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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026


Um encontro não tão casual...

O dia seria uma terça-feira como muitas outras, mas com uma diferença, pois hoje é o último dia do carnaval no Brasil.

Prometera à minha mãe que a levaria com a minha irmã Sueli a Marataízes, à casa da minha outra irmã, Leonora. Tudo pronto e saída marcada para as 08h da manhã; saímos às 09h30, e está tudo certo. É feriado!!!

Foi uma viagem bem tranquila e, assim que chegamos às imediações da Lagoa Funda, nos dirigimos à casa, que fica exatamente a cinco minutos da praia.

Tudo pronto para descer para o mar: os apetrechos foram colocados no porta-malas e prontamente fui de carro levar o meu tesouro mais precioso de 88 anos, minha querida mãe, Dona Maria. Foi só assim que percebi que o sol das 12h é escaldante!

Chegar à praia envolve escolher um bom espaço e montar a sombrinha, mas é preciso ver para que lado o vento está soprando para não carregar os equipamentos (saco térmico, cadeiras, cangas, toalhas etc.) e, apesar de todo o trabalho, ficou tudo resolvido.

Sentei-me, peguei o livro da vez e continuei a ler e a folheá-lo quando percebi que havia chegado uma nova mensagem no meu smartphone. Na verdade, nem sei como consegui ouvi-la, pois o vento forte e o barulho das ondas não foram suficientes para abafar uma mensagem que vinha do coração.

A impressão que tive é que você deve ter me ouvido falar de sua pessoa várias vezes nesta semana. Externei, com muito carinho e gratidão a Deus, a minha felicidade pela sua existência. Claro que minha mãe sempre me diz: “Roberto tem uma facilidade de gostar de todo mundo.” Em parte, ela tem razão, mas você é especial.

A conversa fluiu como deveria e, após uma troca intensa de mensagens — às vezes escritas, outras gravadas pelo WhatsApp —, concluímos com a sensação de que, nos últimos anos, tenha sido um dos nossos mais belos diálogos.

Sempre admirei seu jeito sensato de ser: ideias claras, posições definidas e bem equilibradas, firme nas suas decisões e, definitivamente, uma mulher abençoada por Deus.

Você que lê neste momento deve estar com o pensamento nas nuvens, tentando descobrir que conversa foi essa. Mas, se queres um conselho de amigo, eleve sua imaginação até as estrelas, pois, enquanto isso, vou cuidando da minha joia preciosa aqui na terra.

Deixe de ser uma pessoa curiosa e continue lendo-me, que em breve trarei mais notícias...

É isso por hoje... é vida que segue!!!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

I Shot the Sheriff, a música que assusta!

Como sempre, saí de casa bem cedo e entrei num ônibus espaçoso, mas com pouquíssimo espaço entre as pessoas, pois muita gente teve a mesma ideia de ir para o trabalho às 05h da manhã — madrugada para alguns. Gente estranha!

Passear de carro é muito bom, mas andar de coletivo é sempre uma caixinha de surpresas. Pela manhã, normalmente, muitas pessoas mantêm a fisionomia fechada, e algumas parecem estar com raiva por terem que acordar cedo. Confesso que, para não fugir das minhas esquisitices, sou do tipo que gosta de acordar cedo e não tenho problema algum em cumprimentar as pessoas, sempre com bom humor e um sorriso. Nem sempre sou correspondido, mas, como bom brasileiro, não desisto nunca.

Desci da primeira condução no final da Rodovia das Paneleiras, que é paralela ao Aeroporto de Vitória, bem diante de um supermercado que tem nome de santo e evoca o pai terreno de Jesus. Daquele ponto em diante, seguindo em direção ao norte do Estado, tem início a Avenida Mestre Álvaro, que é a BR-101, que atravessa todo o Estado do Espírito Santo.

Descer naquele local é sempre uma grande aventura, pois é um grande encontro de veículos que vêm da Rodovia do Contorno, de Cariacica e da Serra. Na direção de quem desce para Vitória, está o Vitória Apart Hospital e um grande hotel que fica próximo ao Viaduto Profa. Sandra de Assis Malani. Porém, pela largura das duas pistas, o local bem que merecia uma passarela, pois isso evitaria que as pessoas arriscassem perder suas vidas em uma travessia tão perigosa.

Depois de atravessar a avenida e, agora seguro no ponto de ônibus, visualizei uma mulher que parece ser descendente de asiáticos e sempre embarca naquele local. É uma senhorinha bem vaidosa e, todos os dias, religiosamente, passa protetor solar e, parece-me, usa brilho nos lábios. Dias desses, por acaso, trocamos duas ou três palavras quando o nosso coletivo nos ignorou e passou direto.

Após subir no ônibus, bem geladinho, por volta das 05h20 da manhã, fiquei em pé para compensar as horas que passo sentado durante o dia, e meus pensamentos divagaram. De repente, me vi nos anos 70, murmurando um reggae escrito por Bob Marley em 1973, mas que ficou famoso com a gravação de Eric Clapton, em 1974, chamado I Shot the Sheriff (Eu Atirei no Xerife).

Num passado longínquo, fui baterista na Igreja Batista do Aquidabã, em Cachoeiro, e tocava no Conjunto e Grupo Emanoel. O primeiro era um grupo misto, e o segundo, apenas de rapazes. Como sou movido ao som da percussão, se uma música vem à minha cabeça, sinto o pulsar do ritmo no meu corpo e, por vezes, pego-me murmurando ou reproduzindo sons com leves gestos e expressões corporais.

Permaneci em pé, próximo à porta do meio do coletivo, pensando no reggae e me sentindo um Eric Clapton, pois o toque daquela guitarra é mágico e a bateria é sensacional — tudo isso enquanto observava a paisagem. A música tem o poder de nos levar a lugares que marcaram nossas vidas e a momentos inesquecíveis em nossas memórias afetivas.

Havia uma senhora que assistia a alguns vídeos no celular enquanto o ônibus prosseguia em seu itinerário, e eu viajava em meus pensamentos e movimentos praticamente involuntários, ao ritmo da música presente em meu ser, quando percebi que, de repente, a senhora pareceu tomar um susto. Ela me olhou com cara de poucos amigos, guardou o telefone na bolsa e fechou o semblante. Aquele movimento me trouxe de volta à realidade.

No início, fiquei sem entender, mas, depois de alguns segundos, cheguei a algumas conclusões: acredito que ela achou que eu estava bisbilhotando os vídeos que ela assistia; ou talvez tenha pensado que eu fosse um maluco tentando cantar uma música em “inglês de caminhão”, e ela entendeu a letra e imaginou que eu atiraria em alguém; ou pode ser que tenha ficado com medo, porque ela estava de costas para a porta, e ali seria um local fácil para pegar o aparelho e descer correndo.

São três prováveis hipóteses que surgiram após a lembrança de uma canção, e logo pensei: I Shot the Sheriff, a música que assusta. Claro que, das três possibilidades, fico com a segunda, pois sei que, quando me empolgo com certas canções, primeiro penso como Milton Nascimento: como não fui eu quem as fez, normalmente as canto sem nenhum tipo de constrangimento — mas toda empolgação em excesso sempre tem um preço a pagar.

Prosseguimos a viagem e logo cheguei ao ponto onde desceria. Observei que a mulher me pareceu mais relaxada. Fora do coletivo, aproveitei para respirar o ar puro da manhã e cantei mais alto, sem me preocupar com o volume nem mesmo com as pessoas que me observavam... I Shot the Sheriff (Eu Atirei no Xerife). Mas calma, não atirei e nunca atiraria em ninguém, pois, inclusive, sou contra o porte de armas. Pessoas armadas se tornam valentes, perigosas e, normalmente, inconsequentes.

É isso por hoje... é vida que segue!


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Um homem com uma Bíblia na mão

Nesse domingo de carnaval, no primeiro grande e esperado feriado de 2026, antes de o país começar a funcionar de verdade para muita gente, o dia amanheceu com um sol bem escaldante, bom para quem gosta de praia.

Saí de casa não tão cedo como de costume, embarquei num coletivo que me levou até uma determinada altura do bairro Carapina e entrei em outro ônibus até o Terminal de Laranjeiras, que, naquele momento, estava vazio. Mas, à medida que o dia avançava, o povo da praia foi chegando, e muitos foliões voltavam da noitada.

Sentei-me com meu livro do dia, absorto na leitura, fato que me fez desligar dos acontecimentos ao meu redor, até o momento em que um senhor desceu do ônibus, trajando um terno preto, sapatos de cor bege, camisa azul-clara e ostentando uma grande barba que, por sinal, estava bem aparada.

Naquele instante, desviei meu olhar para aquele senhor, que estava muito bem trajado para aquele momento do dia. O homem se posicionou num local estratégico, e fiquei esperando que ele proferisse o seu sermão. Gosto de ouvir pregadores em espaços abertos, pois muitos deles normalmente têm abordagens diferentes das tradicionais.

O volume de pessoas e foliões foi aumentando, e o povo passava ainda mais apressadamente. Minha expectativa aumentava com a possibilidade de ouvi-lo. O tempo foi passando, e a pregação não acontecia, mas ele estava firme, balbuciando palavras que eu não conseguia entender ou ouvir, pelo fato de estar distante.

Depois de dez longos minutos, ele se aproximou do local onde eu estava sentado, e pude observar que aquele senhor mal falava e não conseguia sequer pronunciar uma palavra, mas prosseguia firme na sua missão. Acredito que ele tinha algum problema nas cordas vocais, mas não desistia da sua tentativa de falar.

Olhei aquele homem com a Bíblia na mão e fiquei tentando imaginar o juízo que as pessoas fariam dele. Para alguns, ele era um desequilibrado, pois, num calor imenso da Grande Vitória, estava com sua roupa especial de ir à igreja num terminal de ônibus onde as pessoas não se importavam com ele.

Outros poderiam considerá-lo um religioso do tipo fanático, que não se incomodava em ser ridicularizado diante das pessoas. Há muita gente avessa a qualquer religião, especialmente àquelas cujos seguidores costumam carregar uma Bíblia na mão. Esse povo não é bem-vindo em muitos meios.

Entretanto, existem pessoas que não têm o menor interesse em saber se há gente que carrega Bíblia ou não, ainda mais quando a época é de carnaval e elas não têm tempo para observar esses detalhes. A vida é corrida demais para se perder tempo com coisas de gente estranha que usa terno debaixo de um forte calor.

Por outro lado, existe gente curiosa que gosta de observar as pessoas, à espera de que elas lhes tragam curiosidades que podem ser traduzidas como um jeito novo e diferente de encarar e viver essa jornada que chamamos de vida. A Bíblia diz que a vida é como um vapor que aparece por um tempo, mas logo se desvanece. É tão rápida que há gente que se perde no processo de encontrá-la.

Sentado onde estava, permaneci observando aquele homem com um olhar diferente, acredito, da maioria dos transeuntes daquele terminal. Vi naquele local um homem de muita fé, pois, apesar do calor e de ninguém sequer parar para ouvi-lo, ele não pensou em desistir um momento sequer da sua missão. Muitas vezes temos uma fé que não suporta enfrentar um grupo de amigos, uma sala de aula e, muito menos, a nossa família.

Enxerguei naquele senhor um homem de profunda determinação. Ele desceu do ônibus e começou a falar, mesmo sem auditório ou qualquer pessoa interessada. Estava determinado a balbuciar palavras ininteligíveis, mas o importante era dar o seu recado. Há gente que tem voz bonita e fala muito bem, mas não tem a determinação daquele senhor.

Finalmente, vi um homem destemido, pois, além de não ter medo de se expor entre plumas e paetês numa manhã ensolarada de domingo, prosseguiu cumprindo sua missão de testemunhar, obedecendo a uma ordem apostólica de Paulo, em 2 Timóteo 4:2, para pregar “a tempo e fora de tempo”, em qualquer circunstância. Ele cumpriu à risca essa determinação.

Ah, minha condução chegou, e segui para a morada de Laranjeiras, para visitar uma tia querida, e deixei no terminal o homem com a Bíblia na mão.

É isso por hoje... é vida que segue!


 

domingo, 18 de janeiro de 2026


Quem pagou o pato fui eu…

Existem duas versões para a origem da expressão “quem vai pagar o pato”. Uma é italiana e fala sobre as exigências de um pato que foi vendido por um camponês a uma mulher em troca de favores sexuais. Como o homem passou a exigir mais, ela se recusou a atendê-lo e, depois de muita discussão, o marido chegou e, sem entender a situação, resolveu pagar o pato em dinheiro.

A segunda versão, oriunda de Portugal,  conta-se que, nas feiras medievais, havia um pato de madeira e, em todas as confusões que surgiam sem que se identificassem os causadores dos imbróglios, o pato era apontado como culpado pela situação.

Os séculos se passaram e a expressão continuou sendo usada no mesmo sentido: quem paga o pato é aquele que leva a culpa por algo que não fez. Às vezes, é um pato cheio que traz dor física, e não no bolso.

No sábado, resolvi tomar café na minha padaria preferida, em Coqueiral de Itaparica, pois precisava resolver outros problemas relativos à minha saída do apartamento onde morei por três anos, na Quinta Etapa, como é conhecido o condomínio. Depois de um bom tempo degustando meu desjejum, saí tranquilamente para voltar para casa.

Resolvi passar no supermercado para comprar material para o lanche e, antes da entrada, um fato chamou minha atenção: duas senhorinhas brigando para decidir quem ficaria com o carrinho de compras do estabelecimento. Curioso, diminuí o ritmo das minhas passadas, pois discussão entre pessoas idosas é sempre muito interessante.

Depois de resolverem quem conduziria o carrinho, surgiu outra dúvida: entre as duas fileiras de caixas — uma da esquerda e outra da direita — há uma prateleira de uns três metros; logo, existem dois lados para chegar ao interior do mercado. Aquela que estava sem o carrinho queria passar pela esquerda, e a outra, pela direita. Nova briga! Nesse momento, resolvi olhar alguns produtos de que não precisava, só para ver qual decisão tomariam.

Mais uma vez reduzi meus passos. Elas decidiram que cada uma seguiria seu caminho, e eu resolvi seguir o meu. Entretanto, a senhora da direita ficou com raiva e empurrou o carrinho com tanta força que, acredito eu, sem querer, a parte que sustenta a rodinha bateu no meu calcanhar, e a pancada causou uma dor profunda. Ela, totalmente desconcertada, veio pedir desculpas, e a outra lhe deu uma bronca e disse:— Coitadinho do menino! Você, com suas manias e teimosias… e quem pagou o pato foi ele. Ambas me socorreram, e a briga acabou.

Agradeci, dizendo que estava tudo bem, que eu poderia continuar dali em diante sem ajuda e que elas poderiam ficar despreocupadas. Ah, se elas soubessem que, como um contador de histórias, eu estava por perto porque bisbilhotava a discussão delas! Mas, infelizmente e literalmente, pela minha curiosidade, quem pagou o pato fui eu.

É isso por hoje… é vida que segue!!!

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Todo fim de tarde é sempre assim…

Voltar para casa é um dos meus momentos favoritos. Mas, se você se precipitou em pensar que não gosto de trabalhar, está enganado…

Pensar na volta para casa é imaginar o retorno ao aconchego de um lugar que, por mais simples que seja, é o nosso cantinho — onde nos sentimos seguros e à vontade para mostrar quem realmente somos, sem máscaras.

Ao longo da minha vida, morei fora da minha cidade natal a maior parte do tempo e aprendi a recomeçar e a amar os lugares por onde passei: Rio de Janeiro, Ecoporanga, São José dos Campos, Cariacica, Dakar, no Senegal, e Lomé, no Togo (ambos na África). Nos últimos anos, tenho vivido em Vila Velha…

Tenho aprendido que você pode dar a volta ao mundo, mas o melhor movimento que sempre pode fazer é o de voltar para casa — especialmente para Vila Velha, pela Terceira Ponte.

É uma volta com sabor diferente, pois a ponte, além de encurtar o retorno para casa, encanta e me ensina lições que passam despercebidas em nossas lides diárias…

Aprendo que contemplar a Baía de Vitória me faz lembrar do verso bíblico: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.” (Salmo19:1–2). Não consigo deixar de expressar o bem-estar que essa vista me proporciona.

À medida que o ônibus avança rumo ao vão central, avisto o complexo militar do 38º Batalhão de Infantaria General Tibúrcio, na Prainha, unidade histórica do Espírito Santo. Aprendo que, durante a Segunda Guerra Mundial, muitos soldados brasileiros deram suas vidas na FEB — Força Expedicionária Brasileira. Tive, inclusive, a oportunidade de conhecer o pastor João Filson Soren, capelão naquela campanha militar na Itália.

Ao atingir o terço final da Terceira Ponte, ao olhar para o Convento da Penha, localizado na Ladeira da Penitência — via de acesso ao Santuário, na Prainha, em Vila Velha —, percebo o quanto aquele lugar é sagrado. Muitas pessoas o visitam para pagar promessas e agradecer pelas graças alcançadas. São centenas de histórias que, com certeza, muitos poderiam — e gostariam — de testemunhar.

Ao concluir a travessia da Terceira Ponte, percebo que não é preciso muito esforço para compreender a bondade de Deus, mesmo após viver um ano turbulento, como foi 2025, com experiências que me levaram a uma profunda reflexão sobre a vida e sua brevidade.

Olhar para o mar, com a impressão de que ele se encontra com o céu, é uma visão que enche os meus olhos. E todo fim de tarde é assim… cheio de esperança de que, mesmo com a noite chegando, aquelas imagens permanecerão guardadas no meu coração.

É isso por hoje… é vida que segue!