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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Menino que Tinha Cinco Pães e Dois Peixinhos
História baseada em (Mateus 14, Marcos 6, Lucas 9 e João 6)

Na cabeça de sua mãe, era um dia normal na vida daquele menino, mas, para aquela criança, ele mal se continha dentro de si, pois tudo o que queria era ver um certo homem que havia nascido em Belém e cuja fama se espalhava por toda a Galileia.

Ele se levantou bem cedo, antes mesmo de sua mãe insistir para que acordasse e, tomado de ansiedade, queria ver o homem que falava de Deus de maneira diferente. As notícias que corriam pela boca do povo eram de que ele se importava com as crianças.

O menino estava animado, pois o povo dizia que ele curava os enfermos, e o seu avozinho estava muito doente. Então ele imaginou: esse homem pode curar meu avô! Ele pode cuidar da minha família. Afinal, aquele menino era muito curioso e, de vez em quando, ouvia as conversas dos adultos sobre doenças.

Se juntássemos a empolgação de vários meninos, ainda assim ficaríamos longe dos pensamentos que habitavam aquela cabecinha. Era uma mistura de expectativas e esperanças. Seu coraçãozinho ficou tão agitado que ele quase não conseguiu dormir direito na noite anterior àquele dia.

Mas, como toda mãe é preocupada por natureza, resolveu preparar um lanche para que ele pudesse comer quando a fome chegasse. Será que toda aquela empolgação o deixaria com fome? Ela preparou cinco pães e dois peixes, que seriam suficientes para ele vencer a fome daquele dia.

Com tudo preparado, ele foi com alguns conhecidos para o encontro que mudaria para sempre a sua vida. Era difícil se aproximar de Jesus, pois a multidão se acotovelava e, para um garoto de pequena estatura, a dificuldade só aumentava. Mesmo assim, ele não desistia.

O dia foi avançando, e ele percebeu que algumas pessoas demonstravam cansaço. Era possível ver crianças pedindo algo para comer, e as pequeninas começaram a reclamar com seus pais. Algumas mães que haviam levado alimentos para seus filhos, além de dividirem tudo o que tinham, já não tinham mais o que oferecer.

O menino ficou sabendo que Jesus havia perguntado aos seus discípulos se havia algo que pudesse ser dado à multidão e eles, além de ficarem admirados com a pergunta dele, responderam que não havia comida nem para eles, muito menos para todo o povo.

Como em todos os encontros de Jesus com a multidão, alguns discípulos ficavam próximos do Mestre e outros andavam no meio do povo. Nesse movimento, o discípulo chamado André disse: - Tem um menino que tem cinco pães e dois peixes no meio do povo.

Envergonhado, o menino disse timidamente a André que tinha levado um lanche preparado por sua mãe. Aquele momento foi o mais importante de sua vida, quando ele soube que Jesus pediu os cinco pães e os dois peixinhos e, em seguida, orou. Então aconteceu a primeira grande multiplicação dos pães, que alimentou milhares de homens, mulheres e crianças.

Ele nunca imaginou que aquele lanche e sua atitude de bondade seriam lembrados e contados para sempre, e nem mesmo sabemos o seu nome. Aquele menino voltou para casa maravilhado com a experiência daquele dia e deve ter contado essa história por muitos anos. Do mesmo modo, nós não nos cansamos de repeti-la.

O que podemos aprender com o primeiro milagre da multiplicação dos pães? Quero finalizar esta história propondo algumas reflexões.

Aprendemos que o cuidado de uma mãe com seu filho pode mudar a história de milhares de pessoas. Vivemos em um tempo em que muitos pais se preocupam com o legado material, mas se esquecem daquele que pode permanecer para sempre: o espiritual.

Aprendemos ainda que não podemos impedir as crianças de buscarem Jesus; muito pelo contrário, elas precisam ser incentivadas, preparadas e enviadas ao Mestre. Jesus sempre estará disposto a receber os adultos e, sobretudo, seus braços estão abertos e estendidos às crianças.

Aprendemos que não podemos duvidar do poder de intervenção de Jesus em nossas lutas diárias. Quando o problema da falta de alimento foi levado a ele, não se desesperou e disse: “Dai-lhes vós de comer.” Os discípulos não entenderam nada, mas Jesus sabia exatamente como intervir naquela situação. Não importa o tamanho do nosso problema, pois ele sempre estará conosco quando enfrentarmos as lutas e os dilemas de cada dia.

Por fim, aprendemos que, quando colocamos e confiamos tudo o que temos, como fez aquele menino, Jesus se encarregará de multiplicar suas bênçãos em nossas vidas e na vida das pessoas que convivem conosco. Não importa quem você seja, apenas deixe Jesus cuidar da sua vida.

É o que temos para hoje... é vida que segue!


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026


Um encontro não tão casual...

O dia seria uma terça-feira como muitas outras, mas com uma diferença, pois hoje é o último dia do carnaval no Brasil.

Prometera à minha mãe que a levaria com a minha irmã Sueli a Marataízes, à casa da minha outra irmã, Leonora. Tudo pronto e saída marcada para as 08h da manhã; saímos às 09h30, e está tudo certo. É feriado!!!

Foi uma viagem bem tranquila e, assim que chegamos às imediações da Lagoa Funda, nos dirigimos à casa, que fica exatamente a cinco minutos da praia.

Tudo pronto para descer para o mar: os apetrechos foram colocados no porta-malas e prontamente fui de carro levar o meu tesouro mais precioso de 88 anos, minha querida mãe, Dona Maria. Foi só assim que percebi que o sol das 12h é escaldante!

Chegar à praia envolve escolher um bom espaço e montar a sombrinha, mas é preciso ver para que lado o vento está soprando para não carregar os equipamentos (saco térmico, cadeiras, cangas, toalhas etc.) e, apesar de todo o trabalho, ficou tudo resolvido.

Sentei-me, peguei o livro da vez e continuei a ler e a folheá-lo quando percebi que havia chegado uma nova mensagem no meu smartphone. Na verdade, nem sei como consegui ouvi-la, pois o vento forte e o barulho das ondas não foram suficientes para abafar uma mensagem que vinha do coração.

A impressão que tive é que você deve ter me ouvido falar de sua pessoa várias vezes nesta semana. Externei, com muito carinho e gratidão a Deus, a minha felicidade pela sua existência. Claro que minha mãe sempre me diz: “Roberto tem uma facilidade de gostar de todo mundo.” Em parte, ela tem razão, mas você é especial.

A conversa fluiu como deveria e, após uma troca intensa de mensagens — às vezes escritas, outras gravadas pelo WhatsApp —, concluímos com a sensação de que, nos últimos anos, tenha sido um dos nossos mais belos diálogos.

Sempre admirei seu jeito sensato de ser: ideias claras, posições definidas e bem equilibradas, firme nas suas decisões e, definitivamente, uma mulher abençoada por Deus.

Você que lê neste momento deve estar com o pensamento nas nuvens, tentando descobrir que conversa foi essa. Mas, se queres um conselho de amigo, eleve sua imaginação até as estrelas, pois, enquanto isso, vou cuidando da minha joia preciosa aqui na terra.

Deixe de ser uma pessoa curiosa e continue lendo-me, que em breve trarei mais notícias...

É isso por hoje... é vida que segue!!!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

I Shot the Sheriff, a música que assusta!

Como sempre, saí de casa bem cedo e entrei num ônibus espaçoso, mas com pouquíssimo espaço entre as pessoas, pois muita gente teve a mesma ideia de ir para o trabalho às 05h da manhã — madrugada para alguns. Gente estranha!

Passear de carro é muito bom, mas andar de coletivo é sempre uma caixinha de surpresas. Pela manhã, normalmente, muitas pessoas mantêm a fisionomia fechada, e algumas parecem estar com raiva por terem que acordar cedo. Confesso que, para não fugir das minhas esquisitices, sou do tipo que gosta de acordar cedo e não tenho problema algum em cumprimentar as pessoas, sempre com bom humor e um sorriso. Nem sempre sou correspondido, mas, como bom brasileiro, não desisto nunca.

Desci da primeira condução no final da Rodovia das Paneleiras, que é paralela ao Aeroporto de Vitória, bem diante de um supermercado que tem nome de santo e evoca o pai terreno de Jesus. Daquele ponto em diante, seguindo em direção ao norte do Estado, tem início a Avenida Mestre Álvaro, que é a BR-101, que atravessa todo o Estado do Espírito Santo.

Descer naquele local é sempre uma grande aventura, pois é um grande encontro de veículos que vêm da Rodovia do Contorno, de Cariacica e da Serra. Na direção de quem desce para Vitória, está o Vitória Apart Hospital e um grande hotel que fica próximo ao Viaduto Profa. Sandra de Assis Malani. Porém, pela largura das duas pistas, o local bem que merecia uma passarela, pois isso evitaria que as pessoas arriscassem perder suas vidas em uma travessia tão perigosa.

Depois de atravessar a avenida e, agora seguro no ponto de ônibus, visualizei uma mulher que parece ser descendente de asiáticos e sempre embarca naquele local. É uma senhorinha bem vaidosa e, todos os dias, religiosamente, passa protetor solar e, parece-me, usa brilho nos lábios. Dias desses, por acaso, trocamos duas ou três palavras quando o nosso coletivo nos ignorou e passou direto.

Após subir no ônibus, bem geladinho, por volta das 05h20 da manhã, fiquei em pé para compensar as horas que passo sentado durante o dia, e meus pensamentos divagaram. De repente, me vi nos anos 70, murmurando um reggae escrito por Bob Marley em 1973, mas que ficou famoso com a gravação de Eric Clapton, em 1974, chamado I Shot the Sheriff (Eu Atirei no Xerife).

Num passado longínquo, fui baterista na Igreja Batista do Aquidabã, em Cachoeiro, e tocava no Conjunto e Grupo Emanoel. O primeiro era um grupo misto, e o segundo, apenas de rapazes. Como sou movido ao som da percussão, se uma música vem à minha cabeça, sinto o pulsar do ritmo no meu corpo e, por vezes, pego-me murmurando ou reproduzindo sons com leves gestos e expressões corporais.

Permaneci em pé, próximo à porta do meio do coletivo, pensando no reggae e me sentindo um Eric Clapton, pois o toque daquela guitarra é mágico e a bateria é sensacional — tudo isso enquanto observava a paisagem. A música tem o poder de nos levar a lugares que marcaram nossas vidas e a momentos inesquecíveis em nossas memórias afetivas.

Havia uma senhora que assistia a alguns vídeos no celular enquanto o ônibus prosseguia em seu itinerário, e eu viajava em meus pensamentos e movimentos praticamente involuntários, ao ritmo da música presente em meu ser, quando percebi que, de repente, a senhora pareceu tomar um susto. Ela me olhou com cara de poucos amigos, guardou o telefone na bolsa e fechou o semblante. Aquele movimento me trouxe de volta à realidade.

No início, fiquei sem entender, mas, depois de alguns segundos, cheguei a algumas conclusões: acredito que ela achou que eu estava bisbilhotando os vídeos que ela assistia; ou talvez tenha pensado que eu fosse um maluco tentando cantar uma música em “inglês de caminhão”, e ela entendeu a letra e imaginou que eu atiraria em alguém; ou pode ser que tenha ficado com medo, porque ela estava de costas para a porta, e ali seria um local fácil para pegar o aparelho e descer correndo.

São três prováveis hipóteses que surgiram após a lembrança de uma canção, e logo pensei: I Shot the Sheriff, a música que assusta. Claro que, das três possibilidades, fico com a segunda, pois sei que, quando me empolgo com certas canções, primeiro penso como Milton Nascimento: como não fui eu quem as fez, normalmente as canto sem nenhum tipo de constrangimento — mas toda empolgação em excesso sempre tem um preço a pagar.

Prosseguimos a viagem e logo cheguei ao ponto onde desceria. Observei que a mulher me pareceu mais relaxada. Fora do coletivo, aproveitei para respirar o ar puro da manhã e cantei mais alto, sem me preocupar com o volume nem mesmo com as pessoas que me observavam... I Shot the Sheriff (Eu Atirei no Xerife). Mas calma, não atirei e nunca atiraria em ninguém, pois, inclusive, sou contra o porte de armas. Pessoas armadas se tornam valentes, perigosas e, normalmente, inconsequentes.

É isso por hoje... é vida que segue!


domingo, 15 de fevereiro de 2026

Um homem com uma Bíblia na mão

Nesse domingo de carnaval, no primeiro grande e esperado feriado de 2026, antes de o país começar a funcionar de verdade para muita gente, o dia amanheceu com um sol bem escaldante, bom para quem gosta de praia.

Saí de casa não tão cedo como de costume, embarquei num coletivo que me levou até uma determinada altura do bairro Carapina e entrei em outro ônibus até o Terminal de Laranjeiras, que, naquele momento, estava vazio. Mas, à medida que o dia avançava, o povo da praia foi chegando, e muitos foliões voltavam da noitada.

Sentei-me com meu livro do dia, absorto na leitura, fato que me fez desligar dos acontecimentos ao meu redor, até o momento em que um senhor desceu do ônibus, trajando um terno preto, sapatos de cor bege, camisa azul-clara e ostentando uma grande barba que, por sinal, estava bem aparada.

Naquele instante, desviei meu olhar para aquele senhor, que estava muito bem trajado para aquele momento do dia. O homem se posicionou num local estratégico, e fiquei esperando que ele proferisse o seu sermão. Gosto de ouvir pregadores em espaços abertos, pois muitos deles normalmente têm abordagens diferentes das tradicionais.

O volume de pessoas e foliões foi aumentando, e o povo passava ainda mais apressadamente. Minha expectativa aumentava com a possibilidade de ouvi-lo. O tempo foi passando, e a pregação não acontecia, mas ele estava firme, balbuciando palavras que eu não conseguia entender ou ouvir, pelo fato de estar distante.

Depois de dez longos minutos, ele se aproximou do local onde eu estava sentado, e pude observar que aquele senhor mal falava e não conseguia sequer pronunciar uma palavra, mas prosseguia firme na sua missão. Acredito que ele tinha algum problema nas cordas vocais, mas não desistia da sua tentativa de falar.

Olhei aquele homem com a Bíblia na mão e fiquei tentando imaginar o juízo que as pessoas fariam dele. Para alguns, ele era um desequilibrado, pois, num calor imenso da Grande Vitória, estava com sua roupa especial de ir à igreja num terminal de ônibus onde as pessoas não se importavam com ele.

Outros poderiam considerá-lo um religioso do tipo fanático, que não se incomodava em ser ridicularizado diante das pessoas. Há muita gente avessa a qualquer religião, especialmente àquelas cujos seguidores costumam carregar uma Bíblia na mão. Esse povo não é bem-vindo em muitos meios.

Entretanto, existem pessoas que não têm o menor interesse em saber se há gente que carrega Bíblia ou não, ainda mais quando a época é de carnaval e elas não têm tempo para observar esses detalhes. A vida é corrida demais para se perder tempo com coisas de gente estranha que usa terno debaixo de um forte calor.

Por outro lado, existe gente curiosa que gosta de observar as pessoas, à espera de que elas lhes tragam curiosidades que podem ser traduzidas como um jeito novo e diferente de encarar e viver essa jornada que chamamos de vida. A Bíblia diz que a vida é como um vapor que aparece por um tempo, mas logo se desvanece. É tão rápida que há gente que se perde no processo de encontrá-la.

Sentado onde estava, permaneci observando aquele homem com um olhar diferente, acredito, da maioria dos transeuntes daquele terminal. Vi naquele local um homem de muita fé, pois, apesar do calor e de ninguém sequer parar para ouvi-lo, ele não pensou em desistir um momento sequer da sua missão. Muitas vezes temos uma fé que não suporta enfrentar um grupo de amigos, uma sala de aula e, muito menos, a nossa família.

Enxerguei naquele senhor um homem de profunda determinação. Ele desceu do ônibus e começou a falar, mesmo sem auditório ou qualquer pessoa interessada. Estava determinado a balbuciar palavras ininteligíveis, mas o importante era dar o seu recado. Há gente que tem voz bonita e fala muito bem, mas não tem a determinação daquele senhor.

Finalmente, vi um homem destemido, pois, além de não ter medo de se expor entre plumas e paetês numa manhã ensolarada de domingo, prosseguiu cumprindo sua missão de testemunhar, obedecendo a uma ordem apostólica de Paulo, em 2 Timóteo 4:2, para pregar “a tempo e fora de tempo”, em qualquer circunstância. Ele cumpriu à risca essa determinação.

Ah, minha condução chegou, e segui para a morada de Laranjeiras, para visitar uma tia querida, e deixei no terminal o homem com a Bíblia na mão.

É isso por hoje... é vida que segue!