Existem duas versões para a origem da expressão “quem vai pagar o pato”. Uma é italiana e fala sobre as exigências de um pato que foi vendido por um camponês a uma mulher em troca de favores sexuais. Como o homem passou a exigir mais, ela se recusou a atendê-lo e, depois de muita discussão, o marido chegou e, sem entender a situação, resolveu pagar o pato em dinheiro.
A segunda versão, oriunda de Portugal, conta-se que, nas feiras medievais, havia um pato de madeira e, em todas as confusões que surgiam sem que se identificassem os causadores dos imbróglios, o pato era apontado como culpado pela situação.
Os séculos se passaram e a expressão continuou sendo usada no mesmo sentido: quem paga o pato é aquele que leva a culpa por algo que não fez. Às vezes, é um pato cheio que traz dor física, e não no bolso.
No sábado, resolvi tomar café na minha padaria preferida, em Coqueiral de Itaparica, pois precisava resolver outros problemas relativos à minha saída do apartamento onde morei por três anos, na Quinta Etapa, como é conhecido o condomínio. Depois de um bom tempo degustando meu desjejum, saí tranquilamente para voltar para casa.
Resolvi passar no supermercado para comprar material para o lanche e, antes da entrada, um fato chamou minha atenção: duas senhorinhas brigando para decidir quem ficaria com o carrinho de compras do estabelecimento. Curioso, diminuí o ritmo das minhas passadas, pois discussão entre pessoas idosas é sempre muito interessante.
Depois de resolverem quem conduziria o carrinho, surgiu outra dúvida: entre as duas fileiras de caixas — uma da esquerda e outra da direita — há uma prateleira de uns três metros; logo, existem dois lados para chegar ao interior do mercado. Aquela que estava sem o carrinho queria passar pela esquerda, e a outra, pela direita. Nova briga! Nesse momento, resolvi olhar alguns produtos de que não precisava, só para ver qual decisão tomariam.
Mais uma vez reduzi meus passos. Elas decidiram que cada uma seguiria seu caminho, e eu resolvi seguir o meu. Entretanto, a senhora da direita ficou com raiva e empurrou o carrinho com tanta força que, acredito eu, sem querer, a parte que sustenta a rodinha bateu no meu calcanhar, e a pancada causou uma dor profunda. Ela, totalmente desconcertada, veio pedir desculpas, e a outra lhe deu uma bronca e disse:— Coitadinho do menino! Você, com suas manias e teimosias… e quem pagou o pato foi ele.Ambas me socorreram, e a briga acabou.
Agradeci, dizendo que estava tudo bem, que eu poderia continuar dali em diante sem ajuda e que elas poderiam ficar despreocupadas. Ah, se elas soubessem que, como um contador de histórias, eu estava por perto porque bisbilhotava a discussão delas! Mas, infelizmente e literalmente, pela minha curiosidade, quem pagou o pato fui eu.
É isso por hoje… é vida que segue!!!

Nenhum comentário:
Postar um comentário