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sábado, 19 de setembro de 2026

SEJA BEM-VINDA, TERCEIRA IDADE!

​O tempo para alguns é impiedoso, pois, à medida que vai passando, ele vem trazendo marcas por todo o nosso corpo, e algumas são bem visíveis na nossa aparência. Nuns mais, noutros menos!

Sou exatamente tudo aquilo que vivi durante toda a minha vida e as marcas do meu corpo não me deixam mentir — mesmo porque, se eu tentasse, as pessoas ao meu redor não me deixariam esquecer tal fato. Sempre rola no trabalho a história de "os velhinhos da equipe" e, pasmem, "os avós". Que absurdo!

​Há alguns anos, assim que me mudei para o Rio de Janeiro, saía da minha casa em Cachoeiro com duas bolsas — uma com roupas e outra com bolos preparados pela minha mãe — e corria até a rodoviária da Capital Secreta do Mundo em pouco menos de quinze minutos. Foi-se esse tempo!

​Era muito comum encarar seis ou sete horas de viagem e trabalhar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. À noite, ainda apresentava atividades no curso de pedagogia e depois encarava um engarrafamento até a Ilha do Governador, pois, na construção da Linha Vermelha, o serviço mais pesado era noturno e muitas vezes chegava em casa de madrugada. Foi-se esse tempo!

​Quando viajava nos ônibus urbanos, além de ser fácil deslizar entre os passageiros, cedia o meu lugar às pessoas mais velhas e ficava feliz quando recebia o elogio: "— Que rapaz educado!". Foi-se esse tempo!

​No futebol, nunca gostei de perder e, quando isso acontecia, vendia a derrota muito caro — e algumas vezes com apelação, muita reclamação e algumas caneladas. Foi-se esse tempo!

​Hoje, quando entro nos ônibus urbanos, é muito comum ouvir de jovens voltando da escola: "— Senta aqui, tio!". Na primeira vez fiquei chocado, mas olhei para os meus cabelos brancos e me acostumei com a ideia.

​Outro dia, tentei fazer o caminho inverso da rodoviária de Cachoeiro até a minha casa com uma bolsa pequena de viagem, com umas "três mudas" de roupas, mas o resultado foi quase trágico. Ainda bem que parei na casa de uns amigos para conversar e ganhar fôlego até chegar em casa.

​Quanto às minhas viagens mais longas de ônibus interestaduais, elas sempre são cuidadosamente calculadas para chegar num dia, descansar e trabalhar na manhã seguinte. Claro que estou falando de uma viagem de, no máximo, 14 horas. O descanso deixou de ser facultativo e passou a ser obrigatório. Rsrs!

​Hoje, futebol é somente pela televisão, apesar dos insistentes convites dos amigos das resenhas do almoço da Sedu; o corpo pede um livro, um bom filme e, por que não, uma boa conversa. Futebol, só pela TV.

Mas, neste sábado, no início da manhã, entrei no coletivo em Vila Velha para participar de uma apresentação musical em Vitória e estava em pé, absorto em meus pensamentos, quando um vascaíno me chamou e disse: "— Sente-se aqui, senhor!". Fiquei com a impressão de que agora posso cantar a música do Erasmo Carlos: "— Ei, mãe, não sou mais menino". Foi a última gota d'água que faltava: seja bem-vinda, terceira idade!

​É  por hoje... É a vida que segue!