Dia
Internacional da Mulher
(Homenagem
à minha mãe e a outras mulheres importantes na minha vida)
A década de 70 foi
considerada a mais nobre no cenário da música popular brasileira, pois nela se
consagraram artistas de todos os estilos — do samba e chorinho às grandes
duplas, passando pela Jovem Guarda e pelas músicas de protesto. Dizem que o
início daquela década trouxe os anos mais marcantes para os frequentadores das
noites cariocas, regadas à boemia.
Os dias eram assim: naquele
tempo, as crianças começavam a trabalhar cedo. Recordo-me de passar parte do
meu dia nos fundos de uma loja no centro de Cachoeiro, em uma “fábrica de
vidros” (material para seringas veterinárias). Nossa diversão era ouvir rádio à
tarde, já que eu estudava no turno matutino.
O Dia Internacional da
Mulher passou a ser reconhecido pela ONU em 1975, e foi nos anos 70 que
começaram as comemorações no Brasil, com debates e simpósios que se espalharam
pelo país. Confesso que, naqueles tempos, eu não tinha a menor ideia da
existência ou da importância de tal data.
Mesmo sem entender o
significado desse dia, era impossível não perceber a importância de uma grande
mulher: minha querida mãe. À medida que eu ganhava consciência sobre a vida, na
adolescência, ouvia na antiga rádio Cachoeiro uma música de Nelson Cavaquinho,
lançada em 1973, chamada “Nome Sagrado”, que era uma linda homenagem às
mulheres.
Todos os anos, no Dia
Internacional da Mulher, lembro-me das muitas figuras femininas que
participaram e ainda participam da minha trajetória. Hoje, quero homenagear
algumas delas:
Tia Babá: Mulher que me conheceu muito cedo; fui
tratado como um filho. Recordo-me de muitos momentos da minha infância ao seu
lado. Uma mulher que fez muito pelos amigos e parentes. Minha gratidão!
Tia Laurinda: Mulher de fibra que, durante toda a
vida, foi destemida. Enfrentou todas as provações e, ainda hoje, não se furta
de encarar as lutas do presente. Minha gratidão!
Tia Lucy: Viveu pela fé cada segundo da vida.
Mesmo tendo tido oportunidades de desistir diante das lidas, optou por seguir
em frente, cumprindo a missão recebida de Deus. É determinada e não tem medo de
viver um dia de cada vez com muita dignidade. Minha gratidão!
Tia Alzira: Sempre demonstrou um carinho imenso
pela cunhada (minha mãe); esse cuidado sempre me impressionou. Visitar minha
mãe parecia ser uma incumbência de todos os domingos, mas bem sabemos que era
puro afeto com a viúva de seu irmão mais velho. Minha gratidão!
Ana Eremita Bravim
Ribeiro: Colega de
concurso que se tornou uma grande amiga ao longo dos anos em que trabalhamos na
Secretaria de Estado da Educação. Mulher forte, determinada e profundamente
comprometida com o zelo pelo erário público. Minha gratidão!
Victoria Maria Matos: Grande mulher com quem convivi por dois
bons anos. Tive a oportunidade de estar perto dela e ver sua grandeza como ser
humano. Victória é dessas que não desistem nunca; ela fez disso um lema de
vida. Minha gratidão!
Dona Maria Gomes, minha
mãe: Matriarca de uma
família de seis filhos, que cresceu com a chegada de netos e bisnetas. Desde
cedo, aprendeu a administrar a casa e a resolver todos os problemas que surgiam
enquanto o saudoso marido trabalhava nas estradas de ferro da velha Leopoldina.
Foram anos difíceis, nos
quais vi a força de uma mulher que se reinventava todos os dias para trabalhar
pela sobrevivência. Uma mulher como aquela Maria, retratada por Milton
Nascimento, que nunca desistiu de ter fé na vida. Lutou para superar doenças, cirurgias,
ventos contrários e tribulações, mas continuou vivendo com fé em Deus.
Durante a pré-adolescência,
quando ouvia Nelson Cavaquinho dizer que "o nome de mulher é um nome
consagrado" e que "mulher é um nome para ser respeitado", aquilo
ia como uma flecha ao meu coração. Como primogênito, acompanhei todas as lutas
da minha mãe e, para mim, ela era uma mulher sagrada. São sentimentos que não
tenho como explicar.
Para essa mulher, minha
eterna gratidão e reconhecimento por tudo o que fez por mim e por todos os meus
irmãos. Mulher que teve a sua trajetória transformada pela presença de Jesus.
Mulher que apresentou e realizou o culto de centenas de crianças nos lares e na
Igreja Batista do Aquidabã, em Cachoeiro. Mulher que procurou servir ao Reino
de Deus através da sua vida.
Não posso deixar de
agradecer a Deus por todas as mulheres da minha família: primas, irmãs, tias,
sobrinhas, amigas e irmãs em Cristo. Algumas delas merecem, sem nenhuma sombra
de dúvida, capítulos especiais.
Neste Dia Internacional da
Mulher, gostaria de homenagear todas as que fazem a diferença na nossa
sociedade, em um tempo no qual ainda temos muito pelo que lutar: por direitos,
respeito, reconhecimento e dignidade para as mulheres de nosso país.
É isso por hoje... é vida
que segue!
