secreta do mundo”. Eu, que vos escrevo, nasci na Parada de Coronel Benjamin — local próximo ao distrito de Vargem Alta, onde fui registrado e que, mais tarde, tornou-se município.

Os anos da nossa infância — dos meus irmãos e da minha — não foram muito fáceis, pois, naqueles dias, nossa mãe fazia tudo pelos filhos e lutava contra enfermidades, enquanto nosso pai trabalhava viajando pela Leopoldina entre Cachoeiro, a cidade de Campos, no Estado do Rio, e nossa capital, Vitória.

Com a chegada da adolescência, os problemas de saúde de minha mãe se avolumaram, mas ela prosseguiu firme na criação de seus quatro filhos. Foi então, na virada dos anos 70, que nossa mãe conheceu Jesus como Salvador e Senhor de sua vida. E foi nesse tempo que as coisas começaram a mudar.

Foi um verdadeiro milagre de Deus na vida dessa grande mulher. Sua saúde começou a melhorar à medida que ela se aprofundava na vida cristã, e novos ares passaram a soprar sobre sua existência. Aquela mulher frágil tornou-se forte e serviu em sua querida igreja por mais de 40 anos, no ministério conhecido como Mulheres Cristãs em Ação.

Maria aprendeu, desde o início de sua caminhada cristã, a servir — e isso ela fez por muitos anos: cuidando da família, especialmente de seu esposo, por aproximadamente vinte anos; visitando e ajudando vizinhos e irmãos; demonstrando amor ao próximo; levando sempre uma palavra de consolo e ânimo aos desesperançados.

O tempo passou. Vieram grandes vitórias e, no roteiro da vida, vieram também as perdas. Ela soube viver e atravessar, não sem sofrimentos, todos esses ciclos que, aos poucos, vão solapando as reservas de forças. Chega um momento em que, literalmente, nos resta viver pela fé — e isso minha mãe tem feito ao longo dos últimos anos.

Neste dia vinte e dois de novembro, tivemos a oportunidade de acompanhar Maria completando oitenta e oito anos de vida, reunindo a família que nos foi possível estar presente. Na semana do aniversário, ela pôde encontrar filhos, netos e conhecer sua bisneta Maria — o que lhe trouxe imensa alegria.

No velho e amado Cantor Cristão, temos o hino 454, que diz: “Temos por lutas passado, umas temíveis e cruéis; mas o Senhor tem livrado delas os seus servos fiéis...” Esse hino retrata bem a vida de nossa querida mãe ao longo de todos esses anos. Deus tem sido por ela, por nós — e quem nos vencerá?

Somos gratos a Deus por saber que, nesses oitenta e oito anos, os inúmeros bebês apresentados por ela no púlpito da Igreja do Aquidabã estão hoje espalhados pelo Brasil e até fora dele. Agora, ela é bisavó de crianças que assim a chamam — e confesso que isso enche e aquece meu coração ao ver o quanto Deus foi fiel com esta mulher.

Somos gratos a Deus, pois nossa mãe nunca deixou de observar e confiar nos infinitos planos do Senhor, que nortearam sua vida, alcançaram a vida do nosso saudoso pai e foram fundamentais na criação de seus seis filhos, netos, bisnetas, irmãos, irmãs, sobrinhos e amigos.

Somos gratos a Deus, pois Maria pertence a um grupo de mulheres da Igreja Batista do Aquidabã que não somente viveram, mas escreveram a história daquela agência de pregação do Reino de Deus. Rogamos para que continue realizando a missão dada por Jesus e recebida pelos nossos antepassados com alegria e dedicação ao trabalho.

Ontem foi dia de reconhecimento pela bondade do Senhor. Estamos no tempo de continuar pedindo que as misericórdias de Deus permaneçam sobre a vida de nossa mãe, de todos os nossos familiares e amigos.

É isso por hoje... É vida que segue!

 



domingo, 16 de novembro de 2025


Encontros e reencontros...

Foi um saboroso final de sábado no bairro Morada de Laranjeiras, no município da Serra, Espírito Santo. Depois de vários meses e promessas de visitas, finalmente conseguimos reunir uma parte da família.

Foi encontro de gerações e, para variar, muitas histórias vividas e relembradas com muito carinho. Não contamos com a presença do tio Francisco, pois ele estava viajando para socorrer outra parte da família. As famílias antigas são enormes...

Foi um tempo de relembrar histórias do menino que levava marmita ao ponto de ônibus, próximo ao Cine Broadway, para o tio Francisco pegar no coletivo que passava na Marbrasa...

Lembranças do tempo em que o menino, sempre miudinho, acordava cedo para ir à Santa Casa de Misericórdia fazer algum exame ou pegar alguma encomenda e, ao final, era presenteado com café e biscoitos Maria. Naquele tempo, comer biscoitos era coisa muito fina...

Foram momentos de rememorar os tempos de militância pelos ideais de classe como estudantes e professores, e das peripécias da juventude na igreja — mas sempre do lado dos menos favorecidos ou daqueles quase sem voz nenhuma...

Quem visita casa de músicos naturalmente não pode ficar sem música de altíssima qualidade — e, nesse caso, com a minha querida prima, cantora, compositora e exímia violonista, Flavinha, que na intimidade é chamada carinhosamente de Guingo...

O ambiente exalava uma conversa gostosa sobre o direito das mulheres de batizar, projetos saindo do forno, música nova rolando na sala e, ao fundo, o som do baixo “escapando” através dos acordes vindos do quarto, fruto dos retoques finais do primo Júnior para sua apresentação no show da noite. Isso é que é vida...

Depois de revisitar histórias do passado e do presente e fazer alguns registros fotográficos de zoeira com mamãe e tia Babá (para Fabiane), encerramos a visita — mas antes rolou um maravilhoso café com um bolo de banana dos sonhos, levado por tia Dulce e Pollyana. Confesso que ficou registrado na minha memória gustativa...

Ao final da visita, pastor que se preza termina com um momento de oração em família — e foi delicioso. São esses encontros que, particularmente, me fazem refletir sobre a importância da família num tempo em que as pessoas estão se afastando por motivos que merecem um outro texto.

É isso por hoje... é vida que segue!!!

domingo, 9 de novembro de 2025


Lições que tenho aprendido com a vida...

Nunca deixe de reconhecer tudo aquilo que as pessoas fizeram para que você chegasse um pouco mais longe na sua caminhada.

Nunca deixe de demonstrar gratidão pelas pequenas coisas que recebeu de alguém, pois isso revela carinho e afeto.

Nunca tome decisões sozinho sobre assuntos que envolvem toda uma comunidade; seja claro e transparente para evitar ruídos na comunicação.

Nunca se afaste das pessoas sem antes tentar resolver as tensões, pois a probabilidade é de que elas aumentem ao longo da caminhada — e, quando você reencontrar aquela pessoa, talvez já não seja mais possível curar as feridas que foram abertas.

Nunca deixe de dar ao outro a oportunidade de dizer o que pensa, pois esse pode ser o melhor caminho para que você também expresse o que passa em seu interior, e juntos encontrem soluções para problemas que pareciam insolúveis.

Nunca deixe de ajudar alguém apenas porque se desiludiu com as últimas pessoas com quem caminhou. Lembre-se sempre de que as pessoas são diferentes.

Nunca perca a sua essência por ter se decepcionado com a humanidade, pois mesmo em meio a uma multidão é possível encontrar alguém que volte para agradecer — tal como aquele único leproso que retornou para agradecer a Jesus, quando dez foram curados.

Nunca permita que a tristeza invada e tome conta do seu coração, ainda que o cenário ao redor pareça de ruínas. Não deixe morrer a esperança de que dias melhores virão. Um dia, todo o sofrimento será passado — aqui, ou quando você alcançar a liberdade plena de um corpo livre dos males que o aprisionam.

Nunca se esqueça: por mais solitária que pareça ser a sua luta, você nunca está sozinho. Aquele que guarda Israel apenas pede que levantemos os nossos olhos para os montes, pois de lá virá o nosso socorro.

Nunca se esqueça de que o nosso socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra, e que nunca dorme. Ele luta conosco as nossas batalhas e nos ajuda a compreender aquelas em que só precisamos descansar — pois o resto Ele fará, e tudo o que Ele faz é bom.

Não podemos esquecer as palavras do Salmo 91:1-2: “Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.”

Diante de tão poderosa Palavra, só nos resta buscar o descanso reparador de que nossas almas tanto precisam.

É isso por hoje... é vida que segue!

 

terça-feira, 4 de novembro de 2025


Férias, pra que te quero!

Sair de férias é sempre bom, especialmente quando o ano de trabalho foi corrido, cheio de desafios e, em alguns momentos, assustador — afinal, ter uma síncope em plena manhã diante dos seus colegas, confesso, não foi nada agradável. 

Depois de uma espera de doze meses, finalmente chegou o fim de semana que antecedeu o primeiro dia de férias. Cheguei da igreja no domingo à tarde, sentei no sofá, acomodei os pés sobre uma superfície macia e fiquei na posição de quem vai tirar um cochilo ali mesmo, até cansar — e só então ir para a cama. Assim fiz. Por volta das dez da noite, segui para o quarto com a intenção de acordar por volta das nove da manhã.

Naquele domingo aconteceu o jogo do Vasco contra o São Paulo e, por algum pressentimento nada agradável, resolvi não assistir. Fiz o que normalmente faço: dormi e deixei pra saber o resultado no dia seguinte. Ainda bem que meu sexto sentido não falhou — o Vasco perdeu!

A noite foi tranquila, mas eis que, por volta das quatro da manhã, acordei contra a minha vontade. Tentei tirar a prova dos nove e concluí que estava realmente desperto. Fiquei pensando no que poderia ter acontecido, até que me lembrei do tal relógio biológico. Ele não falha!

Fico me perguntando o porquê da existência desse relógio biológico. Ele atrapalha quando você sai de férias, pois o corpo demora a se acostumar aos novos horários e não permite que você fique na cama até mais tarde. Mas o pior é que, quando as férias acabam e você precisa acordar cedo novamente, o “sujeito” resolve trabalhar contra você.

Fico imaginando como seria o mundo sem relógio biológico. Seria possível levantar à meia-noite, sentar-se à mesa e dizer: “Vou almoçar!” Mais tarde, por volta das duas da tarde: “Vou jantar.” O café da manhã poderia ser por volta das seis da noite. A sociedade seria totalmente diferente. Pensando bem, seria curioso — mas o único problema seria adaptar tudo isso à rotina do trabalho.

Nas primeiras horas do dia, resolvi organizar livros, apostilas e papéis soltos, já que preciso entregar o apartamento em dezembro e fazer uma verdadeira mágica para acomodar tudo em Cachoeiro. Essa é uma das tarefas mais difíceis, pois tenho o hábito de trabalhar em um ritmo muito próprio. Posso levar dias arrumando minha biblioteca, porque, a cada livro que encontro, paro, sento, folheio e leio algumas páginas. Trabalho em ritmo de férias — e, nesse caso, totalmente livre de ansiedade.

Ao cair da tarde, foi preciso fazer uma pausa para correr até o ensaio do Coral Viva Você, na capital, que foi maravilhoso. Depois do ensaio, só me restou voltar ao meu trabalho de embalador de mudança.

É isso por hoje... a vida segue!


domingo, 2 de novembro de 2025


Diário de um passageiro de ônibus...

O dia amanheceu após uma noite não muito bem dormida, pois acho que meu organismo está se preparando para ficar trinta dias em outro ritmo.

Desci, como sempre faço, pisando com firmeza em cada um dos degraus, com minha inseparável mochila nas costas e, na minha mão dominante, uma sacola de lixo para deixar no local de descarte que fica entre dois prédios e ao lado da administração.

Assim que deixei aquele local, fui caminhando pela praça principal do condomínio, que agora estava em completo silêncio, após um sábado movimentado por conta da inauguração de um minimercadinho 24 horas. Foi uma grande festa — e até eu, que sou praticamente um hóspede na minha própria casa, pois chego apenas para dormir e saio pela manhã antes do sol nascer, parei na barraquinha de pipoca, fui servido por uma criança e festejei com o grupo.

Passei pelo contêiner, cheguei à portaria e cumprimentei a dupla de simpáticos porteiros que estavam à frente do prédio. Conversamos amenidades e segui para o ponto de ônibus. Lá encontrei um colega carioca e, por incrível que pareça, até aquele momento não falamos do Rio de Janeiro.

O coletivo chegou com um motorista mais animado, mas que ainda assim insistia em parar nos sinais vermelhos, mesmo em ruas sem movimento às cinco da manhã. (Não se esqueçam: eu gosto de aventura!)

A viagem seguiu tranquila até o momento em que passamos por um bar lotado de pessoas dançando despudoradamente, ocupando parte da avenida. Logo me lembrei da época em que morava na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro — era comum ver essa cena nas madrugadas de segunda-feira, quando eu me deslocava para o trabalho. Chegamos, enfim, ao terminal de Vila Velha.

O segundo trecho foi bem tranquilo e, como sempre, passar pela Terceira Ponte observando a Baía de Vitória é um espetáculo. Quero aproveitar as minhas férias para dar umas voltas de barco e olhar as cidades de outros ângulos. A única intercorrência foi uma senhora que entrou no aeroporto com praticamente uma mudança, o que atrasou a viagem e me fez perder o ônibus que me levaria até a Padaria Sansil.

Como diz o ditado: “não adianta chorar pelo leite derramado”. Sendo assim, vamos observar as pessoas. Sempre me sento em um dos bancos, mas dessa vez resolvi ficar no local da parada, pois a visão é melhor. A senhora da mudança estava sentada a pouco mais de quinze metros de onde eu estava. Confesso que temi a possibilidade de ela embarcar no mesmo coletivo, pois seria mais um atraso. Só então percebi que ela também transportava um gato e uma mochila que, só de olhar, já me deixava fatigado.

Enquanto isso, chegou um senhor que me fez uma pergunta que tentei entender, mas não consegui. Ele exclamava:
— Ai, minha perna!
Só depois de algum tempo percebi que ele queria saber se o ônibus ia para Jardim Carapina. Sanada a dúvida, pedi que ele se sentasse e esperasse o embarque. Ele se sentou e, pouco tempo depois, chegaram dois rapazes, cada um com um colar de fazer inveja aos MCs da vida — enormes, dourados e ostentando um medalhão. O pobre homem se assustou e ofereceu uns papéis que tinha no bolso, mas os rapazes recusaram e disseram que não eram assaltantes. Entraram no ônibus e foram embora.

Depois de muito esperar, chegou o meu coletivo. Entrei, sentei e fiquei aguardando o início da “viagem”. Chegou uma senhora de meia-idade, bateu na porta dianteira e perguntou:
— Motorista, esse ônibus passa na rua Teófilo Otoni?
— Não, senhora.
— É porque eu quero ir pra lá! Mas eu quero um ônibus que passe lá!
— Senhora, nenhum passa lá.
Ela respondeu:
— Vou sentar na frente, e o senhor me avisa quando chegar, certo?
Ela se encaminhou como se fosse entrar no ônibus, passou direto e se evadiu do terminal. Não entendi nada!

O terceiro e último trajeto foi bem tranquilo, e finalmente cheguei à Padaria Sansil — mas esse já é outro papo.

É isso por hoje... a vida que segue!

sábado, 1 de novembro de 2025


O Dia de Muitos Mortos-Vivos

O dia 2 de novembro foi escolhido para homenagearmos nossos mortos. Por todo o Brasil, acontecem verdadeiras peregrinações aos cemitérios, e nesses locais podemos presenciar desde a serenidade cheia de saudade até o desespero de pessoas tomadas pelo arrependimento por atitudes que não tiveram em vida com seus entes queridos.

Algumas dores são recentes — de esposas que perderam seus maridos após longos anos de convivência. Outras são de maridos que não conseguem se reencontrar, pelo fato de terem passado toda uma vida ao lado de quem partiu, sem ao menos poder se despedir. São dores de saudade pela ausência do cônjuge.

Nesse dia também há a dor dos filhos que perderam seus pais e que precisam corrigir a rota da caminhada — o que nem sempre é fácil. A sensação de que a família está se desintegrando com a partida dos nossos pais é um sentimento de difícil expressão.

Mas existe uma dor ainda mais profunda: a dos pais que perderam seus filhos queridos. Não fui pai, mas já vivi de perto a dor deles ao sepultarem seus filhos. É um tipo de dor que nunca passa, e que fica ainda mais evidente quando todos se reúnem para homenagear seus filhos falecidos. Não importa a forma como morreram — são e sempre serão filhos. Como já disseram: “Em tempos de paz, os filhos sepultam os pais; em tempos de guerra, os pais sepultam os filhos.”

Todos nós temos lembranças neste dia. Mesmo que não vamos ao cemitério, nossas memórias permanecem vivas — e, muitas vezes, cruéis. Elas estão lá para nos fazer reviver momentos que se tornaram eternos. Que tipo de recordações suas memórias trazem ao seu coração?

Quando penso nesse dia, vem-me à mente a ideia dos “mortos-vivos”. Naturalmente, o leitor pode pensar que me refiro aos filmes dos anos oitenta, como A Volta dos Mortos-Vivos, ou à série The Walking Dead, mas essa não é minha intenção.

Falo dos entes queridos que se foram, mas continuam vivos dentro das nossas lembranças, aquecendo nossos corações.

Foram pais que marcaram nossas vidas de maneira profunda, procurando nos dar o melhor que possuíam na formação do nosso caráter — como homens e mulheres que sonham em viver num mundo melhor.

Foram filhos que, por mais ou menos tempo que tenham vivido, deixaram marcas inesquecíveis na vida de seus pais. Suas histórias jamais serão esquecidas. Lembrar com carinho e gratidão torna a alma mais leve.

Hoje lembramos dos mortos que já se foram, mas também de muitos vivos que, infelizmente, já estão mortos. São pais esquecidos há muito tempo — antes nos asilos, agora dentro de suas próprias casas, abandonados em quartos e tratados como desconhecidos.

Lembramos também das crianças que, ainda na mais tenra idade, foram abandonadas pelos pais em troca de noitadas, baladas e bebidas. Outras crescem soltas, sem nenhuma supervisão de adultos — crianças “mortas-vivas” na consciência de pais irresponsáveis.

Lembramos dos mortos em sangrentos combates — sejam policiais, sejam bandidos — e das famílias que ainda se encontram enlutadas, pois perderam pais, filhos, irmãos, parentes. Todos sofrem a mesma dor e a mesma revolta, enquanto o povo, distante dessas realidades, muitas vezes alimenta ainda mais o ódio nos corações daqueles que necessitam de consolo.

Hoje precisamos nos lembrar de quem nos marcou com sua maneira simples de viver, e que é lembrado com carinho e saudade.

Chore o quanto for preciso pelos que se foram e apertam o seu coração, mas lembre-se: há muitos vivos que também desejam ser marcados pela sua vida — para que, um dia, você e eu sejamos lembrados com saudade.

Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem aflição, nem choro, nem dor, pois as coisas antigas já passaram. Aquele que estava assentado no trono disse: ― Vejam, eu farei novas todas as coisas! Apocalipse 21: 4 e 5.

Que Deus possa confortar nossos corações neste dia. 

É isso por hoje. Com muito carinho... é vida que segue!




domingo, 26 de outubro de 2025


















Diário de um passageiro de ônibus...                   

Hoje, 26 de outubro o dia amanheceu claro e se aprendi os segredos dos antigos, não deve chover nas primeiras horas da manhã. Normalmente, falho nas minhas previsões. 

O primeiro terço da viagem está tranquilo, mas ainda estou ofegante pela corrida que dei até a minha casa por ter esquecido os meus óculos e sem eles não poderia ler e muito menos escrever esse texto. 

Estamos chegando no terminal e a nossa conversa continuará no segundo terço de nossa viagem. Nesse primeiro o motorista é bem lento... gosto daqueles que fazem as curvas como se estivessem pilotando uma moto.

Acabei de entrar no segundo coletivo, sentei-me no acento perto do cobrador e o motorista me chamou para sentar na primeira parte do coletivo para ajudá-lo a chegar no aeroporto. Pensei qualquer coisa nesse domingo, menos ser copiloto de coletivo. Trânsito bom, às 05h da madrugada. Terceira ponte,  totalmente liberada. O dia promete!

Chegamos em Vitória e a cidade dorme em profundo silêncio nos braços de Morfeu. Avistamos alguns jovens voltando das baladas e pelo ânimo da galera, poderiam enfrentar mais uma noite sem dormir um minuto sequer. A juventude tem essa vantagem.

Alcançamos a famosa Reta da Penha que é assim conhecida pois quando você desce de Serra à Vitória é possível contemplar o Convento da Penha em Vila Velha que é um belíssimo cartão postal daquela magnífica cidade. Até o momento, nenhuma intercorrência. O sol está ameaçando a surgir esplendoroso.

Estamos no aeroporto! Quem disse que o ditado de cego guiar cego é verdadeiro? Fui feliz na condução do motorista até o aeroporto e confesso que me sinto tentado dá próxima vez  pedir para dirigir o coletivo.

Passar pela  praia de Camburi é sempre um espetáculo. E o calçadão está uma delícia para caminhar e se não fosse a minha sala da EBD, desceria e ousaria pisar nas areias molhadas de águas que me parecem geladas que sempre é uma sensação é indescritível. Passamos pelo bairro de Fátima e nos despedimos de Vitória, chegando em Serra. Deu tudo certo, graças a Deus.

Como o dia está bonito, resolvi fazer o caminho inverso nesse terceiro e último trecho da viagem. Embarquei no coletivo que percorre por todo bairro antes de chegar na padaria onde tomarei o meu café, afinal preciso conhecer bem o local onde meus alunos e alunas moram. 

Passamos por um pequeno trecho da BR 101, e com a mesma rapidez que chegamos passamos pelo bairro André Carloni. Seguimos pela rodovia do contorno como se fossemos para Cariacica, mas em menos de 2 km, submergirmos no viaduto e retornamos no sentido Serra e menos de 1km e entramos em no bairro Jardim Carapina. 

Nesse trecho da viagem, muitas pessoas usam o coletivo para irem ao trabalho e outras numa quantidade bem maior no dia de domingo se dirigem às igrejas. 

Após percorrer uma boa parte do bairro, finalmente cheguei na avenida paralela da Sansil Padaria. Desci e caminhei dois quarteirões e sentei para tomar um saboroso café. Como o diário não é de uma padaria, tratarei dessas curiosidades em outro momento.

Ah, sim! Como sou um péssimo previsor do tempo... acredito que a chuva não tardará a chegar ainda nessa manhã.

É isso por hoje... é vida que segue!

 


quarta-feira, 11 de junho de 2025


 A loucura de um amor que é louco por você...
(Pensamento livre sobre o dia dos namorados)
Crônica de quem não tem o que fazer e nem para quem escrever no dia dos namorados, mas é feliz por saber que muitos estarão comemorando esse dia.

Sou louco por você...

Pois todas as vezes que penso no seu sorriso, não tenho como esquecê-lo!

Sou louco por você...

Pois todas vezes que sinto o seu perfume em outra pessoa, não consigo parar de procurar por você!

Sou louco por você...

Pois todos os momentos que penso em conversar bobagens, não consigo me imaginar conversando com alguém que não seja você!

Sou louco por você...

Pois tento encontrar o seu sorriso em outras bocas, mas isso é impossível, pois ele só é possível nos seus lábios.

Sou louco por você...

Pois todos os dias quando estou tentando entrar para caixa do nada, você entra com toda força nos meus pensamentos e coração! 

Sou louco por você...

Pois, ao olhar para o mar para contemplar a força da natureza, você irrompe o meu ser e me brinca com a minha existência, como se eu fosse um graveto movido pelos simples movimentos das águas!

Sou louco por você...

Pois todas as vezes que atendo ao telefone do nada me vem suas frases preferidas e, por um momento, preciso me recompor para não citar o seu nome com pessoas estranhas!

Sou louco por você...

Pois a cada pôr do sol durante o inverno, quando os dias são mais longos, fico na esperança de ir até a praia para lhe encontrar, brincar, rir, te abraçar, te amar!

Sou louco por você...

Pois a cada vez que passo pelos lugares onde trocamos juras de amor eterno, me lembro das palavras do poeta que dizia que o amor é eterno enquanto dura, mas acaba!

Sou louco por você...

Pois quando penso nos nossos passeios noturnos e sempre que olhava o brilho dos seus olhos que refletiam as luzes do painel do seu carro era como contemplar um céu repleto de estrelas!  

Sou louco por você...

Pois todas as vezes que viajo de ônibus interestadual, preciso ter cuidado para não confundir a pessoa que está do meu lado com você de tanta falta que você me faz! 

Sou louco por você...

Pois mesmo sabendo que a distância me diz que você não virá e nem mesmo pensa em mim, jamais deixo de continuar imaginando que em algum momento você voltará!

Sou louco por você...

Pois quando penso na magia do seu olhar, me sinto incomodado, pois ela ainda consegue desconcertar e perturbar os meus pensamentos!

Sou louco por você...

Pois eu sei que, todas as vezes que penso no carinho e cuidado como nos tratávamos, parece que jamais viverei esses momentos com outra pessoa!

Sou louco por você...

Pois sempre que entro na lanchonete em que fazíamos nossos lanches, já me peguei pedindo o meu e o seu, e só depois entendi que você já não mais estava comigo!

Sou louco por você...

Pois sempre que procuro as covinhas de sua bochecha, sinais do seu belo sorriso, encontro gente com rostos fechados, como se as pessoas não fossem gratas pela vida que receberam.

Sou louco por você...

Pois sei que vou continuar vivendo, sorrindo e aproveitando a vida, pois sou cercado de pessoas queridas!

Sou louco por você...

Pois aprendi a valorizar os dias, meses e anos que passei contigo, pois esses dias contigo me deixaram lições preciosas que o tempo não pode apagar! 

Sou louco por você...

Pois sei que, mesmo que todos os acontecimentos da vida conspirem contra a loucura desse amor, sigo acreditando nele, mesmo que este insista em não acontecer em muitas vidas.

Sou louco por você...

Pois sei que preciso continuar na jornada da vida, esperando que dias melhores virão e oxalá o amor acontecerá e então o comemoraremos para sempre enquanto ele durar no dia dos namorados.

Feliz Dia dos Namorados!